Domingo, 6 de Abril de 2008

Entrevista (2)

 

Entrevista concedida pelo Carapau ao jornal “A Trombeta”

 

Jornalista: - Desde já os meus agradecimentos por se dispor a conceder mais uma entrevista ao nosso jornal.

 

Carapau: - O vosso jornal merece. Não me poderei esquecer a ajuda que deram à minha Prima, e que lhe permite ser o que é hoje.

 

J: - Só lhe demos umas trombetadas para ajudar que ela merece. Merece mesmo muito mais…

 

C: - Lá isso é verdade mas ela também não se esqueceu e escuta-vos muito.

 

J: - Pois é exactamente a propósito das escutas que gostávamos de saber a opinião do Carapau, nesta entrevista.

 

C: - Pois não. Hoje escuta-se muita coisa. Desde logo em casa. Deve-se isso sobretudo ao deficiente isolamento acústico das construções.

 

J: - Sim, sem dúvida; mas eu referia-me a outro tipo de escutas.

 

C: - Já lá vou. Tenha calma homem. Deixe-me explanar o meu ponto de vista e não interrompa a linha do meu pensamento. Tem graça, esta da linha, porque ela entronca exactamente onde o senhor quer que eu chegue. Nas escutas há muitas vezes a interrupção da linha… 

 

J: - Ora aí está. Era exactamente a essas escutas…

 

C: - Continuando o meu raciocínio. As construções têm mau isolamento. Ainda esta noite, aqui na minha caverna, ouvi e portanto tomei conhecimento, que a minha vizinha esteve doente, tantos os gemidos que lhe ouvi. Só muito de madrugada acalmou depois de o companheiro lhe ter dado certamente muitos remédios, porque eu percebia entre os gemidos, ela a pedir mais e mais. Enfim, suponho que hoje já está melhor porque a vi sair com um sorriso de barbatana a barbatana.

 

J: - Mas esse caso…

 

C: - Este caso é como muitos outros, diz muito bem. Mas há outros casos mais graves. Aqueles em que não remédio em casa… É um assunto que os governos deviam tomar em consideração. Que em cada casa não faltasse remédio para quem dele precisa.

 

J: - Desculpe, mas está a afastar-se…

 

C: - Eu a afastar-me? Ainda não sai daqui. Outro ponto importante está no facto de as pessoas falarem muito alto. Veja por exemplo este caso: aqui nesta humilde caverna, quando o vento está de feição e há jogo de futebol lá para os lados do Estádio Luminoso ou lá como se chama, ou consigo saber de quem é filho o homem do apito, só porque a assistência o grita alto e bom som. Portanto eu escuto, e a vizinhança também. Aqui está mais um caso em que se não podem evitar as escutas.

 

J: - Mas em relação…

 

C: - É isso mesmo que eu ia a dizer. Em relação à Corvina. Ela fala alto e bom som para quem quer ouvir. Ainda ontem, para não irmos mais longe, gritou para um Safio que por aí passou que, ainda um dia, se o apanhasse a jeito, até lhe chupava as guelras. Ora toda a gente ficou a saber…

 

J: - E o segredo de justiça…

 

C: - Claro que até o segredo de justiça… Desculpe quem é esse agora? Não o conheço por aqui. É algum vizinho novo? Não me diga que também anda atrás da Corvina…essa fulana não deixa passar nada que não abocanhe.

 

J: - É mesmo isso. Tem sido muito abocanhado o …

 

C: - Quem eu? Abocanhado? O senhor está maluco. Ela já quis já, mas sou eu quem marca o território…

 

J: - Não era disso que eu falava. Queria referir-me à maneira como o segredo de justiça tem sido maltratado.

 

C: - Ah sim! Essa fulana trata todos mal. Então agora foi o segredo de justiça a vítima? A Corvina é levada da breca. Olhe que eu sei de fonte segura (umas coisas que andei a escutar…) que ela nunca teve nada com a Pescada que é muito pacata, mas mesmo assim arrota para aí postas da dita. Ora como se pode arrotar a uma coisa que nunca se comeu?

 

J: - Portanto quer dizer que…

 

C: - Pois quero. Quero e digo. Não muito alto para não ser escutado, mas aqui baixinho entre nós, eu às vezes também tenho os meus arrotos. Eu sei que não é bonito, mas acontece. Arroto a navalheiras, mas isso compreende-se…

 

J: - Claro. O Carapau continua sempre…

 

C: - Sempre não digo, mas quando posso e tenho um tempinho livre…

 

J. – Fico-lhe muito grato pelo tempo que nos dispensou e pelos pontos de vista que nos explanou a propósito do tão candente problema das escutas…

 

C: - Mas olhe que eu não explanei nada. Não sou desses… Limitei-me a escutá-lo e olhe que não escutei grande coisa…

 

J: - Sempre a brincar o Carapau...

 

C: - Acha que eu brincava consigo? Está enganado. Só brinco com Navalheiras e não é com todas…

 

J: - Isso escuta a gente em qualquer canto…

 

C: - Nos cantos em geral cochicha-se o que não dá muito para escutar.

 

J: - Até nós lá no jornal já escutamos os êxitos da sua Prima.

 

C: - Ai sim? Ela também é das que fala alto?

 

J: - A fama dela ouve-se por todo o lado…

 

C: - Então chegue-se aqui a este canto e diga-me baixinho o que se diz dela. Para não sermos escutados…

 

 

 

 

publicado por Carapaucarapau às 14:52
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1 comentário:
De Maria a 8 de Abril de 2008 às 15:01
Ai carapau, carapau, tem conversa qb. Um dia conte-me lá o que o J lhe contou da prima....E tenha cuidado com os "ais" da vizinha. Veja lá, não vá um dia pedir-lhe uma uma isca...E lá se vai a treta do carapau...


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