Terça-feira, 16 de Novembro de 2010

Cassetes e fotografias

O Douro visto da Quinta - margem direita, com a linha da CP - Linha do Douro

 

Em frente, margem esquerda, a marina fluvial junto às Termas de Aregos

 

A entrada para o pátio da Casa, sede da Fundação Eça de Queiroz

 

 

    Todos conhecemos vários tipos de cassetes. Basta ir a um museu, a uma visita guiada aqui ou ali, a uma “exposição de coisas expostas”, que para isso se fazem exposições ou “instalações”. Hoje alguns artistas plásticos já não fazem exposições. Fazem “instalações”. Esse trabalho dantes era feito por electricistas, canalizadores (ou picheleiros para as gentes do norte) ou similares, mas agora são feitas por artistas plásticos (alguns são mesmo de plástico, mas isso já é a minha barbatana dorsal a desfazer…)

Há ainda as cassetes das meninas e meninos que nos telefonam da PT, da ZT, da OPT, desta, daquela e daqueloutra e, se lhe damos corda, despejam a cassete toda e voltam ao princípio se não carregarmos no off.

Estava eu a falar de cassetes e entretanto comecei a divagar, que nestas coisas há quem vá divagar e quem vá depressa, sendo que eu tenho dias.

Isto tudo para dizer que no mês passado, andava eu pela margem direita do Douro a ver se ainda vindimava qualquer coisa que tivesse ficado esquecida, resolvi visitar a “Quinta de Tormes”, ou seja a quinta onde está instalada a Fundação Eça de Queiroz. Foi a 2ª tentativa, porque na anterior, há um ano atrás, tinha batido com o focinho na porta, pois cheguei já fora do horário das visitas.

Fui ciceronado pela funcionária da Fundação, que ali está para isso mesmo. Foi a última visita do dia e éramos dois “ilustres visitantes”. Levou 1 hora a visita, ainda que a “casa” seja pequena. Mas Eça dá sempre pano para mangas (compridas). Eu sei umas coisas sobre a obra e o homem e como éramos só duas pessoas tentei por várias vezes dialogar em vez de “ouvir a cassete”. É certo que conseguia isso por uns instantes, a funcionária até sabia umas coisas “fora do roteiro”, mas nunca a consegui desviar totalmente. Após cada interrupção, voltava atrás e recomeçava a lenga-lenga no ponto onde a tinha deixado.

 Se é normal que um cicerone, que fala para um grupo de pessoas, muitas vezes com graus de cultura, conhecimentos e interesses diferentes, “debite a cassete” e seja pouco receptivo a ser interrompido por um ou outro mais curioso e interessado (isto para o bom funcionamento duma visita), também não é menos certo que quando o “grupo” se resume a uma pessoa ou duas (mas que se conhecem), é difícil aguentar uma tal lenga-lenga. Ainda por cima a funcionária era competente, conhecedora do assunto, simpática e tinha um Carapau pela frente…

Mas a cassete tem muita força!

Se o Eça fosse vivo, certamente não aguentava a visita.

 

Já agora e para terminar: “Tormes” não existe (“Tormes não existe, sei-o bem, estive lá”). O nome foi inventado pelo Eça em “A Cidade e as Serras”, mas hoje a Quinta da Vila Nova (onde está a Fundação), é mais conhecida por “Quinta de Tormes” e na própria zona (concelho de Baião) há umas placas a indicar que por ali é Tormes. A CP também mudou o nome da estação do caminho-de-ferro de Aregos para Tormes. Quer isto dizer que a ficção mudou a própria realidade, coisa que o Carapau não consegue fazer, senão outro galo cantaria...

 

“Tormes”é também a marca com que é comercializado o vinho produzido na Quinta e sua principal fonte de rendimentos, vinho verde branco já na zona de transição para os vinhos maduros do Douro.

(Informação gentilmente fornecida por Carapau, que muito irá beneficiar a Fundação. Tudo isto, claro, na esperança que me cheguem umas garrafas aqui à caverna, à borla, que as que trouxe tive de as pagar). 

