Quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

"Alida Valli"

O título do post não tem nada a ver com a actriz italiana que entrou em dezenas de filmes e foi uma das mais requisitadas pelo cinema italiano e não só, nos seus bons tempos (bons tempos dela e do cinema italiano).

A razão do nome aparecer, virá lá mais para a frente.

 

Há dias, suponho que num programa de TV, numa conversa entre duas mulheres onde falavam disto e daquilo, mais ou menos sem interesse, ambas concordaram que as mulheres são muito atraídas pelos homens malandros. Que sim, que sabem que não são “grande coisa”, mas têm um charme especial e etc, etc, etc, não ponho mais na carta.

Foi nessa altura que me lembrei da “Alida Valli”, não a atriz, mas uma colega dos últimos anos da faculdade, que batizamos com aquele nome.

Eram cursos “masculinos” (raramente havia raparigas neles) nesses “áureos tempos”, mas no meu tempo havia duas colegas, com quem tínhamos algumas aulas em conjunto, pois havia cadeiras comuns a todas as especialidades.

Eram ambas simpáticas e “engraçadas” e apaparicadas por um regimento de “bons rapazes”. Uma delas usava um penteado que fazia lembrar o da atriz italiana e assim ficou “Alida Valli”, pelo menos até ao fim do curso.

Acabado o curso, cada qual foi à vida (naquele tempo havia vida à nossa espera) e eu acabei por ficar pelo Porto mais dois anos (sim, a próxima cena passa-se no Porto, ainda).

Um dia, ao dobrar uma esquina, com quem deparei eu, muito agarrada ao mais malandro dos tipos que andaram na faculdade naquele tempo, ainda que um ou dois anos atrasado? (E “malandro”, nos vários significados que a palavra pode ter, não excluindo uma certa tendência para a vigarice).

Deixei a interrogação sem resposta, mas já se percebeu que era a “nossa” “Alida Valli”. Confirmado o velho ditado: “Guardado está o bocado…”

 

Os anos passaram, muitos de nós nunca mais nos vimos entretanto, até que houve uma reunião de curso, exatamente para nos reencontramos e medirmos o aumento das respetivas barrigas e a diminuição da quantidade de cabelo. As saudações, no entanto, são sempre do tipo, “Oh pá, tás porreiro, tás na mesma!”.

Destes encontros faz sempre parte uma jantarada, onde, em geral, todos se fazem acompanhar das “respetivas” e/ou “respetivos” e como por essa altura ainda havia meia dúzia de “desamparados da sorte” (também havia quem dissesse “tipos com muita sorte”), essa meia dúzia ficou na mesma mesa. Entre nós, a enfeitar o ramalhete, a “Alida Valli”, já sem o tal corte de cabelo, mas com muita mais experiência de palco. E como tal, a conversa foi livre e animada, as línguas foram-se soltando e ficamos a saber muito da vida amorosa dela. O tal 1º “malandro”, que teve de pôr de lado passado algum tempo, foi no entanto citado como “tendo Valli(do) a pena”, ao passo que o segundo da lista, bom rapaz é certo, “foi tempo perdido”.

Eis porque eu, ao ouvir a tal conversa, me lembrei da “Alida Valli”. Foi a última vez que a encontrei.

Já a outra colega, quis o destino, que tivesse sido minha vizinha durante muitos e muitos anos, e por isso víamo-nos quase todos os dias.

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.

E tu, falso lince da Malcata, também és do tipo malandro?      

publicado por Carapaucarapau às 14:52
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13 comentários:
De Maria Araújo a 16 de Outubro de 2014 às 16:04
Ai, como eu gosto de homens malandros, com um charme especial, mas não vigaristas.



De Carapau a 17 de Outubro de 2014 às 18:49
Que hei-de eu dizer? Gostos não se discutem e pelos vistos os malandros têm muita saida :))
Não sei se ainda vou a tempo de tirar um curso desses :)
Bjo.


De Mariazita a 16 de Outubro de 2014 às 17:55
Analisar o comportamento humano é um “passatempo” que me dá muito prazer.
Deformação de… formação? Talvez… embora haja muitos “formados” que não o fazem por gosto mas porque a tanto são obrigados – ou porque não têm mais que fazer, ou porque precisam de pão p’ra boca.
O ser humano, na sua maioria, ou pelo menos em grande parte, gosta de viver na “corda bamba”.
A mulher que se prende a um malandro, ao qual acha uma graça irresistível, está a desafiar as leis do equilíbrio.
Mas… como também há mulheres “malandras”, o mesmo acontece quando é o homem a juntar-se a uma delas.
É certo que é preferível que seja assim – malandro/a com malandra/o.
Daí surgem os adoráveis “Bonnie’s and Clyde’s” que fazem as nossas delícias no cinema.
Acho que estou a afastar-me do tema do post…
Ah! Sim, a Alida Valli.
Pois a que eu conheci era uma óptima actriz e uma mulher muito bonita; a que o autor deste blog teve por colega talvez tenha tentado seguir-lhe os passos… na representação.

E com esta me vou, até à próxima.
Beijinhos
Mariazita


De Carapau a 17 de Outubro de 2014 às 18:58
O comportamento humano é tramado, nunca se sabe que bola vai sair do saco. A palavra "malandro" está hoje muito adoçada (hoje, quer dizer já há muitos anos), pois um malandro a valer não é pessoa recomendável.
Era o caso do malandro da "Alida Valli", tanto assim que ela o rifou (se vendeu muitas rifas ou não, isso já não sei).
Os "Bonnie's and Clyde's" já são malandros de outro gabarito. :)
Bjo.


