Quinta-feira, 7 de Março de 2013

Entrevista

- Boa tarde. João Esteves de Carvalho.

- Boa tarde. Alfredo Madeira de Pinho.

- Parece que ainda somos aparentados.

- Não tenho conhecimento disso.

- Pelos apelidos…

- Não temos o mesmo.

- Pois não, mas…não tem importância. Sente-se por favor. Então o que o trouxe cá?

- O meu irmão.

- Que tem o seu irmão a ver connosco?

- Comigo tem a ver, é meu irmão; com o senhor creio que não tem nada a ver, nem nunca ouviu falar.

- Mas então porque disse que foi o seu irmão que o trouxe cá?

- Exatamente porque foi ele. Está lá fora no carro, à espera que eu saia da entrevista.

- Ah! Entendi. Mas não foi isso que eu perguntei. Perguntei-lhe qual o motivo da sua vinda aqui?

- Respondi ao anúncio, os senhores marcaram-me esta entrevista e apresentei-me.

- Sim, tudo bem. Faço a pergunta de outra maneira: que razão ou razões o levaram a responder ao nosso anúncio? Conhece a nossa empresa? Já trabalhou neste setor? Gostaria de trabalhar?

- As razões foram múltiplas, a saber: estou desempregado, preciso de trabalhar, sou capaz de desempenhar qualquer lugar, estas instalações ficam relativamente perto de minha casa, tenho uma ideia do tipo de trabalho que aqui se faz e a minha namorada mora aqui perto.

- Quer dizer que mataria vários coelhos com a mesma cajadada?

- Nada disso. Não mato coelhos, nem uso cajado. O meu avô é que usava.

- De pinho?

- Sim, o meu avô era de Pinho.

- Queria eu dizer, o cajado.

- O cajado não era de pinho. O pinho não é boa madeira para cajado.

- Entendido. Fale-me da sua experiência de vida.

- Desculpe mas as boas e más experiências da minha vida não lhas vou contar.

- Como quer então que eu o avalie?

- Avaliando.

- Tem experiência na área da robótica?

- Uma luzes.

- Explique-se melhor, por favor.

- Quando era miúdo, ofereceram-me um robot todo cheio de luzes…

- O senhor veio aqui para brincar?

- Com robots? Nem pensar. O meu tempo de brincadeira já lá vai.

- Está a levar esta entrevista a sério?

- O mais sério que me é possível. É muito importante para mim ser o escolhido.

- Quanto pretende ganhar?

- O máximo que me puderem pagar, mas de acordo com o trabalho que eu fizer.

- Mas não tem um número na cabeça?

- Eu? Que saiba não. Pelo menos de manhã quando me penteei não vi número nenhum.

- O senhor acha que é engraçado?

- Não; mas a minha avó dizia muitas vezes “este miúdo é muito engraçado”. Eu não achava graça nenhuma.

- E eu também não acho graça nenhuma aos engraçadinhos.

- Um ponto em que estamos de acordo.

- Sabe que responderam muito pretendentes, ao nosso anúncio?

- Sei. Só lá fora, à espera, estão bastantes…

- Preencha esta ficha que lhe vou dar, da maneira mais concreta que for capaz, entregue-a da receção. Dentro duma semana dar-lhe-emos uma resposta. Boa tarde, senhor Pinho.

- Boa tarde senhor Carvalho.

 

O Pinho, como é conhecido no meio, é hoje um dos melhores técnicos de robótica. O Carvalho é considerado na empresa como um descobridor de talentos.

Algum tempo depois de ser admitido, estando os dois a almoçar na cantina da empresa, vieram a descobrir que a namorada do Pinho ainda era prima do Carvalho.

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.        

publicado por Carapaucarapau às 14:47
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8 comentários:
De maria teresa a 8 de Março de 2013 às 13:15
Afinal havia outra! Que disparate afinal eles sempre eram da família! Da família é como quem diz, mais ou menos, de família por afinidade, o primo da namorada é primo. Será? Fiquei na dúvida!
Seja de que maneira for a entrevista, muito boa por acaso, não, não deve ter sido por acaso, foi estudada ao pormenor. Ao pormenor? Teria sido! Quem a leu ao pormenor fui eu!
Para rematar uma entrevista que por entre vistas, deu frutos, frutos que renderam bens (uma mais valia como hoje leio tanto) a ambos os intervenientes.
Agora espera um bocadinho que eu vou fazer uma pergunta.

Ó JAQUIM, POSSO MANDAR UM BEIJO?

Desculpa se te feri os ouvidos mas ele estava um pouco longe a plantar umas couves.

Beijo meu!



De Carapau a 8 de Março de 2013 às 18:36
-Oh Jaquim! Parece c'ouves mal. Atão a Senhora amanda-te um beijo em altos berros e continuas agarrado à enxada?
Uma coisa tenho como certa. Aquelas couves vão dar uns belos grelos. E depois de cozidos e salteados a acompanhar uma perna de cabrito...
Pronto, perdi-me. Quando eu me dedicava a "prantar" coisas lá no quintal, nunca ninguém me gritou: "Oh Carapau, queres um beijo"?
Mas o que é que isto tem a ver com o post? Nada. :))
Termino esclarecendo a tua dúvida: o primo da namorada chama-se Carvalho. :))
Bjo. e bem aparecida sejas. Sim porque uma aparição tua cá por estas bandas é sempre uma mais valia. :))


De maria teresa a 9 de Março de 2013 às 00:21
Ó Carapau tu sabes muito, mas és um bom peixe!
É por isso que o Jaquim me dá autorização para te mandar um beijo, com a condição de dizer que é meu e não dele rsrsrsrsrsrs
Beijo meu ( e já vão dois, este sem autorização)
Bom fim de semana, amanhã lá vou eu para os "suis"!


