Quinta-feira, 10 de Setembro de 2015

Quem sai aos seus ...

Havia festa na aldeia. Eu estava a entrar em casa, quando:

- Boa tarde. Sabe quem sou?

Olhei-o e diria que nunca o tinha visto.

- Não.

- Sou filho do Mochila – disse isto como se me mostrasse o Bilhete de Identidade.

- Ah sim? – respondi para não ficar calado. Lembrei-me dessa alcunha, mas não estava a “ver” o Mochila.

- Pois sou. Posso deixar aqui a motoreta e o capacete? Vou ali à festa comer qualquer coisa…

- Pode, desde que não me estorve a saída e entrada do carro. Ponha-a lá mais atrás.

- Está bem, obrigado.

Eu entrei em casa ele lá se dirigiu para a festa.

Quando depois do meu passeio noturno voltei, ainda lá estava a motoreta e o capacete. Era normal.

No dia seguinte, de manhã continuava tudo como na véspera. Lá para o fim da tarde passou pela rua o Adriano, a quem todos chamam Sampaio, e que passa por ser o informador oficial da terra e aproveitei para perguntar:

- Oiça lá, conhece um tipo que diz que é filho do Mochila?

- Conheço, porquê?

- Porque ontem deixou ali a motoreta para ir petiscar qualquer coisa e ela ainda ali continua.

- Ah! Não se preocupe. Deve ter apanhado uma senhora bebedeira (ele disse “uma bubadeirona”, para assim a classificar em largura e altura).

No dia seguinte de manhã ainda lá estava. Só à tarde “desapareceu”.

Foi quando me pus a puxar pela memória para me lembrar do Mochila-pai.

E lembrei-me. “Vi-o” muito rechonchudo e bem disposto. Era um dos três ou quatro bêbados profissionais da terra.

Quem sai aos seus…

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince. 

E tu Lince, também sais aos teus ou nem isso? Não tenho tido notícias tuas...       

publicado por Carapaucarapau às 22:21
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6 comentários:
De GL a 11 de Setembro de 2015 às 19:34
Estavas a entrar em casa? E vindo de onde, pode saber-se? Ah, da festa, claro!
Coitado do filho do Mochila, ou muito me engano ou foi em má hora.
Vá lá, ainda teve sorte em ter permissão para parquear o veículo e adereço, leia-se capacete.
E foi ele, o pobre de cristo , que apanhou a tal bubadeirona "? Eu chamar-lhe-ia bubadeironaZONA ", isso sim!

O que quero insinuar? Eu? Nadinha! Nadinha de nadinha.

E que vivam todos os Mochilas rechonchudinhos e bem dispostos.

Ups! Foge!!!!

Já fui!!!!!!




De Anónimo a 15 de Setembro de 2015 às 13:56
Mochila-filho no fundo não fez mais que seguir a regra "se beber não conduza". Só que deve exagerar um bocado na aplicação da regra e fica logo 3 dias sem conduzir (ou serão 3 dias sempre a beber? :))
Carapau, que não de festas, conduz(-se) sempre na linha. :)
Abraço.


De Labirinto de Emoções a 15 de Setembro de 2015 às 00:13
Há alcunhas e "hábitos" que acompanham gerações e pelos vistos os Mochilas são prova disso mesmo.
Haja festas e "bubadeiras" com fartura..:-))) ainda por cima com parque privativo para deixar o veiculo enquanto ela coze...:-)
Beijo


De Carapau a 15 de Setembro de 2015 às 13:59
Pelo tempo passado acho que aquilo não foi cozedura, mas sim um assado de alta culinária, no forno.
O pai cozi-as, o filho assa-as. :)
Bjo.


De maria teresa a 15 de Setembro de 2015 às 15:17
MOCHILA

O Mochila teve um filho
criança muito ladina,
não havia cão na aldeia
que não lhe ladrasse
em surdina.
Este filho amava o pai
com amor
e devoção.
Cresceu, fez-se homem
em silêncio ...
e em construção
Um dia, é sempre num dia
a uma hora programada
à feira decidiu ir
que fraca imaginação …
Podia ter ido ao Brasil, a Macau ou ao Japão
Pelo caminho parou e
num impulso sem nome
a um peixe descarado
um lugar solicitou
Para descansar da fadiga
de uma vida atribulada?
Não, isso não?
Para dar guarida à sua amada!
Sua amada a motoreta
aquela que ele montava?
O peixe ficou perplexo ...
antes de dar consentimento
Porque daria guarida à tal bem pneumada?
De repente fez-se luz, com a mente iluminada
Ficou a saber de pronto
A razão não apresentada.
O Mochila era esponja
não uma esponja qualquer
mas de alta cilindrada
O retrato do Mochila
no seu filho representado
era uma cópia chapada …

Não me venham depois dizer que a poesia moderna, não tem classe, estatuto, lugar de pódio, …

Aqui fica um abraço o tal abraço que eu sou!
(estou a dizer isto muito a sério, sou que sou uma poeta de alto gabarito)
Chuac :) :) :) :)


De Carapau a 15 de Setembro de 2015 às 17:19
Mochila

Oh musas da minha terra
Vinde até mim devagar,
Para eu poder explicar
Porque o Mochila está na berra.
Mochila, porque era marreco,
Tinha uma bela corcunda.
Quando chegava a casa,
Já bem bebido e com a marreca cheia,
A mulher, iracunda, fazia tal berreiro
Que toda a gente na aldeia
Ficava a saber que o Mochila
Tinha estado a “falar” com o taberneiro.
“Que queres mulher que eu faça”
- perguntava ele, a taramelar,
“se o sôr Zé da tasca me pergunta
se eu quero beber alguma coisa?”
“Água não posso beber, que me enferruja
a canalização. Ficava-me mais caro o médico
que meio litro de tinto.
Desta maneira eu até me sinto,
Assim a modos que ortopédico
e com as ideias mais claras”.
Falando assim, que nem um doutor
da mula ruça, que também o havia por lá,
baixava da mulher o clamor.
E, não menos importante era
O facto mais que consabido,
De os copos fazerem abaixar
A marreca ao Mochila.
Ora o filho, quando um dia soube,
Que nas veias lhe corria o álcool do pai,
Correu a comprar uma motoreta
E mai-lo capacete protector
(para não correr riscos escusados,
como lhe disse o tal doutor).
Foi porém desprotegido
(pois deixou o capacete na mota)
que se atirou às febras, lá no arraial da festa.
Febras “requerem” tinto,
O tinto clama por mais uma
E sem capacete na testa,
Completamente desprotegido,
Acaba por adormecer
Em cima dum monte de caruma
Que havia perto do arraial.
Foi assim que acabou por se esquecer
Onde tinha ficado a motoreta, a Henriqueta *,
A Julieta ** e, mais importante ainda, o capacete.
Só três dia depois s’alembrou-se.
Até chorou de alegria
E voltou no outro dia,
para me agradecer.
Eu, para retribuir a amabilidade,
Ofereci-lhe uma caneca!
“Oh c’oa breca”,
disse ele, olhando para mim.
“Assim
Vou ter de deixar cá a Henriqueta
E vou a pé ter com a Julieta e com a motoreta.
Dê cá um abraço”!
Agarrou no capacete
E levou-o debaixo do braço.

*- É a mulher
** - É a filha

:)) Bjo.





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