Quinta-feira, 25 de Abril de 2013

Acidentes

 1-     Estava parado num semáforo, à espera que o verde aparecesse (num semáforo que outra coisa podemos esperar?) quando ouvi uma travagem violenta, daquelas que “chiam” por todos os lados, e disse para os meus botões “cheira-me que alguém vai levar uma porrada”. Os botões nem tiveram tempo de responder, pois quem levou a porrada foi o meu carro, ficou com a traseira toda “metida dentro”.

Saí do carro e encarei o “adversário”, que era um motorista de táxi. A cena passa-se num fim de tarde, eu olhei para a cara dele e perguntei: “então que aconteceu?” como se não estivesse à vista o acontecido.

O homem então respondeu-me assim: “vamos já tratar dos papéis para o seguro, chiça que já é a 3ª vez hoje que isto me acontece”.

“É pá, você é um perigo público, ou está feito com as oficinas de reparação?”

Rimo-nos e na despedida eu desejei-lhe que não acabasse o dia sem mais dois ou três acidentes, para ir para o Guiness.

 

2-     Estava com uma gripe tremenda, já com febre elevada e ia almoçar para poder tomar uns comprimidos e deitar-me. De repente o carro que seguia à minha frente e que era um táxi, parou bruscamente e apesar da minha travagem rápida, o meu carro embateu na traseira do outro. Pancada pequena ao nível do fecho da mala, o que a fez abrir-se e provocou uma ligeira amolgadela. O motorista saiu do táxi, olhou para a amolgadela e a chorar disse: “ um carro novinho em folha, estreei-o hoje e acontece uma coisa destas!”.

Sem grande vontade para brincadeiras ainda lhe respondi: “teve sorte, foi uma pancada pequena, ficou já batizado. Vamos tratar dos papéis que eu estou muito doente”.

E o homem ainda com a lágrima ao canto do olho…

 

3-     Havia em Lisboa um célebre polícia sinaleiro, muito entrevistado e fotografado por turistas, que parecia um bailarino em cima do seu “pedestal”. Prestava serviço, em geral na zona do Saldanha/Avª Fontes Pereira de Melo.

Num belo fim de tarde de primavera, ia eu de carro da Avenida da República para a zona do Marquês e parei no Saldanha para comprar um jornal. Meti-me de novo no carro, desci a Av. Fontes Pereira de Melo e lá para o meio deparei com o tal guarda sinaleiro (se a memória não me atraiçoa chamava-se Inácio) que me mandou parar, pois o trânsito estava aberto no outro sentido. Aproveitei a pausa para agarrar no jornal e ler a 1ª página. De tal modo me distraí que durante um espaço de tempo não sei o que aconteceu. Posteriormente, ao analisar o caso, eu devo ter dado conta de que o trânsito foi aberto, pois quando “voltei a mim” estava a entrar na rotunda do Marquês de Pombal. Percorri aqueles trezentos metros sem dar conta de nada, sempre a ler o jornal. Ainda hoje não tenho uma boa explicação para o caso. Felizmente não entrei na rotunda porque um carro parado na via em que eu seguia me “parou”. O trânsito nessa altura também era comandado por sinaleiros e um deles estava mesmo em frente do carro com quem choquei. Foi um choque espetacular, nem tive tempo de travar, pois continuava a ler o jornal. Aquele carro, foi a minha salvação, pois se tenho entrado na rotunda, teria atropelado violentamente o polícia, embatido em meia dúzia de carros que circulavam na rotunda (hora de ponta) e muito provavelmente até o próprio Marquês de Pombal não teria escapado e teria vindo de trombas ao chão.

