Quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

Entrevista (4)

(2ª entrevista concedida à Revista Económica, assim chamada por gastar pouco papel)

 

RE – Cá estamos, pela segunda vez, para uma entrevista. Agradecemos desde já a disponibilidade do Carapau para connosco fazer uma análise à situação económica mundial.

CC – É verdade cá estamos. Mas deixe que lhe diga que não preciso da vossa ajuda para uma tal análise…

RE – Claro, nem nós temos tal pretensão. Foi só uma maneira de começar a conversa.

CC – Começaram mal.

RE – Talvez.

CC – Assim está melhor.

RE – A razão desta entrevista é ouvir o Carapau perorar sobre a crise que assola o mundo quer na área financeira, quer económica…

CC – O senhor jornalista não vai querer que eu perore aqui debaixo de água?

RE – Uma vez que o Carapau diz que sente falta de água “lá em cima” a peroração terá mesmo de ser aqui.

CC – Quem já está a perorar é o senhor.

RE – Qual a opinião do Carapau sobre o começo desta crise?

CC – Bem. As Cris começam sempre da mesma maneira.

RE – Que é?

CC – Pelo princípio.

RE – Pelo principio, então?

CC – Sim, uma vez mais.

RE – Muito bem, é uma maneira original de começar a análise.

CC – Há maneiras mais originais. Começar pelo fim, por exemplo.

RE – Então já sabe como vai acabar esta crise?

CC – Já. Desde o principio.

RE – Capacidade de análise…

CC – Ao sangue?

RE – E à urina.

CC – Ora bem. A Cris…

RE – Cris?

CC – Os tempos são de contenção e poupança e eu começo por economizar nas letras.

RE – Entendido.

CC – Desde o princípio que eu entendi que a Cris ia acabar mal.

RE – Mal? Vai piorar ainda mais?

CC – Hummm…

RE – Hummm…?

CC – Piorar sobre certos pontos de vista, melhorar sobre outros.

RE – Já não é mau. Há aí uns laivos de esperança…

CC – A Esperança não é para aqui chamada. É outro caso.

RE – Outro caso?

CC – Outro caso.

RE – Voltando à Cris…

CC – A Cris vai dar em droga. Podemos mesmo dizer que já deu.

RE – Droga? A Cris? Já deu?

CC – Foi o que eu disse, escusa de repetir.

RE – Estou só a tentar entender. Quer então o Carapau dizer que a droga, isto é, o narcotráfico, a lavagem de dinheiro, a subsequente economia paralela, subterrânea, informal, tudo o que lhe quisermos chamar é a causa da cris…

CC – Oh! Meu Deus, o que para aí vai…

RE – Deus também está metido?

CC – Oh meu Deus!

RE – Duplamente metido?

CC – Oh! Senhor jornalista!

RE – Eu? Eu também tenho culpas na cris…

CC – Funke-se!!! ***

RE – Já estou calmo. Mas foi um grande choque saber…isto vai ser um espanto…quando esta entrevista sair…

CC – Oh! Homem acalme-se. O senhor diz que está calmo mas não está. Não quererá tomar uma cervejinha e petiscar uma navalheira?

RE – Com esta máscara como é que eu podia…

CC – Tem razão. Estava distraído.

RE – Agora já estou um pouco melhor. Aumentei a percentagem de oxigénio…Está tudo bem. Então a cris…

CC – Como eu lhe disse deu em droga. Não era para admirar. Andava metida com uns e outros, começou a sacar daqui e dali, gastava e não pagava, pedia e não restituía, dava pouco e mal…o costume…

RE – O subprime…

CC – Outra vez? O senhor é teimoso. A pobre da Cristina sabia lá o que era o subprime ou o raio que o parta…

RE_ A Cristina? Mas que Cristina?

CC – O senhor está a sentir-se mal? Veja lá se quer que o leve “lá acima”…

RE – Mas então a cris…

CC – Sim. A Cristina, essa mesma. O senhor não a conhecia?

RE – Conheço uma. Mas a cris de que eu falava era a outra.

CC – Há outra? É natural. Creio que cada vez há mais…

RE – Vai haver mais ainda?

CC – Quer um conselho senhor jornalista? Volte “lá para cima”, tente descontrair-se e vai recuperar com facilidade.

RE – Vou aproveitar essa sugestão. Antes porém tinha uma pergunta a fazer-lhe sobre a sua prima. Essa não está em crise?

CC – Pelo contrário. As últimas notícias dizem que está em alta… Coitado do jornalista fugiu a sete barbatanas…

 

 Notas da redacção:

1-     O nosso jornalista encontra-se internado mas fora de perigo. Ainda não diz coisa com coisa, mas isso é o seu normal. A Revista está muito orgulhosa por poder apresentar, a pesar das dificuldades, esta entrevista na íntegra. A última declaração do Carapau foi já registada pelo nosso fotógrafo, que na pressa, também se esqueceu da máquina. Daí a falta de fotografias a acompanhar a entrevista. Por motivos óbvios não podemos recorrer aos nossos arquivos.

2- A expressão assinalada na entrevista com *** quer dizer no dialecto de carapau "Acalme-se!". Foi o próprio Carapau que fez questão de nos telefonar a dar essa informação, não fossem os leitores não a entenderem. Disse mesmo que quando a empregou, gritou tanto que ficou rouco.

     Aproveitamos para apresentar os nossos votos de rápido restabelecimento ao Carapau, que está sempre disposto a colaborar com esta Revista, sempre que lhe solitamos a sua abalizada opinião. Não queremos que perca o pio...(um carapau a piar...só mesmo desta Revista - a sua Revista caro leitor).

publicado por Carapaucarapau às 11:23
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1 comentário:
De Tretoso_Mor a 7 de Novembro de 2008 às 07:46
Carapaucarapau,

Afinal onde começa o princípio? LOL

Um gandabraço


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