Domingo, 7 de Março de 2010

Flores de pedra

 

 Amanhã, 8 de Março, é o dia Internacional da Mulher. Também por isso, esta história é dedicada às Mulheres, em particular às que costumam visitar esta caverna.

É uma pequena história inventada, mas que tem uma pré-história. Há algum tempo atrás Alguém me “convidou” a escrever uma historieta em que entrasse um homem sem pernas, chamado Bitola e que fazia passeios. A minha resposta foi: “E porque não escreves tu isso?”

Porém, dois ou três dias depois voltei a pensar no assunto e reparei que aquele “fazia passeios” podia ter pelo menos duas interpretações. E foi então que me lembrei dumas coisas, mudei de ideias e resolvi escrever…

 

O Bitola

 

   Ezequiel Lontra, que mais tarde viria a ser conhecido por Bitola, nasceu no Alentejo e foi fazer a tropa para Lisboa. Cumprido o serviço militar e tendo tomado o gosto pela cidade grande, por ali ficou. Arranjou emprego nas oficinas da Carris, onde chegou a ser mecânico electricista. Homem bem disposto, alegre e brincalhão, fazia com facilidade amizades, quer entre os colegas de trabalho, quer mesmo no meio feminino, onde era, à sua maneira, um D. Juan.

   Foi exactamente a quando da sua estadia na Carris, que lhe arranjaram a alcunha de Bitola, depois duma acesa discussão com dois colegas sobre a bitola das linhas dos eléctricos e dos comboios. E passado algum tempo, acabou por incorporar no nome, ainda que de maneira não oficial, essa alcunha.

   - Ezequiel Lontra Bitola - respondia sempre que lhe perguntavam o nome.

   Foram meia dúzia de anos os que o Bitola passou nas oficinas da Carris, contente com a vida, com os amigos e com as diversas namoradas.

   Até que um dia, aconteceu o acidente que lhe iria alterar toda a vida. Quando estava, na oficina, deitado no chão a reparar um carro eléctrico, entrou um outro na linha ao lado, o condutor não se apercebeu do Bitola e o pobre homem ficou sem as duas pernas. No hospital não tiveram outra solução que não fosse completar a amputação, ficando com dois cotos.

     Depois de meses de tratamentos, fisioterapia e adaptação à nova realidade, o Bitolas teve muita dificuldade em se adaptar às próteses. Passava a maior parte do tempo sem elas. Para se movimentar, servia-se das mãos apoiadas no chão como se fossem pernas e movimentava o tronco como se posse um pêndulo. Recebeu a indemnização do Seguro, outra da Carris correspondentes aos anos de serviço, pois não aceitou a nova função que lhe queriam dar e fez-se de novo à vida. Um amigo dele era calceteiro da Câmara de Lisboa e com ele aprendeu a arte. De vez em quando ajudava os calceteiros nas obras, até que um dia o encarregado, vendo-lhe o jeito, chamou a atenção dos seus superiores e o Bitola foi admitido como calceteiro da Câmara. Os trabalhos mais complicados e que queriam que ficassem um brinco, eram sempre da responsabilidade do Bitola. A rapidez e a perfeição de execução, o ar sempre bem disposto, um assobio ou uma canção nos lábios, atraíam a atenção das pessoas que passavam, sobretudo quando os trabalhos nos passeios se realizavam nas zonas mais concorridas. Os turistas tiravam-lhe fotografias e ele correspondia sempre com um sorriso. Um dia, quando fotografado por duas belas inglesas, ele fez-lhes um sinal para esperarem um pouco e, com as suas pedras e a sua habilidade, fez uma flor de pedra que ficou assim incorporada no passeio. Elas soltaram uns gritinhos, agradeceram, fotografaram uma vez mais o artista e a sua obra e lá foram à vida.

   Então, daí para a frente, sempre que alguma mulher se interessava por ele ou pelo seu trabalho e desde que ele também simpatizasse com ela, o Bitola “esculpia”, com as pedras que aparelhava meticulosamente, uma flor na calçada. A partir de certa altura, porque o trabalho era um pouco mais demorado que a calçada “corrida”, ele trazia num saco umas tantas pedrinhas já aparelhadas para fazer as flores.

    Ainda hoje haverá destas flores** espalhadas pelos passeios de Lisboa, que quem andar com atenção talvez descubra, graças a essa invenção do Bitola, para se tornar simpático para com as mulheres.

