Domingo, 18 de Outubro de 2009

Diálogo interior

                                                          

   

A (des)propósito dum comentário deixado aqui por alguém que insinua que o Carapau anda na boa-vai-ela, pois passam-se dias e não aparece nada de novo no blog, fiz uma introspecção que, diga-se de passagem, é uma coisa lixada de fazer porque um tipo tem de se dobrar sobre si mesmo e tentar meter-se dentro de si (as espinhas e as escamas não ajudam nada, acreditem) e acabei a espremer as meninges, o que não é menos complicado.

De facto há períodos na vida dos peixes em que a mioleira como que hiberna e a caixa dos pirolitos, por muito que se puxe por ela, não deita nada cá para fora (sim, porque para dentro nem calculam o que a caixa deita, só que são coisas impublicáveis e que certamente lançavam o pobre peixe pelas cavernas da amargura…).

É certo que durante uns dias a caixa esteve mais virada para outras coisas que nem às paredes confesso, mas pelo menos à hora do lanche, quando as navalheiras andam por aqui há espera que aconteça qualquer coisa, bem me poderia ter esforçado…

E, quando a imaginação é pouca e a falta de vontade é muita, há sempre o recurso a uma qualquer notícia picaresca, que com meia dúzia de enfeites dá para escrever qualquer coisa. E alguma deve ter havido que me passou ao lado ou não soube aproveitar.

Depois há o recurso aos Dias Internacionais de Qualquer Coisa, sempre uma boa fonte para blablar. Só nestes últimos 3 dias poderia ter escolhido entre o Dia Internacional da Alimentação (ou da falta dela?) a 16, o Dia Internacional da Erradicação das Pobreza a 17, e o Dia Europeu Contra o Tráfico de Seres Humanos, a 18, hoje portanto.

Qualquer deles com pano para mangas para fazer um qualquer fatinho à medida. Depois os três juntos (e estas coisas andam sempre juntas, oh se andam…) davam para um tratado.

Também podia brincar com estas “coisas sérias”, que no fundo é o que mais gosto de fazer, mas…

O “mas” diz tudo, evita-me explicações, ainda que me faça perder um bom par de linhas. Não direi que costurava um Armani que para tanto me faltaria engenho e arte, mas alinhavava um trapito de trazer por casa…

- E então? – Pergunto eu a eu. (e aqui começa o tal diálogo interior de que fala o título).

- Então é uma gaita não ando nada virado para estas coisas… - respondo eu para dentro para ninguém ouvir.

- Deixa-te disso. Tens é uma preguicite aguda que fere cumó caraças. – Disse o “eu” que fala assim descontraidamente. – Trata mas é de fazeres alguma coisa de jeito, senão qualquer dia nem te olho pró focinho…

- Não olhes. Tanto se me dá como se me deu (frase de grande profundidade filosófica, que em geral é dita com um encolher de ombros a disfarçar uma certa impotência para fazer essa qualquer coisa de jeito).

- Manda essas bocas para os outros, mas poupa-me a mim que te conheço de ginjeira… (ainda gostava de saber donde vem esta de meter a ginja no assunto. Ainda se fosse “conheço-te da ginjinha” ainda vá que não vá… Com elas, ou sem elas…)

- Sorte a tua. Há muita gente que não se conhece. Nem de ginjeira nem de cerejeira – respondi a tentar ter alguma piada.

- Tens é muita lábia. Julgas tu que enganas este mundo e o outro com essas patacoadas (outro termo de elevada elegância do tal “eu”, quando quer “encher chouriços” - esta sim de minha autoria, como certamente reconhecerão todos os que se dedicam a “enfiar o barrete” de vir aqui espreitar a ver se há alguma coisa de novo e com algum jeito).

 

E o diálogo ainda continuou, a páginas tantas já nem sabia qual era o “eu” que perguntava e o que respondia, mas acabou quando um deles, com um sorriso sacaninha de quem tinha descoberto a pólvora mas não ia dizer nada a ninguém, acabou por atirar:

- Já te topo há séculos! Foi tudo paleio vadio para encheres umas tantas linhas e desta maneira cozinhares um post para o qual não tinhas unhas…

- Pois não. Não tinha nem tenho. Só barbatanas…

 

Conclusão: - nunca tentes enganar quem te conhece de ginjeira, à légua, por dentro e por fora. E tudo de olhos fechados.

 

      

publicado por Carapaucarapau às 19:30
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25 comentários:
De Maria Araújo a 18 de Outubro de 2009 às 21:48
Twice carapau tu és five stars.
Ri-me deste monólogo do "eu com eu". Então esta parte, meu sacaninha da ginjinha :
«frase de grande profundidade filosófica, que em geral é dita com um encolher de ombros a disfarçar uma certa impotência para fazer essa qualquer coisa de jeito».

