Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

Consultório (3)

 

Pergunta: - (de Micas, 48, Mercado Abastecedor do Porto) – Não sei se já ouviste falar de mim. Se vieres aqui e perguntares pela Micas Besugo toda a gente me conhece, já dos tempos em que vendia no mercado do Bolhão. Apareci muita vez na televisão nas campanhas eleitorais. Uma vez agarrei-me a um político, abracei-o e beijei-o tanto que ainda hoje deve andar a cheirar a peixe. Estava mesmo a pedi-las e eu aproveitei e lambuzei-o todo. Que cá com a Micas ninguém leva pela metade. Mas eu não te estou a consultar para contar as minhas histórias. Vi que tens boas amigas no Mercado Abastecedor de Lisboa e portanto estás dentro do assunto. Gostava de te conhecer pessoalmente para te passar bem a mão pelas escamas, porque uma das minhas colegas de Lisboa já te convidou para passares por lá, mas não sei se já lá foste ou não. Vem também aqui, que te arranjo umas navalheiras de primeira categoria, pois sei que és apreciador. Ainda que, se provasses da minha caldeirada, não sei se eras capaz de comer alguma navalheira. Mas isso vê-se depois. Agora quero pôr-te a seguinte questão: ando aí meio embeiçada por um tipo que vem muitas vezes aqui ao Mercado. Ele é um pedaço, mas acho que se atira mais ao marisco que ao peixe do alto. Que posso fazer para ele mudar de gosto? Muito agradecida te fico se me deres um conselho daqueles que resolvem os problemas. Se não fores tu não sei quem mais me pode ajudar. Já fui a duas bruxas que me levaram mais de 2 kg de cherne cada uma e afinal cheguei à conclusão que comeram o peixe e não resolveram nada. Contigo ao menos não gasto o meu peixe. Mas também te digo que, se me resolveres o problema, nunca mais te vais esquecer da Micas.  

 

Resposta: - Minha querida amiga Micas, de facto não nos conhecemos pessoalmente, mas nunca é tarde para isso acontecer. Mas se és quem eu penso (essas tuas aparições na TV ficaram célebres) não vai demorar muito tempo que não vá aí bater-te à banca. Seja para umas navalheiras, seja para uma caldeirada, conta comigo. Eu depois pessoalmente conto-te o que me aconteceu com as tuas colegas de Lisboa de quem fiquei amigo do peito (ou dos peitos, se quiseres, já que era mais do que uma). Como diz o outro, o peixe é todo igual, o tempero é que varia de cozinheira para cozinheira. Há quem use funcho para um pargo no forno e quem só use salsa. A verdade é que, se o peixe for de primeira, nem o funcho nem a salsa fazem falta. Esta conversa pode parecer mais uma receita culinária, mas para nós que sabemos da poda, não é. É apenas uma maneira de te responder à tua questão. Não podes criticar o homem por ele apreciar o marisco. Todos sabemos, e tu também, que uma boa mariscada não é para botar de lado. Portanto deixa-o empanturrar de marisco. E um dia em que o apanhes meio enjoado, chama-o de lado (à tua beira, quero dizer) e diz-lhe com bons modos como tu sabes, que ele tem bom gosto em apreciar tanto o marisco, mas que precisa de ter certo cuidado porque o ácido úrico e o colesterol adoram marisco, e em geral animais novos, que ele tem de começar a olhar para a saúde e patati e patatá, dizes-lhe das virtudes da caldeirada e como é a tua receita e mais isto e mais aquilo, e que por acaso hoje até serias capaz de fazer uma caldeirada daquelas e que se ele quisesse provar havia de ver…

O resto minha cara Micas já é por tua conta. Sei que és capaz de dar conta do recado. Vais ver que a minha receita resulta. Com funcho ou com salsa ou com o que costumas usar vai ser cá um prato…

Boa sorte e não te esqueças que quando eu passar por aí também quero comer (ou ao menos provar) da tua caldeirada. Manda notícias.  

 

 

Pergunta: (de Ana Sofia, 22, Espinho) – O meu caso é o seguinte: quando estou com o meu namorado ele diz-me sempre que nos beijamos que eu digo hummmm!

E chateia-me o juízo porque me manda virar o disco e não estar sempre com a mesma música. Então eu pergunto: é mau dizer hummmm? Que devo fazer para ele não me deixar?

 

Resposta : - Esse problema é frequente. Tu contentas-te com um e ele não se dá bem só com um. Isso requer do teu lado um esforço para conseguires dizer mais do que isso. Treina a dizer dois, dois, dois e verás que ele se cala durante uns dias mais. Depois passa para três, três, três e vai dar para mais uma semana. Se depois disto tudo, ele voltar a dizer-te para virares o disco e mudares de música, então só tens que tomares uma resolução: ou sais da dança ou viras mesmo de lado. Há pessoas que não gostam de CD’s e só gostam dos discos antigos, de vinil. Por outras palavras querem uma coisa que tenha pelo menos dois lados. E quem sou eu, amiga e cara Ana Sofia para dizer que estão errados? Portanto se te dás bem com ele e não o queres perder, tens mesmo que te virar e fazer com que o teu CD também dê música do outro lado. E até vais ficar espantada quando descobrires que afinal do outro lado o raio do CD também tem música. Boa sorte…e descontrai-te que ajuda muito.

 

 

 

publicado por Carapaucarapau às 11:57
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De Maria Araújo a 18 de Julho de 2008 às 22:20
Olá. Ai que eu bem preciso de um orientador psicológico, digo, marítimo para me dar uns conselhos...
Mas não quero nada de beijos nem apertões á Mercado do Bulhão, não. Quero uns beijinhos não contáveis á Ana Sofia. Hummmmmm! Mas cuidado carapau, do outro lado do CD pode-se dizer hummmm, mas dois, três, o disco vira mesmo de música....Que relax!


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