   Depois outros calceteiros ter-lhe-iam seguido o exemplo, mas flores como as do Bitola não havia nenhuma.

 

                                                                           -O-

 

** … e essas coisas, de que me lembrei e que me ajudaram a inventar a história, foram exactamente estas flores de pedra. Há uns anos atrás eu sabia da localização de várias destas flores nos passeios de Lisboa, sobretudo na “Baixa”. Há dias desloquei-me para ver se fotografava algumas delas para aqui as colocar. Não descobri nenhuma. De focinho no chão, percorri aqueles passeios onde tinha a certeza que em tempos havia umas tantas, e nada vi. As sucessivas obras, as alterações dos traçados dos passeios, novos materiais, tudo serviu para fazer desaparecer essas flores que calceteiros “apaixonados” (digo eu) deixavam aqui e ali. Tive ocasião de reparar que os passeios estão muito maltratados, com muito remendos mal feitos e duma maneira geral fruto de muito mau trabalho. Suponho que actualmente são feitos de empreitada, onde a palavra de ordem é “despachar”. Mas esses problemas já são contas doutro rosário, que não este agora e aqui.

As fotos que aparecem mais abaixo, mostram duas composições parecidas com essas flores, mas neste caso são estrelas e pertencem a composições arquitectónicas de alguns passeios. Fotografei-as (1 e 2) e limitei-me a isolar estes pormenores para dar uma ideia do que eram essas flores. A fotografia (3) já mostra uma flor/estrela avulso numa calçada e encontrei-a na net. No entanto a flor aparece feita com pedras negras ressaltando na calçada de pedras brancas. Aquelas a que me refiro no conto, eram todas feitas de pedra branca e estavam espalhadas, por aqui e por ali, na calçada “corrida” e não fazendo parte de nenhum plano. Eram difíceis de encontrar, e isso também constituía um dos motivos do seu interesse. Poucas pessoas davam por elas Eram “liberdades poéticas” de alguns calceteiros.

 

1                                                                              

     

  2                                                                   3

                                              ( Passeios de Lisboa-pormenores)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Carapaucarapau às 13:39
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35 comentários:
De Maria Araújo a 7 de Março de 2010 às 19:19
Um texto muito bonito e acredita, para mim foi romântico.
Lamentavelmente, as modernices de hoje acabaram com a arte de outrora.
E, deste-me uma ideia. Vou ver se, aqui pelo burgo, há esta arte de calceteiro dcom motivos florais.~Quem sabe?
Beijo


De Carapau a 8 de Março de 2010 às 13:28
Pode ser que sim, pode ser que não, mas acho pouco provável. Aqui em Lisboa não tenho conhecimento de novas "obras florais" e, pelo tipo de mão de obra utilizada, nenhuma me parece de "artista". E, como digo no texto, mesmo as antigas desapareceram. Pode ter escapado uma ou outra mas não encontrei nenhuma.
Bjo.


De Red Maria a 7 de Março de 2010 às 20:18
Fantástica imaginação, Mr.Carapau, que deu origem a história “calcetada”.


De Carapau a 8 de Março de 2010 às 13:46
A imaginação até nem foi muita. Limitei-me a juntar alguns conhecimentos que fui adquirindo e que me permitiram "Inventar" o Bitolas. Aproveito para mais umas explicações.
Pela mesma altura em que eu tomei conhecimento dessas "flores de pedra", conheci um senhor que não tinha pernas (acho que tinha nascido sem pernas, pois nem cotos tinha) que era diariamente visto na zona Av. da Liberdade/Restauradores, onde exercia a profissão de engraxador. Teria na altura uns quarenta anos e era um tipo bem disposto, sempre com uma graça para a clientela. Dele se contavam algumas dessas graças, que tinha por base a exploração do seu "defeito físico". As "calças" eram uma espécie de saco, reforçado no rabo por uns fundilhos de cabedal, pois a sua posição normal era de rabo no chão. Deslocava-se usando os braços como se fossem as pernas, só que os movia ao mesmo tempo para a frente, mãos no chão, protegidas por uma "luvas" de madeira que também serviam para dar maior comprimento aos braços, e assim permitiam deslocar o corpo que balançava como um sino e ia "pousar" mais à frente. Portanto o deslocamento era assim feito: mãos no chão e balanço do corpo para uma posição mais avançada e logo rabo no chão e mãos para a frente para repetir o movimento. Assim se movia e tomava os transportes públicos e brincava com tudo isso. Às vezes alguém dizia (já para o ouvir) "hoje não vou de autocarro, vou nas pernas". E ele respondia "e eu vou no cu".
Foram esta figura e as flores de pedra que me tornaram fácil compor a história.
Como vês, imaginação houve pouca!
Aproveitei este comentário ao teu comentário para divulgar o que não tinha deixado no post.


