Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2014

O Presépio

Um pequeno conto falado de Natal, com votos de Boas Festas para os visitantes habituais e os menos habituais.

A foto é de um presépio com figuras de barro de Rosa Ramalho.

O Lince hoje não aparece porque se deslocou à Malcata a passar o Natal com a família.

publicado por Carapaucarapau às 16:36
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Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2014

Uma noite de Natal diferente

Ia eu a caminho dos 9 anos, andava na 4ª classe, e o meu Pai pegou em mim e num outro irmão, com 2 anos menos e levou-nos de viagem. Era o último dia de aulas nas escolas primárias, antes das férias do Natal e foi o primeiro e único dia que faltei, não contando qualquer falta por doença.

Nesses tempos as estradas eram o que eram, classificadas entre “normais”, más e muito más e o carro “lá de casa” estava de acordo com essas estradas. A viagem era de uns 250 km, de Leiria para a Covilhã. Para mim que nunca deveria ter andado mais que uns 30 ou 40 km, ia ser uma aventura. E foi. O banco da frente era “corrido” e portanto íamos os 3 sentados nele. A estadia prevista na Covilhã era de uma semana, mais ou menos. Quando eu já deitava carro e estradas pelos olhos, cansado de estar ali “fechado”, quando poderia estar a jogar ao pião ou ao berlinde e julgando que deveríamos estar a chegar, diz o meu pai: “estamos mesmo a meio do caminho. Querem comer alguma coisa?”

Não me lembro se paramos ou não paramos, se comemos ou não comemos. Lembro-me, isso sim, que fiquei muito “desmoralizado”. Enfim, lá para o meio ou o fim da tarde chegamos ao destino e por lá andamos a tal semana prevista. Não faço a mínima ideia como passamos esses dias, mas o mais provável era que andássemos “por ali a rebolar” enquanto meu pai tratava dos assuntos que o tinham levado lá.

Um parêntesis para explicar a ida dos dois putos nessa viagem. A razão era simples. Como as férias do Natal começavam no dia seguinte, íamos ficar os três em casa (sim ainda havia um terceiro, que deveria ter nessa altura perto de 4 anos) sozinhos com a minha Mãe, pois o Pai tinha de fazer a tal viagem e parece que os três juntos era “insuportáveis”. E digo “parece” por ouvir dizer mais tarde, pois não incomodávamos ninguém e sabíamos resolver as nossas questões à pancada e sem clamar por auxílio.

Enfim, os dois mais velhos foram exilados durante uma semana (esta cena repetiu-se aliás durante uns anos, ainda que passasse a ir só um de cada vez. Chegava um período de férias e lá ia um pentear macacos para a Covilhã).

O dia do regresso foi na véspera do Natal, mas agora o carro tinha mais dois passageiros e nós os dois vínhamos no banco de trás, enrolados num cobertor (convém lembrar que era dezembro e o carro tinha arrefecimento natural (o frio que entrava pelas “frinchas”), mas aquecimento nem pensar nisso era bom. Aliás desejava-se que o motor nem aquecesse muito, não fosse gripar…

Devemos ter saído tarde da Covilhã e como anoitecia cedo a viagem deve ter sido quase toda feita já de noite. Lembro-me de ver, em quase todas as aldeias por onde passávamos, as enormes fogueiras que era costume fazer na noite de Natal e onde se reunia parte da população para passar a noite em convívio. Hoje ainda isso se faz mas em muitas poucas povoações (uma conheço eu, perto de mim, onde isso ainda acontece).

Enfim, deveriam ser umas 11 horas da noite, quando chegamos a casa. Ainda a tempo de comer uma ou duas filhós acabadas de fazer, pôr o sapato (em geral a bota porque era maior) na chaminé e ir dormir, pois no dia seguinte havia que levantar cedo para ver o que o Menino Jesus tinha deixado no sapatinho.

Para terminar: o Pai Natal não era ainda conhecido e a mim fazia-me impressão como é que o Menino Jesus, acabado de nascer, conseguia já andar de um lado para o outro e sobretudo descer pelo estreito tubo da chaminé do fogão. E pior ainda, ter depois de o subir.

