Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2013

Oxígala

Suponho que a maior parte das pessoas sabe o que quer dizer a palavra oxígala (excetuam-se os que fizeram o corretor de Word, que assinalam como erro a palavra).

Está mesmo a ver-se, que sendo a sua origem grega, ela é formada a partir de oxýus (azedo) e gala (leite). Portanto oxígala não passa de leite azedo.

Há quem julgue que este blog, lá por ser dum Carapau, é uma peixeirada constante. Mas engana-se quem assim pensa. Estou farto de dizer que este é um blog sério, que trata de coisas sérias, ainda que às vezes não pareça.

E além do mais presta serviço público sem receber nada em troca, nem mesmo em troco.

Assim aconteceu ainda agora com a palavra que dá título a este post.

Tinha eu portanto o dicionário aberto entre a ovalização e a ozoterita (o ignorante do Word continua a assinalar estas palavras como erradas) para saber o que era um oxicrato, quando me perdi a ler algumas das palavras dessas duas páginas. E reparei que oveira tanto pode ser os órgãos genitais da galinha (cacarácacá cacareja a galinha para o galo, querendo dizer não metas o bico onde não és chamado), como pode ser a mulher que vende ovos. Tudo bem, não vejo grande problema nisso. Mas (há sempre um “mas” na vida duma pessoa) meia dúzia de linhas abaixo, os meus olhos caiem em ovém (ó vem ou não vem diria a galinha para a vizinha a propósito do galo) que é um termo náutico (eu fico sempre de boca aberta com os termos náuticos, porque alguns são tão bonitos como p. ex. “enora” (não, a galinha não quer dizer que aquela franganota não é nora dela, antes quer dizer para o galo que tem a sua (dela galinha) enora à sua (dele galo) disposição), pois enora, sendo um termo bonito, não passa do buraco por onde sai o mastro (suponho que também é o buraco por onde entra o mastro, já que ele não “nasce” dentro do barco)). Para quem esteja atento já verificou que enora não está na tal página dos “oo” em que me encontrava. Foi uma deriva minha.

Eu ia falar de ovém (uns ovem bem, outros ovem mal) que não é mais que “cada um dos cabos que aguentam os mastros para a borda, os mastaréus da gávea e os de joanete para os vaus de joanete, podendo ser singelos ou dobrados”.

E aqui é que radicam as minhas dúvidas. Será que este joanetes são os da oveira (mulher que vende ovos, como já vimos acima) ou de quem são então, se não forem os dela? Uma coisa é certa: sendo da oveira ou de outrem, há que optar entre os singelos e os dobrados. E isto levar-me-ia a uma velha anedota, se eu estivesse aqui para brincar.

A outra dúvida (eu não disse ainda, mas são duas as dúvidas) é porque razão são os cabos que “aguentam os mastros para a borda” e não os sargentos ou mesmo os oficiais de qualquer patente?

Patente ficou aqui provado que eu persigo sempre a verdade (não, ainda não fui acusado de perseguição) e foi isso que me trouxe a umas páginas do dicionário que me deixaram com mais dúvidas dos que as que tinha à entrada. Por isso vou sair, preciso de oxigénio para me oxigenar bem e recuperar do esforço que fiz com o fabrico deste post e logo na quarta feira a seguir ao Carnaval.

Espero no entanto que tenha sido útil para alguém que aqui venha na esperança de encontrar sempre razões para sair mais rico, linguisticamente falando. Mesmo que seja só a nível de ovos, oveiras, ovários e, muito importante, oxígala, que deu origem ao título. Já para não falar no oxicrato que, essa sim, foi a palavra culpada disto tudo.

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.        

publicado por Carapaucarapau às 13:58
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