 

publicado por Carapaucarapau às 18:27
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14 comentários:
De Maria Araújo a 18 de Novembro de 2010 às 22:06
As imagens são belíssimas.
Quanto à cassete, com duas pessoas como visitantes, poderia ter poupado a fita.
É um dos pormenores que não gosto nos guias.
Essa zona faz-me lembrar algo...
Então Tormes não existe?!
Foi a imaginação do Eça que fez com que o homem moderno mudasse o nome?
Quanto às garrafas, pergunto: "O carapau bebe vinho?"


bj


De Carapau a 19 de Novembro de 2010 às 22:22
O que te faz lembrar, fica uns bons quilómetros mais para montante. Também é sobre o Douro, mas numa zona mais agreste.
Quanto às garrafas... o Carapau só não bebe café.
:-)
Bjo.


De Maria Araújo a 20 de Novembro de 2010 às 18:16
Há pouco, fui ao PD e vi-as lá, as garrafas de Tormes. Óbvio que pensei em ti.


Bjs


De Carapau a 20 de Novembro de 2010 às 22:28
Viste? E eu a pensar que ainda as tinha ali guardadas...
:-)


De MagyMay a 19 de Novembro de 2010 às 17:39
Há visitas guiadas excelentes.
Por exemplo e a propósito das "instalações" ( é excelente a tua analogia canalizador/artista plástico...parabéns!) sugiro ir até ao CCB e ouvir alguns dos guias.

... mas creio eu que a funcionária teria razões para não desligar a cassete...
O visitante era um carapau!


De Carapau a 19 de Novembro de 2010 às 22:25
O visitante era um Carapau, mas ilustre e "eclético", na medida em que subiu pelo Douro, com barragens e tudo.
E além disso é bom d'eça. :-)


De MagyMay a 20 de Novembro de 2010 às 19:08
Gaba-te cesta(o)!!!!



De Carapau a 20 de Novembro de 2010 às 22:28
Ah!ah!ah!


De maria teresa a 22 de Novembro de 2010 às 12:44
Felizmente nem todas as guias têm cassetes e eu tenho-as encontrado.
Lembrei-me da de Tibães, uma jovem que fugia ao "roteiro" com imensa facilidade.
O Carapau é um vistante ilustre e a malandra não o reconheceu, daí se infere que tenha mesmo que usar a cassete e tiveste sorte! E muita sorte tiveste, tivesse ela fome e talvez levasses não com a cacete mas sim com um cacetete, uma forma de te caçar...ou melhor pescar.
Beijocas


De Carapau a 22 de Novembro de 2010 às 17:20
Também já andei por Tibães, mas não m'alembro nada da guia...
Quanto a anzolarem o Carapau...só mesmo se o isco for bom. :-)
Na visita a que se refere o post, também passei pela cozinha, onde estava um fogão a lenha a funcionar (convém dizer que uma parte da casa é ainda habitada por uma familiar do Eça) e nem medo tive das brasas...
Bjo.


De maria teresa a 22 de Novembro de 2010 às 19:00
Andamos desfasados, não foste no mesmo dia que eu.
Aliás eu avisei, com a devida antecedência, para ter uma recepção Vip.
És um valentão sem medo das brasas...ainda não deves ter visto uma verdadeira brasa, assim como eu...(alguém vai ter um fanico a ler isto)
Beijocas


De Carapau a 23 de Novembro de 2010 às 14:41
Pus-me aqui a falar para as minhas escamas a tentar entender quem terá /teria o fanico.
Coclui que certamente seria alguém que não passa por aqui para ler a tua bela tirada. Estou em dizer que foi uma tirada de brasa.
:-)


De maria teresa a 23 de Novembro de 2010 às 15:19
A curiosidade matou o gato!!!! Pode também iscar um carapau...:):):)
Beijocas


Safa! Para comentar aqui tenho que preencher uma série de casinhas


De Carapau a 24 de Novembro de 2010 às 13:03
Complicado é comentar lá no teu sítio. Aqui a porta está escancarada, até o anti-spam eu retirei e ainda te queixas?
Quanto à curiosidade é coisa que não há por aqui. O que há é uma sede de saber o que se passa "pelo mundo"...
:-)


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