Quinta-feira, 2 de Maio de 2013

Repito-me ?

Não sei. É esta a minha resposta ao título do post de hoje.

Creio que já uma vez falei disto, mas por outro lado, depois duma vista de olhos rápida pelo blog, não encontrei nada que me garanta que foi “aqui” que falei do assunto.

Serve-me o tema também para falar dos políticos e do repetido discurso que todos eles usam, quando não têm necessidade de dizer hoje o contrário do que disseram ontem, porque a vida custa a todos e nunca ninguém disse que não se pode viver sem vergonha. Acho até que se vive melhor, porque a vergonha, tal como os sapatos de salto alto em certas pessoas, só atrapalha. (Repare-se na originalidade da comparação. Há dias em que tudo sai perfeito e não tentem descortinar nem um pequeno esgar de troça nos meus lábios. Já agora, “vox populi”, não são nada de botar fora…).

Assim entendidos (e quem ainda não entendeu nada é porque não está atento) vamos lá ao assunto que é um não assunto, o que talvez mereça uma explicação prévia. Assim, um não assunto é um assunto que faz cá tanta falta como um não assunto. Há assuntos que são não assuntos e não assuntos que são assuntos.

Vamos a ele, sem mais delongas. (Ao assunto ou ao não assunto? A eterna dúvida…)

(Pigarro para aclarar o teclado).

No post anterior uma das comentadoras empregou o termo “amodosque” que me fez sorrir. Foi assim amodosque uma lembrança da minha juventude.

Um dia, domingo certamente, por motivos que só eu sei, encontava-me eu, ainda jaquinzinho, sentado num banco que havia em frente à casa do meu avô, com o referido avô a meu lado (ou eu ao lado do meu avô, já não me recordo bem…) quando passa um sujeito na rua e o cumprimenta respeitosamente.

“Boa tarde Sr. Pedro. Então a gozar a sombra e a descansar?”

“Boa tarde. É verdade, a descansar e a gozar esta brisa que corre, já que o dia vai quente. Desculpa, quem és tu?”

“Atão, eu sou o Jaquim, o filho mais velho do António da Horta que vocemecê conhece muito bem. Já não se alembra de mim?”

“Oh rapaz, já não te reconhecia não. Estás um homem feito, da última vez que te vi ainda eras um rapazote”.

“O tempo passa Sr. Pedro… já casei há uns anos e até já tenho cinco filhos”.

“O quê? Cinco filhos? E como fizeste tu isso?” – perguntou espantado o meu avô. E eu atento à conversa.

“Ora Sr. Pedro. Aquilo é só apuntar…”

“Devias ter mais cuidado, talvez…”

“Olhe Sr. Pedro, há três palavras que não deviam existir na língua portuguesa”.

“Ah sim? E quais são?”

“O talvez, o creioque e o  amosdoque”.

O meu avô engoliu em seco e desviou a conversa para o estado do tempo…

E eu aprendi desde então estas três palavras mágicas, que a brincar uso ainda hoje, já para não falar no “apuntar” que também pratico, “à mi manera”.

 

O que uma simples palavra num comentário bloguístico, pode trazer à memória… 

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.        

publicado por Carapaucarapau às 17:54
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