Tive, tivemos todos, muita sorte. Mas só eu me apercebi disso, ninguém soube do motivo daquele acidente. O próprio sinaleiro nem sonhou o que lhe poderia ter acontecido, de tal maneira que nos mandou (a mim e ao carro que me “parou”) sair dali e tratar do assunto numa das circulares exteriores, no caso, junto ao Parque Eduardo VII. O carro acidentado era dum funcionário do consulado de Israel em Lisboa, que se lastimou, pois estava de volta a Israel dentro de dias e precisava de levar o carro e me disse que eu vinha com excesso de velocidade (ele também não se apercebeu da “história” do jornal). Estávamos para começar a tratar da papelada para a participação do acidente, quando chegou perto de mim um rapaz dos seus 18/19 anos, muito afogueado e preocupado e que me disse assim: “ o senhor desculpe-me, eu é que tive culpa do acidente”. Olhei-o espantado, respondi que a culpa era toda minha, mas ele insistiu: “não, não, a culpa foi minha. Eu vi que o senhor vinha a ler o jornal, apercebi-me que se ia dar um acidente, estive para saltar para o meio da rua e gritar para lhe chamar a atenção, mas tive vergonha e não fiz nada. Desculpe-me por favor, eu sou o culpado”.

Lá tive de o convencer que não tinha culpa nenhuma, que era toda minha e que não pensasse mais no assunto. Pedindo-me desculpa mais uma vez, lá se foi embora enquanto eu e o israelita tratávamos da papelada.

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.        

publicado por Carapaucarapau às 15:02
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Quinta-feira, 18 de Abril de 2013

O Carmo ... e a Trindade

Há umas dezenas de anos atrás, um amigo meu ia a passar no Largo do Carmo, em Lisboa e resolveu sentar-se a descansar à sombra, num dos bancos que então havia no Largo (não sei se ainda hoje existem ou não).

Mal se tinha sentado, a sentinela do Quartel do Carmo (da GNR) chamou-lhe a atenção dizendo que era proibido sentar-se naqueles bancos. O meu amigo achou estranho e perguntou a razão da proibição. A sentinela disse que não sabia, mas que havia ordens para não deixar sentar ninguém.

Como aquilo não fazia sentido, pediu para falar com o “Oficial de dia” que apareceu passado pouco tempo. O meu amigo explicou-lhe a razão daquela sua chamada.

O “Oficial de dia”não sabia daquela ordem, perguntou à sentinela a razão da proibição. A resposta foi igual, não sabia, mas com um pormenor: aquela proibição estava na “ordem do dia”. O oficial foi ver a “ordem do dia” e lá estava o assunto. A razão? Não sabia. Foi ver a “ordem do dia” anterior e lá estava também a proibição. Perguntou a um e a outro, ninguém sabia quem tinha dado a ordem e quando, pois chegaram à conclusão de que o “caso” já vinha muito lá de trás. As ordens do dia era copiadas da do dia anterior e raramente tinham alguma coisa de novo. Limitavam-se a transcrever o que devia ser feito pelos diversos “atores” do Quartel. De investigação em investigação o caso foi levado até ao Comandante do quartel que também não sabia nada sobre o assunto. Depois de muita conversa, de muitas interrogações, de muita pesquisa, alguém se lembrou dum episódio passado há uns meses (ou anos?) atrás e que explicava a proibição e o facto de ser a sentinelas de serviço na portaria a zelar por aquela ordem de ninguém se poder sentar nos bancos do Largo do Carmo.

Acontecera que um dia a Câmara pintara os bancos e pedira no quartel para que a sentinela não deixasse ninguém sentar-se durante um ou dois dias enquanto a tinta estivesse fresca. Medida cautelar para não estragar a roupinha aos cidadãos mais distraídos. Nesse dia essa obrigação da sentinela saiu na “Ordem do dia” e como se está mesmo a ver, foi sucessivamente copiada ao longo de meses (ou anos?).

O meu amigo fartou-se de rir com o assunto, os próprios oficiais também acharam muita piada ao caso e isto só prova como as coisas podem acontecer na vida duma instituição e na vida duma pessoa. A rotina, a falta de atenção dedicada aos assuntos, numa palavra, a falta de profissionalismo

conduz quase sempre a estas situações. Também aqui, como contei no post anterior, o assunto devia ter sido arquivado no dossier dos casos curiosos.

