Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2011

Parábola

 

 Desenho original feito no paint para ilustrar este post.

 

 

Agora sim, iam começar a poder ter uma vida a sério. Bem podiam dizer que até aquela altura tinham vivido na margem da vida, no patamar inferior da miséria. Porém tudo ia mudar. Tinham um bom pedaço de terra para trabalhar e dela colher os frutos que os sustentariam, tinham braços fortes e suficientes para arrotear a terra e tinham, finalmente e graças à ajuda da “organização”, os sacos de milho suficientes para poderem semear todo o pedaço, que não era tão pequeno como isso.

Foi então que ele se virou para a mulher e disse: vamos comemorar. Retiramos umas mãos cheias do milho do que aqui temos, vamos moê-lo e fazemos uma refeição como nunca fizemos. Entretanto eu vou à tasca e troco outras mãos cheias de milho por uma garrafa de vinho. Uns grãos a menos na sementeira nem se notam. Basta que a façamos um tudo nada mais rala.

E assim foi. E assim saciaram a fome como há muito não faziam e assim beberam de modo a ficarem bêbados.

No dia seguinte, dia em que começariam a sementeira, a disposição não era a melhor, adiaram por mais um dia e repetiram a dose do dia anterior. E foi assim até à consumação do milho que era para semear.

Estavam outra vez na miséria, donde aliás não tinham saído nunca, mas agora mais pobres ainda, pois tinham queimado a última hipótese de sobrevivência. A “organização” retirar-lhe-ia a terra e não voltaria a dar-lhes outra oportunidade.

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.         

publicado por Carapaucarapau às 13:56
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5 comentários:
De Maria Araújo a 8 de Dezembro de 2011 às 18:01
E foi deste modo que muitas famílias viveram, e continuam a viver.
E agora?! Que fazer da vida?
Eu temo o futuro.


Beijinho


De Carapau a 12 de Dezembro de 2011 às 17:50
Não te estou a ver a comer o milho que era para semear. Assim sendo só que vier uma valente tempestade em certa altura da germinação é que pode alterar o programa. E os imprevistos, todos o sabemos, acontecem às vezes.
Bjo.


De Teresa Santos a 11 de Dezembro de 2011 às 16:36
Carapauzito,

Parábola?
O drama é quando as parábolas se transformam em realidade, com a agravante de não serem as maiores vítimas, aquelas para quem não há saída, as principais culpadas.

Abraço (podes abrir as barbatanas...)


De Carapau a 12 de Dezembro de 2011 às 17:55
Eu tenho para mim que a culpa não é sempre dos outros. Se assim fosse...
Claro que há gradações nas culpas e até admito que se possa arriscar a comer uma mão cheia do milho destinado à sementeira.
Mas comê-lo todo "não parece de quem tem muito miolo".
Esta conversa é só para não te dar a razão toda. :)
Abraço.


De Teresa Santos a 13 de Dezembro de 2011 às 16:43
Pois, pois!!!

No fundo, e a contra gosto, acabas por concordar comigo.

A pouco e pouco vamos sabendo os nomes dos comedores do milho, da farinha, do...

O farelo?

Nem esse escapa!!

Abraço grande.





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