Quinta-feira, 31 de Julho de 2014

Divagando...

Sentado aqui à sombra, de frente para o velho casarão agora remodelado, olho para as janelas às quais tenho ligada parte da minha vida. Já uma vez divaguei sobre o assunto, contando a história de cada uma.

Hoje olhei com mais insistência para duas delas, as que respeitam ao quarto onde nasci. Olhando, pensei que não sei nada desse momento “mágico” onde, cortado o cordão umbilical, passei a ser eu.

Atirei-me de cabeça para o mundo ainda de olhos fechados, como fiz algumas vezes durante a vida, ou pelo contrário, às “arrecuas”, mandando um pé à frente para tirar a temperatura ao ambiente, receoso do que me esperava? Nunca tinha pensado nisto. E agora é tarde para o saber. Já não existe ninguém a quem perguntar e a certidão de nascimento não “entra” por esses pormenores/pormaiores. 

Quem assistiu ao parto? Um médico, uma parteira, uma curiosa, uma vizinha, uma familiar? Nunca pensei nestas coisas, nunca perguntei, quando tinha a quem perguntar. Agora só posso divagar.

Se houve um médico sei quem teria sido. Só podia ser um. Também já contei neste blog as histórias (algumas) que dele conhecia. Se foi alguém da aldeia é estranho que ao longo da vida ninguém me tenha dito alguma vez “olha que fui eu que te ajudei a nascer”, pelo que ponho de lado essa hipótese, mas sem certeza. Terá sido alguma parteira profissional, portanto “de fora” que nunca mais me viu e que nunca conheci?

É possível, mas também seria normal ter ouvido uma vez por outra qualquer referência a ela. Além disso, outros vieram depois de mim e nem disso tenho memória de nada que me possa orientar.

Estou assim a braços com uma “dúvida existencial”. Não sei como vim ao mundo!

Há 25 ou 26 anos que não entro na “casa”. Por essa altura, o que restava da família mudou-se para o “outro lado” da rua, mesmo em frente ao “velho casarão”. É “daqui” que a olho, quando por cá estou.

O ano passado, as pessoas que tomam conta dele, quando os donos estão ausentes, o que acontece a maior parte do ano, perguntaram-me se eu não gostaria de dar uma vista de olhos pelo interior do casarão. Aceitei, vi as muitas alterações a que foi submetido, relembrei diversos pormenores, mas não visitei a parte que mais me interessava, ou seja a parte em que nasci e vivi sempre até aos meus 15 anos e depois intermitentemente durante os dez anos seguintes. Essa parte estava ocupada e, ainda que na altura não estivesse ninguém, achei que era melhor não a ver. Limito-me portanto a olhá-la por fora e é melhor lembrar-me dela como a conheci.

Mas a dúvida perdurará: de cabeça ou às “arrecuas”?

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.        

publicado por Carapaucarapau às 10:14
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Quinta-feira, 24 de Julho de 2014

"Pinturas" e "pintores"

Em fevereiro deste ano publiquei um post intitulado “Miró” onde brincava com o caso das pinturas que pertenceram ao “espólio” do BPN, caso que na altura estava na berra, nos meios de comunicação. Aproveitei para apresentar algumas “obras” minhas a que chamei “os meus miroses”.  Quase seis meses passaram e há dias apareceu nesse post um comentário (aliás simpático) dum senhor que não conheço e que deixou a direção de dois sites e fui lá meter o nariz. Trata-se duma conversa/entrevista com o alemão Wolfgang Beltracchi que pintou/falsificou à volta de dois milhares de quadros de pintores famosos, que lhe renderam bom dinheiro. Acabou por ser descoberta esta sua faceta de falsificador e eu não vou aqui contar toda a história dele, mas deixo no final os links dos sites onde ela se pode ler.

Fiquei intrigado sim com o facto de o meu “comentador eventual” me ter “batido à porta”. (Entenda-se: ter vindo até ao meu blog). Suponho que deve ter acontecido o seguinte: essa pessoa deveria andar à procura, na net, de “coisas” sobre Miró e no meio de milhentos sites terá aparecido o meu post que se intitulava exatamente “Miró”. Deve ter ficado espantado porque, logo a abrir,l eu mostro uma bela açorda de camarão, que lhe deve ter aberto o apetite e acabou por dar uma vista de olhos no post e deixou o comentário.

