Quinta-feira, 11 de Julho de 2013

Chupa chupa

 

Já contei aqui umas histórias relacionadas com uma “célebre” padeira, que não sendo propriamente a de Aljubarrota, não anda muito longe em termos quilométricos.

Entre outras coisas, contei em como um dia a vi estar a vender pão, num local público e devidamente equipada para o efeito: balcão apropriado, bata branca e barrete branco na cabeça (onde havia de ser?). Eu que a conhecia sempre na sua padaria “informal” e ela ainda mais informalmente equipada, fiquei admirado ao vê-la tão conforme a norma (e a lei, já agora). Pus-me na fila para lhe comprar um pão e fui observando a sua atividade atrás do balcão. A coisa processava-se mecanicamente nestes moldes: segurava o pão encomendado pelo cliente, lambia um dedo para abrir o saco de plástico para meter o pão, entregava-o ao cliente, recebia o dinheiro e fazia o troco e voltava tudo a ser repetido com o cliente seguinte.

Aquele conjunto de gestos estava tão automatizado nela que lhe seria impossível não lamber o dedo.

Convém dizer duas coisas: a primeira é que já não exerce a arte, quer de fazer, quer de vender o pão: a segunda é que era o melhor pão da região.

 

Lembrei-me disto quando há três ou quatro dias vi uma reportagem num dos canais da TV, por acaso sobre temas da região da referida padeira, que é aliás a região onde mergulham as minhas raízes.

A páginas tantas dessa reportagem apresentaram duas senhoras de provecta idade, das poucas que ainda sabiam fazer as afamadas cavacas, uma especialidade da terra (convém dizer que não eram das Caldas). Apresentaram então as senhoras na sua atividade, na fase de recobrir os bolos com a respetiva cobertura (claras de ovos batidas com açúcar). Filmaram então uma delas para ver os pormenores do trabalho. Segurava com uma mão a “cavaca” a revestir, depois mergulhava o dedo indicador da outra mão no alguidar com a cobertura e assim “pintava” a cavaca de modo a ficar totalmente revestida. Por cada cavaca ela mergulhava o dedo umas quatro ou cinco vezes no alguidar. Só que…

Só que uma por outra vez (talvez porque sentisse a massa a ficar seca no dedo, também num gesto mecanizado de quem faz aquilo há anos e anos), ela levava o dedo à boca e desta maneira, chupando-o, “limpava-o” e humedecia-o para as operações seguintes. Quando vi a cena soltei uma gargalhada e lembrei-me da minha “querida” padeira.

Fiquei com uma dúvida. Se quem fez e montou a reportagem não reparou nesse “pormenor” e por isso o não cortou, ou  reparou e por isso mesmo o publicou, mas sem lhe fazer referência. Espero que tenha sido esta última hipótese pois foi esse, a meu ver, o ponto alto da reportagem.

 

E digam lá se uma bela chupadela (no dedo) não vale a pena…

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.        

publicado por Carapaucarapau às 13:39
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12 comentários:
De maria teresa a 13 de Julho de 2013 às 12:15


Depois deste teu testemunho “nojento”, que me revolveu o interior, passei horas a pensar no acto de chupar…imagens férteis, sem fertilizante, proliferaram na minha imaginação e vou descrever-te algumas (nem todas podem ser descritas neste espaço, um espaço dedicado à cultura e muito sério, tão sério, tão sério, que eu estou a rir-me)
Vejo:
-movimentos dos lábios e da língua para fazerem entrar um líquido na boca (vulgo sugar que pode ser acompanhado, ou não, com emissão de sons)
-fazer movimentos de sucção ( chupa, chupa no dedo, …)
- sorver um sumo por uma palhinha
-absorver a sopa levando o prato à boca
-sugar o esparguete que fica pendurado nos lábios
- chupar a tutano a um incauto
-chupar o dinheirinho todo ao contribuinte não só
-chupar um gelado (se for um cone, rodando-o na boca, lançando olhares lânguidos aos observadores)
(…)
-deixo-te com o top do “chupa” (um poema cantado que devia ter ganho o prémio Nobel da poesia)

