Sexta-feira, 7 de Setembro de 2012

Passeio em Leiria (1)

 

 

Exatamente!

Durante aproximadamente um ano, Eça de Queiroz viveu em Leiria, por ter sido nomeado Administrador da cidade. Na casa que então habitou, numa ruela situada no casco velho da cidade, uma lápide assinala isso mesmo.

A casa fica a meia dúzia de metros da Sé

 

 

 

e junto à Sé ficava a célebre “casa do sineiro” onde Amaro, o padre, e a menina Amélia se encontravam.

No Largo da Sé, quase defronte desta, ficava a “Pharmácia Guarda e Paiva”

 

 

 

onde “pontificava” o “Carlos da Botica” que aparece logo na 1ª página de “O Crime do Padre Amaro”.

 

 

 

 “Seu nome era Amaro Vieira” (o do padre, é claro) como diz o “boneco” pintado na parede, a dois passos da Rua Eça de Queiroz e que fica também sobre o Largo da Sé. (Esta rua não é aquela onde viveu o Eça e onde está a placa mostrada no início).

O “Carlos da Botica” nas horas em que não tinha freguesia na farmácia e não tinha nenhuma encomenda de hóstias para fazer, vinha até à porta onde apreciava os movimentos dos senhores cónegos, padres e demais população que passava pelo largo da Sé.

Foi assim, neste seu “descanso ativo” que viu a Amélia dirigir-se com frequência para a “casa do sineiro”, certamente para tocar o sino a rebate (isto já digo eu, maldosamente).

Das personagens do livro a 1ª a aparecer “em campo” é exatamente este “Carlos da Botica” a fazer um comentário ao padre José Miguéis, que o autor mata logo na 2ª linha do romance, com uma apoplexia. Então (dou a palavra ao Eça) “O Carlos da Botica - que o detestava – costumava dizer, sempre que o via sair depois da sesta, com a face afogueada de sangue, muito enfartado:

- Lá vai a jiboia esmoer. Um dia estoura.

Com efeito estourou…”

Foi este padre que o “nosso” Amaro Vieira veio substituir, mas isso já pertence ao livro.

A fachada da “pharmácia” com os seus belos azulejos ainda lá continua, ainda que já não venda xaropes, óleos, hóstias, sanguessugas e tantas outras coisas que faziam o seu negócio. Há muitos e muitos anos que fechou as portas.

 

E aqui deixei este roteiro queiroziano que qualquer pessoa pode seguir sem grande esforço (fica tudo num raio duns 50 metros) na parte velha da velha cidade.

E fica também a promessa dum segundo itinerário.

 E se isto não é “serviço público”, ainda que prestado só a meia dúzia de pessoas e sem a obrigar a pagamento de taxas, vou ali e já venho…

 

PS (escrito 3 dias depois de publicado o post): Realizou-se ontem à tarde em Leiria um "encontro de rua", organizado não sei por quem, com um roteiro onde se evocavam alguns escritores ligados à cidade ou porque nasceram lá ou nas redondezas ou porque viveram lá, como p. exº Francisco Rodrigues Lobo, Afonso Lopes Vieira, Eça de Queiroz, Miguel Torga e certamente outros. Foi pura coincidência o facto de este post ser sobre uma dessas figuras. Não sabia deste "encontro" e só soube dele depois de realizado. Estou em crer que a influência extraordinária deste blog é que levou a tal intervenção. (E fica desde já declarado que esta última frase é uma brincadeira do autor, não vá alguém pensar outra coisa).

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.        

publicado por Carapaucarapau às 13:37
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11 comentários:
De Rafeira a 7 de Setembro de 2012 às 20:52
Quando vieres já fazes parte do privado, aí vais ler a cartilha que te encomendaram...


De Carapau a 19 de Setembro de 2012 às 15:05
Fui privado toda a vida, não vou notar diferença nenhuma :)


De Teresa Santos a 20 de Setembro de 2012 às 16:43
Com licença. Posso?

Ai foste?
Logo vi!...

Não é por nada, mas acho que vais notar a diferença, sim. É que há "privados" e "privados"!...

