Quinta-feira, 16 de Abril de 2015

Feiras

      Feira cigana 001.jpg

Não faço a mínima ideia de quantas feiras se fazem por esse mundo fora. Locais, regionais, nacionais, mundiais, na esquina, no parque, no jardim, na “Ladra”, aqui, ali, acolá e mais além. Feiras especializadas: do chocolate às grandes máquinas industriais, do livro ao petisco, do cavalo ao queijo, da serra à planície, dos desportos de inverno às férias, disto e daquilo. Umas importantes, outras importantíssimas, outras nem tanto, outras nada e ainda outras…coisa nenhuma.

E que tal se eu “arranjasse” uma feira de noivas? Bonitas, menos bonitas, altas, baixas, gordas, trinca-espinhas, morenas, loiras, de olhos azuis, castanho, preto asa de corvo, coxa grossa, coxa fina, lábios carnudos, quase sem lábios, todas com bastante lábia, sorridentes, sorrisemdentes…enfim para todos os gostos, mas sem degustação, como se faz p.ex. nas feiras dos queijos.

Pois quem estiver interessado terá de dar um salto à Bulgária, à cidade de Plovdiv (fica a uns 120 km da capital Sófia). É aí que “durante o jejum ortodoxo da Páscoa” as famílias ciganas vendem as suas filhas casadoiras, desde que o preço lhes agrade. As informações que recebi dizem que uma noiva “pode” custar vários milhares de “aérius”.

Até parece que estou a ouvir os possíveis diálogos:

- O Tiazinha, quanto quer pela franga?

- Oh freguês, isto nem tem preço. Chicha de 1ª, selo de certificação de qualidade, garantia de dois anos, as peças todas novas e no sítio, estou a pedir 100 mil por ela.

- Valha-me Deus, Tiazinha. Por esse preço comprava eu duas ali atrás e ainda levava o cavalo e a carroça. Nem pense nisso.

- Oh freguês quer comparar este exemplar com aquelas desdentadas e de perna torta? Uma até é vesga! Apalpe lá este material. Olhe que isto foi feito com todos os preceitos, não se roubou nem no material nem na mão de obra. Foi mesmo um bico de obra arranjar um molde destes…

- Posso-lhe ver os dentes?

- Claro que pode. Oh rapariga arreganha aí a tacha para o senhor ver o esmalte. Isso! Está o senhor a ver esta brancura, este alinhamento…

- Estou a ver é que já tem os dentes muito gastos para a idade que aqui está no folheto. Tem pelo menos o dobro dos 16 anos que aqui estão…

- Oh freguês nem me diga uma coisa dessas que até me ofende! Isto é uma bezerrinha quase acabada de desmamar…

- Deve ser deve…

- Olhe freguês, por ser para si que me parece uma boa rês, vendo-lha por 80 mil e não se fala mais nisso, mas não diga que vai daqui…

- 10 mil e primeiro tenho de ir ali dar uma volta com ela a ver se se ajeita.

- Ah freguês! Tá a mangar comigo? Por esse preço só compra peças em 3ª ou 4ª mão e não nesta feira. Tem de ir à feira da Ladra e então o melhor é alugar em vez de comprar…

- Oh Tiazinha, mas o que eu queria era mesmo uma peça só para mim, para poder pôr a render. Coisa apresentável que me tomasse conta da barraca de pronto a vestir e a quem eu pudesse confiar o negócio.

- Não tenha dúvida. Não arranja melhor em toda a feira. Este exemplar vende que se farta. Eu até devia ficar com ela para me ajudar, mas temos de dar oportunidade à juventude, por isso a pus aqui na feira, à venda.

- Oh Tiazinha, não leve a mal, mas vou dar uma volta a ver se arranjo mais barato. Aquele problema dos dentes, sabe…achei-os já muito gastos…

 

E o diálogo podia ir por aí fora, entrando inclusivamente por “mares nunca dantes navegados…”

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.    

Olha lá Lince: já alguma vez foste a uma feira para comprar uma noiva?  

 

publicado por Carapaucarapau às 15:49
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7 comentários:
De maria teresa a 16 de Abril de 2015 às 20:09

Feira de noivas? “Pra que havera” de te dar
Ainda se de noivos fosse...isso era de aproveitar
Altos., loiros, espadaúdos...com os bíceps no lugar
E porque não, mas também,...uma barba a acompanhar?

