Quinta-feira, 18 de Abril de 2013

O Carmo ... e a Trindade

Há umas dezenas de anos atrás, um amigo meu ia a passar no Largo do Carmo, em Lisboa e resolveu sentar-se a descansar à sombra, num dos bancos que então havia no Largo (não sei se ainda hoje existem ou não).

Mal se tinha sentado, a sentinela do Quartel do Carmo (da GNR) chamou-lhe a atenção dizendo que era proibido sentar-se naqueles bancos. O meu amigo achou estranho e perguntou a razão da proibição. A sentinela disse que não sabia, mas que havia ordens para não deixar sentar ninguém.

Como aquilo não fazia sentido, pediu para falar com o “Oficial de dia” que apareceu passado pouco tempo. O meu amigo explicou-lhe a razão daquela sua chamada.

O “Oficial de dia”não sabia daquela ordem, perguntou à sentinela a razão da proibição. A resposta foi igual, não sabia, mas com um pormenor: aquela proibição estava na “ordem do dia”. O oficial foi ver a “ordem do dia” e lá estava o assunto. A razão? Não sabia. Foi ver a “ordem do dia” anterior e lá estava também a proibição. Perguntou a um e a outro, ninguém sabia quem tinha dado a ordem e quando, pois chegaram à conclusão de que o “caso” já vinha muito lá de trás. As ordens do dia era copiadas da do dia anterior e raramente tinham alguma coisa de novo. Limitavam-se a transcrever o que devia ser feito pelos diversos “atores” do Quartel. De investigação em investigação o caso foi levado até ao Comandante do quartel que também não sabia nada sobre o assunto. Depois de muita conversa, de muitas interrogações, de muita pesquisa, alguém se lembrou dum episódio passado há uns meses (ou anos?) atrás e que explicava a proibição e o facto de ser a sentinelas de serviço na portaria a zelar por aquela ordem de ninguém se poder sentar nos bancos do Largo do Carmo.

Acontecera que um dia a Câmara pintara os bancos e pedira no quartel para que a sentinela não deixasse ninguém sentar-se durante um ou dois dias enquanto a tinta estivesse fresca. Medida cautelar para não estragar a roupinha aos cidadãos mais distraídos. Nesse dia essa obrigação da sentinela saiu na “Ordem do dia” e como se está mesmo a ver, foi sucessivamente copiada ao longo de meses (ou anos?).

O meu amigo fartou-se de rir com o assunto, os próprios oficiais também acharam muita piada ao caso e isto só prova como as coisas podem acontecer na vida duma instituição e na vida duma pessoa. A rotina, a falta de atenção dedicada aos assuntos, numa palavra, a falta de profissionalismo

conduz quase sempre a estas situações. Também aqui, como contei no post anterior, o assunto devia ter sido arquivado no dossier dos casos curiosos.

Mas por cá não há esse sentido de humor…

Um dia eu andava a passear com o meu amigo na baixa, subimos o Chiado, a conversar ele disse-me que me ia mostrar uma coisa e levou-me até ao Largo do Carmo. Sentamo-nos num dos bancos e então ele contou-me a história que aqui deixo registada.

Para que conste.

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.        

publicado por Carapaucarapau às 13:47
link do post | favorito
De Labirinto de Emoções a 19 de Abril de 2013 às 23:07
Mais um história gira, contada como tu SÓ tu o sabes fazer...:)))
Continua que eu passarei sempre para te ler!
Deixo-te apenae e SÓ...um beijo..)))


De Carapau a 21 de Abril de 2013 às 15:14
"Como só tu sabes fazer" também pode querer dizer meio aldrabada, trocando os Largos em Lisboa, como se pode ver mais abaixo.
Vai passando por cá, se quiseres podes mesmo sentares-te à sombra, se houver banco disponível.
Bjo.


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