Quinta-feira, 26 de Dezembro de 2013

O tradicional balanço

 

Hoje é a última 5ª feira do ano, por tradição é dia deste blog dar acordo de si, será a última vez em 2013 e eu sem nada alinhavado. Lembrei-me só agora, agarrei na agulha e na linha e pus-me aqui a coser em direto, sem rede.

 

- Encher chouriços outras vez, pá?

- Estamos no tempo deles. Tempo frio, matanças de porco, enchidos…que mal tem eu também os fazer?

- Experimenta fazê-los com tripa de lata que é coisa que não te falta.

- Pode enferrujar, acho que não é boa ideia.

- Cá por mim, funcionava. Enchia-las com umas tantas ideias parvas, da tua especialidade, ia ficar um petisco…

- Não sei como devo agradecer a tua simpatia…talvez mandando-te à…

- Vê lá o que vais dizer, olha a reputação do blog…

- …à fava.

- Travei-te no último instante.

- A mim ninguém me trava!

- Ah, ah! Até parecias o outro.

- Qual outro? Há por aí tantos…

- O tal.

- Dizes isso duma maneira tão definitiva que eu desvio a conversa para canto…

- E que tal se fizéssemos o balanço?

- Outra vez? Já fiz tantos.

- É só mais este.

- Não estou virado para esse lado.

- Então fala de projetos, de coisas que tenhas na cabeça…

- Daí tu vês alguma coisa na minha cabeça?

- Pouco, de facto, os cabelos já foram mais, mas em compensação estás a ficar com uma testa alta, de gajo com montes de ideias…

- Sr. Gajo, já agora e se não te importas…

- Estás a mudar, não eras assim…

- Eu não estou a mudar, estamos todos a mudar é o que deves dizer.

- Todos, como assim?

- Nem comes assim nem comes assado, o mundo é feito de mudanças…

- Já cá faltava essa.

- Qual Eça?

- A que tem dois esses, não o de cedilha.

- Ainda bem porque era difícil acabar isto com uma cedilha, agora com dois esses é canja.

- Estás a pensar numas garrafas de Murganheira para a passagem do ano, não?

- Essa ideia até bem podia ser minha, tal o brilhantismo da mesma.

- E convidas-me? Lembras-te quando…

- Não venhas desfiar memórias, está bem? Outros tempos… em que não havia murganheiras nem éramos muito de raposeiras, preferíamos outras coisas, como dizer umas baboseiras, comer umas navalheiras, ter outras maneiras e…

- Não ponhas mais na carta. Ficamos por aqui. Encarrego-me dos “bichos” e tu da Murganheira e encontramo-nos aí na terça feira, à noite e fazemos o balanço. Pelo meu palpite vamos ter um saldo positivo, distribuímos logo os dividendos e fugimos aos impostos.

- Convidamos mais alguém?

- Deixamos a porta aberta.

- Com este frio e com o que anda por aí à solta?

- Arriscamos.

- Então até terça.

- Até lá.

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.        

publicado por Carapaucarapau às 22:34
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Quinta-feira, 19 de Dezembro de 2013

"Natal"

À semelhança do que aconteceu no ano passado,por esta altura do, também este post de Natal, vai ser uma parceria.

Eu dou a voz, “abagaçada” embora, e o texto “roubei-o” ao Miguel Torga. O conto chama-se “Natal” e como não podia deixar de ser, já muito boa gente lhe deu voz, a começar pelo autor.

 

Aproveito para desejar um Feliz Natal a todos que por aqui passem, poucos certamente, mas bons.

 

               

publicado por Carapaucarapau às 18:14
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Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2013

Funerais e outras que tais...

Nestes últimos dias tive de ir a dois funerais e agora com o do Mandela foi dose tripla. Os velórios são para mim uma coisa esquisita, pois estou para ali sem saber o que fazer, isto depois de ter apresentado as condolências à família. Ontem dei por mim a pensar num meu antigo professor, ilustre aliás, no ramo das matemáticas, distraído como convém, com uma figura muito parecida com a do Einstein, farto bigode e farta cabeleira, ambos brancos. E sempre com um sorriso na cara. Pois um dia, num velório dum amigo, chegou-se junto à viúva, cumprimentou-a, lamentou a perda do falecido, rematando o pequeno “discurso” dizendo que ele (o falecido, claro) era um grande homem. E repetiu duas ou três vezes “era um grande homem”. Distraiu-se, saiu da órbita e começou a cantarolar, repetidamente, sempre a sorrir, “era um grande homem, era um grande homem…” e ali ficou na sala nesta cantoria, perante o ar espantado de uns e o ar risonho de outros. Enfim…foi um sucesso…

 

Este professor tinha uma maneira muito peculiar de tratar os seus alunos. Como as aulas teóricas eram livres, nunca lá tinha mais do que 2 ou 3 alunos, os outros iam vadiar. Creio que só fui a meia dúzia, se tanto, das suas aulas, porque eu ficava cansado de ver a genica e a energia que ele punha nas suas exposições. Depois acontecia que ele tinha um sistema original para as provas orais nos exames. De véspera os alunos iam tirar um tema, à sorte, por onde começaria a prova oral. A intenção era que o aluno sabia à partida que ia responder às primeiras perguntas sobre um tema que tinha estudado (pelo menos durante um dia) e assim ficava mais descontraído. Na realidade também servia para ele, professor, se aperceber das capacidades do aluno e então fazia um exame “de acordo” com o “sábio” que tinha pela frente. Assim sendo, raramente reprovava alguém.