Outra coisa que me intrigou uns tempos, era como é que ele sabia o que eu dizia à minha Mãe que gostava que Ele me desse pelo Natal.

Mas essas dúvidas já eu as não tinha aquando dessa minha 1ª viagem aventura que contei.

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.

É verdade lince amigo. Por essa altura ainda alguns dos teus avós andavam a fazer pela vida, lá pela Serra da Malcata.

Agora ontem fartei-me de rir, quando ouvi dizer que ias ser “restituído ao teu habitat natural”. Já te estou a ver, habituado a leitinho e pão de ló e ao ar condicionado, a teres de correr atrás de alguma láparo para tentares chegar pelo menos à passagem do ano. Vai ser lindo! Ri-me é certo, mas olha que tenho pena de ti. Sabes que aqui, durante mais algum tempo, vais ter poiso certo. Conta comigo.      

publicado por Carapaucarapau às 14:43
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Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2014

O desacordo do acordo

Como toda a gente sabe (refiro-me aos milhares de pessoas que frequentam habitualmente este blog), aqui há acordo. Com o auxílio precioso do Lince, com quem ultimamente me “meto” lá para o fim do blog, os posts estão de acordo com o acordo.

Claro que, quando eu escrevinho à mão, é “à antiga”, porque foi assim que aprendi e estou habituado, para não dizer deformado. Mãos, canetas e lápis não sabem escrever doutra maneira. Em coisas oficiais ou importantes (como o blog, ah, ah, ah), submeto a minha escrita ao tal Lince, que me dá uma mão, perdão, pata e põe tudo de acordo.

Para mim, estar ou não de acordo ou desacordo, não faz sentido. O dito acordo é oficial, está em vigor em Portugal, nas escolas ensina-se de acordo com ele e portanto é segundo ele que se escreve a língua portuguesa, atualmente. Sei dos que não estão de acordo, dizem que o acordo atirou para as urtigas a raiz grega ou latina de muitas palavras, etc. etc. A verdade é que o grego de hoje não é o mesmo de antanho e o latim de tão importante, como língua, até já morreu.

Depois lembro-me dos primeiros livros que li. Em casa dos meus pais não havia muitos, mas os livros do Júlio Diniz, do Camilo, do Herculano e mais uns poucos, li-os na altura em que lia tudo a que chegasse. Ora aí reparei por exemplo que o pae e a mãi viriam mais tarde a trocar as vogais finais, que foi como as conheci. Já não falo nas pharmácias (e numa delas quase tirei um curso). Hoje (e o acordo não tem nada a ver com isto), “ o João quer tomar um café, quer seja forte quer seja fraco”, mas o avô do João, no seu tempo, também “quere tomar um café, quer seja forte quer seja fraco”. Do avô para o neto perdeu-se um “e”. Quer dizer que alterações na “língua” sempre as houve e continuará a haver. Já não vou falar no português do tempo do D. Afonso Henriques nem do tempo da D. Maria Cachucha. A língua vai evoluindo, haja acordo ou não. Eu, que de linguística não sei nada, diria, que se a língua não tivesse evoluído, estava hoje um segundo latim: morta.

Claro que há sempre uma ou duas gerações que não gostam (porque foram educadas “noutra língua”), mas tudo isso não será mais que um episódio passageiro.

Aqui, no texto do post, manda o acordo. (Com auxilio de terceiro, bem sei, mas não volto a citar-lhe o nome, para não inchar o peito, de convencido…)

Já agora, o que houve foi uma reforma na maneira de escrever a língua portuguesa. Chama-se-lhe “Acordo ortográfico”, porque em princípio era para todos os países da chamada “lusofonia” o assinarem. Há uns tantos que parece que afinal não o assinam. Será com eles. Uma coisa é certa (com garantia carapau) não se voltará para trás. Nestas coisas não se pode mesmo voltar para atrás. É uma questão de bom senso, ainda que ele ande muito arredio.

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.

