Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2014

O desacordo do acordo

Como toda a gente sabe (refiro-me aos milhares de pessoas que frequentam habitualmente este blog), aqui há acordo. Com o auxílio precioso do Lince, com quem ultimamente me “meto” lá para o fim do blog, os posts estão de acordo com o acordo.

Claro que, quando eu escrevinho à mão, é “à antiga”, porque foi assim que aprendi e estou habituado, para não dizer deformado. Mãos, canetas e lápis não sabem escrever doutra maneira. Em coisas oficiais ou importantes (como o blog, ah, ah, ah), submeto a minha escrita ao tal Lince, que me dá uma mão, perdão, pata e põe tudo de acordo.

Para mim, estar ou não de acordo ou desacordo, não faz sentido. O dito acordo é oficial, está em vigor em Portugal, nas escolas ensina-se de acordo com ele e portanto é segundo ele que se escreve a língua portuguesa, atualmente. Sei dos que não estão de acordo, dizem que o acordo atirou para as urtigas a raiz grega ou latina de muitas palavras, etc. etc. A verdade é que o grego de hoje não é o mesmo de antanho e o latim de tão importante, como língua, até já morreu.

Depois lembro-me dos primeiros livros que li. Em casa dos meus pais não havia muitos, mas os livros do Júlio Diniz, do Camilo, do Herculano e mais uns poucos, li-os na altura em que lia tudo a que chegasse. Ora aí reparei por exemplo que o pae e a mãi viriam mais tarde a trocar as vogais finais, que foi como as conheci. Já não falo nas pharmácias (e numa delas quase tirei um curso). Hoje (e o acordo não tem nada a ver com isto), “ o João quer tomar um café, quer seja forte quer seja fraco”, mas o avô do João, no seu tempo, também “quere tomar um café, quer seja forte quer seja fraco”. Do avô para o neto perdeu-se um “e”. Quer dizer que alterações na “língua” sempre as houve e continuará a haver. Já não vou falar no português do tempo do D. Afonso Henriques nem do tempo da D. Maria Cachucha. A língua vai evoluindo, haja acordo ou não. Eu, que de linguística não sei nada, diria, que se a língua não tivesse evoluído, estava hoje um segundo latim: morta.

Claro que há sempre uma ou duas gerações que não gostam (porque foram educadas “noutra língua”), mas tudo isso não será mais que um episódio passageiro.

Aqui, no texto do post, manda o acordo. (Com auxilio de terceiro, bem sei, mas não volto a citar-lhe o nome, para não inchar o peito, de convencido…)

Já agora, o que houve foi uma reforma na maneira de escrever a língua portuguesa. Chama-se-lhe “Acordo ortográfico”, porque em princípio era para todos os países da chamada “lusofonia” o assinarem. Há uns tantos que parece que afinal não o assinam. Será com eles. Uma coisa é certa (com garantia carapau) não se voltará para trás. Nestas coisas não se pode mesmo voltar para atrás. É uma questão de bom senso, ainda que ele ande muito arredio.

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.

Olá, caro lince! Estás por cá hoje? Vai dar uma volta que está um lindo dia. Aproveita que, por hoje, não vou precisar mais de…      

publicado por Carapaucarapau às 14:12
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12 comentários:
De RH a 11 de Dezembro de 2014 às 16:44
Leia: https://osdiasdopisco.wordpress.com/2014/02/26/os-10-mantras-mais-murmurados-em-defesa-do-ao90/.


