Quinta-feira, 22 de Março de 2012

O dicionário

 

Não é a primeira vez (nem será a última, é um palpite meu) que me sirvo do dicionário para alinhavar um post.

E esta palavra “alinhavar” cai aqui como mel na sopa (para quem gosta de sopas adocicadas).

Vejamos:

Alinhavar – v. tr. dar alinhavos; coser a ponto largo e provisório; preparar; executar mal; (fig.) fazer mal e depressa; delinear.

Querem eles dizer que estou a preparar, a ponto largo e provisório (engano no que respeita ao provisórío), este post, que vou executar mal. Portanto serei um mau executante, mas não serei nunca (assim o espero) um bom executor. Bom executor (bom, profissionalmente falando) foi o que, com um machado supostamente bem afiado, degolou a Maria Antonieta. O gesto do executor foi definitivo, o meu gesto de executante pode ser emendado, alterado, melhorado. Isto se for possível melhorar um alinhavo, coisa já de si mal executada. Ponto assente: não sou executor e serei um mau executante. Pelo meio (no dicionário, pois é disso que se trata) fica o executivo. Que sou, enquanto “aquele que executa” (mal, já se viu, porque só alinhavo), mas não sou enquanto o que procede à execução judicial, ser do governo ou outra coisa ainda pior (se houver).

Portanto o melhor é pirar-me desta página do dicionário e passar à seguinte onde também não é melhor ser um exido, isto é, um baldio fora da povoação para compáscuo ou logradouro comum (deve ser uma coisa tão complicada que até o corretor assinalou erro no exido e no compáscuo…)

Piro-me a sete pés e vou cair lá muito para frente no raconto (também com direito a ser considerado erro) que mais não é que uma narração, uma descrição, uma narrativa. Já não me estico mais porque a seguir seria apanhado pelo radar e apanhava com a radiação e a radiatividade (que é mais conhecida como radioatividade), coisas que não me fazem nada bem à pele.

Vou lá para o fim tocar viola, antes de a meter no saco. De virgem, para já só encontro o azeite, a cera e a floresta e chego quase ao fim a zurrar, que entre outras coisas também é proferir asnices. E vem finalmente a última que é o zuzuto (aquele que é parvo ou aparvalhado).

 

Acontece sempre assim: quando nos metemos por caminhos que não conhecemos, corremos sempre o perigo de acabarmos em zuzutos.

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.        

publicado por Carapaucarapau às 12:25
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5 comentários:
De Maria Araújo a 22 de Março de 2012 às 16:02
Por onde andaste?
Bom dicionário és tu, mas sem alinhavos. Talvez com pespontos.

Beijinho


De C arapau a 22 de Março de 2012 às 18:38
Por onde andei?
Pelo dicionário adentro...
Bjo.


De Teresa Santos a 26 de Março de 2012 às 21:25
Vou oferecer-te uma enciclopédia, combinado?
É que o dicionário é pobrezito!

Apraz-me registar que não serás nunca (digo eu!) um executor. É que já os temos em excesso!...

"exido", "compáscuo", "zuzutos". Três vocábulos, três pérolas.

Quem ficou zuzuta, e muito, fui eu!

Não há direito!
Exijo o Livro Amarelo, e já!!!!!

Já te piraste? Acho bem! ´

Abraço? Vou pensar!!!!



De C arapau a 27 de Março de 2012 às 14:37
Zuzuta? Não me parece.
Mas biruta (no sentido em que os brasileiros usam o termo, de inquieta) já não digo nada.
Aliás quem não se inquieta, acomoda-se. E quem muito se acomoda em zuzuta pode acabar.
Afinal isto anda tudo ligado... :)
Abraço "oprimido".


De Teresa Santos a 29 de Março de 2012 às 14:16
"Oprimido"?

Ai é?
Quem se atreve o oprimir um pobre Carapauzito? Nem essa espécie escapa?

Acomodar-me? Bem, nessa altura estaria zuzuta, biruta, e...?
... palerma, muito palerma!

Sim, ainda mais!!!

Abraço, antes que fique totalmente biruta.


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