CHUPA NO DEDO
(quem o declara é a Ruth Marlene)

quando eu te queria tu rias de mim
nem reparavas que eu tava crescendo
quando eu te queria tu rias de mim
nem reparavas que eu tava crescendo
agora queres mas eu digo assim
chupa chupa chupa
chupa no dedo
agora queres mas eu digo assim
chupa chupa chupa
chupa no dedo
quando eu queria ser pra' ti
tu me disseste que era muito cedo
quando eu queria ser mulher pra' ti
tu me disseste que era muito cedo
agora queres mas eu digo assim
chupa chupa chupa
chupa no dedo
agora queres mas eu digo assim
chupa chupa chupa
chupa no dedo
chupa no dedo
quando eu queria que dicesses sim
deste me um nao que ate meteu medo
quando eu queria que dicesses sim
deste me um nao que ate meteu medo
agora queres mas eu digo assim
chupa chupa chupa
chupa no dedo
agora queres mas eu digo assim
chupa chupa chupa
chupa no dedo
quando eu te queria num amor sem fim
tu me trocaste aí como um brinquedo
quando eu te queria num amor sem fim
tu me trocaste aí como um brinquedo
agora queres mas eu digo assim
chupa chupa chupa
chupa no dedo
agora queres mas eu digo assim
chupa chupa chupa
chupa no dedo
e hoje sou o teu nó na garganta, a tua insonia, teu desassocego
e hoje sou o teu nó na garganta, a tua insonia, teu desassocego
agora queres mas sou eu quem manda
chupa chupa chupa
chupa no dedo
e hoje sou o teu nó na garganta, a tua insonia, teu desassocego
e hoje sou o teu nó na garganta, a tua insonia, teu desassocego
agora queres mas sou eu quem manda
chupa chupa chupa
chupa no dedo
agora queres mas sou eu quem manda
chupa chupa chupa
chupa no dedo
chupa no dedo
chupa no dedo
chupa no dedo.
Assim termino, afirmando que tudo ando a fazer para ficar chupada ( traduzindo: mais magra)
Abraçocas minhas


De Carapau a 15 de Julho de 2013 às 16:57
Digamos que o comentário é quase um tratado sobre a arte de chupar. Como tu mesmo dizes, pode-se chupar tudo, e toda a gente seria capaz de fazer uma lista das suas chupadelas preferidas. Seria um estudo estatístico bem interessante e revelaria muito das preferências "chupistas" da sociedade.
Talvez não saibas mas o carapau adora chupar o berbigão da concha e faz o mesmo às pernas das navalheiras quando as apanha.
O facto de aprendermos a chupar à nascença vai-nos marcar pela vida fora. A indústria dos chupa chupas baseia-se aliás nisso.
Quanto ao poema "Nobel da poesia" dessa grande filósofa da chupadela (...dela e de quem lhe aparecer pela frente :)) nada tenho a dizer, para além de elogiar o alto valor literário da obra.
Aliás ela rivaliza com outra de outro grande poeta, o Joaquim Barreiros (Quim para os amigos) e que até a fez a pensar em ti e eventualmente em outras Teresas.
"Chupa chupa Teresa
O gelado de framboesa"
(...)
Aconselho-te a escutar essa "opus", p. ex. no youtube, para admirares o que o homem diz.
E agora vou chupar uma pastilha para a garganta.
Bjo.
(Infelizmente não posso dizer, como tu, que ando chupado).


De Maria Araújo a 18 de Julho de 2013 às 14:10
É incrível, tens resposta /comentário para tudo.
És demais!


Beijinho


De maria teresa a 13 de Julho de 2013 às 12:21
Os erros da "poesia" não foram dados por mim, eu copiei integralmente do que está publicado no Dr. Google. Creio que esses erros até estão de acordo com a classe do "chupa" :):):)
Só tu tens capacidade para me levares a um determinado tipo de "respostas" e, mesmo assim, estão muito controladas...

