Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

Uns fazem a festa...

 

 

Há por aí um gajo chamado Jamé, e que a maior parte da malta já conhece por diversos motivos, sendo o mais conhecido o do deserto e dos camelos, que um dia destes fez constar na paróquia que queria saber a data de todas as festas, bailes, almoços de confraternização e jantares de homenagem que havia na aldeia e arredores. Claro que não ficavam de fora nem os baptizados nem os casamentos. Por enquanto só não precisava de saber dos funerais…

A malta gozou à brava com o interesse do Jamé por estes acontecimentos e até o Zé dos Anzóis – um tipo com quem eu nem simpatizo muito e estão todos a perceber a razão – lhe perguntou o porquê de ele querer saber destas coisas, pois a malta já está escaldada de ter de o gramar a comer e a beber e a arrotar postas de pescada (com o meu pedido de desculpas à minha amiga Pescada, que não tem nada a ver com isto). É só uma maneira de dizer, porque o Jamé é o tipo típico do arrotador.

Ele respondeu que era para organizar a agenda dele para poder estar presente em todos esses acontecimentos, pois era do conhecimento geral que festa sem ele não era festa. A malta riu-se com a lata da resposta, ainda houve uns optimistas – ingénuos – que disseram que talvez ele quisesse contribuir com qualquer coisinha, mas passados uns dias já se tinham todos esquecido disto, porque entretanto começou a fazer muito frio e todos trataram de se agasalhar e de ver se também arranjavam umas boas luvas, que foi o negócio que se seguiu neste tempo de crise.

Agora, vejam qual não foi o espanto da malta quando apareceu na porta da igreja e no placar da junta este escrito, que aqui deixo, tal e qual o copiei:

 

A Estradas de Portugal (EP) está a pedir às concessionárias de auto-estradas que paguem meio milhão de euros por cada um dos eventos de assinatura de contratos de adjudicação das novas concessões rodoviárias.

As concessionárias limitam-se a pagar a conta, não tendo palavra na escolha dos fornecedores ou sequer dos serviços prestados. O dinheiro é entregue directamente aos fornecedores, que recebem um valor que as concessionárias consideram elevado face à dimensão do serviço.

 

A malta lia, abria a boca de espanto, coçava os olhos a ver se era verdade e em seguida levava a mão à carteira a ver se ainda a tinha.

Ficou então bem percebido o interesse do Jamé em saber dos eventos festeiros. Era para sacar o dele.

Não sei se estão a perceber aquilo que todos nós percebemos, mesmo antes do tal Zé dos Anzóis ter explicado a coisa aos que tiveram mais dificuldade na leitura, porque a malta nem sempre trás consigo os óculos de ver ao perto (e malta a ver bem ao longe já também há pouca).

Claro que o Quim Safio, que tem um restaurante que fornece as festas de comes e bebes aqui da zona, tratou logo de aplicar o sistema e agora em troca de uns croquetes congelados há dois anos e dum espumantezeco a saber a rolha de tão velho que é, e que ele comprou num saldo (é tão velho que a rolha às vezes nem com o saca-rolhas quer sair) já fez saber que agora quem quiser festas, larga logo o caroço e este caroço é agora muito maior do que era antes.

Diz que é por causa do Jamé. E deve ser, digo eu que conheço os dois de ginjeira.

Concluindo: a malta vai ao casamento, por exemplo da filha mais velha da Corvina Maria, que aqui entre nós está um peixão de alto lá com ele. Claro que entra com a prenda, tem de arranjar umas escamas novas ou mandar dar um arranjo nas que já foram muito vistas, enfim tem um sem número de despesas que estas coisas acarretam, tudo feito com o sentido de depois se vingar na festa e comer e beber à conta da Corvina Maria – que o Corvino Manel, aqui que ninguém nos ouve, é só um verbo de encher. Tudo bem, quer dizer, tudo mal, porque depois vai-se a ver, a comida são os tais croquetes e o tal espumantezeco do Quim Safio, não vale nem a prenda que a gente comprou na loja dos chineses da vila, e no fim quando a malta deu por mal empregue o tempo e o dinheiro, aparece então o Jamé com o saco das esmolas e diz “agora venham esses quinhentinhos, já”. E a malta nem refila nem nada, ri com riso de peixe já enlatado, põe-se na fila para ser…para ser… para ser isso mesmo e pagar.