Olá, caro lince! Estás por cá hoje? Vai dar uma volta que está um lindo dia. Aproveita que, por hoje, não vou precisar mais de…      

publicado por Carapaucarapau às 14:12
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Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2014

O vómito

Como já tenho escrito várias vezes, este é um blog sério e portanto só trata de assuntos sérios.

Hoje não vai ser uma exceção, pois vou tratar seriamente da falta de seriedade.

 

Ultimamente, em Portugal, tem sido um ver se te avias.

E bem aviados, diria eu, se estivesse senhor de toda a verdade. Não estou, nem é isso que interessa ao caso.

O exemplo que algumas figuras de relevo na “sociedade” têm dado, é de prever que dê os seus frutos e que em breve seremos o país mais corrupto, mais sem vergonha, mais imbecil e ao mesmo tempo mais incompetente do mundo (do mundo mesmo todo, incluindo o sub mundo).

Para sairmos deste estado de amadorismo a que só alguma elite tem conseguido escapar e para sairmos deste estado de pedinchice em que caímos, terá de haver uma verdadeira revolução na educação. “De pequenino é que se torce o pepino” e se não o torcermos nessa altura fica o pepino sem jeito, poderá até parecer outra coisa.

Tudo começará por uma verdadeira revolução nos programas curriculares.

É incompreensível que hoje, só a partir de certa idade, já avançada, se consigam “esvaziar” bancos ou pôr a bom recato uns patacos, que tanto trabalho deram a “amealhar”. E ainda por cima duma maneira que fica sujeita a toda a espécie de críticas. E quem critica afinal? Quem não teve oportunidade, na infância ou na juventude, de aprender essas técnicas.

 

Essa revolução na educação tem de começar logo nos infantários. Bebés, que aos 3 meses de idade, não consigam roubar a chupeta ao parceiro do lado, terão de ser submetidos a tratamentos especiais, para não se atrasarem na educação.

No 1º ciclo, é condição para não ficar retido o ter já assaltado meia dúzia de velhinhas, e com falinhas mansas e bons modos, ter-lhes sacado carteiras, fios de ouro, relógios e pulseiras, mesmo que algumas delas guardem esses artigos em sítios menos próprios.

No secundário deverão começar por aprender técnicas de intrusão em apartamentos, seja usando chaves falsas, seja por escalada ou “falinhas mansas” do tipo “vimos trazer o lanche à avozinha”, mesmo que a “avozinha” só tenha uns 18 anos. No último ano do secundário é preciso ter já na caderneta escolar, anotados, assaltos a caixas do multibanco, falsificação de cheques e de cartões de crédito, para além de assaltos a bancos, à mão armada, se tanto for preciso. Sem isto não entrarão no ensino superior, onde superiormente serão ensinados a voar mais alto, até ao topo.

E chegarão todos ao topo? Claro que não, só os melhores entre os melhores. Os outros terão de se prepararem para ser os futuros roubados.

Uma coisa, porém, é certa. Foram-lhes dadas todas as oportunidades. Se falharam é porque outros foram melhores.

Pensei em deixar aqui algumas sugestões de disciplinas que terão de fazer parte do programa curricular, bem assim daquelas que terão de ser varridas (isto para não ficar o lixo acumulado) dos atuais programas. No entanto acho que há gente muito mais habilitada a organizar esses programas e a integrar uma comissão com esse fim. Gente que já deu sobejas provas e que é uma honra tê-las entre nós.

Só desta maneira conseguiremos marcar posição de relevo no mundo, onde a concorrência já é tão grande.

Depois, bastará exportarmos alguns desses talentos para fazer crescer o PIR** em flecha.

Portanto só depois de todos terem os pepinos bem torcidos é que nos podemos vangloriar de ter dado novos talentos ao mundo. Tais e tantos que acabamos por enjoar.

E do enjoo ao vómito é um pequeno passo.

 

Já são poucos os que olham para este espetáculo e vomitam.

 

** PIR – Pepinos Intensamente Retorcidos

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.

Diz-me lá oh Lince: já alguma vez vomitaste?      

publicado por Carapaucarapau às 14:29
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