Sábado, 13 de Março de 2010

O semáforo

                                                       

 

 

 

Há dias ao ler num blog este post lembrei-me duma história verdadeira passada há uns anos.

Era uma tarde de domingo do princípio de verão. Tudo convidava a uma ida à praia. A maior parte da população da cidade tinha seguido, logo de manhã, esse caminho.

Ele porém não foi, porque tinha de ir esperar um familiar ao aeroporto a meio da tarde e ela tinha de ir esperar a mãe que chegava do norte num autocarro Expresso.

Depois de almoço pensaram os dois a mesma coisa. Passar as duas horas que tinha livres para descansar e ler um bocado. E como o dia estava lindo, nada melhor que ir até à beira rio, a olhar a água e a ler.

Foi assim que, quase ao mesmo tempo, os dois carros se encontraram lado a lado, à sombra, virados para o rio. Janelas abertas, para beneficiar duma ligeira brisa que corria, os encostos dos bancos numa posição mais confortável e a leitura.

Ela um livro, ele o jornal de fim-de-semana.

Quando ela chegou ele levantou os olhos do jornal e olhou, ela parou o carro e deu também uma vista de olhos em redor. Os olhares dos dois cruzaram-se.

Durante a próxima hora e meia voltaram a olhar-se várias vezes. Sempre que ela mudava de folha, levantava a cabeça e olhava discretamente, sempre que ele mudava de artigo fazia o mesmo. Por vezes os olhares encontravam-se, outras vezes não. O que cada qual pensava só eles o saberiam. Suponho que ambos sentiam que lhes era agradável essa “inocente” e “casual” troca de olhares.

“Quem será ele e o que fará aqui sozinho num dia como este?” deveria interrogar-se ela. “Que fará esta aqui sozinha a olhar para a água?” pensava ele.

O jogo durou durante todo o tempo em que os carros permaneceram lado a lado.

Às tantas ele olhou para o relógio, viu que estava na hora, arrumou o jornal e preparou-se para arrancar. Ela, porque se apercebeu desses movimentos ou porque também estava na hora, atirou o livro para o banco do lado e arrancou primeiro. Ele seguiu-a. Qualquer que fosse o destino de ambos, aquela primeira parte do trajecto para sair da beira-rio, seria a mesma.

Ela atravessou a baixa da cidade e encaminhou-se para a Avenida da Liberdade. Era também um dos possíveis caminhos para ele. Ao princípio da Avenida ela acelerou a marcha e ele fez o mesmo. Seguiam perto um do outro. A meio da Avenida ela aproximou-se, relativamente veloz, do semáforo que apresentava a luz verde, mas que de repente passou a amarela. Ele pensou que ela ia passar com o amarelo e acelerou ainda mais para a não perder.

Mas ela resolve meter travões a fundo e parar. Deu-se o inevitável. O carro dele, mesmo com uma travagem violenta, só acabou por parar contra a traseira do carro dela. O choque já não foi violento, mas mesmo assim provocou umas amolgadelas nos dois carros.

Saíram os dois ao mesmo tempo e olharam para os estragos.

Ele tartamudeou umas desculpas, “não esperava aquela paragem brusca”, mas a culpa era dele.

Ele então disse que não tinha muito tempo, precisava de estar no aeroporto dentro de minutos, faria a participação à companhia de seguros no outro dia logo de manhã, só precisava dos elementos dela e do carro: identificação dela, livrete do carro, companhia de seguros, o habitual.

Ela também disse que estava com pressa tinha de ir esperar a mãe.

Foi assim que trocaram de papéis, de moradas, de números de telefones.

“Se houver algum problema com a companhia, contacte-me para o que for preciso” disse ele, renovando o pedido de desculpas. E acrescentou, a sorrir:

“Coisas que acontecem”.

 “Claro. Não tem mal”, disse ela a sorrir também.

Voltaram a arrancar e cada qual seguiu o seu caminho.