Afugentaste as tuas comentadoras habituais?
Beijocas operculares


De Labirinto de Emoções a 13 de Julho de 2013 às 17:38
A arte de CHUPAR...não é para quem quer...mas para quem sabe..:)) tu mesmo o atestaste pela "tua querida padeira" que tinha o melhor pão da região!
Pois meu querido Carapau, esta é uma arte milenar...todos nós começamos pelo chupar no dedo dentro da barriga da mãe, passamos para a maminha... depois é só crescer e aperfeiçoar a técnica...
Eu que gosto de chupar desde as espinhas ao carapau até ao totano do osso buco...vou tentando a perfeiçoar-me cada vez mais...e lambuzar-me com as mais diferentes chupadelas...para que ninguem se queixe das mesmas...:-))) sim, que virgem que é virgem não brinca em serviço e é perfeccionista até na Arte de Chupar...!!!
Alias um "conceituado" cantor e compositor da nossa praça...partilha da mesma opinião que eu...como podes atestar...
http://www.youtube.com/watch?v=_6o-rICHTpw
nada melhor uma uma boa a refrescante chupadela..:)))
E por aqui me fico, com uma beijoca daquelas... para aguçar o apetite..rsrsrs


De Carapau a 15 de Julho de 2013 às 17:17
Verifico com agrado que há muita gente a saber bastante sobre a arte de chupar.
Eu que escrevi um post sobre um "fait divers" que "apanhei" na TV, acabei por ficar a saber tanto sobre a nobre arte do chupa, da chupadela, do chupista e do chupa chupa, que estou a pensar em estudar a fundo esse fenómeno, recorrendo a uma vasta bibliografia sobre o tema.
Ia a escrever que sobre o assunto me saltou assim à memória o Kama Sutra , mas se a mesma memória me não falha, o assunto aí tratado é mais vasto, ainda que tenha um capítulo sobre o tema. (Se bem me lembro...)
Deu-me um arrepio na espinha foi quando li que também se pode chupar a espinha ao carapau. Acho o acto de uma selvajaria que nem quero pensar sobre o assunto. Com tanta coisa boa para chupar e chupar a espinha ao pobre bicho não lembraria à Santa Inquisição. Enfim...gostos.
Nunca tinha pensado nessa coisa das virgens serem perfeccionistas até na arte de chupar. A dificuldade está em encontrar virgens hoje, digo eu que não percebo nada sobre o assunto.
Fiquei-me a babar com o "refrescante chupar" no youtube e até já o usei... :))
Lembrei-me agora que até um beijo pode ser do tipo chupão, mas não é esse que aqui deixo . :))))



De Maria Araújo a 18 de Julho de 2013 às 14:12
Ai, o que o dedo na boca/chupanço da tua pardeira gerou aqui nesta tua caveninha.
A mulher com quem o mau pai viveu durante 13 anos, chupava de tal forma as espinhas que me fazia alfição, por vezes, metia nojo.

Beijinho


De Maria Araújo a 13 de Julho de 2013 às 20:22
Meu falecido pai dizia que os melhores pasteis de bacalhau de Braga eram feitos por uma cozinheira que antes de meter a mão na massa, passava-a pelos sovacos.
Bom fim de semana.


De Carapau a 15 de Julho de 2013 às 17:23
Até que enfim aparece um comentário que não trata das chupadelas. O teu é mais das sovacadelas. :)
Tive um velha tia avó a quem muitas vezes ouvi essa história dos pasteis de bacalhau "sovacados". Ela contava-a como sendo dum possante e suado cozinheiro negro, mas para o caso a cor da pele pouco conta ou mesmo nada.
O que interessa mesmo é que o sovaco esteja bem suado para o pastel não ficar lá "agarrado".
Blhec !!!
:)))
Bjo.


De maria teresa a 15 de Julho de 2013 às 23:59
Que nojo! Prefiro as chupadelas!

Então não é que o Quim publicou uma foto minha em trajes reduzidos? Não sei onde a foi buscar...vou processá-lo!
Beijocas


De Carapau a 16 de Julho de 2013 às 16:59
Ah, ah, ah!!! Eu também reparei nisso.
Não processes o rapaz que ele não merece isso por causa da foto. Publicitou-te à borla :))
Agora se não gostas de bramboesa então sim, põe-lhe um processo em cima.
Bjo.


De Maria Araújo a 18 de Julho de 2013 às 14:15
Chupadela ou sovacado, o certo é que o que se comia noutros tempos tinha outro sabor.
Beijinho


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