Conclusão, a preguicite aguda, como eu tenho também, fez-te "encher uma pégina deste post".
Bj


De Carapaucarapau a 19 de Outubro de 2009 às 14:33
Muitas vezes tenho lido sobre a falta de imaginação do escritor, cronista, jornalista, frente à folha em branco do papel. O papel agora é o ecrã do pc mas o resultado é o mesmo. Tinha de reagir e fazer qualquer coisa. E fiz. Esperteza um tanto ou quanto saloia, é certo, mas o post saiu e tirou-me do "encalhanço" em que tinha caido. Sendo certo, e tu sabes disso, que não sou nem escritor, nem cronista, nem jornalista. Apenas e só Carapau que às vezes se mete em assados, dos quais passa a vida a fugir como o diabo da cruz, pois nem o eventual molho à espanhola alivia a dor das assaduras. :-)
Valem-me as poucas visitas que aqui espreitam pelo buraco da fechadura (e tu és uma das assiduas) e que deixam o respectivo rasto com comentários.
Serão poucas, mas são das melhores. (Esta agora parece mesmo que estou a dar graxa, mas não "tou, caredo jasus balha-me Deus").
Bjo.


De Maria Araújo a 20 de Outubro de 2009 às 12:52
rsrsrrsrsrsrsrsrsrs!
Beijinho


De Navalheira da hora do lanche a 18 de Outubro de 2009 às 23:14
Temos portanto homem! Gosto quando eles cedem aos pedidos das navalheiras e deixam a preguiça de parte. Admiro quando fazem algo do NADA. Mas das artes de natação percebe o Carapau. Muito NADA ele e até NADA com graça! E lábia não lhe falta, nisso também concordo com o EU que disse isso.
PS. Não percebi essa parte de enfiar o barrete ;)


De Maria Araújo a 19 de Outubro de 2009 às 12:51
Boa!
E do NADA se faz Ttudo.


De Carapaucarapau a 19 de Outubro de 2009 às 14:18
Creio que a explicação está logo a seguir à expressão "enfiar o barrete", quando digo isso a respeito das pessoas (e com todo o respeito, carinho e agradecimento da minha parte) que aqui vêm à espreita de novidades e são "defraudadas", porque durante dias nada aqui acontece. O post está, aliás, cheio de expressões vulgares e frases feitas, mas isso também foi intencional. Em vez daquela expressão podia ter usado "vir ao engano" ou outra semelhante. Como diria um bom vendedor de banha de cobra não estou aqui para enganar ninguém, mas às vezes engano-me a mim. Ao "respeitável público" jamé, a não ser uma vez por outra, mas isso por puro engano. :-)
Sem as vossas vindas aqui e sem os comentários isto perdia a sua piada e eu talvez perdesse o interesse em "patacoar".


De Red shoes a 19 de Outubro de 2009 às 15:56
Não precisava de tanta explicação para o "vestir a pecinha que se usa para cobrir a cabeça", vulgo enfiar o barrete.
Compreendo o post muito bem, ai se compreendo. Também ando cá com uma preguiça! Uma longa e desastrosa preguiça. Diga-se de passagem (abonando a meu favor, lol) que também não sou escritora, comentadora e etcs. Comecei um blog dedicado a fotografia, um dos meus maiores gostos, e daí pulei para outro para "botar mais faladura". No entanto, e apesar de ser recente, começo a fartar-me. Todos os dias sou atacada por preguiça, falta de inspiração e de tempo. E estou a gastar o meu tempo livre em coisas que nem são o que mais gosto e que nem melhor sei fazer. Parece que tenho de mudar de rumo e dedicar-me a outros afazeres. Por tudo isto, sei quanto custa fazer do NADA, tudo.


De Carapaucarapau a 19 de Outubro de 2009 às 18:34
Se valer alguma coisa aqui fica este "estímulo": isso da inspiração é mais treta que outra coisa. Tudo isto é mais do tipo transpiração...
Com o tempo quente que tem feito até se transpira com pouco, mas vem aí o frio e isso vai ajudar. Tenho uma teoria para estas coisas: quando sorrio ao escrever qualquer léria, ou solto mesmo uma gargalhada, é sinal que vale a pena. Talvez porque (aí vai uma em latim macarrónico) "rident castigat mores". (Também não andei no seminário :-))
Vamos então continuar a fazer força pelos respectivos blogs, ainda que daí não resulte a salvação da humanidade, mas apenas um sorriso.


De Red shoes a 19 de Outubro de 2009 às 20:26
Tá combinado vizinho, leitor e comentador Carapau. Vamos lá soltar essas gargalhadas. Já escrevi uma treta sobre coisa nenhuma, por outras palavras: nadica de nada de jeito, lol.

PS Sabes que tenho um livro começado vai para um mês e não passo da cepa torta. E não é k o livro parece ser giro? Isto dos blogues é viciante e como diz a minha amiga Red nails, o giro da coisa são mesmo os comentários.


De Rafeira a 20 de Outubro de 2009 às 10:56
A rainha da preguiça sou eu! Nunca escrevi um livro, não tenho nenhum blog, limito-me a comentar, como vos invejo... numa coisa não sou preguiçosa, ando sempre a vasculhar cá dentro a identificar limitações, dá cá uma trabalheira...