De maria teresa a 7 de Março de 2010 às 20:59
E ao "criar" toda a vida de um homem que adorava mulheres, o Carapau revelou a sua espinha sentimental e, indirectamente, ofereceu a todas nós rosas, rosas de pedra, rosas perpetuadas nos passeios de Lisboa...
Obrigada Carapau, vou levar uma, penso que a posso colher...
Beijo amigo


De Carapau a 8 de Março de 2010 às 13:51
A espinha tem dias...
Podes levar as flores que quiseres. Pena tenho eu de não poder deixar aqui no post alguns sítios precisos onde pudessem ser vistas as flores a que faço referência. É que não encontrei nenhuma, quando eu sabia da localização dumas nove ou dez. Mudam-se os tempos...
Lê o meu comentário anterior, onde deixei mais umas achegas.
Bjo.


De Eva Gonçalves a 7 de Março de 2010 às 22:42
Mas que linda história! Será que outros calceteiros por este País fora, terão tido estes devaneios e liberdades poéticas em diferentes cidades? Dava um belo romance esta história :) Já tenho recebido a minha dose de rosas... mas nunca de pedra, gravadas para a posteridade... que azar o meu! :) Beijo e bom semana!


De Carapau a 8 de Março de 2010 às 14:01
Tenho quase a certeza de um dia ter visto num livro sobre a "calçada portuguesa", e que trata dos diversos motivos decorativos que ao longo do tempo têm sido usados neste tipo de calçada (os conecidos "passeios"), uma referência a estas "flores" a que me refiro. E acho que até informava da localização de algumas delas. Mas não tenho a certeza. Já pesquisei na net e encontrei livros sobre o tema "calçada portuguesa". Se encontrar algum desses livros ainda hei-de ver se traz alguma destas indicações.
Num comentário anterior dou mais algumas informações de como adoptei na história alguns conhecimentos que fiz ao longo dos tempos.
Obrigado pelo simpático comentário deixado.
Bjo.


De Rafeira a 8 de Março de 2010 às 11:59
Comovida demais para comentar.


De Carapau a 8 de Março de 2010 às 14:03
Não deixou de ser um comentário... :-)
Lê o que deixei escrito ao comentário da Red Maria.


De MeninaDoTejo a 8 de Março de 2010 às 15:22
História que nos comove, mesmo sendo fictícia.
Este calceteiro, pessoa sofrida fisicamente, nunca deixou de nos mostrar a grandiosidade do seu coração, da sensibilidade e alegria que demonstrava através do seu trabalho, muito particularmente desenhando flores com pedras e valorizando o passeio, aqui e acolá; estas flores não tinham cheiro, mas acredito que os passeios estariam mais cheirosos.
Hoje se o Artista Bitolas estivesse entre nós, certamente que encheria os passeios de flores de pedras brancas e pretas ou coloridas em honra da Mulher, já que ele também nos sabia presentear com a arte dele.

Beijo no carapau


De Carapau a 8 de Março de 2010 às 21:50
Um bom par de pernas costumam dar muito jeito, mas fica provado que mesmo sem pernas se pode andar e fazer coisas.
Um bjo. na MeninaDoRio.


De Calendas a 8 de Março de 2010 às 19:19
Vou levar a rosa e o Carapau. Pena o peso dos dois, mas pronto, não se pode ter tudo! Aqui vou eu, com os dois às costas a descer a calçada. Aqui vou eu!


De maria teresa a 8 de Março de 2010 às 20:40
Ó Calendas tu tem cuidado! Vê lá não escorregues na calçada, podes cair e "esmagar" o Carapau... E depois como é que lhe podíamos fazer a vida "negra"?


De Carapau a 8 de Março de 2010 às 21:36
Tem-te Maria não caias
Que as calçadas são falsas
E por baixo das saias
Nem sempre usas as calças.