Olhos azuis nem pensar, retirem-me já desta história...
De olhos azuis fiquei farta ...na “tal” finada mas ... em glória.
Agora refectindo bem, loiros não precisam de ser, prefiro aquela magia
do castanho de ouro do entardecer.

E o entardecer chegou, a veia poética finou e o telefone tocou...
Eu vou!

Bisou (a escrever em francês)


De Carapau a 18 de Abril de 2015 às 19:07
Uma feira de noivos? Pois então vou pensar:
Local, dia, horário, condições e material.
E que tipo de bancadas se têm de montar,
Para mostrar um tal tesouro, nada banal?

Certamente uns pedestais, coisas finas e acabadas
Para, quais “Pensadores de Rodin”, se mostrarem.
À frente, umas cadeiras para, absortas e extasiadas,
Elas (excitadas e nervosas), sentadas os admirarem!

“Por favor não mexer nos exemplares expostos”,
- Teria de ser aviso bem visível a chamar a atenção.
Pois certamente elas não iam ficar só a olhar os rostos
E não resistiam ao apelo dos sentidos, para passarem a mão!

E é por estas e por outras coisas, que até parecem banais,
Que não se realizam destas feiras, que teriam grande procura
Para se negociarem exemplares destes tão apreciados animais!
Os preços que eles atingiriam, iriam aumentar em muito a usura.

Desta forma muita mulher boa *, mas de entusiasmo fácil,
Podia vir a ficar cativa, nas mãos de avarentos usurários.
Sim, porque mulher que se preze, não compra sem exame táctil
E as consequências desses gestos podiam trazer danos vários…

E assim por diante…
* E algumas mesmo menos boas.

É o que se me oferece dizer sobre o tema trazido à colação. :)
Do pedestal atiro um bjo. :))



De GL a 20 de Abril de 2015 às 19:50
Mas afinal o que é que se passa aqui?

Feiras de noivas, discussões de preços, feiras daqui e dali?

Se fosse feiras disto e daquilo ainda valia a pena, mas assim!...

Que tal uma feirita de cabrito?
E outra de peixe frito?
E outra camarão?
E outra de berbigão?
E outra...?

Ui, vou-me embora, já estou enjoada com tanto petisco.

Abraço ao Carapau, o tal que tem cara de mau:))


De Carapau a 21 de Abril de 2015 às 14:39
Isto de feiras tem muito que se lhe diga. Fazer uma feira não é arranjar meia dúzia de tarecos (na vertente "coisas" e não "gatos") ir à feira da Ladra, (ex)pô-los ali no chão e começar a gritar (quem não grita não vende, regra básica do markting).
Organizar uma feira é outra cantiga. Daí que uma feira de noivas não é chegar "lá" e expôr o material, que neste caso não pode (não deve, pelo menos) ser no chão. (è só olhar para a foto e ver o cuidado posto na apresentação...)
Feira do cabrito? Claro, de acordo, mas nesta altura os cabritos são quase já bodes barbudos. De berbigão? Estou nessa, mas só quando o IPMA disser que se pode apanhar (que nisto de berbigão sou muito legalista...). De camarão? Há todos os dias, é só ir ao C. ao PD ou a qualquer concorrente e há para todos os gostos e tamanhos. E de outras feiras nem falo (A das Vaidades p. ex.).
Portanto as duas feiras faladas neste blog (que uma vez mais repito, é blog sério) são outra música...
Em boa verdade só tratei da feira das noivas. A dos noivos já foi uma deriva, bastante puxado para ela pela D. MT, que não podia ficar sem resposta.
Assim sendo fica aqui o abraço devido, dum Carapau que de mau não tem nada (nem de mau nem de espinhas...) :))


De Maria Araújo a 21 de Abril de 2015 às 18:43
Arranja mães é uma feira de noivos, mas jeitosos, charmosos, aprumados, estilo Ludovico...

Beijinho


De Maria Araújo a 21 de Abril de 2015 às 18:47

Espero lembrar-me na quinta-feira...
Nunca mais fui a Lisboa, tenho ido ao Porto , há que poupar nas viagens.

Beijinho


De Carapau a 22 de Abril de 2015 às 13:56
Já tratei desse assunto dois comentários atrás.
Não se realizam feiras desses "materiais". Só existem em boutiques especializadas... :))
Bjo.
PS: Até agradeço que te esqueças (a sério) :))


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