Quinta-feira, 6 de Novembro de 2014

Post com colaboração

A propósito de animais domésticos e da preferência que uns têm por gatos e outros por cães (também há quem prefira cavalos e burros - estes com alguma saída, porque dão direito a subsídio – papagaios, periquitos e outras aves de arribação), debrucei-me sobre o assunto, com certo cuidado para não cair e pus-me a pensar.

Quando me ponho a pensar, duas coisas podem acontecer: ou adormeço pensativo, ou não há maneira de adormecer.

Rebusco então na memória os animais que já encontrei ao longo da vida e aparecem sempre três à frente do pelotão.

Uma mula, de seu nome “Carriça” que me transportou durante um ano para eu frequentar o liceu, um cão chamado “Cadete”, com quem aprendi a falar cão e a caçar (nunca dei um tiro) e um pintassilgo anónimo, que foi o 1º passarito que eu matei.

Cães e gatos, vários, se atravessaram no meu caminho, sem deixar rasto, independentemente dumas tropelias que gostava de fazer aos gatos, que passavam a vida a dormir em vez de caçar ratos.

Pensava eu nisto nesta 5ªfeira de post “obrigatório” quando disse para comigo: “Já está. Levas isto ao forno com duas nozes de manteiga e está aviado” (ler livros de culinária só para salivar, dá nisto).

“Para já não precisas de mais nada e assim nem tens de dizer se gostas mais disto ou daquilo”.

Como não resisto mesmo, aqui fica dito: gosto mais daquilo.

 

As duas nozes de manteiga:

 

Cão, de Alexandre O’Neill

Cão passageiro, cão estrito
Cão rasteiro cor de luva amarela,
Apara lápis, fraldiqueiro,
Cão liquefeito, cão estafado
Cão de gravata pendente,
Cão de orelhas engomadas,
de remexido rabo ausente,
Cão ululante, cão coruscante,
Cão magro, tétrico, maldito,
a desfazer-se num ganido,
a refazer-se num latido,
cão disparado: cão aqui,
cão ali, e sempre cão.
Cão marrado, preso a um fio de cheiro,
cão a esburgar o osso
essencial do dia a dia,
cão estouvado de alegria,
cão formal de poesia,
cão-soneto de ão-ão bem martelado,
cão moído de pancada
e condoído do dono,
cão: esfera do sono,
cão de pura invenção,
cão pré fabricado,
cão espelho, cão cinzeiro, cão botija,
cão de olhos que afligem,
cão problema...
Sai depressa, ó cão, deste poema!

 

O GATO, de Fernando Pessoa

Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.
Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.
És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.

Lamento, Lince, mas não estás entre os animais que guardo na memória.      

publicado por Carapaucarapau às 14:49
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12 comentários:
De maria teresa a 6 de Novembro de 2014 às 15:39
Caro Colombo, perdão Carapau, uma boa aluna (também boa noutras coisas) segue o mestre e como este arranjou bengalas para falar sobre cão e gato, eu faço o mesmo mas a minha bengala é cavalo.

CAVALOS

Fortes e corajosos,
Destemidos e maravilhosos,
Exuberantes e queridos,
Deslumbrantes e coloridos,
Força, beleza e destreza,
São eles da natureza.

De belas pelagens,
De bonitas imagens,
De encanto delicado,
De olhar incomparável,
E de carinho adorável.

Beleza excepcional,
Força descomunal,
Coração gigante,
Inteligência brilhante.

Maravilhosos,
Corajosos,
Fiéis, obedientes.
Belos e singelos,
Lindos num gesto
De amor.
Dannala

Não me perguntes quemé Dannala porque eu nunca a vi!
E assim se escreve um comentário.

Beijocas operculares na despedida



De Carapau a 10 de Novembro de 2014 às 15:16
Mais vale mula que me leve
Que cavalo que me derrube.
Quando era muita a neve
Eu corria para o Aljube.*

Cavalos de apuradas raças
Desses que ganham corridas,
Muito dinheiro e vistosas taças
São animais de outras vidas.

Eu cá sou mais cão, gato
E muitos passarinhos.
Estes últimos para o prato,
Depois de bem fritinhos. **

E para o blog não virar um zoo
Com animais por todo o lado,
Diz-me lá como fazes tu,
Para teres tudo arrumado.

*A rima para derrube é difícil
** Esta é para escandalizar a GL

Bjo.


De GL a 14 de Novembro de 2014 às 00:56
Aí é? E não é caso para isso?
Mas que mal lhe fizeram as pobres aves?
Levou muitas bicadas quando era pequeno e ficou traumatizado, foi isso? Tragédia infantis, nada mais.
Abraço.


De Maria Araújo a 6 de Novembro de 2014 às 18:21
De gatos não gostas tu
Disso sei eu há muito
Tem cuidado Carapau
A minha gata gosta de tudo.

Não quero falar da minha
Mas do burro lá de cima
Fui procurar ao Google
E um poema te dito.

"O burro "

Vai ele a trote, pelo chão da serra,
Com a vista espantada e penetrante,
E ninguém nota em seu marchar volante,
A estupidez que este animal encerra.

