Quinta-feira, 5 de Julho de 2012

Ouro

 

Quando ouviu dizer que havia ouro no Alentejo, algum quase à superfície, compadre Baltazar resolveu agarrar na enxada, escolheu um sítio no quintal (à sombra da figueira), fez o seus cálculos e começou a cavar um buraco.

Sem pressas, fazendo pausas para descansar e fumar o cigarro, foi cavando.

Às tantas encontrou uma moeda, mas em tão já mau estado que, mesmo depois de meia hora a limpá-la, não chegou a conclusão nenhuma sobre se era recente se antiga. No entanto guardou-a e achou que era um bom augúrio. Se calhar haveria mesmo ouro por ali…

Isto deu-lhe novo alento e recomeçou a abrir o buraco.

Quem não esteve pelos ajustes foi a velha figueira, que sentindo-se desamparada de um dos lados – aquele em que Baltazar cavava – resolveu inclinar-se e cair mesmo em cima do explorador, que estava de costas e não se apercebeu do que ia acontecer.

Encontraram-no 3 horas mais tarde, desmaiado, debaixo do tronco da velha figueira. Foi levado para o hospital.

Ainda não se sabe do estado de saúde do compadre Baltazar.

O que se sabe há muito tempo é que o dinheiro não dá felicidade a ninguém, sobretudo quando se viram as costas ao risco.

Para já fica-se sem saber se junto à figueira haverá ouro. Sombra deixou de haver…

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.        

publicado por Carapaucarapau às 18:02
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17 comentários:
De Teresa Santos a 5 de Julho de 2012 às 19:17
Voltaste à língua portuguesa? Ora ainda bem, é que não sou poliglota , não senhor.

Adiante.

Pobre compadre Baltazar! Não é que sofre do mal de muitos? O gosto pelo dinheirito, pois então! Mas que é um home " de iniciativa, de trabalho, isso é!
Só é estranho é que não soubesse que não se deve virar as costas a NADA, e muito menos ao risco. Enfim, nem o compadre Baltazar é perfeito!...

Abraço (fecha essas barbatanas , mas bem fechadas).
Ps.S . Já agora, importa-se de traduzir a palavra Svat "? Muito agradecida!


De Carapau a 6 de Julho de 2012 às 19:08
O compadre Baltazar se tivesse juizo:
1- não se punha a cavar junto à figueira.
2- punha-se a cavar sim, mas dali para fora.
3- devia saber que dos 3 reis magos, ao Baltazar coube dar a mirra (isto já prenunciava que a sorte não era muita). O ouro estava destinado a outro.

Para acalamar almas sensiveis já tive notícias de que não tem nada de grave e tem alta dentro de 2 ou 3 dias.

Quanto ao "Svat" (do post anterior), aí a coisa fia mais fino. A Maria Teresa acabou o comentário dela com Svat e eu paguei-lhe na mesma moeda. Não sabia o que queria dizer. Se era beijo, beijo mandei; se era abraço, abraço devolvi, se era para me mandar a alguma parte, para lá a mandei também (sempre faziamos companhia). A tua pergunta fez-me pesquisar e conclui que em turco, esloveno e albanês svat é golpe.
Em sérvio é convidado de casamento.
Assim sendo, ou a referida senhora, que muito estimo e é a poetisa aqui do blog que me puxa pela veia poética, se prepara para me dar o "golpe" :) ou então estava a convidar-me para o casamento (só falta saber de quem). :)
Para ti, Svat é abraço (aquele).


De maria teresa a 6 de Julho de 2012 às 20:22
Ó Carapauzinho sem miolos, quem te disse que svat é uma palavra numa das línguas que pesquisaste?
Santa ignorância!
Svat!


De Carapau a 7 de Julho de 2012 às 20:08
Ninguém. Esperava que tu mo dissesses.
Calculei que fosse "Saúde"! ou coisa parecida.
Explicas à gente?


De maria teresa a 8 de Julho de 2012 às 10:12
Só paga a peso de ouro! Explicando melhor o meu peso em ouro rsrsrsrsrsrsrs


De Carapau a 9 de Julho de 2012 às 18:10
A 1ª pepita que o Baltazar apanhar é tua.
Agora conta.


De maria teresa a 5 de Julho de 2012 às 20:23
Há ouro no Alentejo…
Essa nova me alegrou
Há muito que não o vejo
Para o Alentejo eu vou

Será que se eu cavar
Do outro lado da figueira
Talvez ouro vá encontrar
Mesmo não sendo garimpeira?

Eu não sou o Baltazar
Nem sequer ando por perto
Não me vou deixar apanhar
Por um risco que seja certo

Não volto as costas ao perigo
Enfrento-o como as leoas
Mas ando em busca de um “abrigo”
E nada melhor que umas boas “coroas”

Quanto ao Baltazar coitado
Certamente vai ficar bom
E vai descobrir que está fadado
Para não ficar com o “bombom”!

Nada de abrir as barbatanas para a Terezocas, quem quer um bom abraço sou eu (vamos ter briga, vamos)


De Carapau a 6 de Julho de 2012 às 19:32
Passei hoje pelo Alentejo,
Olhei, olhei e não vi nada.
Mas em Alcácer senti desejo
De comer uma pinhoada.

