Quinta-feira, 4 de Julho de 2013

Honório - o finório

O gajo tinha um gasómetro das ideias espetacular. Já na escola os miúdos se metiam com ele por isso mesmo. O que lhe valia é que o professor exigia todos rapados à máquina zero, senão aquilo era um matagal de gasitos.

Nos primeiros tempos chateou-se um pouco com aquela brincadeira dos colegas, chegava a casa a chorar e a queixar-se à mãe, mas em breve tudo passou e ele começou a dar cartas bem cedo. Na 4ª classe já tinha um manjube que metia inveja aos outros putos, para não falar na maçaroca a condizer.

Ainda rapazote e já as mais velhas olhavam para ele com olhos de cobiça, mas ele olhava-as todo cheio de nove horas, a fingir que não as entendia. Foi crescendo, fez-se homem e enquanto os outros eram uns cheringalhos sem pés nem cabeça, ele lá ia singrando na vida, nunca comendo gato por lebre, nem sendo comido.

Com jeito para o negócio, comia as papas na cabeça de qualquer espertalhão, comprava por dez o que valia vinte e vendia por trinta o que comprava por dez.

Sempre de gargalo esticado a farejar negócios ou a tentar descobrir qualquer coisa comível, levava a vida numa boa, mas boas febras e bons negócios vinham-lhe ter à mão sem mexer uma palha.

Não era gajo para ferrar o bico, mas a unha só não a ferrava se não pudesse.

A negociar fazia-se esquerdo, assim como quem não entende nada do assunto, para mais facilmente levar a água ao seu moinho.

Enchia-se, lá isso enchia, mas usando sempre processos dentro da legalidade. No geral dava-se bem com toda a gente e não era tipo para fazer um escabeche ou entrar em estrugidos.

Quanto a enforcar-se, respondia à mãe que quanto mais tarde melhor, a corda podia esperar. Mas que eram assim assim atrás dele, toda a gente sabia, gostava de apreciar o bom material, matrafonas não eram com ele.

Enfim, não era Meco para se embotijar, mata bicho ainda menos, estava sempre atento para não ser levado.

 

PS: post escrito com o auxílio do “Novo Dicionário do Calão” de Afonso Praça

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.        

publicado por Carapaucarapau às 01:04
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3 comentários:
De maria teresa a 4 de Julho de 2013 às 19:31
Pós Imolação com Insolação

Ai Honório, Honório! Que saudade tinha tuas! Que calúnias o Carapau diz sobre a tua (nossa) vida para além da visão de terceiros, até da coscuvilheira da tua mãe que esticou o pernil, sem saber de nada, ceguinha de ignorância. Tivemos uma vida a dois, na clandestinidade, mas caliente, tão caliente, que provocava incêndios nos locais em que nos enleávamos, (incêndios que ficarão para todo o sempre nos anais da história dos mistérios por resolver) não nos enforcámos, é certo, não pertencemos a esse tipo de escumalha, que faz conchinha e outras posições kamasutrianas, com as respectivas consequências explosivas de um prazer sem limites, apenas depois de assinarem uma partitura, partituras tivemos muitas e de várias espécies, musicais, posicionais, … Que a senhora de olhos vendados, acenda um lustre na cachola dos menos iluminados e que seja reposta a verdade sobre a tua (nossa) vida intima! Nunca andaste com marafonas, até tu Carapau, não tiveste muitas carnes para provar, provaste a minha, filet mignon de qualidade extra, temperada com essências exóticas e apreciada com a luxúria a que nos entregávamos. A função era de tal modo tão completa que naquele malfadado fim de tarde de Verão, muito quente, tu foste-te…

Não consigo testemunhar mais, uma lágrima caliente escorre pelo meu rosto, revoltada pela tua partida prematura, nunca mais tive momentos tão folgosos, …
Querido Carapau, peço-te que reponhas a verdade!
Enquanto o pedido vai e fico aguardando a resposta, declaro que não fiquei zangada contigo, estás apenas mal informado e envio-te um beijo no coração (esta é copiada das brasileiras)

PS. Entendi mal a história das matrafonas, mas esta coisa já está escrita e se emendo alguma palavra, o material vai-se como se foi o Honório :) :) :)


De Carapau a 9 de Julho de 2013 às 18:17
Oh Honório socorre-me se souberes. Se não souberes pergunta ao Libório ou mesmo ao Tenório (sim esse das barbas que é dono do atum). Então andaste a incendiar as matas com a Senhora e nunca me contaste nada? Não sei se sabes, mas agora a PJ anda a angariar ex-incendiários para a ajudarem a vigiar as matas. Os dois podiam aproveitar essa janela de oportunidade e, com os devidos cuidados, continuarem a "circular" pela mata. E eu, desgraçadinho, a não ter direito a provar o fillet mignon, seja lá isso o que for, mas deve ser coisa fina...
E fazias conchinhas e kamassutrinhas enquanto eu ficava aqui a ver os navios passar. Triste sina dum peixe que nunca correu o risco de ser cremado numa mata.
E assinavas partituras e pintavas o sete e eu, feito parvo, a contar aqui a tua história, sem conhecer a tua verdadeira História.
Fiquei de boca aberta sem saber que mais dizer. :)))
Dá um bjo meu à Senhora incendiária.


De maria teresa a 10 de Julho de 2013 às 10:10
Ó Carapauzinho querido também tu já falas com os que "partiram"? Então envias-me através do Finório, perdão do Honório (que já se foi e deixou de incendiar o que quer que seja) um beijo? É claro que não o recebi, só posso sonhar com ele!
Para falar com "finados" estou cá eu, mesmo que ainda andem por este mundo ... e há para aí mais do que eu desejava...há uma Múmia ... que me faz ter pesadelos :):):).
Beijocas


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