Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2013

Porcos...

 

Li na imprensa que “Bruxelas vai atacar o tratamento dos porcos em Portugal”. Depois de ler o artigo fiquei mais tranquilo pois parece-me que eu fico de fora. Sou um “lavadinho da silva”, tomo banho todos os dias (às vezes mais o que um), lavo os dentes, “amanho” as sobrancelhas, pinto a manta e porto-me bem. (Até parece que estou a redigir um anúncio para me comprarem…).

A verdade é que na mira da CE, desta vez, não estão os carapaus mas sim os porcos em todas as suas “variantes” (os propriamente ditos, mai-las marrãs (quer estejam secas ou grávidas), os varrascos e os leitões, quer sejam recém-nascidos quer já desmamados. As regras são exigentes e vão desde o tipo de pavimento das pocilgas até ás dimensões das mesmas e às áreas mínimas para cada porco (com licença da palavra, pedido que só agora me ocorreu e que deveria figurar logo no título).

Mas o ponto alto da notícia, para mim, foi este pedacinho de prosa, que transcrevo das “normas”.

“As novas regras visam garantir, por exemplo, a concretização dos “contactos sociais” que “as porcas estabelecem facilmente com outros suínos”, mas para isso precisam de “liberdade de movimentos e um ambiente variado”. Assim sendo “deverá ser proibido manter as porcas em confinamento contínuo”.

E mais não transcrevo porque já tenho aqui pano para mangas…

A minha primeira grande dúvida é porque razão só as porcas têm direito a conviver. E convivem com quem? Com as outras porcas?

E se assim for que fazem os porcos? Tornam-se mais porcos ainda ou só servem para o talho? E os varrascos (que são porcos com parafuso especial para poderem entrar nas porcas) como convivem? Ou só convivem com os tipos que lhes extraem o sémen para as porcas usarem nas suas “convivências”? Não vi resposta a estas questões.

Sinceramente não sei se alguma vez mais comerei uma fatia de presunto, uma rodela de salpicão, uma chouriça assada, uma linguiça que seja, sem me perguntar se o bicho-origem daquilo tudo teria convivido mal e porcamente com outros e outras, ou se teria estado sempre confinado.

Já não falo nem das papas nem do arroz de sarrabulho, em que o sangue foi “sacado” ao bicho sem lhe ter sido dado a liberdade de escolha. E os pezinhos de porco de coentrada? Sim, por onde teria andado o sr. Porco? Onde teria ele posto os pés enquanto andou por este mundo? O pavimento respeitava as normas europeias ou o grande porco andava descalço a pisar a merda dele e a dos outros (com novo pedido de desculpa pelo emprego desta linguagem tão técnica)?

E a beiça? Terá o bicho convivido de acordo com as normas? Terá ele/ela estabelecido contacto fácil com outros/as? 

E quem diz beiça, diz orelheira. O bicho lavava as ditas com frequência numa casa de banho apropriada? E metia ele a beiça nalguma orelheira alheia? (Sim, porque na própria é um bocado difícil, ainda não há “norma” para isso).

E, (oh heresia das heresias, eu vou agora escrever), e as tripas? Sim as tripas “à moda do Porto carago”. Como vamos saber o que o bicho fazia com as tripas. Faria ele das tripas coração? Se sim, como ficaria ele com o coração? Será que as tripas, esteja ele “confinado” ou a “conviver” não pertencerão sempre ao sistema geral de esgoto do bicho? E quando ele “necessita” (isto é, faz as suas necessidades) o faz com higiene e alguma elegância no gesto? Ou é “por aqui me avio” e fica assim a modos que com o rabo pouco limpo (e aqui entraríamos no caso do rabo, tão usado por cá no cozido. A propósito: porque se escreve cozido e não cuzido?).

Claro que eu já nem falo no lombo, nas costelas (ou costelinhas, piano ou mesmo saxofone…) porque então as perguntas seriam mais que as “normas”. Só para dar um exemplo: será que alguém (e este “alguém” pode ser um igual ou um diferente) terá passado a mão pelo lombo do bicho?

 

 Quando iniciei este post era para o “levar” para outra direção. O tema no entanto tomou conta do rumo e vim dar aqui a este beco sem saída. Ou melhor, tenho a saída mesmo aqui à minha frente, é só pôr um ponto final.

(Já está).

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.        

publicado por Carapaucarapau às 14:22
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10 comentários:
De maria teresa a 7 de Fevereiro de 2013 às 20:20
És um querido, estás a fazer os possíveis e impossíveis para que eu deixe de saborear montes,montanhas, cordilheiras,de petiscos,fiquei enjoada,...vou vomitar! Volto mais tarde para comentar decentemente, com limpeza e com alguma sagacidade! Sim! Porque este blogue tem que se levar muito a sério.
Vouuuuuuuuuuuuuuuu


De Carapau a 9 de Fevereiro de 2013 às 19:52
Que o blog não é grande coisa já eu sei desde que o comecei. Agora que cause vómitos, já acho exagerado. :))
Vai, recompõe-te e volta "mais aliviada".
Até breve.
(Não demores muito, senão és capaz de me encontrar mascarado. Não prometo nada, ando só a pensar...)
Bjo.



