Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2015

Uma história com salteadores (I)

Já vão longe os tempos em que se dizia frequentemente “vai lá roubar para o pinhal da Azambuja”, quando alguém tirava alguma coisa a outro ou levava um preço exageradamente alto por qualquer artigo ou trabalho. Suponho que a frase venha do tempo em que eram frequentes os assaltos nas estradas e caminhos, por bandos de assaltantes. Certamente que a zona da Azambuja seria um dos locais onde funcionavam algum ou alguns desses bandos.

Hoje ninguém assalta nos pinhais e matas, os assaltos são feitos principalmente nas cidades e, tirando o pequeno roubo, é no piso alcatifado e no ar condicionado que os bandos “trabalham”. Mas essa não é a história que vou contar. A minha passa-se mesmo num pinhal que não era o da Azambuja, mas onde se “trabalhava” da mesma maneira.

Numa pequena aldeia do litoral centro do país, morava Adrião, ferreiro afamado pelo menos na meia dúzia de léguas em redor. Fabricava utensílios para a agricultura, como enxadas, sachos, foices, ancinhos, podões, etc. Uma parte para satisfazer encomendas, a outra parte para vender nas feiras mais concorridas da região, onde ia uma ou duas vezes por mês.

Viviam-se as últimas décadas do século XIX, reinava em Portugal o Sr. D. Luís I.

Adrião deslocava-se numa carroça puxada por mula de confiança, que no seu passo miúdo mas certo, levava a bom porto tanto o dono como os seus produtos. Com clientela certa, tal era a fama da qualidade do seu material, em geral vendia tudo e trazia sempre encomendas para a próxima, fossem elas obra nova ou concertos em ferramentas que lhe entregavam. Assim se fazia a vida do “nosso” afamado ferreiro.

Um dia, numa das deslocações a uma feira e já quando regressava, ao atravessar uma zona de extensa mata e despovoada, foi mandado parar por um grupo de salteadores. Eram 4 ou 5 e exigiram-lhe o dinheiro que trazia. “A bolsa ou a vida” de acordo com “as regras” e o homem depois de muito lamentar a sua sorte e a da família que ficava sem pão, lá teve de entregar todo o dinheiro “bem guardado” numa bolsa e pano que a mulher lhe fizera.

“E agora bico calado (recomendaram eles). Nada de conversas com ninguém e nem te passe pela cabeça fazer queixa à Guarda. Sabemos onde moras e se queres que não te aconteça nada a ti e à tua família, porta-te na linha e de boca fechada”.

E dito isto, deram-lhe ordem de marcha.

Adrião teve muito tempo, durante o resto da viagem, para pensar no sucedido. Antes a vida que o dinheiro, quem fez aquele sabe fazer mais, o melhor é passar a ter mais cuidado e ficar calado como lho tinham recomendado. Foi pensando na maneira de responder à mulher quando esta lhe perguntasse pelo dinheiro, ela era em geral a “administradora”. Já tinha uma ideia a germinar na cabeça, quando estava quase a chegar a casa. Iria dizer que emprestara o dinheiro a um amigo e cliente que estava aflito para satisfazer um compromisso e lho pagaria nos meses seguintes. Adrião era homem de bom coração e os amigos eram para as ocasiões. Como já mais de uma vez fizera alguns empréstimos, a mulher nem duvidaria. Em casa havia sempre uma reserva para resolver as situações.

Tinha de arranjar também um plano para nas próximas deslocações não ser surpreendido, como fora desta vez. Na primeira qualquer um cai, na segunda já só cai quem quer. Iria pensar no assunto. Agora era altura de desatrelar a mula, pô-la no curral a comer e a descansar que bem merecia.

E ele também iria fazer o mesmo que o dia seguinte, como sempre, era de muito trabalho. E agora redobrado, para recuperar o perdido.

(Continua…)

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.

Eu queria ver-te nesses tempos, em que não havia ração nem leitinho para dar, em biberão, aos linces. Já não vais a tempo de perguntar aos teus familiares mais antigos. Será que és produto de inseminação artificial? Agora, ao pensar nisto, fico na dúvida…    

publicado por Carapaucarapau às 14:43
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Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2015

Reincidência

Assim tipo partida de Carnaval já fora do período e por razões várias, volto ao mesmo tema do post anterior.

Então sem mais conversa, que isto não dá para perder mais tempo (nem fazer perder), aqui ficam meia dúzia de palavras velhas com roupagem nova (mascaradas, portanto).

 

 

palavras-1.jpg

 

palavras -2.jpg

palavraas 3.jpg

 

Mais um post em que não foste tido nem achado, lince. Como tens andado aí pelo monte? A morrer à fome ou vão-te pôr a ração aí em qualquer canto? Vê lá se te adaptas depressa olha que daqui a uns meses abre a caça às rolas e tu podes bem passar por rola. Estás a entender?

 

 

 

 

 

publicado por Carapaucarapau às 18:08
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Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2015

Nova maneira de escrever...

