Quinta-feira, 7 de Abril de 2011

Anedota

                                 

 

 

O que é a felicidade?

Esta pergunta está na base duma célebre anedota baseada nas conversas entre um barbeiro e os seus clientes.

Depois de bem recostado na cadeira do barbeiro, já com o babeiro atado ao pescoço e depois de dizer que queria “cortar um bocadinho por todo ele, não rapar muito atrás, dar um toque nas patilhas…” o cliente era confrontado com a sacramental pergunta:

- V. Exa. é feliz?

Apanhado de surpresa e sem saber o que responder ao Fígaro, o cliente lá arranjava uma resposta, em geral entre o “nem por isso”, o “sou mais ou menos” ou o “não sou nada”.

Para estes a resposta do barbeiro era:

- Mas isso não é motivo para não felicitar vivamente V. Exa. pois nos tempos calamitosos que vão correndo a felicidade é coisa bem difícil de alcançar!

Era portanto um barbeiro que fazia jus à profissão e à fama, pois é conhecida a verborreia de tais profissionais.

Um dia apareceu um cliente que à pergunta “V. Exa. é feliz?” respondeu “sim, sou muito feliz” e apanhou com a lenga-lenga habitual:

- Mas isso é motivo para felicitar vivamente V. Exa. pois nos tempos calamitosos que vão correndo, a felicidade é coisa bem difícil de alcançar.

O freguês deu um salto na cadeira, levantou-se e, de pé, frente ao barbeiro, respondeu:

- A isso obtempero eu, que à inconsequente calamidade dos tempos que vão correndo, há que opor a serenidade do pensamento humano, que sirva cabalmente as razões imperativas dos nossos desejos.

Reza a anedota que este último freguês também era barbeiro.

 

A verdade é que tenho pensado no que eu responderia se apanhasse o tal babeiro pela frente (o barbeiro dono da barbearia, não o barbeiro cliente).

Se calhar, dependendo do dia, da hora, e do horóscopo, responderia como a maioria, dizendo que não tenho muitas razões de queixa.

Mas pensando melhor, olhando em volta e vendo o que me cerca, a maneira como já vivemos no presente e o que nos espera já ali à esquina, a falta de perspetiva para o futuro próximo (e o longínquo já não me diz muito), vendo o cardume de carapaus já com as escamas a cair e o dos jaquinzinhos todos vivaços, mas que nem se apercebem em que águas terão de nadar, tenho uma grande vontade de mandar o barbeiro à merda mai-la sua pergunta, de arrancar a toalha à volta do pescoço, de deixar crescer o cabelo ou cortá-lo à pedrada e gritar-lhe a minha profunda tristeza por ter nascido aqui neste mar poluído pela desonestidade desenfreada, pela incompetência generalizada, por pertencer a um cardume que não escolhi e por não ter sido arrastado numa das várias ocasiões em que o poderia ter sido e consegui escapar.

Depois, penso em algumas pequenas felicidades que também vou tendo, confronto-me e conforto-me com certas atitudes que vou tendo e acabo por sorrir com a anedota dos barbeiros.

E escrevo mais um post, que é exatamente o retrato da situação que estamos condenados a viver: uma anedota.

Pela segunda vez, merda!

 

 

 Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.        

publicado por Carapaucarapau às 15:48
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16 comentários:
De Carapau a 10 de Abril de 2011 às 18:56
Afinal o Carapau sempre teve razão em bisar a tal palavra que ofende os púdicos ouvidos da querida comentadora (e talvez o seu olfato). :)
Tirando o sr. Cabrita que ainda é um dos tais, o resto é de facto tudo unisexo, para não dizer outra coisa que não teria nada a ver com corte de cabelo...


De Teresa Santos a 13 de Abril de 2011 às 11:56
Saberá o Sr. Carapau que dia é amanhã?
Exactamemte!
5.ª feira.
Estamos entendidos?????
Ouvi dizer que o Sr. Cabrita vai de férias, logo...


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