De maria teresa a 9 de Fevereiro de 2013 às 23:29
Voltei e vou falar a sério depois de ter brincado aqui, com os teus "porcos", fui certamente vítima de uma praga, ontem comi carapaus grelhados num "estaminé", lá da aldeia e, não é que, fiquei muito mal disposta toda a tarde, até agoniada, tive que chupar um comprimido que a Ana me deu e andar a beber água das Pedras! Isto foi verdade! Foi castigo:):):) Safa! Hoje estou nos trinques:):):)
Agora vou voltar aos porcos que não são todos feios e maus,há alguns até muito fofinhos, bons e bem bonitos,eu tenho dois um é bem rosadinho, está nesta casa de Lisboa,o outro no meu Refúgio com a assinatura do José Franco, dão-me muito prazer ... adivinhas porquê?
Tu és maroto,vê lá o que vais fazer agora no Carnaval, não te esqueças que este blogue é um lugar muito sério!
Beijocas nos óperculos!


De Carapau a 11 de Fevereiro de 2013 às 19:25
Minha caríssima Senhora:
Nunca ouviu dizer que a vingança pode tardar mas nunca falha? Isso de submeter carapaus a tratos que a Inquisição praticava, não fica bem a uma pessoa como a Senhora. Daí a intoxicação alimentar (principio de...) Em cada dúzia de carapaus há sempre um ou dois que, antecipadamente se auto-imolaram para vingar os seus irmãos.
Carapau ou se come vivo, ou não se come. :))
Quanto aos porcos do "chiqueiro" do José Franco (perto de Mafra) quero dizer-lhe que também conheci o artista e lá parei algumas vezes. Trate bem os "bichos", mas não me peça para adivinhar porque lhe dão tanto prazer. A minha mente é retorcida e poderia pensar coisas... :))
Finalmente quanto à minha marotice está enganada, mas está certa quanto à seriedade deste blog. :))
Poderá verificar isso no post seguinte.
Bom Carnaval e divirta-se!
Um beijo (hoje mascarado).


De Maria Araújo a 8 de Fevereiro de 2013 às 19:50
Um Carapau, que eu gosto, a falar de porcos?
Ao fim e ao cabo, falaste de " porcos": dos sujos , dos feios, e dos maus.
E assim vai o mundo da porcaria.


De Carapau a 9 de Fevereiro de 2013 às 19:56
"Mundo da porcaria", salvo seja. Com as novas regras os porcos vão ter de tomar banho 2 vezes e por dia e usar gravata!
(Esta da gravata já é exagero meu...ainda não está nada decidido. Há que prefira laço...). :))
Eu sei que estamos no Carnaval, mas um porco engravatado até nem era novidade...
Bjo. (E diverte-te).


De Maria Araújo a 10 de Fevereiro de 2013 às 18:23
Divertir-me?
Detesto o carnaval.
É bom para ficar em casa...mas a trabalhar.
E com a chuva que caiu hoje, nem o pézinho pequneo que tenho saiu de casa.
Ando por aqui.
Obrigada pelo teu comentário à serpente que há em mim.
Beijinho


De Carapau a 11 de Fevereiro de 2013 às 19:29
Há muitas maneiras de uma pessoa se divertir sem ser "carnavalescamente". Às vezes até a trabalhar.
Quanto à "Serpente quem há em ti "(nunca reparei, mas se o dizes...) diverti-me foi a ler os teus comentários no e ao, texto.
Bjo. (hoje com serpentinas).


De Labirinto de Emoções a 11 de Fevereiro de 2013 às 20:20
Um Carapau "porco" nunca me passaria pela ideia...até porque sempre dentro de agua deves andar limpinho e reluzente..:) quanto ao portares-te bem... tenho que falar com as navalheiras, marmotas e pescada do alto para conferir da veracidade das tuas afirmações!!
Agora que o post me fez uma fome dos diabos é verdade, do porco tudo se come (ao contrario dos carapaus, que como não sou gata tenho de deixar as espinhas de lado...)...))))
Fiquei com imensa pena da falta da "convivio" dos bichinhos, acho uma maldade "in extremis"
Agora pergunto eu...ao gajos lá em Bruxelas não têm porcos que lhes dêm preocupações, para terem que vir meter o nariz nos nossos ... e não se confinam só à porcolândia da rua de S.Bento, querem espalhar-se pelo País todo...que coisa, mania de meterem o naris em tudo...
Abaixo a falta de convivência porcal...porcos e porcas de todo País revoltaivos...ahahaha
Beijocas (sem mascara) e bom carnaval..:-)))


De Carapau a 11 de Fevereiro de 2013 às 21:43
Claro que Carapau não é porco. Como muito bem dizes, do porco tudo se come (até as tripas, cacula!), enquanto do Carapau só uma parte é comestível.
Mas os de Bruxelas também de vez em quando mandam bocas sobre carapaus. Carapau é bicho sujeito a quotas (e/ou cotas) cacula, de maneira que não pode ser comido a eito.
Não gritarei "porcos e porcas de todo o mundo revoltai-vos" mas sim "porcos e porcas (com licença das palavras) uni-vos". Dos equatorianos aos polares!
Bjo.


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