De Carapau a 12 de Dezembro de 2014 às 16:18
Em assuntos de alterações a qualquer coisa, há sempre reações e formam-se dois grupos: os que concordam e os que discordam. Este acordo não podia fugir à regra. Não sou filólogo nem aparentado, sirvo-me da língua portuguesa, muitas vezes mal como qualquer pessoa, e não tomo partido, por ser ignorante na matéria.
O post foi escrito por um motivo, que depois acabou por não ficar explícito. O acordo está em vigor e ninguém é proibido de escrever desta ou daquela maneira, e toda a gente pode dar os erros que quiser. Mas a língua portuguesa escrita oficialmente tem de respeitar o acordo. Caso contrário cada palavra não escrita de acordo com essa norma, está errada.
Onde eu queria chegar e não cheguei, é não entender, como p. ex., a maior parte da imprensa ter “aderido” ao Acordo e depois permitir que alguns colaboradores façam gala de, nos artigos publicados nessa mesma imprensa, dizerem que não respeitam a nova ortografia. Se fosse dono/diretor eu não permitia isso. O princípio seria de todo o jornal/revista ou lá o que fosse, respeitar os seus princípios. Aos colaboradores que não aceitassem restava-me cumprimentá-los “amigos como dantes, não estamos de acordo, boa tarde”. Chama-se a isto coerência. (Claro que cada um está no direito de escrever como entender, mas a empresa também tem o direito de “uniformizar” a ortografia de acordo com o seu critério editorial).
Um caso que particularmente me chocou foi o que aconteceu no CCB quando o diretor passou a ser o, entretanto falecido, Dr. Vasco Graça Moura. A primeira “norma” que impôs foi que tudo fosse escrito de acordo com a antiga grafia, isto é, desrespeitando o acordo (que já estava implantado no CCB). Era uma das pessoas por quem tinha especial simpatia e que admirava enquanto intelectual. No entanto, se eu fosse o Secretário de Estado da Cultura (suponho que foi quem o nomeou), no minuto seguinte o Dr. V. G. M. estava demitido.
Nada se passou. A falta de “coragem” e de bom senso não moram por estas bandas.
Repito: não sei nada de linguística, filologia e outras artes sobre a língua. (Sei alguma coisa sobre a minha língua e algumas pessoas até me chamam “má língua”). O meu intuito foi só dizer que a língua portuguesa, hoje, escreve-se de acordo com as normas do AO e este não voltará para trás. Se voltasse, a emenda seria muito pior que o soneto.
Suponho que anteriores alterações, como a de 1945, também terão tido quem não concordasse, mas os tempos eram outros e os meios de comunicação também e certamente o assunto não foi tão debatido.
Resta-me dizer que fui ler “Os dias do Pisco” e agradeço ao seu autor ter vindo até aqui para deixar o endereço.
Tenho só um motivo para simpatizar com o Acordo. Foi a ajuda que ele veio dar (através do ILTEC) para a preservação de uma espécie em vias de extinção: o Lince.

E foi assim que a resposta saiu maior que o post. :))

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.

Até aqui, Lince, já vens meter o nariz?


De Labirinto de Emoções a 13 de Dezembro de 2014 às 23:01
Pois... em relação ao Lince, gosto de o saber bem preservado na serra da Malcata...mas como isto é um país de oportunista, até põe o pobre a fazer correcções ortográficas... sinceramente!!!

Quanto ao novo acordo... nunca ouviste dizer, que "burro velho não aprende lições??"

Entre o...".De facto o cágado está a passear na praia".... e........."de fato o cagado está a passear na praia" prefiro sem dúvida o primeiro, sempre é mais limpinho!!!

Podem dar as voltas que quiserem à língua portuguesa, e já foram muitas desde os primórdios da nacionalidade, mas eu DE FACTO... vou continuar a escrever como a minha querida professora de instrução primária me ensinou...

Vou dar erros? Provavelmente muitos,..
Vão me chamar inculta? Se calhar também...

Ir comprar uma nova gramática e voltar a estudar português... não me apetece, com 63 anos já ganhei o livre arbítrio de fazer o que me me dá na real gana... quem não entender o que eu escrevo, eu explico e gratuitamente..:-)))

E agora fica-te com um beijo (que creio que se escreve e dá do mesmo modo)

Teresa.


