Quinta-feira, 10 de Julho de 2014

Notícias das manas

Olá amigo!

 

Hoje sou eu, a Yura que te dá notícias. A Yara não está muito bem, depois de há dois dias termos sido vítimas do arrastão em Copacabana. É verdade, ainda estamos „por cá“, daí o não te termos batido ao ferrolho, como a Yara tinha prometido.

Quando estávamos para partir, o seleccionador alemão chamou-nos e lá tivemos de ir tratar-lhe do assunto. Fomos bem pagas e tu até já sabes o resultado, aliás foi um resultadão. Então viemos para o Rio (donde te escrevo) e fomos apanhar um solzinho a Copacabana. Estava eu muito quietinha a gozar uns momentos de calma e a ser beijada pelo Sol, quando se chega um sujeito ao pé de mim e me diz: “Hüten Sie sich vor der Sonne“.

Percebi logo que era alemão mas não entendi patavina do que ele disse (os dois dias com os alemães não chegaram para aprender a língua, que a bem dizer aquilo nem é língua de gente, mais parece língua de bacalhau). Então ele por gestos e coisa e tal explicou que era para eu ter cuidado com o sol e com a eficiência alemã, logo ali meteu mãos à obra e vai de proteger-me. A tarde correu bem, o pior foi no fim, depois de acabar o futebol e começar o arrastão. Levaram-nos tudo, até os nossos carrinhos voaram. Estávamos a lamentar-nos quando nos voltou a encontrar o tal senhor alemão, a quem explicamos a situação delicada em que nos encontrávamos, mais por gestos e lágrimas do que por palavras.

“Sind ruhte ich Ihnen eine Fahrt auf mein Flugzeug, aber am Montag Knoten“- disse ele.

Valeu-nos uma moça que ia a passar e que nos traduziu a frase.

Eu então respondi:  “Mas nós não podemos pagar“.

E ele, logo muito rápido: “Darf, kann, zahlen mit dem Körper“ – e a moça que nos estava a ajudar soltou uma gargalhada. Depois explicou-nos o que o alemão dissera e eu soltei um palavrão e a Yara até o insultou e disse que éramos mulheres sérias e não dessas que...

Enfim, passados uns minutos estava tudo esclarecido. O homem é um grande industrial do norte da Alemanha, ele disse que era de Ãoburgo, que tinha uma fábrica de bonecos, que os bonecos eram feitos no Bangladesh, mas que em Ãoburgo lhe eram introduzido os chips para falarem em todas as línguas, incluindo o alemão do norte. Assim nós fomos contratadas para introduzir o chip no boneco e foi então a nossa altura de rir a bom rir, mas não te digo por quê. Ele também não percebeu.

Aqui está, meu amigo, a razão porque não nos podemos encontrar nos tempos mais próximos. Depois da final do futebol vamos para Ãoburgo durante um certo tempo e se nos dermos bem por lá e a vida nos correr pelo melhor podemos prolongar a nossa estadia. Talvez até ao próximo verão. Esperamos voltar num BMW. A Yara diz que cada qual leva o seu, pois nunca partilhamos os nossos carrinhos, mas eu acho que é um exagero, a menos que...

Fico por aqui. A Yara manda-te um beijo e eu, outro.

Como prometido, vão umas fotos nossas.

 

Nota do blogueiro de serviço: – As fotos não apareceram. As manas não devem ter jeito nenhum para mandar anexos. Será que algum dia as iremos ver?

 

Este texto foi escrito ora em acordo ora em desacordo com o acordo, porque os alemães não assinaram o acordo e as manas nem sempre estão de acordo, como prova  o caso dos BMW.

 

 

publicado por Carapaucarapau às 22:13
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11 comentários:
De Mariazita a 11 de Julho de 2014 às 10:37
Então as irmãs ainda mexem!
Ora se mexem! Onde, com quê, porquê… etc., etc… é melhor nem falar!
Com esse alemão à mistura (não fosse o Dr. Google, que tem resposta para tudo, ainda eu estava sem perceber patavina, tal como a Yura) as pobres manas têm passado as passinhas do Algarve - assim como o autor do texto, de prodigiosa imaginação e não menor modéstia…
Mas quem as manda ser abelhudas? Pensavam que o Brasil era terra de índios, tal como pensou Pedro Álvares Cabral quando pôs pé em terras de Vera Cruz e viu todos aqueles corpos nus, pintados com cores berrantes?
O pobre Pedro, o Álvares, é claro! a partir daí mostrava um semblante achinesado, de tanto ter ficado “com os olhos em bico” perante tal manifestação de cores e… não só!
(Por acaso – não por acaso mas como consequência de estudos mais ou menos convincentes - há quem acredite que não foi esse senhor, mas sim Duarte Pacheco Pereira, o primeiro português a pisar o solo actualmente brasileiro).
Meti isto entre parêntesis porque não vim aqui para dar nenhuma lição de História (tema de minha predilecção), já que ninguém me paga para isso. O meu “ramo” é a psicologia, não a docência.
Com todas estas derivações já me esqueci do que cá me trouxe… Fosse o que fosse, é melhor deixar para a próxima. Não me posso esquecer de que tenho um post para preparar – não faço a mínima ideia sobre o quê… - para publicar no dia 14, que se aproxima a passos gigantescos.
Por isso me retiro na paz dos Anjos, desejando continuação de boas férias.
Beijinhos