Muitas vezes, manhoso, ele se emperra,
Sem dar uma passada para diante,
Outras vezes, pinota, revoltante,
E sacode o seu dono sobre a terra.

Mas contudo! Este bruto sem noção,
Que é capaz de fazer uma traição,
A quem quer que lhe venha na defesa,

É mais manso e tem mais inteligência
Do que o sábio que trata de ciência
E não crê no Senhor da Natureza.

Patativa do Assaré



De Carapau a 10 de Novembro de 2014 às 15:18

Patativa do Assaré!!!
Metes-me em cada uma!
É tipo Carlos Mané,
Não tem planta nenhuma.

Sai um burro ou burricalho
E vem de longe, lá do Brasil.
Burro, animal de trabalho,
Animal que vale por mil.

Assim este blogue virou
Um verdadeiro zoológico!
Já aqui não está quem falou
No boletim metereológico!
:))

Bjo.


De Labirinto de Emoções a 6 de Novembro de 2014 às 22:39
Ai coitado do Lince que tu xingas constantemente... pois agora levas com um...para te ficar na mente..:-))))))))

O LINCE

Teu felino estado soltas
numa fluidez adentro serão
serra da Malcata às voltas
estás em vias de extinção

trata-te o povo no cerne
gato-cerval e lobo-rabo
gato-lince então liberne
ou simplesmente gato-cravo

do Sabugal a Penamacor
rareiam tuas unidades
na ameaça pelo pavor
e por tantas disparidades

perdem-se as garras de lince
pelo campo que já foi o seu
e o estatuto de prince
com o tempo se desvaneceu

resta-te um fim ultimado
entre escudo e peseta
e o euro está esgotado
pelas montanhas da Meseta

António MR Martins

Fui gamar um colega de escola... mas ele não se chateia, o gamanço entre colegas foram sempre uma bela teia..:-)

Beijoquinhas



De Carapau a 10 de Novembro de 2014 às 15:20
Só me faltava mais esta
De ter outro lince por aqui!
Veio para ajudar à festa
Ou para fazer haraquiri?

Em directo, para maior choque
Ou “lá atrás” bem, resguardado?
Será um suicídio “had hoc”
Ou tudo bem programado?

Já um homem não pode
Falar aqui de coisas sérias!
Vêm para aqui, de pagode,
Para debitar umas lérias!

Ainda por cima de outros,
Para não terem trabalho!
Cavalos, linces, potros…
Um burrro, fino que nem um alho!

Bjo.


De GL a 7 de Novembro de 2014 às 00:42
Vale-lhe o Gato, de Fernando Pessoa, e as duas nozes de manteiga, a delícia das delícias
Sim, porque quem assim abusa de uma mula indefesa, que obriga a carregá-lo (quanto é que pesava nessa altura? 80 quilos?), quem ensina inocentes cães a caçar, um autêntico atentado que conduz à perca de inocência dos ditos, quem - como se isto não bastasse! - ainda assassina aves que voam livremente, quem é capaz de praticar todas estas malfeitorias só merece uma coisa: ser denunciado por causar maus tratos aos animais.
Não, não diga nada, não há nada que possa dizer em sua defesa.
Sabe que isso dá prisão, não sabe?
Agradeça ao gato o facto de não ser denunciado.

Onde é que já se viu?!




De Carapau a 10 de Novembro de 2014 às 15:31
Caríssima:
Venho informá-la que a mulinha me transportava com grande alegria, talvez porque desconfiasse que carregava um "fardo" muito especial. Por isso quando morreu, foi enterrada com pompa e circunstância...
Quanto ao passarinho...aquele foi só o primeiro duma longa série. "Naquele tempo" até os havia, bem fritos, nas montras das tascas da grande cidade.
E não foi há tanto tempo assim...
Hoje sou um "protector", até casinhas para se resguardarem do frio inverno lhe faço.
Verdade seja dita que nunca lá vi nenhum. Devem cheirar ao sangue dos irmãos "assassinados"... :)
Abraço.


De Carapau a 10 de Novembro de 2014 às 18:05
Onde se lê: "lhe faço" deve ler-se ´"lhes faço".
E onde se lê "cheirar ao sangue" deve ler-se "cheirar o sangue"


De Mariazita a 7 de Novembro de 2014 às 19:09
Sem tempo para mais... passo para deixar um beijinho e desejar bom fim de semana.
Muito interessante o tema desta postagem.
E, já agora...
"Não era um cão como os outros. Era um cão rebelde, caprichoso, desobediente, mas um de nós, o nosso cão, ou mais que o nosso cão, um cão que não queria ser cão e era cão como nós."
CÃO COMO NÓS - Manuel Alegre - uma verdadeira delícia!
Se não leu, aconselho vivamente. Faz parte da minha biblioteca.

Beijinho, beijinho.
Mariazita


De Carapau a 10 de Novembro de 2014 às 17:56
Que nisto de cães há para todos os gostos e feitios.
Mesmo não considerando os cães do merceeiro, do padeiro, do talho...
Este post teve a "virtude" de as pessoas cá aparecerem com um animal de estimação...
Emprestados, todos. :))
Bjo.


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