Quinta-feira, 1 de Janeiro de 2015

2015

Não sou de “passagens de ano”. Nunca fui, mas à medida que eles passam, mais me enquisto e tento esquecer. Nunca entendi a razão de se festejar a passagem do tempo. Cada dia, cada mês cada ano que passam, são menos um dia, um mês, um ano. Cada vez mais sinto que me estão a fazer falta.

Portanto a este que vai entrar daqui a pouco tempo, assobio para o lado e meto-me com os meus botões.

Sempre foi assim? Mais ou menos, com algumas exceções. Essas exceções disseram respeito a alguns dos primeiros anos em que “assentei arraiais” em Lisboa. Eu e mais quatro ou cinco amigos, “festejámos” a passagem à mesa dum dos mais conceituados restaurantes da capital, com uma lauta ceia. Depois este “evento” deixou de se realizar e passei a ignorar a noite de passagem de ano.

Duas ou três ficaram-me gravadas. Numa delas estive a trabalhar até quase à meia noite (ainda por cima para uma entidade com a qual não tinha nenhuma obrigação de o fazer, mas fui “obrigado”) e numa outra, andava a dar uma volta pela Baixa lisboeta e quando já havia uma grande aglomeração de gente no Rossio (onde era habitual comemorar-se a meia noite), achei aquilo tudo disparatado e fui para casa. Suponho que foi a minha 1ª passagem de ano em Lisboa. Tinha um quarto na casa dum simpático casal já de certa idade e, mal cheguei a casa, deitei-me. Devia faltar uma meia hora para a meia noite. Quando já estava quase a adormecer, os donos da casa bateram à porta do quarto a perguntarem se eu estava doente, respondi que não e então pediram por todos os santos para eu não passar o ano na cama e obrigaram-me a levantar. Devo ter “festejado” com eles comendo uma fatia de bolo rei e bebericando qualquer coisa. Disseram então que dava azar passar o ano deitado.

Nunca notei que isso me acontecesse, pois passei alguns deitado, mas também é verdade que nunca me saiu a Lotaria nem o Euromilhões. Houve mesmo um ano em que o passei no Casino a jogar (em pé) e nem por isso as coisas mudaram.

Continuo na minha: quietinho, sem chatear ninguém nem ser chateado ainda é a minha maneira. Este ano, nem a minha vizinha da frente me consegue arrancar daqui para ir comemorar ali em casa dela, bebendo um copo e comendo as 12 passas. Eu nem gosto de passas. Além de não terem nada para comer, ainda as grainhas se metem nos dentes. Só não meti algodão na campainha para ela não trrrrrintar, porque a vizinha podia julgar que estava avariada e punha-se a bater à porta, sendo que a porta não tem culpa nenhuma de eu não gostar da passagem de ano.

Faço votos para que todos tenham um bom 2015, mas não elevem muito a fasquia, porque não lhe vejo nada uma boa cara…

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.

Pois amigo lince, não contes comigo para esta noite. Vais comer uma dose de ração, sozinho ou acompanhado? És mesmo um lince domesticado…        

publicado por Carapaucarapau às 16:41
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10 comentários:
De maria teresa a 1 de Janeiro de 2015 às 17:18
"Dá cá mais cinco" ! Não conseguia descrever melhor do que tu o que sinto com a "passagem do ano".
No meu passado tive muitas e diferentes maneiras de fazer essas passagens, ficaram as recordações ...
Ontem e hoje nem um dedinho meu foi à rua, amanhã vou inteirinha porque tenho que me apresentar ao "serviço", a minha patroa já me telefonou a lembrar que amanhã é 6ª feira :)

Beijo opercular (com cheiro a gambas, acabei com um restinho que tinha e ainda não lavei os dentes)


De Carapau a 2 de Janeiro de 2015 às 19:31
Já que pedes, toma lá um "five"!
Também eu fiquei com algumas (poucas) recordações de passagens de anos. Como disse, nunca fui fã.
Como hoje já é 6ªf ao fim do dia, espero que tenhas cumprido as ordens do patronato. :)
Bjo.


De maria teresa a 2 de Janeiro de 2015 às 20:52
Queridíssimo Carapau, cumpri as ordens do patronato mas não na totalidade, tive que regressar a minha casa mais cedo, fiz uma "alergia" (eu que só costumo ser alérgica a certo tipo de personagens) e tenho a cara cheia de "altinhos" e os olhos inchados.