Os “pontos” como lhe chamávamos eram levantados, na véspera na Faculdade, mas quando o exame era a uma 2ªfeira tinha de se ir a casa dele levantar “o ponto”, no domingo. Em geral oferecia o pequeno almoço a quem lá ia e havia quem recusasse e quem aceitasse. Convém dizer que a mulher dele era uma conhecida “cozinheira e doceira” com obra publicada, o livro, com prefácio do marido, ainda hoje faz parte da história da culinária em Portugal. Portanto nesses pequenos almoços havia sempre bolos e doces.

Vem isto a propósito do que aconteceu um dia com um aluno (pelo menos com um, que eu conheci). Ele nunca tinha ido a uma aula teórica e não conhecia o professor. Teve o azar de ter de ir levantar o ponto a casa do Mestre. Era um domingo de manhã, portanto, tocou a campainha, esperou um pouco e aparece-lhe um “avozinho” de cabelo e bigodes brancos, de roupão, com o seu ar sorridente, a dar-lhe os bons dias e a perguntar o que é que o jovem queria. O jovem julgou que se tinha enganado na porta e perguntou se era ali que morava o Sr. Prof. fulano. Ao ouvir a resposta “é sim, mora aqui, sou eu, que deseja?” caiu-lhe o mundo em cima e inventou uma desculpa dizendo que tinha sido um amigo dele que era aluno do Sr. Prof. e que não podia vir levantar o ponto, porque estava na tropa e só chegaria no fim do dia e lhe pediu para fazer isso por ele e patati patatá, vinha perguntar ao Sr. Prof. se podia ser ele a levantar o ponto para mais tarde entregar ao amigo logo que ele chegasse. Lá levou o ponto e como não teve lata de aparecer no dia seguinte, faltou ao exame, que fez depois na 2ª época, esperando que o Prof. já não se lembrasse da cara dele. E assim foi, correu tudo bem.

 

E agora, ao terminar estas historietas, fico a imaginar as coisas que uma pessoa pode pensar durante um velório…

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.        

publicado por Carapaucarapau às 15:53
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Quinta-feira, 5 de Dezembro de 2013

"Histórias da Carochinha"

 “Da Carochina”, porque nem histórias são. No caso são adaptações que em tempos respiguei já não sei de onde. Mas a roupa com que se apresentam foi costurada por mim. Fraca costura, aliás.

 

    1-   Despedimento com justa causa

 

O homem dirigiu-se ao patrão e disse-lhe: “Esta noite tive um sonho terrível. O seu avião ia cair. Por isso, não viaje hoje, porque senão o Senhor vai morrer”.

O patrão olhou para ele e respondeu-lhe: “passe pelo escritório para fazer contas. Está despedido”.

O homem era o guarda noturno da fábrica e esteve de serviço na noite anterior.

 

   2 – Despedimento por “justo” engano

 

Susana convidou Henrique para um jantar. Aceitou. Henrique é um famoso arqueólogo que encontrou um esqueleto muito antigo, a que pôs o nome de “Joana”.

Susana é uma agente de compras de um conhecido museu. Ao convidar Henrique para jantar, esperava fazer-lhe uma proposta de compra. Quando lhe telefonou para o convidar, Henrique referiu-se a “Joana”, pelo que Susana, julgando tratar-se da mulher lhe disse para a trazer também para jantar.

Henrique, ofendido, telefonou ao Diretor do museu e fez queixa de Susana.

Uma vez que Susana deveria saber quem era “Joana”, o Diretor despediu-a por incompetência para ocupar o lugar.

 

   3 – Em jeito de adivinha

 

Estou contigo, aqui e ali,

Mas não estou nem além nem acolá.

Estou em todos os dias e noites,

Mas não em ontem, hoje e amanhã.

Também não estou nos sábados.

Estou na noite e no dia,

Mas não na lua nem no sol.

Não estou na boca nem nos olhos,

Mas estou no nariz e no ouvido

Interno, porque não estou no externo.

Encontro-me quando me deito,

Mas não quando estou de pé.

Estou em mi e em si,

Mas nunca em fá e em ré.

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.        

publicado por Carapaucarapau às 14:12
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