Voltando ao sr. Beltracchi: às tantas da conversa ele diz mais ou menos isto:

“eu só pintava quando precisava de dinheiro. Então apareceram uns tipos portugueses que me encomendaram uns 9 ou 10 quadros de Miró. Depois vim a saber que foram incorporados numa coleção de outros quadros de Miró que pertenciam a um banco e ninguém percebeu as diferenças, incluindo o especialista em arte contratado pelo banco”. E termina com um “elogio” cá para a malta: “… mas toda a gente sabe que é muito fácil enganar os portugueses…”

 

A piada disto também está no facto de eu, numa resposta a um comentário no referido post, ter deixado a pergunta: “e se os quadros fossem falsos?”

 

Deve ter sido a minha costela de “pintor plagiador” a falar, ah, ah, ah.

 

Links:

 

 http://forgedmiro.pen.io     (é a entrevista, em inglês)

 

http://www.istoe.com.br/reportagens/195045_O+GRANDE+GOLPE+DA!

 

   (que é um artigo da revista VEJA sobre o assunto)

 

 http://carapaucarapau.blogs.sapo.pt/miro-84490  link do post “Miró”

 

 

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.        

 

publicado por Carapaucarapau às 16:31
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Quinta-feira, 17 de Julho de 2014

Provérbios (3)

Já expliquei mais de uma vez que comecei por ser Carapau de Corrida ainda que durante pouco tempo, mas quando “corri” para o Sapo, porque já havia um “corredor”, tive de mudar de  nome e passei a ser duas vezes Carapau. Na primeira fase os posts andavam sempre muito à volta da peixaria e ainda repesquei alguns deles no começo desta segunda vida. Dois desses posts foram sobre provérbios, em que os peixes eram os donos e senhores. Assim estão publicados 40. Agora, em tempo de crise e de férias, arranjei mais uns tantos e aqui vai uma nova série desta vez de 25, pois “no meu tempo” o peixe miúdo era vendido à dúzia e ao quarteirão e não havia balanças. Se não houver nenhum acontecimento especial, irão sair uns três posts com “provérbios”, que cada qual interpretará como melhor lhe convier, ainda que voz de Carapau seja quase voz do po(l)vo.

Vamos a eles:

 

41 – Carapau de escabeche não puxa caleche

42 – Carapau só pele e espinha, algo de mau adivinha.

43 – Carapau só esqueleto, denota falta de graveto.

44 – Carapau de Lisboa não é carapau…é “carapoa”.

45 – Carapau de Matosinhos? Oferece-o aos vizinhos.

46 – Carapau de Sines, alimado, é muito apreciado.

47 – Com carapau seco da Nazaré, bebe-lhe água-pé.

48 – Carapau de Peniche não é amigo, mas é fixe.

49 – Carapau rabudo não é carapau, é besugo.

50 – Carapau sem “osso” come-se como se fosse tremoço.

51 – Carapau “granjola”, come-se com molho à espanhola.

52 – Antes carapau vivo da costa, que corvina cortada à posta.

53 – Carapau alimentado a navalheira é petisco de primeira.

54 – Ao carapau e à sardinha põe Deus a mão por cima.

55 – Carapau magro, arrastão ao largo.

56 – Carapau arrastado é carapau enlatado.

57 – Quem não tem carapau caça com besugo.

58 – Carapau que muito dorme, pouco aprende.

59 – Carapau que muito fala, mais parece uma cavala.

60 – Carapau velho e pescadinha nova ou é corno ou vai para a cova.

61 – Dá à barbatana se não queres ser feito em chanfana.

62 – Carapau sem espinha, não é carapau, é sardinha.

63 – Carapau distraído é carapau comido.

64 – Em casa de carapau o espeto não é de pau.

65 – Enquanto o carapau descansa o mundo avança.

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.        

publicado por Carapaucarapau às 11:24
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Quinta-feira, 10 de Julho de 2014

Notícias das manas

Olá amigo!

 

Hoje sou eu, a Yura que te dá notícias. A Yara não está muito bem, depois de há dois dias termos sido vítimas do arrastão em Copacabana. É verdade, ainda estamos „por cá“, daí o não te termos batido ao ferrolho, como a Yara tinha prometido.

