Quinta-feira, 10 de Maio de 2012

Saber

“Ouvi contar que outrora”, “num meio dia de fim de primavera”, o Exército Português levou a cabo, no Castelo de Almourol, uma “festinha” para comemorar uma qualquer data ligada ao Exército. Convidado de honra, para presidir à sessão solene, o então Presidente do Conselho Salazar. Depois dessa sessão estava preparado um beberete para onde convergiram “as tropas” com o aprumo e galhardia que sempre foram seu apanágio em tais ocasiões. Ao ser servido duma bebida, Salazar admirou-se da frescura da mesma e perguntou a um velho e condecorado General que fazia as honras da casa, como conseguiam ter as bebidas assim tão fresca ali na ilhota no meio de Tejo. “Temos um frigorífico” – respondeu orgulhoso, o de “cinco estrelas”.

“Frigorífico aqui? Mas há eletricidade no Castelo?” – perguntou admirado o “sem estrelas”.

“Não, senhor Presidente, o frigorífico é a petróleo”.

“A petróleo? E como funciona um frigorífico a petróleo, senhor General?”

O de “cinco estrelas” pigarreou, levou à boca a taça para ganhar tempo e “deu” a sua explicação. Que havia uma fonte de calor, que havia também uma fonte de frio, que…que…que o melhor seria o Coronel, que era de Engenharia e que estava ali ao lado, explicar isso melhor, porque ele General era de cavalaria e já estava um pouco esquecido dessas coisas.

Apanhado de surpresa o bravo Coronel engenheiro, que até estava entretido a comer um rissol de camarão e a bebericar (perdão, no Exército não se beberica, bebe-se), acabou o rissol, acabou a taça, pediu desculpa por ter sido apanhado de boca cheia, pigarreou (estas alturas pedem sempre um bom pigarro) e como tinha ouvido vagamente falar de fonte de calor e de fonte de frio, trocou as voltas e falou de fonte fria e de fonte quente, fez uns gestos com as mão a explicar, “Vossa Excelência está a perceber…” e concluiu dizendo que o “nosso Capitão” tem essas coisas mais presentes, foi ele até o da ideia de trazerem o frigorífico e puxou pela manga da farda de gala o “nosso Capitão”. O Capitão até andava a ver se tudo corria bem, se não faltava o “petróleo” quer ao frigorífico, que às mesas, foi apanhado de surpresa, pensou lá para as suas divisas “que raio de interesse tem saber como funciona o frigorífico, o que interessa é as bebidas estejam frescas”, mas lá teve que dar a sua explicação. Pigarreou (tinha tirado o curso de pigarro em Mafra), falou em circuitos de frio e circuitos de calor, em evaporação e arrefecimento, meteu os pés pelas mãos, olhou em volta e descobriu o “nosso Aspirante” que estava ali mesmo ao lado, com um “rissol numa mão e na outra sempre o copo” e chamou-o à baila, dizendo que “o nosso aspirante saiu há dias da faculdade, tem essas coisas da termodinâmica ainda frescas e vai explicar direitinho a V. Excelência Senhor Presidente, como funciona um frigorífico a petróleo”.

O “nosso Aspirante”, que tinha ouvido toda a conversa e todas as “explicações”, avançou dois passos e ainda empunhando as duas armas, dirigiu-se respeitosamente ao “sem estrelas” e declarou: “Senhor Presidente, eu também não sei”:

 

Este post teve a colaboração das seguintes “entidades”:

- Fernando Pessoa, com dois versos de dois poemas, logo a abrir.

- Alguém cujo nome me não lembra agora, numa referência a Luís de Camões, ali pelo meio do texto, referência essa, alterada, para estar de acordo com o “meio ambiente”.

- Confúcio que terá dito (Confúcio “disse” aliás muitas coisas que nunca lhe passaram pela cabeça):” "Querem que vos ensine o modo de chegar à ciência verdadeira? Aquilo que se sabe, saber que se sabe; aquilo que não se sabe, saber que não se sabe; na verdade é este o saber."

- E finalmente uma comentadora (pouco assídua, aliás) deste blog, que assina discretamente MJM, mas que no mundo dos blogs e não só, dá cartas, e que, no post que pubiquei aqui há pouco tempo, com o título “Citações”, trouxe a “citada citação” do citado Confúcio, a lume.

 

Agradece-se a colaboração, forçada, a todos os referidos colaboradores.

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.        

publicado por Carapaucarapau às 18:26
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