No dia seguinte ele fez a participação do acidente à companhia de seguros e tudo deve ter corrido bem, porque ela nunca o contactou. Nem por esse motivo, nem por outro. Ele fez o mesmo. Nunca mais se cruzaram na vida.

 

O que aconteceu à vida dela, não sei. Mas sei o que aconteceu à dele. Fomos amigos durante uns bons anos e contávamos algumas das nossas “histórias” um ao outro. Daí eu saber esta com os pormenores. Passados uns dois anos ele casou. Passados mais meia dúzia morreu num acidente de viação.

Às vezes pergunto-me se aquele semáforo não podia ter representado outro papel na vida dele. Que influência as pequenas coisas podem ter na vida das pessoas?

Provavelmente nenhuma. A única coisa que podemos fazer é especular e, de qualquer maneira, é tempo perdido.

 

 

 

publicado por Carapaucarapau às 19:56
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45 comentários:
De maria teresa a 13 de Março de 2010 às 21:01
Há muitos de encontros momentâneos que tinham hipóteses de seguir rumos variados.
Pessoalmente, tenho uma história com mudanças de rumo. Conheci o que viria a ser o pai dos meus filhos com 17 anos e ele mostrou-se interessado em mim, não lhe liguei nenhuma, queria lá namorar1 Passados uns meses ele encontrou uma rapariga que lhe "facilitou" a vida e engravidou-a, assumiu a responsabilidade e casou, apenas pelo civil, quando a criança tinha ,ais ou menos 6 meses separaram-se... Oito anos depois casavamo-nos. Os meus pais não foram muito a favor deste casamento, exactamente por ele já ter um filho e uma ex. Ainda tive alguns problemas que assombraram a minha felicidade na época do namoro... Depois tudo se recompôs....
Se eu lhe tivesse "ligado" na altura em que o conheci, tudo seria diferente....
O eterno "se"

Bolas! Hoje estou muito séria! Não gosto de me sentir assim!
Abracinho!


De Eva Gonçalves a 13 de Março de 2010 às 21:25
Uma coisa é certa, se tivessem falado mais cedo, à beira rio, teriam falado mais cedo, à beira rio... e se, ela não tivesse travado, não tinha travado... e se... os semáforos estivessem verdes, estavam verdes... isto é o que podemos saber... :)) o resto é pura especulação... às vezes, há coisas que acontecem mesmo se mudamos os detalhes, como se estivessem destinadas a acontecer. Qualquer dia vou contar aquela história que falei num comentário, do casal que chocou 3 vezes em 3 esquinas do mesmo dia e à terceira desataram a rir, com a convicção de que o Universo queria mesmo vê-los juntos (e estão casados há pelo menos 30 anos), e se, se ignorassem? Teriam chocado uma 4ª vez? Não sabemos... Outras vezes, são vidas mudadas em instantes, por meros segundos e acasos que mudam o rumo de vidas... como nos acidentes, um atraso daquele dia ditaria que não houvesse acidente? Não sabemos... é que nunca vamos saber mesmo!!!! Se eu não tivesse escrito o meu post, teria escrito este?? :)) probably not... ou quem sabe? Abraço e bom domingo!


De Carapau a 14 de Março de 2010 às 00:43
Muito provavelmente não teria escrito mesmo. Foi a sua "aventura semaforiana" que me relembrou este episódio, como na altura dei a entender no comentário que fiz.
Todos os nossos gestos são aleatórios. Por que eu vou na rua e resolvo olhar para a esquerda e não para a direita? Ou para cima e não para baixo? E que aconteceria se eu fizesse exactamente o contrário?
Nunca saberemos, pois nunca podemos voltar atrás.
No fundo podemos concluir que tudo está certo. O puzzlle fica sempre acabado.
Bom domingo tb para si.


De Calendas a 13 de Março de 2010 às 21:27
Sou uma triste, lol. A minha vida não teve, ou se teve não me recordo deles (o que quer tb dizer que não representaram nada) encontros momentâneos.

