Quinta-feira, 9 de Outubro de 2014

Da pastilha elástica

Às vezes leio “notícias” que me deixam a pensar como seria a minha vida se as não tivesse lido. Assim do tipo desta:

“Sabia que mascar pastilha elástica gera energia?” Claro que eu não sabia, estava até mais inclinado a dizer que se perdia energia e estragava os dentes, de maneira que a li. Fulano e Sicrano, engenheiros canadianos, inventaram uma correia especial que ligada ao queixo de alguém que esteja a mascar pastilha elástica gera 18 microwatts de eletricidade num minuto e por aí fora rebeubeu, pardais ao ninho.

Perante uma tal descoberta eu não aguentei mais tempo sentado e reclinei a cadeira, pois reclinado, eu penso muito melhor, chegando mesmo a atingir o nirvana do pensamento, adormecendo. Não foi o caso desta vez. Pensei que se eu tivesse a tal correia (nem precisava de ser muito grande) alimentava a máquina de barbear e ali era mesmo do queixo para o queixo, nem haveria perdas de energia (punha-se é claro o problema de ter de mascar qualquer coisa, mas para início de raciocínio isso nem interessava muito). Também pensei porque raio os dois engenhocas fizeram as experiências com pessoas (deve ter sido com eles) e não com qualquer ruminante, já que estes até a dormir ruminam e portanto dariam energia elétrica pelo menos para o estábulo. Olhei com mais atenção para o teto (ali no canto há uma mancha escura que tem de ser limpa) e pus-me a puxar pela caixa dos pirolitos onde está instalada a memória RAM e senti que qualquer coisa fazia os meus neurónios acelerar. Mascar, ruminantes, pastilhas…raios… nada disto me é estranho. De repente dei um salto, EUREKA foi ele (não, não foi o Arquimedes) é claro que foi ele!

“Ele” foi um senhor que se chamou Bernard Shaw (lembram-se do Pigmalião que veio a “dar” o My Fair Lady?) que “amava” particularmente as mulheres e os americanos e muito especialmente as mulheres americanas, que um dia escreveu: “a diferença entre uma mulher americana a mascar chiclets e uma vaca a ruminar, está no ar inteligente da vaca!”.

Na altura ainda não existiam engenheiros canadianos…

Agora, falando eu mais a sério e sendo um atento observador de mascadoras (sim porque há muitas mais mascadoras que mascadores) vejo cada uma a abrir e a fechar a boca e a mastigar com tão grande amplitude, que bem concorreriam com a EDP na produção de energia elétrica.

E agora que já perdi mais energia que a necessária para escrever este post (pela 2ª vez, pois a 1ª versão deve ter sido mascada pelo PC) termino socorrendo-me outra vez de Bernard Shaw.

Numa festa para a qual teria sido convidado, foi abordado por uma Senhora de bom aspeto (digo eu, pois tudo leva a crer que não era nada de botar fora), muito elegante, muito arranjada, muito sorridente e muito fútil, que terá iniciado uma conversa com ele e às tantas, toda dengosa (os adjetivos são todos meus) terá dito: “Já pensou, Bernard, se nós fossemos casados e tivéssemos filhos, quão distintos eles seriam, com a minha beleza e a sua inteligência?”

E ele, sem deixar bater a bola no chão: “E já pensou minha cara amiga, se tivessem a beleza do pai e a inteligência da mãe?”.

 

Já não ma(s)ço mais

 Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.

E tu, oh Lince desavergonhado, também abres muito a boca quando mascas?      

publicado por Carapaucarapau às 15:28
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11 comentários:
De maria teresa a 9 de Outubro de 2014 às 16:55
Mascar, Mastigar, ruminar, no aspecto é quase o mesmo!
As consequências E movimentações a nível do estomago é que são um bom bocado diferentes.
Produzir energia mandibular para mim é novidade, será que a podemos acumular numa pilha, para mais tarde a utilizar? Era bom e melhor seria, se eu pudesse viajar numa máquina do tempo, voltar a dar aulas, não mandar ninguém deitar a pastilha No caixote do lixo, pelo contrário, pôr todos a “ruminar” e guardar toda essa energia para mais tarde vir a utilizá-la no meu lar, doce lar. Mas que poupança eu faria!

Mulher bela e homem inteligente a fazerem filhos conhecia, mas não no quadro apresentado, o interveniente masculino era einstein.