PS – Blogueiro ou bloguista? Prefiro o segundo termo… Pense nas palavras terminadas em “eiro” (como foleiro) e nas terminadas em “ista”… (como elitista, banhista…)


De Carapau a 13 de Julho de 2014 às 11:09
Vamos lá por os pontos nos ii em diversas afirmações nem sempre certas. Demos um nó na ponta da linha e vamos lá pôr pontos (estes pontos não têm nada a ver com aqueles que os ii levam).
Assim:
1 – Que admiração essa das manas ainda mexerem? Tanto quanto sabemos elas são mexidas e mexilhonas e onde põem a mão fica tudo a mexer.
2 – Que passas do Algarve? O autor, de enorme modéstia e fraca imaginação, de passas só conhece aquelas associadas a charros e mesmo nesse campo, valha-o São Cristóvão, que é só mesmo de outiva (gostei desta ).
3 – Qual Álvares Cabral, qual Pacheco Pereira (o Duarte, não o Zé)? O 1º a pôr o pé em terra foi um Zé sim, para prender a amarra do barco e para servir de cobaia, se aquelas beldades e pintadas desnudas não fossem tão pacíficas como pareciam. Nada de arriscar.
4 – Quanto a ramos… o meu é de loureiro e penduro-o à porta aqui do tasco (esta é muito boa nem a Yura entenderia). 
5 – Dia 14 é amanhã e cá estarei para ver o que vai sair desse lado. Daqui, não fora a preciosa ajuda das manas e no último mês não teria saído nada de jeito (e jeito para “isto” também não sobra às manas).
6 – Considero-me mesmo um bloguista foleiro, ou seja um blogueiro. Rimo com ferreiro, sapateiro, padeiro, mineiro, arrieiro, corneteiro, siderúrgico, etc.
E já agora, beijoqueiro também. Aqui fica um da minha lavra. 


De Carapau a 13 de Julho de 2014 às 11:11
Distração do blogueiro. Os quadradinhos que aparecem no texto são, deveriam ser, assim :)


De Mariazita a 14 de Julho de 2014 às 11:24
Dos i’s não tenho receio.
Porque meu nome é Maria
Tenho um i mesmo no meio
Que me dá categoria!

Maria, teu lindo nome,
É das coisas mais saborosas.
Maria eu disse, e ficou-me
A boca a saber a rosas.
(esta última cantava-me o meu Pai, quando eu era pequenita - desconheço a autoria)


De Carapau a 14 de Julho de 2014 às 16:32
Em i's também não sou forte
No longo nome só aparece um.
Lá o terei de carregar até à morte
E já não aparecerá mais nenhum.

Sou sobretuso homem de "e's",
No total somam "só" cinco!
São letras aos pontapés
E eu com essas não brinco.

Quanto ao "Maria teu lindo nome" conheço a quadra de um fado de Coimbra. Se foi feita para o fado ou "aproveitada", isso já não sei.
Bjo.


De Carapau a 16 de Julho de 2014 às 17:48
Uma explicação complementar.
A quadra em questão "Maria teu lindo nome" aparece em vários fados de Coimbra, o que me leva a crer que é uma quadra popular, isto é, sem autor conhecido. Oa fados de Coimbra mais tradicionais eram compostos, em geral, por duas ou três quadras. Talvez a mais antiga gravação que se conheça seja do António Menano que canta esta quadra no "Fado Alentejano". (Ir ao Youtube e ouvir, quem estiver interessado).
Ficam aqui as 3 quadras que entram nesse fado.

Maria teu lindo nome
Para as bocas sequiosas.
Maria! disse e ficou-me
A boca a saber a rosas.

Maria quero-te tanto
Que sorte! Peço que um dia,
Quando tu souberes o quanto,
Me queiras tanto Maria.

Quem canta liga-se à terra.
Quem canta o reino dos céus.
Quem pára, que Deus o salve,
Quem anda que vá com Deus.