De maria teresa a 17 de Outubro de 2014 às 15:30
As mulheres gostam de homens malandros até que ponto?
E os homens não gostarão de mulheres malandras?
Eu gosto de “maladrices”, sou “malandreca” qb, não sou é parecida com a Alida Valli ( Ah! Ah! Ah! …) nem da verdadeira, nem da que fazia lembrar a dita, para que conste não me importo nada :).
Há um tipo de homem que me atrai física e intelectualmente mas, como os homens não são perfeitos, nunca encontrei um que tivesse todos os “quês”(até parece que conheci muitos homens :) :) :) )
Expostos os “factos” e os “actos”, despeço-me deixando-te um beijo opercular repenicado ...chuaaaac


De Carapau a 17 de Outubro de 2014 às 19:07
Para começar, ninguém precisa de ser parecido com ninguém. Será até mais "peça única" se não for. O que interessa são os atributos, como, p. ex.a originalidade e a competência.
Claro que um ar de santidade não ajuda nada a esta missa (a de que eu estou falando, sem dizer qual) :)
Portanto misturando tudo, com sal qb e malandrice aos molhos, fica um bom petisco, de lamber "as beças". :))
Ao repenicado do teu opercular, respondo com o repenicado do meu malandro! (Conversa, sou um anjolas) :)


De GL a 18 de Outubro de 2014 às 16:39
Essa dos homens malandros dá que pensar.
Ora vejamos, e porque não me apetece puxar do
dicionário.
Estamos a falar de que espécie?Malandro/trafulha? Malandro/"boa gente"? Malandro/malvado? Malandro/ladrão, entre muitos outros, ou:
Malandro/jeitoso? Malandro/espirituoso (não, não se trata do néctar também assim denominado)? Malandro/encantador? Malandro/engraçado? Malandro/janota? Malandro/malandro?
Se fosse viável misturava-os (excepção feita ao trafulha) e, ai sim, tinhamos um malandro digno desse nome.

Os malandros "assim, assim" que não são carne nem peixe (as minhas desculpas se o ofendo!), o pseudo malandro, ou, desgraça das desgraças, o cinzentão, sem graça e sem jeito, o convencido de que é malandro e não passa de uma caricatura do dito?!... Desses fujo a sete pés!

A dita senhora nunca me foi apresentada, logo nada sei acerca dos seus penteados e gostos.

Para todos os bons malandros, e malandras, claro, votos de bom Domingo.

Querem um abraço? Aqui fica.

P.S. Desculpem eventuais erros, mas escrever via smartphone. não me agrada mesmo nada.:(




De Carapau a 19 de Outubro de 2014 às 18:31
Vista e lida a lista dos malandros, malandretes, malandins e malandrões, também malandrotes e "gandas malandros", fiquei a saber da enorme sabedoria de V.Exa sobre o tema :)
O cujo dito de que eu falei, tendo certamente algumas qualidades, tinha o tal defeito capital de trafulha.
Agora que eu entendo muito bem que tipo de "malandro" as mulheres preferem, isso entendo.
Até já tentei sê-lo, mas acabei só por parecê-lo. :))
Abraço.


De Labirinto de Emoções a 19 de Outubro de 2014 às 17:42
Esses almoços de Cursos ou de escola são bem giros, já fui a 2 e reencontrei colegas que não via há 40 anos...éramos pouquitos... (quase 300) foi uma paródia do meio dia às 7 da tarde..:-))))

Encontrei lá belos/as "malandros/as" um desfiar de recordações, das malandrices que punham professores e empregadas da escolas com a cabeça maluca...

Ainda hoje adoro fazer malandrices..:-))) sempre que haja um "bom malandro" que me acompanhe nelas... e daí possam surgir umas belas gargalhadas..:-)))

Agora aquele malandro de camisa aberta até meio, com um fio de ouro pendurado ao pescoço, o cabelo cheio de gel e a tal unha maior que a conta do dedo mindinho...e que se acha o maior do bairro dele... bahhh dispenso!!!

E agora me vou, mas antes deixo-te um beijo bem malandro..:-))))


De Carapau a 19 de Outubro de 2014 às 18:37
Ah ah ah!
Gostei deste malandro de camisa aberta e fio ao pescoço :) embora esse seja do tipo fracote, que poucas mossas faz (e moças então ...muito pouco, suponho).
Quanto aos almoços/jantares de curso já tenho pouca vontade de os frequentar, fico triste e eu não sou para grandes tristezas. Nem o jantar me cai bem. :)
Ainda por cima não sei se a "Alida Valii" lá estará. :))
Bjo.


De GL a 23 de Outubro de 2014 às 00:45
É só para lembrar - não vá o diabo tecê-las! - que hoje é quinta-feira.
Só ainda "gastámos" 44 minutos? Sim, é depois?!


De Carapau a 23 de Outubro de 2014 às 12:53
Não fora eu um tipo com QI acima (muito acima :)) da média e bem ficava a matutar nesses 44 minutos...
Mas como apreendi a "coisa" deixo a pergunta: não eram boas horas de estar a dormir? Hábito ou insónias? :))
Abraço (730 minutos depois)


De GL a 24 de Outubro de 2014 às 19:37
Oh, oh, muitíssimo acima!
Quanto à questão colocada informo que estava apenas a meditar. Estamos entendidos?!:)
Haja paciência.:)

Abracito


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