Quando estávamos para partir, o seleccionador alemão chamou-nos e lá tivemos de ir tratar-lhe do assunto. Fomos bem pagas e tu até já sabes o resultado, aliás foi um resultadão. Então viemos para o Rio (donde te escrevo) e fomos apanhar um solzinho a Copacabana. Estava eu muito quietinha a gozar uns momentos de calma e a ser beijada pelo Sol, quando se chega um sujeito ao pé de mim e me diz: “Hüten Sie sich vor der Sonne“.

Percebi logo que era alemão mas não entendi patavina do que ele disse (os dois dias com os alemães não chegaram para aprender a língua, que a bem dizer aquilo nem é língua de gente, mais parece língua de bacalhau). Então ele por gestos e coisa e tal explicou que era para eu ter cuidado com o sol e com a eficiência alemã, logo ali meteu mãos à obra e vai de proteger-me. A tarde correu bem, o pior foi no fim, depois de acabar o futebol e começar o arrastão. Levaram-nos tudo, até os nossos carrinhos voaram. Estávamos a lamentar-nos quando nos voltou a encontrar o tal senhor alemão, a quem explicamos a situação delicada em que nos encontrávamos, mais por gestos e lágrimas do que por palavras.

“Sind ruhte ich Ihnen eine Fahrt auf mein Flugzeug, aber am Montag Knoten“- disse ele.

Valeu-nos uma moça que ia a passar e que nos traduziu a frase.

Eu então respondi:  “Mas nós não podemos pagar“.

E ele, logo muito rápido: “Darf, kann, zahlen mit dem Körper“ – e a moça que nos estava a ajudar soltou uma gargalhada. Depois explicou-nos o que o alemão dissera e eu soltei um palavrão e a Yara até o insultou e disse que éramos mulheres sérias e não dessas que...

Enfim, passados uns minutos estava tudo esclarecido. O homem é um grande industrial do norte da Alemanha, ele disse que era de Ãoburgo, que tinha uma fábrica de bonecos, que os bonecos eram feitos no Bangladesh, mas que em Ãoburgo lhe eram introduzido os chips para falarem em todas as línguas, incluindo o alemão do norte. Assim nós fomos contratadas para introduzir o chip no boneco e foi então a nossa altura de rir a bom rir, mas não te digo por quê. Ele também não percebeu.

Aqui está, meu amigo, a razão porque não nos podemos encontrar nos tempos mais próximos. Depois da final do futebol vamos para Ãoburgo durante um certo tempo e se nos dermos bem por lá e a vida nos correr pelo melhor podemos prolongar a nossa estadia. Talvez até ao próximo verão. Esperamos voltar num BMW. A Yara diz que cada qual leva o seu, pois nunca partilhamos os nossos carrinhos, mas eu acho que é um exagero, a menos que...

Fico por aqui. A Yara manda-te um beijo e eu, outro.

Como prometido, vão umas fotos nossas.

 

Nota do blogueiro de serviço: – As fotos não apareceram. As manas não devem ter jeito nenhum para mandar anexos. Será que algum dia as iremos ver?

 

Este texto foi escrito ora em acordo ora em desacordo com o acordo, porque os alemães não assinaram o acordo e as manas nem sempre estão de acordo, como prova  o caso dos BMW.

 

 

publicado por Carapaucarapau às 22:13
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Quinta-feira, 3 de Julho de 2014

Sem título

De papo para o ar a imaginar as estrelas que à noite aparecerão, vou escutando conversas que não há e pensando em coisas que há de haver.

É um problema o simples virar-me de um lado para o outro, para ficar igualmente grelhado.

Vejo as navalheiras a passarem, nem bom dia nem boa tarde, e até custa virar a cabeça. É nesta altura que me vem à mesma cabeça uma palavra: inércia. E por associação de ideias, lembro-me da D. Inércia que tanto fez, tanto fez, que já pôs um banco de pantanas.

Foi então que tomei uma resolução. Levantei-me e mudei-me para a sombra.

Definitivamente o sol frita-me os miolos.

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.        

publicado por Carapaucarapau às 19:03
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