Bem quero ensinar-te, mas...?
Mas não aprendes!


De Tétis a 18 de Setembro de 2012 às 21:06
Olá amigo Carapau

Belo roteiro que nos ofereces sobre Eça e o seu "O Crime do Padre Amaro".

Fico a dever-te um favor, pois na minha próxima ida um pouco mais para norte (passo sempre a Leiria pela auto-estrada), farei um desvio a Leiria para ver "in loco" tudo o que aqui nos relatas.

Obrigada pela partilha, é um bom post. Ficarei à espera do próximo que, pelos vistos, promete.

Beijinhos

Tétis


De Carapau a 19 de Setembro de 2012 às 15:10
Sendo assim, mais uma dica: tudo se passa numa área muito restrita, com partida p. ex. da Praça Rodrigues Lobo, que é o centro da cidade "velha", a única parte com interesse (com a excepção dum passeio à beira rio que vale também a pena).
Quanto ao próximo post não há grandes revelações a fazer, mas porque se passa na mesma zona vê-se tudo na mesma visita.
Boa viagem!
Bjo.


De Teresa Santos a 19 de Setembro de 2012 às 21:15
Carapauzito,

Acreditas que não conheço essa parte de Leiria?
Só pelos azulejos e botica apetece-me ir até lá. Adoro a nossa azulejaria.
O prédio - o da botica -, ainda está habitado? É que regra geral, estes magníficos prédios estão condenados ao abandono.
Fazem-se "monos"? Fazem!
Preservar estes? Nem pensar!

Essa coincidência do roteiro de rua a relembrar escritores ligados a Leiria é muito suspeita.

Confessa que deste uma "mãozinha", confessa!

Abraço grande, peixinho malvado.

P.S. Já passei pelo pinhal (de Leiria, claro!") até que cheguei aqui.
Ui, que grande volta!!!!


De Carapau a 20 de Setembro de 2012 às 14:34
O prédio da Pharmácia fica mesmo no largo da Sé. O rés do chão onde funcionava a botica está fechado há muito tempo. No andar (ou andares?) não sei se ainda mora alguém (no romance morava lá o Carlos da Botica e a "excelentíssima Esposa", a que o Eça também se refere (parece que ela é que era a verdadeira "cusca" da família...)).
Quanto à "história" do roteiro só soube dela à noite e tinha sido à tarde. "Por acaso" estava por lá de passagem para outros destinos. Gostava de ter assistido para ver se ficava a saber mais umas coisitas...
Uma pergunta: se não conheces esta parte da cidade, que "raio" de parte conheces? :)
Abraço.


De Carapau a 20 de Setembro de 2012 às 14:38
Acrescento ao meu comentário anterior:
Estava de facto de passagem, naquele dia, mas conheço há muito e bem aquela "praia"...:)


De Teresa Santos a 20 de Setembro de 2012 às 16:39
Resposta à pertinentíssima questão: o Santuário.

Chega? Não?
Então?
Então não sei!

E depois a cusca " era a excelentíssima Esposa" do Carlos da Botica!...

Ai, ai Carapauzito!

Abracito pequenino.

Os cuscos " merecem mais?!


De Carapau a 21 de Setembro de 2012 às 14:10
Qual Santuário? O da Nossa Senhora da Encarnação?
Tem uma bela vista sobre a cidade, com o castelo ao fundo. Do castelo também de vê a cidade, com o Santuário ao fundo.
Com uma visita a um destes pontos, uma volta pela parte antiga e um passeio à beira rio, fica tudo visto e revisto. Depois só uma "brisa do Liz" para fechar a sessão. :)
Abraço (tenho de te ensinar tudo?)


De Teresa Santos a 22 de Setembro de 2012 às 16:56
Isto é maldade!

Uma "brisa do Liz "? Ui, agora com o chazinho sabia mesmo bem.

Olhe Sr. Carapau, escusa de perguntar se conheço/provei/comi (chega?) a dita "brisa", informo-o já que não, mas...
... mas é doce, não é? Então?!

Se tem de me ensinar tudo? Claro que sim!

Abraço? Sempre!


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