Quero um encontro desses! Estou a sentir-me discriminada!



De Calendas a 13 de Março de 2010 às 21:30
Afinal tive encontros. Estou a lembrar-me de um rapaz que gostava de mim e a quem eu detestava pela sua pobreza de espírito e não só, era feio como sei lá o quê. Eu fugia dele e ele encontrava-me. Eu encontrava-o e fugia dele.
Agora somos vizinhos e encontro-o muita vez.

Será que este encontro conta?


De maria teresa a 13 de Março de 2010 às 22:40
Se ele ficou rico de espírito e bonito, claro que mudava... Não se está mesmo a ver... tu a correres atrás dele e não o conseguires agarrar...
O ressonador não lê isto pois não????

PS Este espaço para se escrever é horroroso! Porque será que o "peixe" não muda esta coisa ...?


De Carapau a 14 de Março de 2010 às 01:00
Menina Teresinha: calculo que te queiras referir ao tamanho da letra com que se escrevem os comentários. Se é isso, eu não posso fazer nada. É do sistema.
Arranja umas lunetas de jeito.
:-)


De Red Maria a 14 de Março de 2010 às 22:23
Chiça que este gajo é teimoso e percebe tanto de blogs e de letras nos comentários como eu de quintas. Já uma vez te disse e volto a afirmar, o tamanho das letras pode mudar-se, já tive blogs no sapo e sei bem como se faz mas porra até já tinha jurado a mim própria não falar mais do assunto. Bom, voltemos à história, vou ali mais abaixo.


De Calendas a 14 de Março de 2010 às 12:05
O peixe sabe lá mudar alguma coisa. Só percebe de navalheiras. E a canseira que dá escrever aquelas letrinhas todas para poder mandar o comentário??!! Irra, Carapau complicado!


De Carapau a 14 de Março de 2010 às 14:30
Pois fica sabendo que sem trabalho nada se consegue!
Tanta gente no desemprego e eu aqui a dar trabalho e depois leio uma coisa destas?

Como os comentários anteriores estavam viciados e acabavam por ir ter sempre ao mesmos (e errados) sítios, limpei-lhes o sarampo e fica aqui esta nota sobre os teus anteriores comentários.
O encontro com o teu "feinho" acabou por te atirar para outros braços. Se ele agora é teu vizinho é para teres presente a comparação.
E aqui entra a filosofia dos encontros e desencontros...


De Anónimo a 14 de Março de 2010 às 01:33
Comentário apagado.


De maria teresa a 14 de Março de 2010 às 10:43
O comentário não é para mim, eu sei!
Mas vê lá se arrumas a casa, vai para aqui uma desorganização que me põe os ollhos em bico e me tira a inspiração ( a expiração está boa e recomenda-se) para me dedocar ao versejar de rima manca.
Um abracinho para ver se fazes o trabalho de casa!


De Calendas a 14 de Março de 2010 às 12:07
Queres tanto que a tua teoria seja aceite por todas as escolas filosóficas que não te cansas de a alardear! Convencidão!


De Anónimo a 14 de Março de 2010 às 00:46
Comentário apagado.


De maria teresa a 14 de Março de 2010 às 01:23
Carapau toma cuidado...
O azar podia ser mais meu
Porque sou um bom "bocado"
E tu és um camafeu!

Toma lá para aprenderes a não me chamares "azar"...
Devido ao adiantado da hora, esperando pelos pais dos meus netos, para me pisgar, fico-me por aqui (hoje).
Estou mesmo a precisar de lunetas, letras pequenas, colocação de caracteres... é só para evitares os comentários...