Mas por cá não há esse sentido de humor…

Um dia eu andava a passear com o meu amigo na baixa, subimos o Chiado, a conversar ele disse-me que me ia mostrar uma coisa e levou-me até ao Largo do Carmo. Sentamo-nos num dos bancos e então ele contou-me a história que aqui deixo registada.

Para que conste.

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.        

publicado por Carapaucarapau às 13:47
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Quinta-feira, 11 de Abril de 2013

Contratos

 João era um pequeno industrial português com uma filosofia de vida especial, quase sempre bem disposto e procurando andar sempre bem informado sobre tudo o que dizia respeito ao seu ramo de actividade. Para isso frequentava com assiduidade as feiras internacionais. Aproveitava estas oportunidades também para gozar uns dias de férias e fugir da sua rotina diária, sempre agarrado à empresa.

Um certo ano foi a uma feira em Milão e dispôs-se a passar lá uma semana.

Ao fim de dois ou três dias estava farto da feira e de Milão e resolveu passar o resto da semana a viajar pelo norte de Itália e sul de França. Para isso traçou um plano: alugava um carro para essa viagem turística entre Milão e Nice e aqui tomaria um avião para Lisboa. Para isso e antes de sair de Milão, dirigiu-se a um balcão da TWA (companhia de aviação entretanto já desaparecida) e marcou/comprou o bilhete para determinado dia. Ao pagar notou que o funcionário se enganou no preço (o valor deveria andar pelas vinte mil liras e o funcionário pediu-lhe umas duas mil) e João chamou-lhe a atenção para o erro. O funcionário, de nariz arrebitado, respondeu que sabia muito bem o que estava a fazer e João não insistiu mais. Pagou, levou o bilhete e foi à sua vida, que é como quem diz, partiu para a sua viagem de gastronomia e turismo (gastronomia era outra especialidade de João).

Quando no domingo chegou ao aeroporto de Nice para embarcar, foi chamado aos balcões da Companhia e pensou: “cá estão eles a pedirem-me o dinheiro em falta”. Mas enganou-se. Era só um pequeno problema com a bagagem. Embarcou, almoçou a bordo e a meio da tarde chegou a Lisboa. Na sala de desembarque foi chamado a um dos balcões e teve o mesmo pensamento “agora é que me vão pedir o resto do preço do bilhete”.

Enganou-se segunda vez. Era para lhe transmitirem um recado que um familiar lhe tinha lá deixado.

Saiu do aeroporto e foi tratar da vida. Passados alguns dias já se tinha esquecido do episódio. Eis senão quando lhe aparece uma carta da TWA a pedir a diferença entre o preço do bilhete e o valor que de facto ele tinha pago. A carta tinha origem nos escritórios, em Lisboa, da Companhia Aérea.

Estava criado a oportunidade para João tratar do assunto como gostava: a brincar para se divertir um bocado.

Assim respondeu nestes termos:

“No dia tantos do tal, num dos vossos balcões em Milão, fiz um contrato com essa Companhia, mediante o qual se comprometeram a transportar-me

de Nice para Lisboa num dos vossos voos, mediante um valor que eu paguei. Agora, pela vossa carta, entendo que querem desfazer esse contrato, pois estão a alterar o mesmo à posteriori. Agradeço que me confirmem se a minha interpretação está certa ou errada. Com os meus cumprimentos. João”

Passaram mais uns dias e recebe outra carta com mais pormenores. Nela dizem que tinha havido um engano do funcionário, que pediam desculpa pelo facto, mas a verdade é que lhes devia a diferença, cuja liquidação voltavam a solicitar.

Resposta do João:

“ Meus caros senhores: pelos vistos a minha interpretação estava certa. A TWA pretende anular o contrato que fez comigo e estou pronto a aceitar essa anulação. Deste modo essa Companhia torna a pôr-me em Nice e devolve-me as duas mil liras que eu lhe entreguei. Como tenho uma vida muito ocupada, teremos unicamente se combinar a data possível para isso.

Há porém um problema: eu almocei a bordo do avião, aliás uma refeição de muito boa qualidade e não vou poder devolver esse almoço, por motivos óbvios. Estou no entanto disposto a pagá-lo por um preço justo, caso cheguemos a acordo. Fico a aguardar a vossa resposta para concluirmos, deste modo, a anulação do contrato. Com os melhores cumprimentos, João”.