A quadra é velha, não é minha, mas acho que vem mesmo a matar.
:-)


De Carapau a 8 de Março de 2010 às 21:42
A quadra da resposta anterior era para a Calendas, mas depois entrega-lha se fazes favor.
Para ti fica esta:

Nâo queiras usar essa regra
De me querer fazer mal.
Vai fazer a vida negra
A outro qualquer animal.


De maria teresa a 8 de Março de 2010 às 23:12
Eu a querer-te fazer mal?
Que terrível confusão!
Tu és um bom animal
É minha esta conclusão!

A Calendas despistada
Pode muito bem esmagar-te
Se isso não te diz nada.
Não é melhor avisar-te?



De Carapau a 9 de Março de 2010 às 10:53
Carapau avisado vale por dois.
Agora repara nestas contas (já que és especialista).
Eu já sou CarapauCarapau, portanto Carapau a dobrar. Se avisado valho por dois, já temos quatro Carapaus. O que já enche o olho a muita gente e põe as pessoas a pensar numas brasas...
Tás a entender o perigo?
E dessas brasas eu fujo. Das outras não.
:-)


De maria teresa a 9 de Março de 2010 às 14:06
Brasas? Que brasas?
Em que tás tu a pensar?
Em comprares umas asas?
Para assim poderes "voar"?


De Carapau a 9 de Março de 2010 às 14:34
Pensava nas brasas que são
Os teus olhos a brilhar.
Olha que admiração!
Estão assim p'ra me admirar!

:-)


De maria teresa a 10 de Março de 2010 às 18:14
Carapau és um "estupor"!
Com esta tu não me fintas!
"Oferesceste-te" um louvor
Não gosto que tu me mintas!

brasas meus olhos não são!
Muito menos ao olhar-te...
És um grande espertalhão
Sabes bem como "escapar-te"!


De maria teresa a 10 de Março de 2010 às 18:16
Há um "s" a mais mas tu és inteligente e percebes:):):)


De Carapau a 10 de Março de 2010 às 21:30
Esse a menos, esse a mais
Calada é que nunca ficas.
Por que não escreves nos jornais
Umas crónicas fantás...ticas?


De maria teresa a 10 de Março de 2010 às 23:39
Estás a mandar-me embora?
Não desejas que aqui fique?
Vou viver para Samora !
Antes que isto caia a pique!

Uma crónica queres que escreva
Para quê? Posso saber?
Não é coisa a que me atreva
Pois não sei o que escrever

Só se for sobre o Adão
Que a Eva não "conheceu"
Pois ele preferiu o pão
Inda não sei o que lhe deu!


De Carapau a 11 de Março de 2010 às 15:57
Vais embora para Samora,
Que fica bem longe daqui?
Então eu também vou embora,
Nâo posso estar longe de ti.

Essa história, nova, do pão
Que, dizes, o Adão comeu
Também não sei a razão
Não sei que pancada lhe deu.

Habituado a comer erva
E alguns animais de caça,
Mais lógico seria comer a Eva
Para perpetuar a raça.

Má raça podia eu dizer,
Não fora ser eu um dos tais
Que, por Adão a comer,
Ando aqui a carpir meus ais.

Mas não vás daqui embora,
Deixa-te ficar por aqui.
A piada disto morre na hora
Em que ficarmos sem ti.

:-)


De maria teresa a 12 de Março de 2010 às 22:53
Depois deste teu carpir
Fiquei muito comovida
Decidi não mais fugir
E voltar da minha "ida"

És um amigo muito krido
Isto não devia dizer
Podes ficar "convencido"
E não te quero a "derreter"


De Carapau a 13 de Março de 2010 às 20:18
Muito ou pouco derretido
Há sempre alguém que goste.
Mas já estou entretido
A publicar outro post.


De Calendas a 9 de Março de 2010 às 20:46
Primeiros: não me chamo Maria.
Segundos: ainda me seguro bem nas pernetas.
Terceiros: sabes lá tu bem o que uso debaixo da saia.
Quartos: o carteiro passa na minha porta, por isso não faças da Teresinha moça da recados e anda cá tu trazer a carta.
Quintos: amanhã escrevo mais qq coisinha, agora estou cansada!
Sextos: vá, beijinhos, pronto! Estás perdoado que não sou moça para guardar rancores mesmo quando me chamam outros nomes em momentos mais íntimos.