Por mim está feito. Nunca mais saio da caverna nem que seja para o casamento da minha prima, que afinal lá por ser prima não me traz vantagens nenhumas. Mas que faz lembrar muito a filha mais velha da Corvina Maria, isso faz…

É mesmo caso para dizer que jamé vi gajos como estes…

 

publicado por Carapaucarapau às 12:02
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12 comentários:
De Teddy Lover a 3 de Fevereiro de 2009 às 13:09
Pois é. É do caraças!!! E a malta vai-se rindo, vai sendo comida e eu não estou nada a vêr quando é que nos vamos vêr livres disto...bem pelo contrário. cá pra mim...JAMÉ!!!...


De Carapaucarapau a 3 de Fevereiro de 2009 às 19:48
Não duvides. Rimos feito parvos ou chateamo-nos correndo o perigo dum AVC e jamé saimos disto.
Bjo.


De Maria Araújo a 3 de Fevereiro de 2009 às 15:37
"

A Estradas de Portugal (EP) está a pedir às concessionárias de auto-estradas que paguem meio milhão de euros por cada um dos eventos de assinatura de contratos de adjudicação das novas concessões rodoviárias.

As concessionárias limitam-se a pagar a conta, não tendo palavra na escolha dos fornecedores ou sequer dos serviços prestados. O dinheiro é entregue directamente aos fornecedores, que recebem um valor que as concessionárias consideram elevado face à dimensão do serviço"

Alguma notícia nova que eu não saiba ainda?
Para escreverees isto, hummmmmm! Onda há fumo há fogo.
Jamé , jamé, jamé mas na verdade este jamé é treta, porque acabamos por engolir e pagar TUDO:
Beijinho



De Carapaucarapau a 3 de Fevereiro de 2009 às 19:54
Não inventei nada. A noticia foi copiadinha dum jornal de hoje. Ainda que pareça uma invenção minha.
Sou bom :-) mas não tenho imaginação para tanto.
Quanto ao jamé é mesmo assim. Jamé saimos disto e continuaremos a pagar...sim porque quem paga as facturas são sempre os meus amigos mexilhões, porque calam e quem cala consente.
Bjo.


De Tio a 4 de Fevereiro de 2009 às 15:04

Não resisto a deixar aqui a minha!

Excelente.
Permita-me uma sugestão para o próximo "Post", com ou sem "Jamé":
- Música de fundo, fado vadio em mouraria menor, com letra de Linhaes Barbosa e música de Viana Vianinha.

Minhas Senhoras e meus Senhores...

FADO JAMÉ!.



De Carapaucarapau a 4 de Fevereiro de 2009 às 19:31
Olá Tio!
Obrigado pela visita e pelo comentário.
A sugestão é boa, só que há um problema. Tenho barbatanas, não tenho unhas para tocar essa guitarra.
Mas considerando o jeito que o Tio tem para a poesia, disponha deste espaço, para publicar a letra do fado "Jamé" ou outro qualquer.
1 abraço do novo sobrinho.


De Tretoso_Mor a 4 de Fevereiro de 2009 às 19:43
Carapau Carapau,

Agora é que ficas com a caverna virada do avesso!... lool

É que, para além das festarolas que vais ter de fazer com Tio (o meu, presumo, e agora teu também), vais ter a alta em alvoroço, sempre tentos às varinas que vão teimar em passar.

Quanto à tua falta de unhas para tocar guitarra, não te apoquentes. Nunca viste os guitarristas que usam unhas artificiais?... lool

Um gandabraço.


De Maria Araújo a 4 de Fevereiro de 2009 às 19:45
Ai vai ficar do avesso vai!
Conhecendo eu o Carapau!
Hummmm! Também quero entrar na festarola.
Beijinho


De Maria Araújo a 4 de Fevereiro de 2009 às 19:43
Boa sugestão do Tio, boa sugestão do Carapau.
Vocês são o máximo.
Beijinho


De Filó a 4 de Fevereiro de 2009 às 22:19
Já que te pedem para fazer um fado e pelos vistos tu não queres, deixo-te aqui uma quadra para te inspirares.

Quem bem conhece o Jamé
Diz que é um grande camelo.
Mas ele já deu o lamiré
P'ra nos arrancarem o pelo.

E mais não ponho na carta.
Filó


De Maria Araújo a 4 de Fevereiro de 2009 às 23:31
Arrancar-nos-ão o pêlo,
com o futebol por distração.
Jamé seremos comidos
Com o Carapau e o Treta governação.




De Maria Araújo a 4 de Fevereiro de 2009 às 23:32
na* governação


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