Quinta-feira, 12 de Junho de 2014

Post arrevesado

“Nenhum critério densificador do significado gradativo de tal diminuição quantitativa da dotação e da sua relação causal como início do procedimento de requalificação no concreto e específico órgão ou serviço resulta da previsão legal, o que abre caminho evidente à “imotivação…”

 

Pois foi com estas palavras que as manas do post anterior se dirigiram ao Ronaldo quando chegaram ao Brasil.

De facto constataram que ele estava com “diminuição quantitativa da dotação” e não encontraram “nenhum critério densificador para a sua requalificação no concreto”. Ainda tentaram “no concreto e específico órgão” fazer qualquer coisa com as suas mãozinhas milagrosas, mas em breve verificaram que isso só “abre caminho evidente à imotivação”.

Perante uma tal “relação causal como início de procedimento” e tendo verificado que tudo “resulta da previsão legal”, tiveram receio de aplicar os unguentos que alguém bem informado sabia que elas levavam.

Despediram-se dele com abraços e beijos e votos de rápidas melhoras e caíram no samba, para o qual não estavam nada imotivadas.

Enfim, sob o ponto de vista técnico, o objetivo primeiro da viagem foi uma tentativa inconseguida, mas não deixarão certamente de aproveitar a ocasião para contactarem algum pai de santo que lhes aportará mais alguns conhecimentos para futuras viagens com vista a conseguirem a “requalificação no concreto e específico órgão” a que tenham de meter mãos.

E eu, que tenho andado tão falho de ideias, agradeço aos céus estas pérolas que me caíram no regaço e fico a pensar se não terei fazer mais uns convites para me escreverem futuros posts, tanto mais que já lhes pago adiantadamente.

                                            *-*

O período inicial deste post é da autoria dos doutos Juízes do Tribunal Constitucional e faz parte do acórdão que tanta celeuma tem levantado. Foi retirado do jornal Expresso, que por sua vez cita um artigo do Diário de Notícias, fonte primeira do mesmo.

Aqui o deixo sem comentários, servindo-me no entanto dele, para fim bem diferente, como seja o relatar o motivo que levaram duas virtuosas manas ao Brasil.

Agradeço também à sempre bem informada comentadora deste blog, que assina com as iniciais GL, e que se mostrou tão “por dentro” desses motivos.

Sem os 13+1 não haveria este post.

Durante a leitura da pérola de abertura houve umas tantas palavras que me saltaram ao espírito, tais como gongórico e bacoco. Por oposição também vieram à baila outras como escorreito, percetível, simples, direto.

Lembrei-me ainda da autora do “inconseguimento” que, não por acaso, também frequentou “aquela casa”. Haverá fantasmas no palácio?

Se é verdade que o hábito faz o monge, também deve ser verdade que hábito morcegal deve torcer as palavras. Assunto a ser tratado por quem de direito, salvo seja.

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.        

publicado por Carapaucarapau às 13:42
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8 comentários:
De Maria Teresa a 13 de Junho de 2014 às 12:14
Com os "conhecimentos" linguísticos que fiquei aqui a conhecer (no início pensei logo na nossa excelsa presidente) fiquei pânfia, estarrecida, de boca totalmente aberta,...curtindo a minha falta de capacidade de atingir o âmago do sentido de tão doutas palavras...
Lídia Jorge, Agostinha, David Foster, ... vós estais muito aquém de conseguirem atingir o grau de cultura que aqui, neste lugar onde se tratam apenas questões muito sérias, são cuidadas ao mais alto nível da intelectualidade nacional e quiçá (adoro escrever esta palavra) mundial...
Deixo um beijo opercular um pouco raquítico pois as forças foram-se com o esforço que fiz para elaborar este comentário procurando esconder a minha enorme ignorância...
Vou até ali chorar buá, buá buá...


De Carapau a 18 de Junho de 2014 às 23:20
Esta resposta, atrasada como convém a quem se encontra fora da caverna habitual, será quiçá pífia.
Se cumprisse todos os prazos e estivesse em boa forma, a resposta provocaria, quem sabe, uma procissão de buás para além dos que já constam do
comentário.
Para que isso não aconteça, fico por aqui. Recomendo no entanto a leitura dos acordãos (de qualquer tribunal) para alargar os horizontes à linguagem.
Devíamos todos ser juizes (nem que fosse de concursos de televisão) para sermos, para sermos, para sermos, ...(encravou o teclado, fico por aqui).
Bjo.


De Labirinto de Emoções a 14 de Junho de 2014 às 04:10
Meu Querido
Depois de ler e reler tão doutas palavras, minha alma aparvalhou com a confusão que devia ir na cabecinha das manas…

Até eu fiquei com um medo abstracto, por o Ronaldo estar no centro da decisão fundamental, e que possa corresponder a uma espécie de nível social frustracional derivado ao seu problema físico.

E que a sua “missão humana no mundo”, não lhe dê espaço de energia, porque isto para ele é um inconseguimento ainda mais perverso, e se no Mundial se sentir pouco conseguido e não proiectar para o mundo o seu soft power sagrado…(seja lá isto o que for…) mais ser uma real bronca…

Estou em dúvida se não terá sido uma das manas qua saltou um muro de 2 metros de altura para entregar um unguento para lhe esfregar na lesão … e lhe requalificar o órgão debilitado.:-))).