Em tempos, eu publicava nos posts certas palavras que tinham sido sujeitas a “um tratamento” especial.

Hoje o post vai ser delas (umas publicadas, outras inéditas). Provavelmente  para algumas delas vai ser difícil aparecerem aqui, porque o editor dos blogs do sapo é capaz de as distorcer e então perdem a sua forma. Vamos tentar a ver o que sai.

 

  • Conversa de cadeiras:

 

                         C

 

                         A

                      

                           D

                          

                             E   I   R  A  S

                                      H

                                       á

                                       M

                                       u

                                        i

                                        t

                                        a

                                        s

                              sua palerma

 

  • Outra cadeira

 

   C

     A

       D

         E I R A

         d         a

         a         d

         n          a

 

  • Um eunuco

                                   capad                                               

                                              o o

 

5 - Um   barrigudo

6- Dois faróis: fArol  e farol

7- Três diferentes: buraco,    bOia      Alto

8- Acabo com cor    COLORIDO

 

Uma vez mais o lince não tem aqui cabidela, por motivos óbvios. Não tenho tido notícias dele, não sei se se está a “assafar” ou não.

Dá notícias Lince, diz como vão as coisas por aí. Nestas habilidades não te deixo meter o dente.

 

 

 

 

publicado por Carapaucarapau às 21:26
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Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2015

A propósito dum certo Pi...

Pi.jpg

                            

Toda a gente conhece esta letra do alfabeto grego. Tomou contacto com ela nos primeiros anos da escola. É o π que vale aproximadamente 3,1416 e mais não é que a razão entre o perímetro e o diâmetro de uma circunferência. Em todos os ramos da matemática tem um papel importante.

Não vou falar sobre isso, mas foi um artigo do Prof. Jorge Buesco (da Fac. Ciências da UL), que li há 2 dias, que me levou a escrever este post.

Muitos curiosos não matemáticos têm escrito frases ou mesmo textos extensos para representarem desse modo o valor de π até uma certa aproximação. Apresento aqui uma das frases, também citada no artigo em questão. Neste caso até é de um matemático brasileiro, de seu nome Fernando Gouvêa. É ela:

“Sim, é útil e fácil memorizar um número grato aos sábios”

Se representarmos cada palavra pelo número de letras que a compõem temos: 3,1415926536 ou seja o valor de π até à 10ª casa decimal.

Na net é possível encontrar muitos exemplos destes. Há p. ex. o caso de um conto em verso, escrito para este fim, que fornece mais de 4000 casas decimais de π.

A razão para o autor ter escrito o artigo radica no facto de nos USA um senhor, cujas iniciais do seu nome são PI, ter devidamente inscrito no Serviço de Patentes e Marcas Registadas americano a marca π. (Pi-ponto).

Como uma empresa de comercialização de artigos (camisolas, canecas, etc) usou o símbolo π, o fulano já lhe exigiu umas avultadas indemnizações e o assunto promete.

(Até aqui estes elementos foram retirados do citado artigo).

 

Li o artigo e fiquei a pensar que se o homem souber que eu existo e que já escrevi π não sei quantos milhões de vezes e se me pedir uma indemnização, ficarei pior que carne πcada.

Os gregos ainda ficarão mais gregos do já estão ou então passarão a prescindir do π na sua escrita, já que estão habituados a prescindir de tantas outras coisas.

 

Quando eu era menino e moço (sim, também já fui) “assinava” as minhas “obras” com πR (leia-se Pierre, e assim fui tratado durante uns tempos, por alguns amigos). Hoje arriscava-me “à pena de morte”.

E para finalizar, mais uma pequena história sobre o tema. Andava eu na F. Ciências na Lusa Atenas (como isto anda tudo ligado… π- Gécia- Atenas) e um dia entrou um tipo americano por uma sala de aulas dentro, chegou ao quadro e escreveu π=3,14 e perguntou com um sorriso de sábio: “aqui também vale este valor?”

Só faltou alguém responder-lhe: “Oh ππ toma lá grão”.

 

Deixo a minha modesta contribuição para o valor de π:

“Olá, a cara é muito engraçada ao super olhar por causa daquelas bochechas rosadas gorduchas”...

(3,14159265358979...)

 

Oh Lince, desta vez não metes aqui o nariz, não fosses tu estragar-me o post, tirando ou pondo letras. Mas não perdes nada com isso, porque tenho uma pergunta para te fazer. Há 2 dias soube que te soltaram e mais uma companheira, ainda que ambos com coleira electrónica, para ficarem debaixo de olho. Vi correres que nem um maluco, depois vi um lince com um coelho na boca (suponho que seria um teu trisavô) e só desejo que te desenrasques. Olha que se acabou a ração. A pergunta que deixo é esta:

“Já (ou)viste o ππ da tua companheira”? Se não, manda-lhe um “I<3” , talvez assim a convenças…

 

publicado por Carapaucarapau às 18:20
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