De Anónimo a 14 de Março de 2010 às 00:16
Conheci o meu marido em casa de uma amiga, tinha uma namorada fixa sempre presente, nunca lhe achei uma graça especial, e nunca houve o tal clic. Entretanto eu ia dando corda a namorados e descartá-los quando se tornava oportuno.
Um dia, ia com a minha amiga e encontrámo-lo com um amigo comum, e acabámos por ir os 4 jantar. A meio do jantar apercebi-me de coisas que não sabia, ele tinha acabado com a namorada por ela não admitir nem suportar que ele tivesse qualquer relação com o filho que tinha de uma anterior relação.
Achei aquilo aberrante, ele estava mesmo em baixo e eu resolvi apoia-lo ...
Concluindo, já lá vão 30 e tal anos e as coisas não correm melhor porque o meu enteado vive a milhares de kms de distância, mas sempre que é possível estamos todos juntos.
E se eu naquele dia, em vez de ter saído com a minha amiga, tivesse ficado em casa? Como tanta vez aconteceu?
Se tivesse saído com outra amiga?
E mais não especulo


De Rafeira a 14 de Março de 2010 às 00:20
A anónima sou eu ...... tive problemas e fiquei demente


De Carapau a 14 de Março de 2010 às 01:05
Se tivesses ficado em casa terias ficado a par com a novela (?) ou a ver navios.
Assim, embarcaste!


De Maria Araújo a 14 de Março de 2010 às 01:09
Olá.Cá estou eu a comentar este post, tendo visitado em primeiro lugar o blog que destacaste e que já ´conheço, embora poucas vezes lá vá.
Gostei do que li lá, mas este não fica nada atrás.
Com a pequena aqui a dormir com a cabeça quase em cima do computador,este em cima das minhas pernas, imagina a dificuldade que estou a ter em responder a este comentário.
Este post assim como o da menina Eva fez-me recordar alguns momentos que, em Via do
Conde , me levavam a estacionar o carro junto ao Castelo e inclinava o encosto do banco ligeiramente para trás, música na RFN, como sempre, e uma leitura agradável pelo livro que levava.
Parava um carro ao lado do meu. Olhava. Ele fazia o mesmo que eu e, como quem pensa quem´ será ele/ela, e o que estará ele/ela aqui a fazer em vez de estar a trabalhar, o meu pensamento deixava a leitura para se peder, olhos no mar, na pessoa que , como eu, desfrutava daquelemomento agradável e calmo.
Hoje, decidida a reviver esses momentos, lambrei-me que agora já não é possivel estcionar o carro em frente ao mar. Desisti e fui a Esposende. Pelo caminho, pensava num local onde pudesse fazê-lo. Mas não me lembrei de nenhum.
Mas tudo isto para te dizer que, se há algum destino marcado, comigo nunca aconteceu, embora muitas vezes os olhares se cruzem num qualquer semáforo, um sorriso, um abanar de cabeça ao som da música, um trautear da canção, que me levam a pensar que quem me observa pensa que sou doidinha.
Mas não me importaria nada que uma historia destas se passasse comigo. Mas cota como sou, quem o faria?

Beijinho para ti e para a menina que escreveu o outro post.


De Carapau a 14 de Março de 2010 às 01:27
Supõe que eras a "Ela" do episódio que eu contei.
Como digo, sei o que aconteceu a "Ele" não sei o que aconteceu a "Ela". Mas posso imaginar...
...Na tarde seguinte "Ela" telefonou para a Companhia de Seguros dele a saber se "Ele" já tinha feito a participação do acidente. Atendeu-a um funcionário simpático, que passado alguns segundos lhe disse que sim senhora já cá temos a participação. Só que precisavam que ela passasse pessoalmente por lá para combinarem uns pormenores e marcarem a avaliação, etc. etc.
"Ela" fazia conta de, depois do assunto resolvido, telefonar a "Ele" a agradecer a prontidão com tinha tratado do assunto, não fazendo como muita gente que deixavam passar uma série de dias antes de fazerem a participação do acidente.
Mas...
Mas o funcionário da Companhia de Seguros foi tão simpático e prestável, arranjou-lhe um carro de substituição mesmo não sendo necessário e mais patati patatá, que "Ele" foi esquecido e "Ela" segurou-se naquela companhia para o resto da vida.
E tirou uma conclusão:
Mais vale ser abalroada, do que não acontecer nada.


