Quinta-feira, 9 de Julho de 2015

Gregrices

Estava eu a ver-me grego para ver se arranjava um bom motivo para fazer este post, quando me apareceu o diabo em forma de gente, me piscou o olho e disse: “queres melhor ainda?” E sem mais, foi-se embora.

“Que raio quis o fulano dizer”? - matutei eu, sabendo que ele nunca dá ponto sem nó. De tanto matutar, ainda mais grego fiquei. Até que se acendeu aquela luzinha, que se acende (nem sempre) quando descobrimos a pólvora (e neste caso nem convém que a luzinha tenha chama) e eu soltei o costumado “eureka” que por sinal é grego e do antigo, do tempo pré-dracma.

E foi assim que:

«"Vi-me grego com aquela complicação".

«Porque será que se diz isto – ver-se grego?

«O grego foi sempre tomado na romanidade como coisa difícil.

«Na Idade Média era até frequentíssimo este dito, muito usado pelos que faziam transcrições ou traduções: "Graecum est, non legitur" – "É grego, não se entende". Inda hoje se diz – "isto para mim é grego", ou seja, "não percebo nada disto".

«O ver-se grego não deve provir de se tornar grego no sentido de se ver como natural ou habitante da Grécia. No entanto, o mistério em que sempre se tem envolvido o que é grego, por menos acessível ao comum das gentes, decerto influiu no facto de a palavra grego se haver aplicado aos ciganos, cuja origem tanto mistério encobre, mas que se julgaram oriundos do antigo império grego.

«Escrevi, por isso, no Glossário Crítico de Dificuldades que ver-se grego deve relacionar-se com os ciganos: "Supostos estes oriundos do antigo império grego, aos ciganos se chamou gregos. A sua vida cheia de dificuldades, perigos, aventuras, perseguições, deu lugar a que se veja grego quem sofra percalços ou se veja neles.

«Por um lado, a linguagem dos ciganos, o protótipo do ininteligível, por outro lado, a confusão de ciganos com gregos da Ásia Menor e a sua vida cheia de peripécias, de dificuldades do ciganear, tudo isto misturado é o que dará a origem do ver-se grego

Transcrevemos o que sobre a expressão «ver-se grego» (= ter muita dificuldade em resolver qualquer problema ou situação) escreveu Vasco Botelho de Amaral, em Mistérios e Maravilhas da Língua Portuguesa (Livraria Simões Lopes, Porto, 1950).

 

Isto tirei eu do site “Ciberdúvidas da língua portuguesa” e fiquei a pensar se os gregos não dirão agora: “vejo-me português com esta situação”.

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.

E tu, Lince que não tens dado notícias, já te sentiste grego muitas vezes?      

     

publicado por Carapaucarapau às 12:12
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6 comentários:
De Maria Araújo a 10 de Julho de 2015 às 22:32
Ahahahaha! És demais, Carapau : "vejo-me português com esta situação”.

Beijinho



De Carapau a 11 de Julho de 2015 às 15:10
Então não achas normal que vendo-nos gregos com tantos problemas, eles não se possam ver portugueses com problemas semelhantes?
Ainda que parece que eles não simpatizam muito connosco. Até se compreende. Não gostam de ter concorrência...
Continuação de bom verão e muitos ginásios... :)
Bjo.


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