Mas acredito piamente que depois, que depois dos abraços e beijos de despedida, foi uma desbunda completa no sambódromo…:-)))

E remetendo-me à minha ignorância futebolística, deixo-te um beijinho quem sabe tipo "metrelhadora" ou até "francês"... a escolha será sempre tua...:-))))))


De Carapau a 18 de Junho de 2014 às 23:33
Em boa verdade os comentários a este post superam o post, o que é um elogio para o autor do mesmo (eis o autor a corar pelo auto elogio :) )
Isso torna a resposta mais difícil, ou mesmo sem resposta à altura.
Também as manas me sairam melhores que a encomenda e digo isto agora que já tenho mais informações que antes.
O diagnóstico que fizeram ao Ronaldo ia muito para além do meramente pessoal e estendia-se a todo o grupo. Aquela linguagem arrevesada servia no fundo para esconder a realidade do fracasso colectivo. O "orgão" não era apenas um mero orgão (o mero metido aqui também não é inocente) para ser afinal um orgão de caterdral gótica a ficar desafinado. Daí, concluo eu agora, terem fugido a sete pés (e não oito porque os não tinham...).
Não me alongo mais.
E sobre o francês da metralhadora ou a metralhadora do francês nada digo, porque não entendo nada dessas armas.
Um bjo. sem hipótese de escolha :)


De Mariazita a 14 de Junho de 2014 às 13:25
Agradeço o seu conselho, expresso na resposta ao meu comentário ao post anterior, para vir aqui satisfazer a minha curiosidade, já que me permitiu saber que as manas chegaram a bom porto e, pala amostra do discurso, o sol que, eventualmente, lhes tenha abrasado os miolos durante a travessia, não lhes afectou o raciocínio.
Foi uma alocução muito linda dirigida ao Ronaldo.
Só tenho pena de não ter assistido, ao vivo e a cores - apesar de não gostar de futebol não me importava de conhecer o Brasil, e, talvez, também “cair no samba” – de preferência sem cair mesmo, pois correria o risco de deixar os ossos por terras de Santa Cruz.

Os “doutos juízes” parece que andam a pôr as manguinhas de fora, apostados em causar dores de cabeça ao PM – o outro.
Vamos ver se os deixam ser homenzinhos por muito tempo. Há quem murmure que talvez eles vão arejar, e, para os substituir, sejam “lá” colocados outros mais cordatos.

E com esta me retiro, com um profundo sentimento de gratidão pelos vastos conhecimentos linguísticos adquiridos com a leitura deste texto, onde proliferam vocábulos de alto coturno.
Beijinhos


De Carapau a 18 de Junho de 2014 às 23:43
Permita que lhe diga que em geral os coturnos não são muito altos, pois vão dos pés ao joelho (um pouco mais abaixo mesmo). Isto lá para o norte, porque nas minhas bandas, que até são umas bandas sem banda, os coturnos se chamam canudos e então dizer que um vocábulo é de alto canudo, seria impossivel pronunciá-lo aqui, um blog sério, como não me canso de dizer.
Quanto a substituições de juizes não sei nada, a não ser quando acontece que, que, que... (outra vez o teclado encravado).
Bjo.


De GL a 15 de Junho de 2014 às 01:25
- Mana, ai mana!
- O que foi agora?!
- Ai, valha-nos...
- Quem, sim quem?
- Ainda pergunta, mana? Sei lá!
- Não me venha com pai de santo. Olhe que com esse não se aprende nada.
- A mana acha? Mas então como é que ficam os nossos créditos dotatórios da convergência de forças no sentido...
- ...dos ponteiros do relógio...
- ... de remediar o irremediavel.
- Mana, isto vai acabar mal!
- Valha-a Deus! Que ausente da realidade prosaica da evidência da inconstância anatómica do orgão afectado pela
rotação violenta da...
- Chega! É capaz de explicar a lógica ilógica do...
- ... as mãos, mana, as mãos.
- Sim, e depois?!
- Eu tinha-a avisado.
- De quê, criatura do demo?
- Que iam dizer que as nossas mãos já não têm a habilidade desejável à eficaz aplicação do unguento, o tal motivador de grandes feitos pretéritos...
- Pretéritos, presentes, futuros, as nossas mãos são o motor motivador de grandes feitos e efeitos que ficarão para a história.
- Mana, trouxe o diccionário?
-...??
- Empreste aí. Ora g, g, ah, encontrei! Com que então somos gongóricas!
- Somos o quê?!
- Venha daí, mana.

E lá regressaram. Alguém, talvez um chicharro, ouviu-as dizer que iam abrir uma escola.
Espertas, hem !





De Manas a 18 de Junho de 2014 às 23:58
- A mana já leu os comentários que fizeram no Carapau?
-Já.
- Especialmente aquela assinado GL?
- Sim.
- E que me diz?
- Que essa (tudo leva a crer que seja "essa") bem podia ser nossa mana.
- Nossa, nossa?
- Nossa.
- Conversa não lhe falta, mas acha que saberia usar os unguentos?
- Pelo menos ficaria a saber da dificuldade em os aplicar em orgãos doentes e assim não falaria tão levianamente do que não sabe.
- É verdade! Teve o despante de insinuar que as nossas mãos já não são...
- Se a apanhasse a jeito eu lhe mostraria o que lhe faria com as minhas mãos...
- A mana não seja tão drástica. Olhe que ela também diz que "as nossas mãos são o motor motivador de grandes feitos e efeitos que ficarão para a história".
- E ainda ela não sabe daa missa a metade.. hehehe
- hehehe é verdade mana. Vamos deixá-la em paz.

Mesmo sem a conhecermos aqui ficam os nossos cumprimentos.
Manas.


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