Não fiques apoquentado já estou a tomar um antiestamínico que me dá cá uma soneira... estou com redução de alguns alimentos e a beber muita água (sob a forma de chá) e a colocar compressas frias sobre os olhos :) Começo bem o ano :) :) :)

Como isto não se pega ("penso eu de que") deixo-te um abraço!


De Carapau a 3 de Janeiro de 2015 às 19:50
As melhoras!
E eu a julgar que não eras alérgica ao trabalho...:)))
Bjo.


De Maria Araújo a 1 de Janeiro de 2015 às 19:47
Bom Ano, Carapau.
E como tu, desde nova deixei de dar importância a passagem de ano.
Fiquei aqui, sozinha no meu cantinho, à meia-noite abri uma garrafa, comi 12 bagos de uvas brancas e desejei um bom ano para todos os amigos e família.
Tu estavas cá, no meu coração.

Beijinho


De Carapau a 2 de Janeiro de 2015 às 19:33
E haverá melhor sítio para estar que no coração de alguém?
Obrigado pelos votos e pelo lugar especial que me deste.
Beijo (hoje por extenso, que a ocasião merece).
:)


De GL a 4 de Janeiro de 2015 às 00:32
Ouça lá, (ou cá, onde lhe aprouver) Sr. D. Carapau.
Já pensou em fazer esse raciocínio ao contrário? Não? Logo vi.
Que tal pensar que é menos um anito, mas sim que já cá canta mais um? Ora faça o favor de ver as coisas assim, pode ser?!
Oh, que Carapau mais...
... e mais não digo não vá o bicho morder.
Bom Ano, mesmo com essa embirração à passagem de Ano, o dia. mais divertido do dito.
Uma questãozinha , posso? Porque diabo (salvo seja) quando jogava no Casino o fazia de pé? Fiquei intrigada! Seria para fugir caso a roleta se lembrasse de parar no número certo?
Uma alminha nunca sai daqui descansada, mas que tormento.
Olhe, um abraço tipo jaquinzinho .


De Carapau a 4 de Janeiro de 2015 às 18:57
Lá vou ter eu de explicar tudo. Ai a minha vida...
O problema, minha cara comentadora, é que os tais "anitos a mais" não cantam. São mais de chorar do que de cantar.
Depois porque não gosto dos dias certos para festejos, para bebidas, comidas, foguetório, saltinhos, vivas a isto e aquilo, etc etc etc.
Quando menos estas coisas se esperam mas acontecem, é que é do good. Entendido?
Então vamos ao Casino: não sou grande jogador, portanto nem me passa pelaa cabeça meter o delicado focinho na roleta, nem em outros jogos. Nos casinos só me entretenho um bocado nas máquinas. E sou daqueles que falam com elas, que as acariciam mas também lhes batem, as insultam e as elogiam, conforme os anõezinhos que estão dentro delas se comportam. Ora esta actividade só pode ser bem executada de pé. (De vez em quando tem mesmo de se lhes aplicar um ou outro pontapé). Também entendido?
Então fica este abraço (de pé claro, como manda a lei) :)


De Mariazita a 7 de Janeiro de 2015 às 09:32
Longe vai o tempo em que eu festejava alegremente a passagem de ano. Os filhos adolescentes – já não estão mais – o marido presente – já não está mais – e, às vezes, até os meus pais presentes – também já não estão mais.
Tudo isto se alterou, e de que maneira!
Não me lembro, desde que tenho memória, de ter passado a meia-noite de dia 31/12 para dia 01/01 – não me lembro, dizia eu, de alguma vez estar deitada a essa hora. Mas a verdade é que, normalmente, me deito depois da meia-noite. Portanto… não há nada de notável nesse facto.
Presentemente... é uma noite de tristes recordações.
E assim vai a vida, lavando-se como se pode…
Um MUITO FELIZ ANO 2015!
Beijinhos


De Carapau a 7 de Janeiro de 2015 às 23:04
Claro, a vida de cada pessoa vai-se alterando e isso significa mudanças de muitas coisas.
Um bom 2015!
Bjo.


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