De maria teresa a 14 de Março de 2010 às 12:32
E supõe que ela chegava a casa com o "rabo" do carro metido dentro e o carro era do marido ...
Ele ficava danado, era um homem violento, dava-lhe um soco nas "trombas", ela ficava a "ganir" e jurava nunca mais ir ver o mar... E não ia, porque passado dois dias, a besta dava-lhe um tiro no meio da testa e a pobrezinha finava-se...

Vou começar a escrever romances policiais, em que entre muito SANGUE... preciso de SANGUE!

Tás pior rapariga (eu) , não te trates não, que ainda vais parar ao manicómio. E a culpa é da desorganização que reina por aqui!!!


De Carapau a 14 de Março de 2010 às 13:55
Sedenta de sangue?
Faz uma cabidela, que pelo menos atenua a ansiedade.
Atão um tiro dá-se assim mesmo no meio da cornadura? Só por alguém lhe ter "apalpado" o rabo?
(O rabo do carro e ainda por cima dele).
Cá por mim acho que nos teus policiais o mordomo é sempre o criminoso.
Agora vou tentar dar um jeito à casa, que está uma lástima de desarrumada.
Vamos ver como me saio desta.


De Carapau a 14 de Março de 2010 às 14:50
Declaração pública:

Como afirmei no comentário anterior, procedi a uma limpeza e arrumação desta sala, onde os meus comentários sairam fora do sítio e até em duplicado.
Só aconteceu uma coisa grave (para mim). Para o lixo mandei também uma pérola de estimação que a Maria Teresa aqui tinha deixado sob a forma dum poema feito fora de horas, porque (confissão da própria) esteve a aturar os netos enquanto os respectivos pais andavam na gandaia (conclusão minha, porque isso também me acontece).
Portanto à lesada, que não quis ofender, aqui fica o meu pedido de desculpas, na esperança que recoloque o tal comentário, ou outro que o substitua, pois desse modo, além de me absolver pelo pecado cometido, também me dará a oportunidade de lhe responder "à letra" como faço questão de fazer sempre.
"Sans rancune" e com um beijo aqui fica o meu pedido de desculpas, com esta quadra:

"Amandei-te" pró lixo, que pena,
O que me havia de acontecer!
A minha mágoa não foi pequena
E isso estou aqui a reconhecer.


De Carapau a 14 de Março de 2010 às 15:29
"Alvíssaras meu Capitão,
Meu Capitão-General"...

No lixo eu escarafunchei...
Já tinha ido p'ra reciclar,
Mas mesmo assim arranquei,
Depois de muito trabalhar,

A tal pérola perdida
A que atrás me referi
E que aqui é oferecida,
Para não te dar trabalho a ti!

Mas nunca me perguntem como consegui arrancar daquela massa informe e já misturada com ácidos e bases onde tive de mergulhar com risco da própria vida. Pela 1ª vez na história dos blogs do Sapo, alguém conseguiu romper as fronteiras do impossivel. A partir de agora impossíveis já não há! E claro, modéstia à parte, só podia ser o Carapau a consegui-lo!!!
Deste modo também obrigo a Calendas a meter a viola no saco e a "engolir" o que disse das minhas excelsas qualidades.
As palavras da Maria Teresa aqui ficam, ainda que a forma como as apresento poder não ser exactamente igual à original. As palavras porém são as mesmas. Não admira qualquer imperfeição atendendo ao local donde as arranquei.
O que eu sou capaz de fazer para repôr a verdade!!!!
Elas aqui ficam:

"Carapau toma cuidado...
O azar podia ser mais meu
Porque sou um bom "bocado"
E tu és um camafeu!

Toma lá para aprenderes a não me chamares "azar"...
Devido ao adiantado da hora, esperando pelos pais dos meus netos, para me pisgar
fico-me por aqui (hoje).

