Quinta-feira, 19 de Março de 2015

A história de um certo "1"

Quando contei a história do Adrião e do bando de salteadores, disse que ele tinha tido 4+1+4=9 filhos e que talvez contasse a história daquele “1”.

Ela aqui vai:

Com 4 filhos ainda relativamente novos Adrião ficou viúvo. O mesmo é dizer que ficou sem saber o que “fazer à vida”, já que a vida dele era “malhar ferro” e fazer coisas (filhos também, pelos vistos).

Teve logo de arranjar uma empregada para tratar da casa e dos “pequenos”. Como acontece muitas vezes, acabou por “tratar dele” também. E tão bem ou tão mal que passado algum tempo estava grávida. Que fazer, que não fazer, deve ter sido a questão que se levantou entre eles ou em cada um deles. Adrião era um homem prático e não podia perder muito tempo em lucubrações, digo eu agora aqui sentado a escrevinhar isto. Teve uma conversa com a Senhora e disse-lhe que o melhor era casarem e ficava tudo resolvido.

Diz a história que ela terá respondido assim: “1-2-3-4-5-6, e apontando para a barriga, 7”. Depois olhou para ele e acrescentou:”Muito obrigado, mas não aceito, o Sr. Adrião arranje outra que eu vou-me embora”. E foi.

E ele “arranjou outra” casou 2ª vez e teve mais 4 filhos.

E ela?

Passado pouco tempo casou com um Senhor que tinha qualquer coisa de seu, o filho nasceu e supõe-se que terão sido felizes para sempre, pelo menos consta que tinham uma boa vida, sem dificuldades.

Acontece que os outros oito eram irmãos deste (meios irmãos, já que ele era um filho “entre duas camas”, como se diz lá para as minhas bandas). E o “melhor da festa” é que todos eles o tratavam por primo (e ele também os tratava por primos) e tinham por ele muita consideração e respeito. Quando qualquer um dos oito tinha um assunto mais melindroso ou complicado para tratar, em geral ia pedir a opinião do “primo”. Dos nove ele era a pessoa “mais considerada da família”. Como exemplo deixo aqui o facto de o meu avô ter convidado o “Primo” para ser padrinho do 1º filho que teve.

Por isso, quando criança, acompanhei algumas vezes o afilhado nas visitas que fazia ao padrinho, que para mim era “um velho de aspeito venerando” ** com o seu bigode branco e cabelo a condizer.

Claro que nessa altura eu não sabia desta história.

 ** Para quem não se lembre: Camões - Os Lusíadas - o velho do Restelo.

 

 Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.        

E tu Lince? Pelo que sei nem “uma cama” quanto mais “entre camas”. Soube que a tua companheira “já era”, nem um chá de ervas lhe fizeste para ver se a salvavas? Eu avisei-te dos perigos que iam correr.

Habituado à ração diária sem teres de dar um passo…

E olha que a época da caça nem abriu ainda… Arranja outra companheira, nem que seja uma gata vadia, que te ensine a fazer pela vida.

Quem te avisa…

publicado por Carapaucarapau às 14:09
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3 comentários:
De Maria Araújo a 22 de Março de 2015 às 14:57
Antigamente, segundo li, quando uma mulher tinha um filho de outro homem, o homem com quem depois casava aceitava o filho, mas como sobrinho. Assim, a mulher tinha o filho por perto, mas os filhos do casamento trataram o "irmão " como primo.
Coisas de antigamente, que não eram nada bom para a mulher, infelizmente.
Beijo


De Maria Araújo a 22 de Março de 2015 às 14:58
* tratavam


De Carapau a 26 de Março de 2015 às 00:46
Não sabia disso, se calhar aqui aconteceu a mesma coisa, isto é, seria o tratamento corrente.
Bjo.


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