De Maria Araújo a 20 de Outubro de 2009 às 12:55
Rafeira, o que custa é começar.
Eu nem fazia ideia do que era um blog.
Entrei nisto e acho fascinante.
Bora lá a desafiar essa imaginação escondida.
Abraço


De Red shoes a 20 de Outubro de 2009 às 18:22
Caríssimos Cantinho, Carapau e Rafeira


Bora lá ao ataque. Empurrão daqui e empurrão dali e a Rafeirita começa a soletrar.
Força nisso e prometo ir lá comentar. (Não é que os meus comentários sirvam para mais nada do que passar o tempo, mas "prontos")


De Carapaucarapau a 20 de Outubro de 2009 às 13:52
A Cantinho já disse tudo. Deixe de vasculhar as limitações (se fossemos a olhar a isso não faziamos nada), meta pés ao caminho e vá fazendo coisas. No caso dum blog começa-o em três tempos. Depois se é mais florido ou menos, se tem a fachada pintada ou não, se é mais assim ou assado...isso não interessa nada (pelo menos para mim). Uma vez "lá dentro" tem muitas oportunidades de escrever/fazer coisas. Se precisar de ser empurrada é só dizer que arranja logo quem a empurre :-)
Ao ataque!


De Red shoes a 20 de Outubro de 2009 às 18:19
Lamento se induzi alguém em erro. Rectificação: tenho um livro começado mas apenas a ler, lol. Não conheço palavras suficientes para escrever um livro, ainda mal sei soletrar, lol.


De Carapaucarapau a 20 de Outubro de 2009 às 22:01
Não tive dúvidas nenhumas. Está lá escrito que o "livro até parece que é giro". Logo...Uma coisa que parece é porque existe. Se existe não pode estar a começar. A isto chama-se lógica de detective...
Quanto a isso de soletrar...nota-se à légua...
Mas há por aqui gente que já meteu os pés ao caminho, mesmo só a soletrar... :-)))


De Red shoes a 21 de Outubro de 2009 às 00:48
You?


De Carapaucarapau a 21 de Outubro de 2009 às 10:28
"You"?
E eu a chutar para canto:
-Não, não sou detective, mas já fui fervoroso leitor de romances policiais...


De Red shoes a 21 de Outubro de 2009 às 15:49
Disseste que havia aqui gente que já tinha metido os pés a caminho mesmo sem saber soletrar. Deduzi que alguém daqui tinha já escrito um livro. Perguntei se eras tu. Aqui está a explicação do meu último e lacónico comentário, lol.


De Rafeira a 22 de Outubro de 2009 às 16:00
Agradeço os vossos empurrões, souberam-me bem,
mas como estou em período de reflexão fico-me por aqui.
(carapau com escamas pfff onde já se viu).


De Carapaucarapau a 22 de Outubro de 2009 às 17:40
Será respeitado o periodo de reflexão.
Quanto ao caso das escamas, limito-me a transcrever o que dizem sobre o assunto os estudiosos e entendidos ( a foto lá ao cimo ajuda a entender):
"...com a linha lateral guarnecida em todo o comprimento com escudos (escamas mais altas que largas), mais saliente na zona da cauda e provida de um espinho forte acerado...".
Lá estão com todas as letras as tão famosas ESCAMAS do Carapau, que não são umas escamas quaisquer.


De Red shoes a 22 de Outubro de 2009 às 18:14
Então, pá? Detesto mistérios, conta lá, tenho um amigo escritor ou não?


De Carapaucarapau a 22 de Outubro de 2009 às 21:47
Claro que não. Só escrevinho aqui estas tretas.
Mas já entrei em "aventuras literárias" a dois. Isto é uma revelação que hesitei em fazer :-)
Mas a obra não está publicada. Queres ser a editora?


De DesRed shoes a 22 de Outubro de 2009 às 22:33
Desculpa por quase te ter obrigado a fazê-la. Para a próxima escreves para o meu email. Tá lá no blog e contas-me tudo. (lá estou eu com a mania de mandar).
O que sou é uma curiosa incorrigível. Quanto á publicação, tenho pena, mesmo pena, mas não conheço ninguém nesses meandros. Mas olha, podes publicá-lo na minha caixa de correio, lol. palpita-me que com o teu jeito para os jogos de palavras a coisa deve prometer. Um dia, quando tiveres mais confiança comigo pode ser k mo mostres. Até lá, vou morrer de curiosidade (lol).


De Maria Araújo a 22 de Outubro de 2009 às 22:58
Ena pá, o que eu perdi estes dois dias!
Tanta treta ! Livro daqui, palavra dacolá, detective, escrita literária, ou não, publicação, confidências por e-mail...
Ó twice carapau, parece-me que tens aqui boas companhias para uma escrita a dois, ou três, quem sabe , a quatro???
Bora, lá com isto.
O que custa é começar.
Ah! E hoje, descobri um blog "fábrica das letras", nos meus links, acabadinho de chegar aqui ao meu humilde cantinho.
Espreitem e digam lá de vossa justiça, o que vos parece.
Bora todos até às terras do Brasil.
Beijos a todas e a ti um muito especial, carapau que não é de corrida, porque destes há muitos!


De Red shoes a 23 de Outubro de 2009 às 16:07
Já lá vou cuscar, Cantinho. E tens razão, muito se paleou aqui. Foi só botar faladura.


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