Estou mesmo a precisar de lunetas, letras pequenas, colocação de caracteres... é só para evitares os comentários..."







De maria teresa a 14 de Março de 2010 às 18:13
No lixo tu escarafunchaste
Mas fizeste mau trabalho
Tua rima não encontraste
Devia “dar-te” com um malho!

Tudo estaria muito certo
Se reescrevesses também
Q´eu te dava “azar”! Tá certo?
Não vais negar, está bem?

Por isso te dei “troco”
Não sou mulher de calar
Arrumaste mas por pouco
Ficava tudo a “nadar”

Mas eu desculpo-te tudo
Porque trabalho tiveste
É pena seres um casmurro
E por vezes uma peste!

Hoje tive um dia quentinho
Depois de um serão “agitado”
O sol aqueceu-me o “ninho”
Até subi ao telhado ( para aparar uma heras)


De Carapau a 14 de Março de 2010 às 19:09
Sobe, sobe ao telhado
Ainda dás um trambolhão.
Depois fico desempregado
Sem parceira p'rá discussão.

Ainda por cima rimada
- a discussão, já se vê -
Não é fácil topar camarada
Que p'ra isso tenha parlapié.

Deixa lá a hera trepar,
Que ela é boa trepadeira.
Tu é boa para falar
C'oa vizinha à soalheira.


De maria teresa a 14 de Março de 2010 às 17:42
Onde é que está escrito que o tiro foi por causa da "traseira" do carro? Dahhhhh!
Sabes lá o curriculo da criatura...


De Carapau a 14 de Março de 2010 às 19:15
Então o tiro nos cornos
Com o "rabo" não tinha a ver?
Deixa-te lá de adornos
E volta atrás a reler.

Tal como está escrito,
Tudo é uma consequência.
Ou "ele" anda aflito
A dar tiros com frequência?

Que ao teu "ele" não conheço,
Nem à tua "ela" apalpei.
Se quiseres dou-te o endereço,
Do trinta e um que arranjei.
:-)


De maria teresa a 14 de Março de 2010 às 20:51
Arranjaste um trinta e um?
O que foi que aconteceu?
Tou aqui no vai mais "um"... (verso)
Que culpa é que tenho eu?

Isto de em rima escrever
Dá "trabalho" mas anima
A hera está a crescer
E tenho q´a puxar de cima

Trambolhão eu posso dar
Ninguém está livre de tal!
Não te quero preocupar
Por isso ponto final...

Vou dizer ao jardineiro
Que por cá passe depressa
Qualquer dia o carteiro
Não entra na minha travessa ( Trav. de morada)

Sem semáforo as plantas
Não dão tréguas ao crescer
Com o tempo são devassas
Dão-me muito que fazer!

Devassa era a fulana
A que no semáforo travou
Nada tinha de "porcelana"
Foi por isso que se finou!


De Carapau a 15 de Março de 2010 às 19:19
Já o jardineiro limpou
As heras da tua Travessa?
E dessa maneira já entrou
O carteiro mais depressa?

Trata lá do salsifré
Mas não voltes ao telhado.
Quem te avisa amigo é
Não te metas nesse assado.

Por que cair "lá de cima"
É certamente perigoso.
Tu tens mais queda p'rá rima
E há coisas que dão mais gozo.


De Calendas a 14 de Março de 2010 às 20:41
Arranjem-se os dois, combinem e escrevam um blog, um livro, uma coisa qq juntos que a coisa promete.
Mas orienta-te Carapau, não deites a Teresa para o lixo que ela faz muita falta.

Olha lá, pá, então as letrinha antispam ainda andam por aqui? Tás a chamar spam à gente?