De Carapau a 10 de Março de 2010 às 14:15
Fico mais descansado com o perdão alcançado, mas não deixei de imaginar alguns dos nomes que te chamam nos "momentos mais íntimos".
Palpito nestes:
Hermengarda, Gudélia, Edelpida e Escância.
Menos do que isto não é nada...
:-)


De Calendas a 10 de Março de 2010 às 17:09
Fui publicamente desmoralizada, enxovalhada, pisada e mais outras acabadas em ADA.

A contar pelos nomes bonitos que te palpitam que me chamam, parece que sou muito má nesses tais momentos mais íntimos.

Agora sim, estou chateada! Muito mesmo! Nunca mais cá venho, a não ser que haja um pedido de desculpas público e uma caixa de bombons a acompanhá-lo.


De Carapau a 10 de Março de 2010 às 19:46
Já pedi ao "Precurador" para "precurar", investigar, analisar, vasculhar, escarafunchar, escavar e inté apalpar se preciso for, onde está uma ponta, um indício, uma amostra, um rasto, um niquinho que seja duma hipótese de ofenda, de enxovalho, de pisadela, nas palavras bem pensadas, medidas, escolhidas e outras acabadas em "adas" qua aqui deixei.
Óspois de me ser entregue o douto relatório, a análise, a pesagem, a medida e a apalpadela (se houver) me pronunciarei.
Até lá não haverá chicolates, pois, a conselho do dito "Precurador", qualquer oferta, presente, dáadiva, podia voltar-se contra mim e ser vista como uma tentativa de te "comprar", assim a modos como se compra uma televisão, ou mesmo uns sapatos.
Portantos...caixa de chicolates e pedido de desculpa só óspois de encerrado o "precesso" se alguma coisa contra mim se provar.
Até lá aconselho a portares-te bem, senão nem caixa nem caixote.

(Um parecer que pedi a um douto senhor, diz que um pacotito de amêndoas agora pela Páscoa, não podia ser tomado como tentativa de suborno. Se um segundo parecer for no mesmo sentido, conta com elas, por mail).


De Calendas a 10 de Março de 2010 às 22:15
Exmo. Sr. Carapau Escamado e Destripado

Após demorada consulta, entre a minha excelsa cliente e eu próprio (advogado devidamente reconhecido, bem pago e afamado) ficou acordado que o processo por pública difamação, atentado ao pudor e atitudes maquiavélicas, contra a minha constituinte, dará entrada próxima no respectivo tribunal da comarca.

Será também anexado um processo paralelo, onde constará a tentativa de suborno de que a minha cliente foi alvo por sua parte, tentando abafar o caso com um mísero pacote de amendoas, provavelmente rançosas.

Sem outro assunto de momento,

Antonino Escânsio Malacueco



De Carapau a 11 de Março de 2010 às 16:17
Caro colega Escâncio:

Pede-me o meu constituinte Carapau para lhe responder à carta dando-lhe conta do processo movido pela sua "excelsa cliente".
Quanto ao "atentado ao pudor e atitudes maquiavélicas" trataremos do assunto na barra do tribunal, se entretanto não chegarmos a uma qualquer forma de acordo, coisa que nunca descarto à partida.
Agora quanto à tentativa de suborno, tenho a dizer-lhe que já não me ria tanto desde aquela outra vez em que a sua "excelsa cliente"...
Então a oferta de um mísero pacote de amêndoas, que o colega até admite serem rançosas (logo sem valor), pode ser entendida como uma tentativa para subornar uma criatura ainda por cima "excelsa"?
O caro colega permita-me a graça, mas deve ter tirado o curso numa tal universidade (In)dependente de triste memória!
Colega Escâncio, receba os cumprimentos do seu colega
Amâncio.



De Rafeira a 9 de Março de 2010 às 22:42
Recomposta, cá vai uma, com barbas, de autor desconhecido

Meninas amem um coxo
Que um coxo também se ama
Só a gracinha que ele tem
Ir aos pulinhos para a cama


De Carapau a 10 de Março de 2010 às 14:09
"Com barbas, cabelo e bigode",
Reclamam elas com razão (?).
Ai Jesus quem me acode!
Para acabar isto, pois então.


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