Quarta-feira, 2 de Julho de 2008

À conversa...

Estava eu, Carapau Carapau na minha cadeira de lona à entrada da gruta, equipado com os meus belos óculos, a apanhar uns raios de sol que ali conseguiam chegar, e a cavaquear com meia dúzia de Navalheiras amigas, quando me aparece pela frente um belo exemplar de Chaputa, escamas bem polidas, barbatanas bem tratadas e que à primeira vista eu não reconheci. Pensei até tratar-se de alguma Chaputa dos mares do sul que andasse perdida ou de férias. Afinal não mais era que uma antiga vizinha a quem em tempo eu fizera uns favores, ou ela a mim, já nem me lembro bem. Nada mais nada menos que a agora chamada Chaputa Fina. E tivemos uma longa conversa, que ficou registada e que agora aqui reproduzo.

Chaputa Fina: - Boa tarde Pastor. Então já não reconheces uma amiga?

Carapau Carapau: - Desculpe. Essa do Pastor é para mim?

CF: - Claro! Aí todo repimpado nessa cadeira com essa vara na mão e rodeado por esse rebanho de Navalheiras, pareces mesmo um pastor. Só te falta mesmo a flauta…

CC: - Com essa da flauta …não me digas que és a Chaputa, que morava aqui ao lado?

CF: - Não me digas que não me reconheceste logo, Carapau?

CC: - Estava tão embrenhado nos meus pensamentos que nem tal coisa me passou pela cabeça. Estás muito mudada!

CF: - Pois estou, estou. Até mudei de nome. Agora sou a Chaputa Fina.

CC: - Mas olha que até pareces mais gorda…

CF: - Isso não estou…nem pensar.

CC: - Consta por aí que agora tens uma rica vida. E pelo aspecto, de facto…

CF: - Manda essas Navalheiras irem dar uma volta que eu conto-te a história da minha vida de sucesso.

(Passados uns momentos)

CC: - Agora que estamos sozinhos conta lá então tudo. Queres beber alguma coisa?

CF: - Não obrigada. Só me quero sentar aí ao teu lado nessa cadeira.

CC: - Desde que não abanes muito as barbatanas…

CF: - Sabes a vida que eu levava… Depois o Zeca Cachucho com quem ainda vivo não era peixe para me ajudar muito…Enfim… Como sabes, quando saí daqui fui trabalhar para uma pastelaria. Trabalhava que nem uma louca a fazer palmiéres e brioches à mão. Tornei-me uma expert sobretudo nos brioches…

CC: - Calculo. Tu aqui já te ajeitavas a fazer coisas…

CF: - Pois. Mas foi só depois que eu conheci o Senhor que a minha vida se transformou.

CC: - E tudo graças ao brioche?

GF: - E ao palmiére também. A freguesia da pastelaria aumentou de tal maneira que eu já não aguentava mais. Foi então que o Senhor resolveu comprar umas máquinas para fazer ainda mais e melhor.

CC: - Brioches feitos à máquina?

CF: - Sim. Foi um sucesso que nunca mais parou.

CC: - E tu? Perdeste o emprego?

CF: - Não. Graças ao Senhor passei para controladora de produção e pouco depois para secretária…E passei a fazer viagens e graças ao Senhor a viver muito bem.

CC: - Dizem por aí que tens uma bela casa…

CF: - Casa com jardim, carro topo de gama, viagens, boas férias…uma vida preenchida…

CC: - Graças aos brioches feitos pela tal máquina?

CF: - Não. Tudo graças ao Senhor…e vá lá…modéstia à parte, também graças a mim que me tenho esforçado.

CC: - E o Zeca Cachucho ainda está contigo? Assim com essa pedalada…

CF: - Está e estará. Também graças ao Senhor também tem subido na vida e hoje é o porteiro da Pastelaria. Com farda e tudo…Gostava que o visses. Com o chapéu de porteiro a deixar ver os corninhos…que lindo que fica…

CC: - O Cachucho agora tem cornos?

CF. Tem. Ficam-lhe tão bem…E depois é ele que corta a relva do jardim e trata da casa enquanto eu trato da vida com o Senhor.

CC: - Estou a ver…

CF: - E agora vai ter de tratar também da piscina quando ela estiver pronta…

CC: - Também graças ao Senhor…

CF: - Também….quer dizer sim e não…

CC: - Sim e não?

CF: - Sim, mas é outro Senhor…

CC: - Há então mais que um Senhor?

CF: - Por enquanto são só dois…Até foi muito giro a maneira como conheci o segundo…Foi quando fui a Paris com o Senhor da Pastelaria comprar a máquina dos brioches…

CC: - Foi então em Paris? Muito me contas…

CF: - É verdade. Enquanto o Senhor da Pastelaria tratava das máquinas eu conheci o Senhor das Obras e eu contei-lhe a minha história dos brioches e palmières e conversa para cá conversa para lá acabou por me oferecer a tal piscina que está quase pronta…

CC: - Desculpa lá uma curiosidade. E tu sabes nadar?

CF: - Brincalhão…Então não te lembras que foste tu que me ensinaste a…

CC: - Não digas mais. Já nem me lembrava… Então quer dizer que vais de vento em popa e que o Cachucho também?

CF: - É verdade e tudo graça ao  Senhor…

CC: - Aos Senhores, queres tu dizer…

CF: - Não. Em relação ao Zeca Cachucho é mesmo só graças ao Senhor da Pastelaria. Até já lhe mandou fazer um chapéu maior.

CC: - Por causa dos cornos?

CF: - É verdade. Sabes uma coisa? Desde que estamos aqui a falar que vem um cheiro esquisito ali de dentro da tua caverna. Parece ser de Navalheira estragada ou coisa parecida. Não dás conta?

CC: - Olha minha amiga! A mim já me cheirou a Chaputa há muito tempo e ainda não disse nada…

……

(…e a conversa continuou… graças ao Senhor…)

 

Observação: - Qualquer semelhança entre esta conversa e outras muito parecidas que certamente já toda a gente ouviu…não é mera coincidência. Elas fazem parte do livro “Como venci na vida de papo pró ar” com ideias e conselhos da Chaputa Fina, mas escrito por mais um Senhor Escritor amigo dela e que, graças ao também amigo Senhor Editor, anda aí pelos escaparates…

 

 

 

 

publicado por Carapaucarapau às 12:49
link do post | favorito
Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres




.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Novembro 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
22
23
24

25
26
27
28
29
30


.posts recentes

. Pó e teias de aranha

. Aleluia!

. Dignidade

. Balanço

. Outros Natais...

. A dúvida

. Promessas...

. Pulítica

. O não post...

. Quem sai aos seus ...

.arquivos

. Novembro 2018

. Dezembro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

.Contador de visitas

Criar pagina
Criar pagina
blogs SAPO

.subscrever feeds