Quinta-feira, 1 de Julho de 2010

A Última gota

(foto tirada da net)

 

PARA TODOS, antes de começarem a ler este post é conveniente que saibam o seguinte:

Este texto foi escrito por mim e pela Maria Teresa. Nunca nos vimos, nunca falámos sequer ao telefone, foi um desafio que lançámos um ao outro e, cada um de nós, a si mesmo.

Por messenger, combinámos a metodologia a seguir, o texto foi escrito através de mails e não combinámos previamente o tema. Um de nós escrevia um bocado, o outro tomava conhecimento e dava continuidade, não alterámos a ordem da escrita. No total “ A ÚLTIMA GOTA!” tem 5 “pedaços”. O último, o fecho da história, não é igual em ambos os blogues … aqui encontram o meu final, no blogue da Maria Teresa encontram o dela. Vão até lá! É um desafio.      

 

A ÚLTIMA GOTA!

 

 Já não aguentava mais! Tinha decidido uns dias antes que seria a última vez. Uma resolução tomada com a firmeza de quem sabe o que tinha que fazer. Só que quando chegava a hora, em que podia tomar uma medida drástica, falhava. Começava a sentir-se muito irritada e insegura. Aventou a hipótese de pedir ajuda a alguém que soubesse como devia proceder. Ao mesmo tempo tinha vergonha, vergonha por não ser eficaz na resolução dos seus problemas. Sim! Porque era um problema que tinha entre mãos.

Mas hoje ia acabar com aquela situação. Largou tudo em cima da mesa, saiu de casa e começou a caminhar apressadamente. Ou resolvia tudo nesse dia ou nunca mais tinha coragem para se olhar ao espelho. Sempre queria ver quem levava a melhor. Se ela, se o malvado. Uma vida toda a ser escrava e sem forças para reagir? E logo ela que já tinha enfrentado tantos problemas na vida? Não! Não passaria desse dia. E apressava mais o passo à medida que tinha estes pensamentos.

Ia tão distraída que nem reparou que levava os chinelos de quarto calçados. Notava que algumas pessoas por quem passava a olhavam de um modo diferente e pensava: será que no meu semblante se nota a minha perturbação? Aquele demónio tem tanto poder que até consegue que eu seja notada, quando queria passar despercebida?

Começou a diminuir o ritmo das passadas e a tentar reflectir, mais serenamente, em tudo o que tinha feito e aturado durante os últimos dias. Ainda por cima na sua casa, no lugar onde sempre se tinha sentido protegida e longe dele e de outros como ele…

Quando deu por si estava fora da povoação, a caminhar por uma estreita vereda que ela no entanto bem conhecia. Passado algum tempo, depois duma curva, deu de caras com o Vitorino, que sentado numa pedra, fumava um cigarro, com a espingarda ali ao lado encostada a uma árvore.

- Que fazes por aqui? Perguntou ele mais espantado do que se lhe tivesse aparecido um bando de perdizes.

- Nada. Passeio e apanho ar.

- Pareces cansada. Senta-te aqui e bebe um pouco de água – e ele levantou-se com o cantil na mão e caminhou para ela.

- Não te chegues ao pé de mim! Gritou ela enquanto começava a correr, deixando-o espantado, de braço estendido, segurando o cantil pelas correias.

Depois de correr uns minutos ela não aguentou mais e deixou-se cair à sombra de uma árvore. Sentia-se mal disposta, o sangue a latejar-lhe nas têmporas, tinha muita sede e de repente teve um vómito. Ficou assim uns minutos e lentamente foi acalmando. Depois levantou-se e pôs-se a caminho de regresso a casa, penosamente. Foi pensando nos últimos acontecimentos e acabou por dar razão aos amigos que ainda na véspera a tinham massacrado com conselhos. Mas não gostava que se metessem nos seus problemas e isso incomodava-a. Quando entrou em casa, bebeu um copo de água em pequenos goles e deitou-se sobre a cama. Estava transpirada, mas agora sentia-se um pouco melhor. Adormeceu assim mesmo. Acordou sobressaltada a gritar “sai daqui, não te chegues perto de mim”. Tinha sonhado com Vitorino a caminhar para ela, de cantil na mão e com um maço de tabaco a sair do bolso da camisa. Era um pesadelo. Estava com sede e com fome. Dirigiu-se à cozinha e a primeira coisa que viu foi o maço de tabaco em cima da mesa, para onde o tinha atirado, ao sair. Pegou nele, foi à casa de banho, rasgou-o com gana, atirou tudo para a sanita e puxou o autoclismo.