Mais uma vez navegaste, numa viagem alucinante, sem precalços, atingindo um porto seguro, viajei contigo, não enjoei (como me aconteceu na viagem que fiz no fim de semana passado) , diverti-me. Divertiste-me …

Deixo um beijo opercular e uma pergunta :
não voltaste a ver os comentários do teu post anterior?


De Carapau a 9 de Outubro de 2014 às 18:06
Eu que não masco é que fico prejudicado, nem para uma pilha de bolso produzo energia.
Tenho de andar sempre de vela se quero enxergar alguma coisa (de noite claro, que de dia ainda vou vendo). :)
A história da mulher giraça e homem inteligente parece que é reclamada por muita gente, muito provavelmente a coisa já vem muito lá de trás.
Quanto a enjoos em geral os barcos e as curvas são os que mais os provocam. Uns copos a mais na vèspera também ajudam à "festa". :))
Diverti-te?
E eu a julgar que estava aqui a dizer coisas importantes!!!
Ora bolas! :)
Bjo.
P.S.- Vi-o é li-o quando publiquei este post. Como tive de sair à pressa, não respondi na altura, mas agora já lá está uma "coisa em forma de assim".


De GL a 12 de Outubro de 2014 às 18:48
Eis a razão pela qual gosto tanto do Sr. Bernard Shaw: pela capacidade de dizer grandes verdades em meia dúzia de palavras.

A propósito de "mascar" - para além de, FINALMENTE, ter percebido o motivo que me obriga a andar sempre às escuras -, surgiu-me uma outra questão que muito me aflige.
Por acaso, por mero acaso, o Sr. Carapauzito já viu, mas com olhos de ver, uma alminha a "mascar" os alimentos que está a ingerir? Já? Então o que lhe apraz dizer sobre tão importante assunto?
Quer saber a minha opinião? Tão cusco, mas tão cusco!...
Continuemos. Ia eu a dizer que já propus fosse estudada/criada legislação que proíba tal acto em locais públicos.
Ah, questiona-se? Logo vi!
Desde a amplitude da abertura de boca, até ao "babamento" de camisolas, camisas e gravatas (no caso dos cavalheiros) , de blusas, camisolas, lenços e lencinhos, há de tudo.
Mas depois temos as outras - sim, apenas no feminino! - que devem sofrer de algum problema maxilo-facial. Só entreabrem os lábios, gesto que pensam, será mais condizente com a sua condição. Qual? Meu caro senhor,, ainda não cheguei a essa fase do estudo!

Sabe onde se vendem as ditas correias? É que esse seria um bom investimento!
Já imaginou a energia que se armazenava num simples almoço, jantar, ou até lanche?!

Feche a boca, por favor!


De Carapau a 13 de Outubro de 2014 às 12:57
Carapau não masca. Nem pastilhas elásticas nem outras coisas. Carapau não abre a boca, Carapau faz biquinho com os delicados lábios e só para fazer bolinhas debaixo de água. À mesa, Carapau quanto degusta alguma navalheira fá-lo discretamente quase não movendo os maxilares. Carapau não produz, portanto, energia digna desse nome.
Carapau é um observador atento das "mascadelas" dos outros/as.
Carapau não pode revelar os seus segredos sobre cenas de mascar, pois Carapau já viu de tudo, mas não conta tudo.
Correias? Daqui a pouco tempo já deve haver nas lojas dos chineses. Por enquanto ainda não há no mercado.
Serviram para alguma coisa estas explicações?
Se sim, prima 1, se não prima dois.
E por falar em prima ...um abraço.


De Mariazita a 13 de Outubro de 2014 às 18:00
A vida seria bem melhor se não lêssemos certas notícias – não há que duvidar!
Nunca gostei de pastilha elástica, muito menos de mascar, nem mesmo nos tempos – felizmente há muito tempo! - em que fumava 
Nos States há quem defenda que, depois de uma refeição no restaurante, se deve mastigar pastilha elástica por alguns minutos, para limpar os dentes – não seria muito prático ir para o restaurante munido de escova e creme dental para, no final do almoço, ir à casa de banho tratar da higiene oral.
Em muitos restaurantes oferecem, à saída, rebuçados de menta para refrescar a boca e eliminar odores menos agradáveis.
Como não suporto menta… na circunstância lá meto uma pastilha elástica à boca, que rejeito poucos momentos depois.
Mas… a ser verdade a tal cena da energia, terei de rever os meus hábitos. É que a minha conta de electricidade é simplesmente assustadora!
E, quando juntar cá em casa a família toda, que não é muito pequena, ponho o pessoal todo a dar ao dente, que é como quem diz, a mascar, depois de devidamente apetrechados com a dita correia.
Até vão fazer faísca!