De Carapau a 10 de Março de 2013 às 18:40
Ir para os "suis" com este tempo...não te gabo o gosto, a menos que o Jaquim também vá e ele só pode ir depois de plantar as couves...
De qualquer maneira desejo que a estadia seja boa, descansa, diverte-te ou pinta a manta (isto se levares as tintas e os pinceis) e que corra tudo pelo melhor.
Bjo. ...e até qualquer dia!


De Maria Araújo a 8 de Março de 2013 às 22:07
Lando este post, e a respeito das perguntas, hoje, passei numa daquelas mercearias antigas (deve ser a única aqui no burgo, no centro da cidade) para comprar feijão vermelho.
No mercadinho onde cotumo comprar a fruta tem, mas é de fora.
Pois bem, perguntei ao senhor, nos seus quase 80, se o feijão é nacional. Ao que ele me fez uma pergunta: "Quer que lhe diga a verdade ou que lhe minta?"
Observei-o, deduzindo que estaria a meter-se comigo.
Volta a fazeer a mesma pergunta e respondilhe: "quero que me diga a verdade mentindo".
E acrescenta ele: "Este feijão não +e nacional. É estrangeiro, mas digo-lhe já que é muito bom. Ainda hoje ao almoço comi um arroz de feijão com patanisca de bacalhau".
Apeteceu-me dizer-lhe :"Então cá já não se cultiva feijão?" Mas nada disse.
O outro senhor, que parecia ser o filho, na casa dos 65, partia nozes com um martelo, com uma rapidez , ao memso tempo que punha a casca num saco de sarapilheira e o milo numa caixa de madeira (presumo que para vender, pois deve render muito mais).
Bom, comprei 1 kg de feijão vermelho, 1 kg de grão de bico,e 4 badanas de bacalhau , que eu adoro, e que servem muito bem para esfiar e/ou fazer frito com ovo (ui! que eu deliro), Não imaginava que lá, na mercearia vendiam só as badanas.
E feliz e contente, lá vim eu para casa, com as respostas que o senhor me deu, ccom o feijão vermelho que nem sequer é nacional, mas con vencido, pois o senhor , em 5 minutos que lá esteve, falou da tropa, do que comia, e do que não bebia (vinho) porque não davam.
E agora, perguntas tu: "que raio de treta é esta? O que tem a ver o meu post com este comentário?"
"Nada" digo eu, mas foi a desenvoltura doas perguntas/resostas dos teus personagens que me fizeram recordar este meu pequeno episódio.
Afinal no teu havia familiaridade.
Acabo dizendo, também, que não dou nenhuma importância do dia da mulher.
O que me levou ao post, foi o facto de hoje de manhã, as criancinhas aproximarem-se das mulheres e dizerem :"Feliz dia da Mulher!"
Beijinho e bom fim de semana.


De Carapau a 10 de Março de 2013 às 18:54
Lendo teu comentário/post/artigo de reportagem/quase romance :) fiquei a ver a cena que se passou na tal loja familiar/tradicional/em vias de extinção.
E agora vou puxar pelos meus galões.
Também sou bom a partir nozes, tiro o miolo inteirinho, não sei bem para quê, pois logo de seguida o parto para comer aos bocadinhos (com pão).
Depois as tuas compras lembraram-me logo um arrozinho de feijão encarnado para acompanhar as badanas do bacalhau (suponho q chamas "badanas" às partes mais finas, correspondentes à barrida do meu amigo bacalhau). São as partes de que eu mais gosto. Cozidas ou fritas (embrulhadas com ovo e salsa...) que lindas vão com o tal arroz.
Não falo de pataniscas, porque essas tu fizeste o favor de "mas" comer ao almoço. :)
Quanto ao grão...lá vão as outras badanas agora cozidas. Também com muita salsa e pode levar uma cebola cozida também. (Alho é que não. O "outro" diz que o bacalhau o quer, mas o Carapau não :)) )
Se passares entretanto pelo talho, compra uma mão de vaca (também pode ser de boi) e depois com grão...não te digo nada, senão ficavas a saber tanto como eu. :))
Bjo.


De Maria Araújo a 10 de Março de 2013 às 20:09
Sobre o teu comentário:
"Já saíu há algum tempo essa lei de taxar em 20% os prémios do euromilhões acima dum certo valor. (Todos os outros jogos, totoloto, totobola e jocker já são taxados desde sempre".
Sabia que estes jogos são taxados, mas o euromilhões, confesso, não me lembro de ouvir.
Mas é muito dinheiro, a taxa. "carago".
Estão sempre a ver onde gamar mais algum.
Depois, jogo sempre sozinha quando há jackpot.
Mas vou deixar de jogar, olha o caraças! (ahahahahah).
Quanto às badanas, adoro. Já as pus de molho, já as congelei e estão preparadas para comer com arroz de feijão, pois então!
Até porqur ontem cozi todo o feijão, congelei uma parte e amanhã, para almoço, vai uma feijoada com carne e hortaliça.
Quanto à mão,fiz muitas vezes, sim, com feijão branco.
Agora, evito. O clesterol, ai,ai. e os meus adolescentes não vão muito na onda.
Beijinho


De Maria Araújo a 10 de Março de 2013 às 20:10
* colesterol


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