De Carapau a 15 de Março de 2010 às 18:50
Jamais em tempo algum atiraria alguém para o lixo, quanto mais a Teresa, que se vem a portar tão bem :-)
O que foi ter ao lixo, por descuido carapausístico de que já me penitenciei, foi um comentário da Senhora. Mas isso está resolvido.
Quanto às letrinhas anti-spam, andei a dar uma volta e vamos a ver se as passei a evitar. É só experimentares para ver se resultou.
As pessoas que aqui vêm de spam's não têm nada, é tudo gente da mais pura viru...lência.
:-)


De Calendas a 15 de Março de 2010 às 18:59

Morreram as letrinhas do spam. Será? Ou algum dia voltarão mascaradas de Carapau esverdeado, já quase pestilento e cheio de viru-lências?


De Red Maria a 14 de Março de 2010 às 22:33
Demasiados "Se(s)" que por aqui andam mas encontro sempre muita piada a estas histórias.

Teria muitas para contar mas as minhas não são bem cor de rosa e dou comigo a pensar que várias vezes estive no sítio e hora erradas. Mesmo assim, ao fim de algum tempo servem para umas boas gargalhadas.


( SE este blog tivesse umas letrinhas maiores nos comentários eu não ficaria com dores de cabeça! É que nem com óculos, lupa ou binóculos... )


De Carapau a 15 de Março de 2010 às 18:59
Em todas as vidas o que não faltam são "SES".
"Ses", reticências, pontos de interrogação, "mas" e outras coisas que agora não vêm ao caso.
Mas quantas vezes não há reticências que se afastam se um "se" levar um ponto de interrogação no momento certo?

Quanto ao tamanho das letras AQUI dentro deste rectângulo onde se comenta, não consigo fazer nada. Alterei isto para o rich text como se pode ver, mas o tamanho da letra não dá para alterar.
Pelo menos eu vasculhei tudo e não encontrei.
Uma sugestão: escreve em MAIÚSCULAS, já terás menos dificuldades e eu não me chateio nada.
Está à vontade.
Mas a pedido de outras pessoas já consegui retirar as letras anti-spam.


De Red Maria a 16 de Março de 2010 às 00:34
Personalização intermédia:

Letras

Área de comentários
 

Tamanho da letra dos comentários. ( e depois é só escolher)


Desenho?

Hoje não dá, vou dormir.


De Carapau a 16 de Março de 2010 às 00:46
Tudo bem. Mas isso altera o tamanho da letra dos comentários que aqui aparecem, mas não altera o tamanho das letras com que se escrevem.
Eu suponho que o que querias ver alterado era o tamanho destas e não daquelas.
Ou não estamos a falar da mesma coisa?
Bom descanso.

 


De MeninaDoTejo a 15 de Março de 2010 às 11:48
Quantos encontros e desencontros se cruzam pela vida fora. Quantos semáforos, transformados por ex. num empurrão sem querer, nalguma coisa que deixamos cair e prontamente alguém simpaticamente se oferece para apanhar; num transporte público, o tal cruzar de olhar, que nos faz mexer interiormente e sorrir, diria que qualquer lugar ou espaço, é propício a que se cruzem olhares e sorrisos e fazem nos sentir vivos.

E o "Se" fica sempre na interrogação.

Mas é tudo uma questão de sorte ou de azar, embora devamos sempre lutar para que a sorte seja nossa madrinha....

Um abraço para ti carapau "doce contador de histórias", verdadeiras ou inventadas.



De Carapau a 15 de Março de 2010 às 19:06
E a própria vida não é meio inventada tantas vezes?
Quantas vezes "fazemos de conta"?
E se tivessemos ido pela rua da frente em vez de irmos pela rua do lado?
Por ex. eu: teria partido uma barbatana ou teria encontrado uma faneca em vez duma pescadinha?
E a pescadinha, por me ver, teria trincado o rabo com mais ou menos força?
E se... e se...?
Bjo prá MeninaDoRio.


De maria teresa a 15 de Março de 2010 às 19:56

Uma vida reinventada


Era o que eu queria ter


Mas falta-me essa pescada


Que deve ter o rabo a arder


 


Vim parar onde não queria


Mas lá teria que ser


Ò Carapau que mania!