Afinal… há notícias que vale a pena ler!!!

Beijinhos
Mariazita


De Carapau a 14 de Outubro de 2014 às 14:22
Eu, que muitas vezes ando "na pastilha", não sou de pastilhas. Admito claro, que depois duma refeição, sobretudo se for daquelas bem perfumadas com muito alho cru :) e não tendo possibilidade de fazer uma boa higiene oral (se bem que a alho não há higiene que lhe valha), admito, dizia eu, que se meta discretamente uma pastilhinha na boca, para refrescar o hálito e não espantar o namorado ou a freguesia (estou a pensar p. ex. numa pessoa que atenda o ´publico).
Mas uma coisa é isso, tudo feito muito discretamente, outra é mascar/ruminar a dita cuja, abrindo a "bouche" tipo hipopótamo.
Mas que há grndes centrais produtoras de energia eléctrica, por aí à solta, lá isso há.
Bjo.


De Labirinto de Emoções a 13 de Outubro de 2014 às 20:00
Os canadianos dizem que mascar pastilha gera energia...

Os Japoneses dizem que..."Mascar pastilhas elásticas estimula até oito regiões do encéfalo e melhora o estado de alerta e a rapidez de pensamento em dez por cento, revela estudo do Instituto Nacional de Ciências Radiológicas (NIRS)"

Ora bem... como eu detesto mascar pastilha elástica, nem quando era catraia o fazia, embora tenha experimentado, faziam-me doer os maxilares, e deitava-a fora logo a seguir....acho que não vou conseguir baixar da conta da Luz... (lá ficam os chineses a ganhar) e eu fico lerdinha da silva, porque não consigo aumentar a velocidade dos meus neurónios...

De pastilha elástica são mesmo aquelas notícias que se repetem nos canais de TV de hora a hora e nos massacram o juízo!!!

Mas uma coisa tenho a certeza, falar com alguém que masca pastilha elástica não é de todo agradável ... ver aquela "coisa"; as voltas na boca e ainda levar com alguns "perdigotos" no meio da conversa...:-)))

E também como de boquinha fechada como uma menina bem comportada...:-)))))))

E por aqui me fico...sem mascar nem ruminar, deixo-te um beijinho daqueles especial com aroma a alfazema..:-))


De Carapau, na pastilha a 14 de Outubro de 2014 às 14:33
Ai sim? Os japonesinhos dizem isso? E eu que tanto preciso de estimular meia dúzia de regiões!
Acabo esta resposta ao comentário e vou já ali abaixo, pastilhar. Se assim, sem ser estimulado, encefalicamente falando, ando a meio gás, depois de meia dúzia de pastilhas, nem sei o que farei (deixo de lavar os dentes, certamente, como se diz no comentário anterior).
Mas eu já ando noutra. A pensar em arranjar a tal correia, mas para ligar o queixo à corrente quando como e assim não precisar de movimentar os ditos. A EDP trata disso. E esta hein?
Bjo.


De Maria Araújo a 15 de Outubro de 2014 às 22:33
Ai! Foi um suspiro que me saiu.
Mascar, mastigar, ou o raio que carregue os investigadores canadianos, nem na adolescência tinha esse hábito . Por vezes, lá ia uma gorila à boca mas não ficava por lá muito tempo, ao ponto de se passarem muito anos e esquecer-me delas, as pastilhas.
De vez em quando, as pequenas chiclets entravam no hábito para após um almoço ou jantar servir de limpeza... mas por breves minutos.
Sempre detestei ver as pastilhas dançarem, meladas, nas bocas das crianças, dos jovens, dos adultos (que nojo), até que há um ano, o médico me pediu para não usar pastilhas elásticas (as minhas eram as pequenas, como já disse) . A partir desse dia, 13 de novembro de 2013, nunca mais a pastilha elástica entrou nesta boca.
Agora, uso um kit que levo comigo sempre que almoço ou jantou fora de casa.
Quanto à história da eletricidade ai a concorrência, logo agora que a EDP vai aumentar à energia.


De Carapau a 16 de Outubro de 2014 às 14:49
Resumindo, queres dizer que deixaste a pastilha exactamente quando ela te ia dar jeito, para diminuir a factura da EDP. E logo agora que já tens duas mãos para abrires a embalagem... :)
Bjo.


De Maria Araújo a 16 de Outubro de 2014 às 16:00
ahahahah, sempre com a resposta na ponta da espinha.


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