Se andas à procura de "guita"
E só a vês por um canudo,
É porque andas aflita
Por guita, por ouro, por tudo.

E se não queres arriscar
- têm de se correr alguns riscos-
Arriscas-te a não petiscar.
Porque sem ouro não há petiscos.

Abrigo ninguém procure
Junto ao compadre Baltazar.
Deixa que primeiro se cure.
Já lhe bastou aquele azar.

Agora aconselho-te "de rodillas"
A leres o comentário anterior.
De ti disse maravilhas,
Por pouco não dizia que és um amor.

Com barbatanas abertas ou fechadas, com abraços e beijos, ainda vamos ter aqui um belo baile armado. :))


De maria teresa a 6 de Julho de 2012 às 20:56

Baile armado que é lá isso?
Não faço ideia do que é
Conheço o bailinho da Madeira
Mas esse não é aqui ao pé!

A pé, não de rodillas
(Andas muito espanholado)
Fui ao campo apanhar camomilas
Para te deixar acalmado

Adorei as maravilhas
Que disseste sobre mim
Não serão umas armadilhas
Para me deixares carmim?

Coitado do Baltazar…
Triste sina o alcançou
Nós para aqui a brincar
Enquanto o desgraçado abancou

Abancou no hospital
Espero que por pouco tempo
Foi um caso acidental
Foi um enorme contratempo

Com falta de tempo eu estou
Por isso me vou embora
O baile ainda não começou
Vou antes que vire abóbora

Svat para ti e para o compadre Baltazar


De Carapau a 7 de Julho de 2012 às 20:27
Vou-te dizer um segredo
Que me contou um passarinho.
O Baltazar estava com medo,
Mas está vivo, bem vivinho.

E para a semana, já mo disse,
Tem uma coisa para contar.
Não sei se será brejeirice,
Se novidade de pasmar!

Ou então (já sou eu a pensar)
Encontrou lá no hospital,
Alguma enfermeira de pasmar.
Assim do tipo “etc. coisa e tal”.

E mais não conjecturo.
Quem palpita muito erra.
Se calhar saltou o muro
E anda por aí agora, na berra!

Se tu te preparas para o baile,
Eu preparo-me para ir à vizinha,
Ensinar-lhe, pelo método de Braille,
Uma coisa cá muito minha.

Savat também para ti!


De Maria Araújo a 6 de Julho de 2012 às 20:21
Baltazar ou Mal(t)azar?

Beijinho


De Carapau a 7 de Julho de 2012 às 20:28
Nunca ouviste dizer que um azar nunca vem só?
Bjo.


De Anónimo a 7 de Julho de 2012 às 20:14
Olá Carapau

Achei bastante interssante à história do pobre Baltazar, pobre que, inocentemente pensava que umas tantas enxadadas seriam o suficiente para passar ao estatuto de rico

Alentejano é mesmo assim, antes que o vizinho se aperceba, deita logo mãos à obra!...

Bem, mas o que verdadeiramente me deixou estupefacta foi essa "desgarrada poética" entre Maria Teresa e Carapau. Desconhecia a veia poética de um e outro, sobretudo da Maria Teresa que já conheço há mais alguns anitos. Parabéns aos dois.

Vou voltar na esperança de outras histórias, saber se o ti Baltazar melhorou e talvez, quem sabe, assistir a outra boa e bem disposta desgarrada poética.

Beijinhos

Tétis


De Carapau a 7 de Julho de 2012 às 20:33
Então se já conhece a Maria Teresa, já sabe que lhe foge o pé prá desgarrada. Eu com esforço dou-lhe resposta, mas Ela é frequentadora do fado vadio e sabe as voltas todas da arte.
Estas trocas de quadras de pé quebrado já vêm de longe...
Bjo.


De maria teresa a 8 de Julho de 2012 às 10:08
Mê malbado, mê malandro
Eu sou lá melher p´ra andar na gandaia
Negu que passei pl´uma biela num antru
Procurandu algures uma cobaia
Que me atraía…

Tás alebantando um boatu
Que pode dar cabo da reputação
Da minha, que muito prezu
Vou esticar a minha mão
Tiru-te o tridente… belzebu
Perdes logu toda a ação
E cais de rabu no chão

Escrito de acordo com o AO do qual sou autora


De Carapau a 9 de Julho de 2012 às 18:08
A vadiar pelas vielas,
A beberes jerupiti
e a comer iscas com elas,
Não tenho palheta para ti.
(Tenho, mas não quero mostrar)

De ti disse o melhor
que sei e posso. Tudo verdades!
Sim, porque sou um Senhor*
Não apregoo falsidades.
(Por vezes posso é errar).

Quanto ao Tridente, minha amiga,
Herdei-o do meu avô Neptuno.
Não venhas com essa cantiga.
Com isso não me importuno.
(Era o que me faltava! Que azar!)

E pronto. Acabei de inventar as quadras com 5 versos. Vou registar a patente.

*Senhor Carapau, é claro.


De Maria Araújo a 9 de Julho de 2012 às 23:05
Grande poeta é o povo, aliás o Carapau e a Teresa.

Beijinho


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