De Carapau a 14 de Dezembro de 2014 às 18:11
Como digo no post, eu também escrevo "à intiga", não porque esteja pró ou contra o Acordo (não seilinguística ou filologia para me poder manifestar num ou noutro sentido) mas porque assim aprendi e "estou deformado". Depois como não sei as regras todas do Acordo, corro o risco de errar mais.
O que me mete "fornicoques" (sabes o que são?) são os casos a que me referi no longo comentário anterior. Todavia, quando escrevemos pela ortografia antiga, estamos , oficialmente, a escrever com erros. OK?
O teu exemplo está completamente errado, porque o cágado continua a não ser cagado (por sinal conheço-o e até é bem limpinho) e ele não usa de facto fato. Se fosse um cagado brasileiro até talvrz usasse terno. :))
Beijo. (de acordo com ambas as grafias)


De GL a 15 de Dezembro de 2014 às 01:53
As coisas que V. Senhoria vai buscar.
Para que conste. Só vou concordar com o tal, esse que foi baptizado como sendo o acordo, quando o dito me permitir visitar o Egito e os egicios , isto para não falar no cagado já referido por outra comentadora.
Para já vou proceder ao ato de arranjar um saco o qual ato com uma fita maior.

A língua, que por acaso é a nossa, devia/merecia ser tratada com mais respeito. A minha querida professora primária se cá voltasse finava-se novamente. A língua portuguesa é cada vez mais mal tratada, desde a escola que altera programas e nomenclatura ano sim, ano sim, até aos órgãos de informação, etc , etc . É evidente que a língua tem a sua própria dinâmica, mas só devia sofrer as alterações consideradas pertinentes se levadas a cabo por especialistas/estudiosos da mesma.
Disse, e mais não digo.
Os meus cumprimentos a V. Senhoria.

Ah, um abraço ao lince. Para esse é que a vida está boa, deve divertir-se imenso com as aberrações com que é confrontado.



De Carapau a 16 de Dezembro de 2014 às 14:49
Vou tri repetir-me: não sou nem pró nem contra, porque não tenho conhecimentos para tomar posição, se as alterações são ou não são correctas. Mas queiram ou não queiram, estrebuchem ou não, tomem posição conta ou a favor, o certo é que HOJE a lingua portuguesa só se escreve correctamente de acordo com o acordo. Os desacordos de cada um, acabarão em último caso com umas pasadaz de terra.
Lembro só que o Acordo não foi feito por curiosos mas por especialistas. Aquela equipa fez este trabalho, se a equipa fosse outra, o trabalho seria diferente (pouco aliás).
O que há aqui é uma guerreinha entre iguais, só porque não jogam no mesmo clube. Mas como em tudo, há vencidos e vencedores.
E eu, que não sou vencido nem vencedor nem entrei no jogo, acabei por dar já mais pontapés (na gramática) que os jogadores. :)
Fim de papo.
Abraço (de acordo com o acordo, mesmo em desacordo).
Nota. esta resposta foi escrita sem respeitar o acordo, portanto com possíveis erros. :))


De maria teresa a 15 de Dezembro de 2014 às 11:56
Não vou entrar em polémicas porque já vi que não vale a pena. Apenas posso testemunhar que TODAS as pessoas que conheço pessoalmente e que estão contra o AO não o estudaram profundamente, nem sequer se decidiram a tê-lo em casa, para o lerem com olhos de pessoas que estão mesmo interessadas... Sinto-me com obrigação de elucidar que "o cágado continua de facto a continuar a passear na praia ou onde quiser", o acordo não obriga ninguém a escrever doutro modo!
Pessoalmente escrevo muitas vezes sem usar o AO porque me apetece, também detectei certas "anomalias" mas como não sou linguista aceito que diferentes equipas de pessoas peritas nesse assunto tenham chagado a "acordo" nessas alterações.
Conheço as muitas vantagens que traz e por aqui me fico!

Beijocas operculares com ou sem o teu acordo!


De Carapau a 16 de Dezembro de 2014 às 14:55
Se bem entendi o teu comentário estou de acordo com ele e tu comigo, quanto ao acordo.
E assim acordados, que também pode ser despertos, vamos à vida que há mais coisas para fazer.
De acordo?
Então, assim com o acordo tácito, que nada tem a ver com o Ortográfico, encaixo as beijocas, pois estou de acordo.
E retribuo, segundo manda o acordo, por extenso. Assim:
Beijo.