Passam-se mais uns dias e nova carta da Companhia (escritórios de Lisboa):

“Como o assunto da sua carta transcende a capacidade de resolução deste problema pelos nossos escritórios em Lisboa, a mesma foi enviada para a nossa sede nos Estados Unidos da América”.

Passam-se mais uns tempos e vem a tal carta da TWA/EUA.

Dizia mais ou menos isto:
“Caro Senhor: Vimos comunicar-lhe que a correspondência entretanto trocada entre V. e esta Companhia, foi arquivada no dossier dos “Assuntos Curiosos”. Com os nossos cumprimentos, TWA”.

João contou e recontou várias vezes esta história ao longo da vida. Eu fui um dos seus ouvintes.

 

 Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.        

publicado por Carapaucarapau às 10:46
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Quinta-feira, 4 de Abril de 2013

Tive um sonho

Estava eu aqui sentado à espera, quando me lembrei do que o meu avô me disse há muitos anos. “Querido neto: quando esperares por certas coisas, espera sentado, para não te cansares”.

E “por certas coisas” sei eu hoje que uma delas é por decisões dos tribunais, a outra é pela saída do euromilhões, pelos “homens do gás”, por certas mulheres, e para que deixe de chover. Isto só para falar em cinco exemplos.

Do palácio Ratton sei eu que não espero nada. Quem lá morava já não me dá chocolates há muitos anos, mais ou menos os mesmos que já passaram desde que o meu avô me deu o acima citado conselho.

Quanto ao euromilhões também não espero mais (consolo-me dizendo que sai sempre a quem não percebe nada do assunto…) e quanto aos homens do gás…por esses sim espero e sentado. Por isso mesmo aqui estou a aproveitar o tempo para “aviar” este post.

De mulheres e de chuva não falo, porque sou uma pessoa discreta.

Agora sim, estou em condições de falar no sonho do título.

Antes porém, convém dizer que os sonhos são perigosos. Um dos últimos que teve um sonho, levou “um tiro nos cornos” (isto para usar uma linguagem de gente miúda) que nem teve tempo para acordar.

Também eu levei, mas só em sentido figurado. Agora é que vem mesmo o sonho. (Esperem sentados).

Talvez por que tinha marcada para hoje uma vistoria dos “gajos do gás”, à canalização cá da caverna, tive um sonho. Sonhei que a campainha tinha tocado, que eu fui abrir a porta e que deparei com a “menina do gás” (lembram-se dela e da sua “rica bilha”?).

- Bom dia. Que deseja?

- Venho fazer-lhe a inspeção da canalização.

- A menina?

- Claro. Vê aqui mais alguém?

- Entre, entre.

- Já entrei.

- Esteja à vontade, inspecione tudo – disse eu para dizer qualquer coisa, enquanto também lhe inspecionava a bilha.

- Vou soprar-lhe na canalização a ver se aguenta.

- Vai soprar muito forte? Lembre-se que a canalização já não é nova.

- Se fosse nova não precisava de lhe soprar. Ligava-a já à bilha.

- Compreendo. Então sopre lá.

……

……

……

……

(Este intervalo foi para o sopro. Enquanto se sopra não se assobia, nem se pode falar, toda a gente sabe disso).

- Então?

Não obtive resposta. Acordei. Estava a sonhar. Deitado.

Estava na hora de me levantar, para esperar bem acordado, pelos “gajos do gás”, no entanto com a secreta esperança que a menina da bilha fizesse parte da equipa. Fará?

 

Até agora nem inspeção do gás, nem palácio Ratton, nem euromilhões, nem chuva. Está até uma bela manhã de sol. E eu continuo à espera, sentado. Obrigado avô.

 

PS: Tinha apostado comigo mesmo que havia de escrever este post enquanto esperava. Ganhei a aposta e creio que vou já escrever outro, enquanto não me “cortam o gás”.

 

 Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.        

publicado por Carapaucarapau às 11:07
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