A faneca é boa p´ra se comer


De maria teresa a 15 de Março de 2010 às 19:57

Porque a trocas pela pescada?


Por ser doutra condição?


Isso pensas tu e “mais nada”!


Tu não tens é coração…!


 


Agora estou  a carpir


Por causa da fanequinha


Lá vai ela p´la rua a subir


Com aspecto de fraquinha


 


Serei sua advogada…


Mas que grande dramalhão!


Estou a ser exagerada?


Olha que não! Olha que não!



De maria teresa a 15 de Março de 2010 às 20:00
O que é que fizeste a esta coisa que me fez enviar os meus lidíssimos versinhos por duas vezes, dizendo que não cabiam... não cabiam onde?
Ainda por cima sairam desalinhados e  coloridos (disto até gostei!)


De Carapau a 16 de Março de 2010 às 14:41
Já só escreves aos solavancos
E pintas a manta de castanho.
Descalça lá os tamancos
E faz isso doutro tamanho!

Troquei a faneca pela pescada?
Donde tiraste a conclusão?
Não sou Carapau de caldeirada,
O peixe é que me vem ter à mão.

O meu coração é largo,
Largo como o mar profundo!
Cabe a faneca, a pescada, o pargo,
Todo o peixe que há no mundo.

E mais não digo, senão
Ainda passo por gabarola.
O que não sou, ah pois não!
Sou é peixe de alta escola!

Não armes tu em advogada
De fanecas ou fanequinhas.
Fica antes preocupada
Em não engolir as espinhas.

:-)
Quanto ao sucedido com o que me contas, fiquei muito admirado, porque só aconteceu contigo. De facto fiz uma aleração na caixa de comentários, mas não me apercebi que pudesse acontecer isso.
Assim sendo, voltei à forma inicial.


De maria teresa a 16 de Março de 2010 às 19:09
Ó Carapau toma mais tino!
Eu sou lá de usar tamancos!
Sou de um tipo muito fino!
Já me viste aos solavancos?

Mentira a deste peixe
Que me quer caluniar
Ele quer que eu o “deixe”
P´ra só ele poder brilhar!

Tens um grande coração?
Deixaste-me destroçada!
Desapareceu o meu cação
Estará na tua “peixeirada”?

Diz-me então se fores capaz
Que aconteceu ao semáforo?
Meteu-se p´lo meio um “goraz”
E tem sido um desaforo

Desaforo da minha parte
Confesso as minhas culpas
Para quem “dá e reparte”
Envio as minhas desculpas!

Não faço a mínma ideia do que aconteceu mas tal é natural, não "pesco" nada de computorização.
Eu escrevinhei as rimas nos meus documentos, como normalmente faço, quando a escrita não sai de imediato, ou tem que ser mais elaborada e porque este espaço é "terrível" em limitações.
Estavam escritos em tamanho pequeno, sem espaços, sem cor...
O comentário seguinte já foi feito directamente aqui e saiu perfeito. Não entendo!


De Carapau a 19 de Março de 2010 às 14:17
Descontrai-te, para teu bem
E para reflectires a minha luz.
E podes aqui vir também
De tamancos ou chinelos e capuz.

E guarda a tua conversa
Para o post que há-de vir.
Tu és uma poetisa tersa *
E gosto de te ler p'ra me rir.

Deixo-te agora uma informação:
Prefere o tereso pescado ao largo,
Ao mal encarado cação.
É outra loiça! É o fino pargo.

* Pode parecer uma redução de teresa, mas não é:
significa pura, delicada, correcta, vernácula.
Diz lá que não sou amigo!


De Maria Araújo a 15 de Março de 2010 às 21:07

E assim atingiste o record de comentários.
Vou jantar
Beijinho.


De Carapau a 16 de Março de 2010 às 14:43
O meu objectivo não é bater records.
Mas puxam-me pela lingua e não posso ficar calado.

Bjo e bom jantar, mas já no dia seguinte porque hoje já é "amanhã" em relação a ontem.
Entendido? :-)


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