Domingo, 22 de Novembro de 2009

História do Capuchinho Vermelho

 

Há dias, em visita ao 262 deste blog, tomei conhecimento deste outro e resolvi “entrar no jogo”.

Assim nasceu esta ideia para uma nova versão da História do Capuchinho Vermelho.

 

História da Pink Barretina

   “Pink Barretina, tens de ir levar o lanche à avó. Telefonou a dizer que está com a neura e não tem nada para comer em casa. Já arranjei a marmita térmica com o resto da feijoada de ontem. Eu vou ter uma reunião de negócios com o Pedrocas Pedralva, não posso lá ir”. – Isto disse-lhe a mãe já à porta, enquanto agarrava a mala.

   Pink Barretina, que já tinha sido Red, mas com o tempo tinha desbotado, disse “sim mãe, vou já, é só acabar aqui este jogo”. Dois minutos depois fez um do-li-tá para ver se ia de autocarro ou bicicleta, saiu a bicicleta, “então vou pelo atalho da floresta”, agarrou na marmita, pegou a “duas rodas” e começou a pedalar.

   Tinha andado umas centenas de metros, quando numa curva mais apertada do caminho, quase teve um encontro imediato do 3º grau com o Zeca Motard, conhecido por Lobo Mau, que vinha em sentido contrário a fazer um cavalinho. A Pink Barretina conseguiu desviar-se, mas foi contra um pinheiro e entortou a roda da bicicleta.

   O Lobo Mau voltou atrás, “é pá vinhas fora de mão”, “fora de mão o cacete, aqui não há mãos. Tás com a roda empenada, essa gaita assim não anda”. Ela então explicou-lhe o problema, como iria agora entregar a feijoada à avó, ele perguntou “olha lá a tua avó é aquela a(L)inda Boa que mora no arranha-céus junto ao lago?”. “É” respondeu a Barretina, “então dá cá a marmita que eu vou lá entregá-la” disse o Lobo a lembrar-se duns olhinhos que a dita Boa lhe tinha feito há uns tempos atrás, estava ele a tomar uns birinaites na explanada ao pé do lago. Desde então andava com uma vontade de dar umas dentadas na cota e começou logo a lamber os beiços. “Tu volta para trás com a bicicleta à mão e fica descansada que eu vou fazer a entrega”.

   A Pink Barretina, que já tinha brincado à macaca com o Lobo Mau no “Bar 3 Vinténs”, uns tempos atrás, fez como ele disse e teve a sorte de, no penoso regresso, ter encontrado, no meio da floresta, um camião que estava a carregar madeira e que por acaso era conduzido por um simpático que lhe deu boleia, a ela e à montada..

   Quando a avó ouviu a campainha a tocar, espreitou pelo ecrã e viu um tipo de capacete com um embrulho na mão e disse para os seus botões: “parece o entregador de pisas, mas não me lembro nada de ter feito a encomenda”. Pelo sim pelo não abriu a porta da rua, esperou 2 minutos que ele subisse ao 15º andar e quando ele chegou, disse “deve ser engano”, “não é, não” respondeu ele e começou a contar a cena que tinha tido com Pink Barretina, na floresta. “Ah! Então entra filho, tá à vontade”. Mas mal ele entrou, também entrou pelo nariz da velha, (velha é maneira de dizer, pois ainda estava em bom estado de conservação), mas como eu ia dizendo, entrou pelas ventas da senhora uma mistura de cheiros a zebum, a bedum e a lupus novo de tal maneira intenso, que ela se viu obrigada a empurrá-lo prá banheira, depois de lhe ter arrancado os farrapos e o capacete.

Começou a esfregá-lo com tais ganas que às tantas saltou também ela prá banheira para melhor trabalhar e depois de brincarem aos médicos, ao esconde esconde, às bolinhas de sabão e a outros jogos conhecidos, a Avó deu o banho como acabado e o Lobo Mau lá se foi embora com o capacete na mão, mais partido do que se tivesse despistado pelo monte abaixo, aos trambolhões, mas tendo aprendido, à sua custa, que muitas vezes quem vai à lã é que sai tosquiado.

   Em seguida a avó atirou-se à marmita, a feijoada ainda estava quente, adorava feijoada do dia anterior, com o feijão já meio desfeito, e ficou satisfeita, dando a tarde como bem passada. Tinha arrancado à força o telemóvel do Lobo Mau e a partir de agora, e sempre que lhe apetecesse pisa, ia exigir que fosse ele o entregador.

   Quando chegou a casa, com a bicicleta à mão e meio estoirada, a Pink Barretina  encontrou a mãe a contar umas notas de vinte, pelo menos cinco contou ela, afinal tinha feito negócio com o Pedralvas e pensou, que com os cinquenta que o camionista lhe tinha dado, o dia até nem tinha sido assim tão mau, ainda bem que tinha tido o acidente com a bicicleta. “Parece que já se sente o fim da crise” pensou a Pink que era dada a considerações sobre economia. E se ela soubesse dos cinquenta que a avó tinha também dado ao Lobo Mau, então teria mesmo pensado que a retoma já tinha começado.

publicado por Carapaucarapau às 01:13
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