Depois voltou para a cozinha para beber e comer qualquer coisa.

Foi assim que passou o dia em que deixou de fumar.

 

 

publicado por Carapaucarapau às 17:58
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9 comentários:
De Red Maria a 1 de Julho de 2010 às 18:42
Eu imagino-me a trepar paredes!

( também quero desafios!!!!)


De Anónimo a 2 de Julho de 2010 às 11:08
Comentário apagado.


De maria teresa a 2 de Julho de 2010 às 16:51
Tens que me pedir desculpas???
Ambos sabemos muito bem até onde conseguimos chegar...somos mesmo distritais!:):):)
Toma lá 5!


De Carapau a 2 de Julho de 2010 às 22:59
Já respondi a este comentário, mas por "motivos técnicos" ele desapareceu.
Nessa resposta eu dizia mais ou menos isto:
Há pessoas que nem trepando pelas paredes conseguem.
Quanto ao desafio, concordo com o que disse a Maria Teresa. Pertences à 1ª divisão e nós consideramo-nos das distritais.
A não ser que queiras fazer jogos-treino...
( Esta última linha é nova)


De Maria Araújo a 1 de Julho de 2010 às 18:43
O desespero, que muitas vezes não entendemos, neste caso, deixar de fumar.
Agora vou espreitar o outro blog.


Beijinho


De maria teresa a 2 de Julho de 2010 às 09:06
Dois "loucos" se desafiaram
E criaram um desafio
Nem todos compreederam
Como foi seguido o "fio"

Com esta eu te agradeço
A igualdade de trato
Isto foi um bom começo
Vamos escrever ao "desbarato"

Abracinho


De Anónimo a 2 de Julho de 2010 às 11:03
Comentário apagado.


De maria teresa a 2 de Julho de 2010 às 16:55
É tão simples a resposta, ela ia tão desvairada, das noites sem dormir, que nem viu que o Vitorino lhe estava a oferecer um cantil com água, ela não via nada!


De Carapau a 2 de Julho de 2010 às 22:53
Eu é que tenho de agradecer
O teres lançado o desafio.
Depois só tive de correr,
Para pôr na vela, o pavio. (**)

E se a loucura é assim
Sujeita a agradecimento,
Não me chames louco a mim,
Que já fiz este tratamento.

Sou é um caso perdido,
Por sucessivas reincidências.
E perante o sucedido...
Fico ao dispor de V. Excelências!
:-)
(**) Isto sim é verdadeira liberdade poética. :-)

Um aparte:
Um dos teus comentadores ficou admirado por que é que a "heroína" fugiu do homem que lhe ofereceu água. Tens de arranjar uma explicação para isso!
Dou-te esta ajuda: foi o mosquito (que terá horror a água) que lhe deu corda aos chinelos para ela disparar a correr. Ou então arranja outra explicação melhor. :-)
Porque no meu caso, ela não fugiu da água, mas do maço do tabaco que ele tinha, à vista, no bolso da camisa, como ficou explicado.
Isto tem muito que se lhe diga!!! :-)


De Zergui a 3 de Julho de 2010 às 02:00
Eu fumei por dois anos; até dois maços por dia (40 cigarros)

Um belo dia eu disse para mim mesmo: - Chega!

E parei. Nunca mais fumei. Suportei a fumaça de outros fumantes por um tempo. Hoje eu não admito que fumem perto de mim; me enoja.

Quero dizer, com todo o respeito à amiga Maria Teresa, de que gostei mais desse final. Achei bem mais coerente e consistente.

Vou lhes confidenciar um desafio que foi colocado por um professor (isso ocorreu em 1970) de língua portuguesa (é a nossa língua, no Brasil):
Escrever uma redação com o título - "Até um fio de cabelo faz sombra".
Consegui nota 7,5 (75%).

Abraço a todos.


De Carapau a 6 de Julho de 2010 às 15:17
Obrigado pela visita e pelo comentário e longa vida sem tabaco!
1 abraço.


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