De João Carlos Reis a 29 de Maio de 2015 às 07:37
Prezada maria teresa,
infelizmente é verdade que muitas das pessoas que estão contra o aborto, mas infelizmente é mais verdade que a esmagadora maioria dos que estão a favor também não o leram, caso contrário ter-se-iam deliciado (como eu me deliciei) ao saber que a redacção original de tal documento tinha vinte e três erros ortográficos (http://www.priberam.pt/docs/AcOrtog90.pdf) e que assim foi publicado em Diário da República (http://www.marcasepatentes.pt/files/collections/pt_PT/88/402/Decreto%20do%20PR%20N%C2%BA%2043-1991.pdf), o que bem demonstra o brio profissional (http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1320040) dos supostos especialistas que o redigiram, isto para não falar na argumentação falaciosa (http://www.publico.pt/sociedade/noticia/acordo-ortografico-de-1990-o-regresso-das-falacias-convenientes-1689106?page=-1) e muitas vezes infantil utilizada para justificar o nivelamento por baixo (http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=563617) do Português (sim, com inicial maiúscula para engrandecê-lo e enobrecê-lo, ao contrário do que preconiza este aborto).
Eu pessoalmente escrevo segundo o anterior acordo (que não é prefeito e deve ser melhorado) não porque me apetece, mas porque o Idioma Português o merece e quero que seja um idioma de excelência... muitas outras coisas haveria para dizer, mas quedo-me por aqui hoje...


De GL a 19 de Dezembro de 2014 às 00:24
É só para lembrar que hoje é sexta-feira, o que significa que a quinta ficou sem feira, o mesmo é dizer que já lá vai.

E por aqui me fico, ou melhor, vou-me embora, tristinha mas vou.

O gato vai a caminho.


De Maria Araújo a 19 de Dezembro de 2014 às 21:46
Ena, pá!
Tanto assunto sobre o AO.
Olha, eu safei-me de ensinar segundo o novo acordo, mas nem era aqui que me preocupava, porque chegaria lá, como todos(as).
Já as novas regras da gramática, ui!
Habituada às antigas, seria uma miscelânea neste cérebro delicado!


De João Carlos Reis a 3 de Junho de 2015 às 02:27
Prezado Pedro,
pelo que escreveu reparo que é mais um dos que foi vencido pelo cansaço (preconizado no aborto), o que faz o gáudio dos abortistas.
Eu sou frontalmente contra o aborto, não porque me apetece, não porque acordei com os pés de fora ou porque sou do contra. Eu sou frontalmente contra o aborto porque, entre outras coisas, vem nivelar o Português (sim, com inicial maiúscula para o Engrandecer, Enobrecer e Prestigiar, como preconiza o Formulário Ortográfico de 1943 no 6º ponto da sua Base XVI, bem como o Acordo Ortográfico de 1945 na sua Base XLII e não com reducentes iniciais minúsculas como defende o acordo de 1990 para o desprestigiar, entre outras coisas) por baixo, o que, num contexto em que tanto se fala de Excelência, Qualidade e Exigência, destoa além de crer que ele é superior aos falantes, pois estes passam e ele fica.
Para a falácia de que "A língua vai evoluindo," tenho a dizer que há povos altamente retrógrados, nada inovadores, engenhosos e menos inventivos ainda que existem (pois os malandros não fizeram nenhuma reforma ortográfica de jeito no último século) como por exemplo os francófonos, os anglófonos ou os germanófonos... mas que cambada de retardados estes tipos... Além do mais eu pergunto: porque é que querem que "A língua vai evoluindo," para a mediocridade e não para a excelência???
Em relação à falácia de que "Eu, que de linguística não sei nada, diria, que se a língua não tivesse evoluído, estava hoje um segundo latim: morta." convém esclarecer que o Latim é a língua oficial do Vaticano e está morta não por ela, mas sim porque os seus falantes (como de resto aconteceu e está a acontecer em muitos outros idiomas) morreram...


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