Suponho que fazem todas parte do cancioneiro popular português (mas só "suponho").


De Mariazita a 17 de Julho de 2014 às 09:30
Um passarinho verde soprou ao meu ouvido que havia aqui uma adenda à “nossa última conversa”.
Que bom haver passarinhos verdes! Doutro modo eu ficaria sem ler esta óptima explicação acerca da tal Maria, a saborosa.
Obrigada pelas informações.
Vou seguir o seu conselho e ir ao Youtube ouvir (e com certeza “sacar”…) esse fado do Menano.
Sou fã acérrima de Fado de Coimbra – nasci e cresci a ouvi-lo… (sou da Figueira) por isso não admira esta paixão.
E por falar em paixão… falemos de amor.
O seu comentário no meu “Amor” não me fez sorrir, antes provocou-me uma ou duas gargalhadas (e eu sou mais de sorrir do que de gargalhar…).
Há uma série de observações que, a terem sido do meu conhecimento antecipado, teriam sido incluídas no meu texto, como, por exemplo, as contra-indicações/efeitos secundários.
Quem sabe se para a próxima não poderá dar-me umas dicas? (e quem é que dá seja o que for, hoje em dia???).
Não vou gastar aqui todo o meu latim. Daqui a nada está aí outro post e depois não tenho palavras para comentar…
Beijinhos


De Maria Araújo a 12 de Julho de 2014 às 10:39
Ai, Carapau, estás um poliglota!
Não conhecia estes teus atributos.
Quanto às manas: "o corpo é que paga!"
Sejam elas espertas e têm a "Alemanha" a seus pés.
Beijinho


De Carapau a 13 de Julho de 2014 às 11:15
Quem disse "o corpo é que paga" foi o já falecido teu vizinho Variações e isso acontece quando a "cabeça não tem juizo". Ora juizo é o que parece não faltar às manas. Pelo menos até agora. Vamos a ver depois dos BMW...
Bjo. e boa praia.


De Labirinto de Emoções a 13 de Julho de 2014 às 03:17
Começando pelo fim...acho que as manas não colocaram fotos...porque o Chefe, com as suas ervas e mesinhas, em vez de as colocarem frescas e airosas (basta ver as fotos iniciais) por castigo, engelhou-as... talvez lá pelas "alemanhas" haja ferro com vapor suficiente para as esticar..."comme il faut"!

Mas lá que elas são um bocadinho "vira-casacas" e aproveitadoras, disso não tenho dúvidas...
A saber:

1º.Iam tratar do CR7..bla, bla, bla...deram com os burros na agua!

2ª Foram tratar os brasucas...e colocaram os gajos a beber 7UP em vez de caipirinha...quase afogam uma nação com tanta lágrima...

3ª Acenam-lhes com uma viagem de avião (primeiro armam-se em esquisitas com o pagamento...) e depois acham que enfiar chips em bonecos lhes dá direito a virem de BMW para a terrinha...

Quando a Merkel der por isso...vão direitas ao CEF Alemão por imigração ilegal.....e levam um chuto no traseiro e vêm de" Qui...Boio" com uma malita de cartão...
E....
Auf Wiedersehen Schwestern!

E pronto, mesmo com falta de inspiração, lá "botei coment..."

Beijoquinhas e até à próxima 5ª feira..:-)))



De Carapau a 13 de Julho de 2014 às 11:44
Engelhadas as manas? Até eu soltei uma gargalhada quando li isto!
De facto quando passaram por mim (sem me verem) em Santo Antão, não iam nas melhores condições, mas isso entende-se. Com tantos dias de viagem…
Mas agora…nem vos digo nem vos falo…
Vamos ao que interessa, a saber:
- CR7 (as manas são umas máquinas. Só elas para saberem que CR7 = “Cum Raio, 7!!!) referindo-se “àquele caso” (por isso os alemães as chamaram).
- “Armaram-se esquisitas com o pagamento”? Honestamente disseram que não podiam pagar (aqui para nós elas até têm um dinheirinho que arranjaram com o “aluguel” dos carrinhos lá pela Amazónia e com o chorudo pagamento dos alemães). Estão a ficar um bocado “unhas de fome”, tenho de esclarecer isso com elas na 1ª oportunidade. Pensando melhor, devem já estar a amealhar para o BMW…
- Lá quanto à D. Merkel…ainda acabam conselheiras da Senhora e ainda a vamos ver toda pimpona de minisaia, a mostrar os seus dotes de grande “Chancelerina”.

Por hoje fico por aqui, porque amanhã já é outro dia.
Bjo.


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