Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012

Astrólogos, médiuns, videntes & Cª

 

(4 exemplares)

 

Lá mais para trás no blog, já em tempos me referi ao mesmo assunto. No entanto em tempo de crise (eu ainda não me queixei porque o pior ainda está para vir) é sempre bom ter à mão (ter ao pé quer dizer exatamente o mesmo) alguma coisa ou alguém a quem lançar a mão.

Eu coleciono, sem colecionar, uns papelinhos que me aparecem na caixa do correio ou me dão na rua de que vou já dar conta. Em geral são papeis pequenos, 10X7 cm2 mais ou menos, de umas entidades que resolvem qualquer problema que nos surja, exceto aqueles problemas que são os que nos possam incomodar. Explicando melhor: lâmpadas fundidas, perna de cadeira partida, torneira que pinga, porta que chia, cama que range, porta a ficar sem tinta, sola do sapato despregada e outros problemas do género, eles não resolvem.

Mas mau olhado, amor, negócios, inveja e sorte, amarração (desde que não seja dos navios), juntar ou afastar pessoas amadas, reconciliação, impotência sexual e frigidez, retorno imediato de quem se ama, ou pôr fim  a tudo, etc , etc, etc (isto quer dizer tudo o que neste campo a vossa imaginação possa conceber) é tiro e queda.

E não tenho em carteira um mestre, um vidente ou um professor. Tenho vários à escolha da clientela. E como hoje não estou para muitas conversas e para corresponder à amabilidade de tais entidades que me fornecem os tais papelinhos, vou aqui deixar os nomes e títulos duns tantos que tenho aqui à mão. Todos com nºs de telefone (das 3 redes de telemóveis e fixos) e as respetivas moradas, que esta gente não brinca em serviço, mas que eu não vou deixar aqui, porque também quero ver se ganho alguma coisa neste negócio. A quem estiver interessado, serão facultados todos os elementos para poder ser feliz. Mais tarde será fornecido o nº de conta bancária onde depositar o valor do serviço prestado ***.

E vamos à lista, que se faz tarde:

1 – Professores:

                         - Bambo

                         - Sakho

                         - Mamadu

                         - Kora

                         - Keba

                         - Alage

                         - Dramé

                         - Fofana

2 – Mestres:

                         - Fati

                         - Sila

                         - Kandiourá

                         - Dabo

3 – Grandes Mestres

                         - El-Hadji

4 – Astrólogas Videntes

                         - 3 envergonhadas sem nome

5 – Monsenhor (Bispo)

                        - Cipriano (exorcista e parapsicólogo, recém chegado de

                          Roma ****)

 

Se isto não é serviço público, não sei o que será.

Agora queixem-se da crise!

 

Notas:

         *** Espero que não levem isto, da conta bancária ,a sério. Pelo sim pelo não, resolvi deixar esta nota.

         **** Esta informação é fornecida pelo próprio Monsenhor.

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.        

publicado por Carapaucarapau às 17:56
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Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012

Anúncios (des)classificados

    

1 - Últimos dias! Maçons que já foram ministros saldam-se ao preço da uva mijona. Por cada 2 leva 3 (esperamos que a ASAE não ache que fazemos dumping!). São maçons de boa qualidade (?), mas modelos demodés.

Também temos modelos que estão na moda, mas fora dos saldos, por enquanto.

2- Maçons prontos para Secretários de Estado ou, em caso de falta no mercado, para Ministros. Por cada um oferecemos um fim de semana num resort de luxo. Com acompanhamento.

 

3- Verdadeira pechincha! Saldam-se ao desbarato deputados das últimas filas, com larga experiência em não fazer nada! Oportunidade única! Por cada um oferecemos ainda dois pares de calças novas para substituir as que usam, já bastante coçada “lá atrás”.

 

4- Trespassam-se lojas, pelas melhores ofertas. Lojas onde se faziam as formações de “pedreiros”, agora devolutas. Ótimas para escritórios de advogados, encontros clandestinos ou escolas de culinária. Oferecemos os aventais. Aproveite! Também muito boas para “casais que venham a Lisboa” e que procurem novas emoções.

 

5 – Ex-SCUTS a bom preço. Sem movimento e ótimas para acampar, fazer jogging e skate. Vendem-se ao Km. Troços a descer, a subir e em plano, como nunca se viram. Praticamente novas. Ocasião única!

 

6 – Estádios de todas as cores. Ótimos para agricultura biológica, sem necessidade de adubos, tal a quantidade de “matéria orgânica” neles existente. Com lugares sentados para ver crescer as couves, os pepinos e os tomates. As batatas, os rabanetes e as cenouras são mais difíceis de ver…

Nabos e nabiças conseguem-se ver a olho nu. Preços de arrasar!

 

7 – Vendem-se ilhas: 2+9+Berlengas+Ilha de Faro, do Pessegueiro e outras de menor dimensão. Para todas as idades e gostos. Com encargos para o comprador. Preços de ocasião.

Tratamos de obter crédito. Ao alcance de qualquer bolsa…

 

8 – Herdade, vende-se a quem mais der. Com um pouco mais que 90.000 km2 e vistas para o mar a sul e oeste. Já velha e muito explorada, mas com alguma(s) história(s). Pesa sobre ela o ónus da fauna, única no mundo (há algumas parecidas noutros locais, mas longe desta herdade). Tem alguns campos de golf prontos a serem usados, mas com a relva a secar. Recuperação fácil, exigindo só algum (pouco) trabalho. Se procura dores de cabeça, não perca esta oportunidade.

 

9 – Temos muitos mais produtos. Não deixe de ver os nossos catálogos. Se estiver interessado, apresse-se pois esperamos fechar brevemente para obras.

 

Para mais informações contactem este blog. Atendimento personalizado. Máximo sigilo.

 

Aviso: as propostas chinesas têm de vir escritas em inglês (pode ser técnico).

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.        

publicado por Carapaucarapau às 14:46
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Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012

As rotundas

 

                

 

A verdade é para ser dita. O Presidente da Câmara andava com ar preocupado. Pouca gente acreditaria que pudesse haver preocupação num tal sujeito, mas a verdade é que ele o tinha já confessado ao vereador de confiança. Esse ar contrastava com o ar majestoso do período conhecido como “das rotundas”, mas tinha havido uma reviravolta na atividade do Presidente: nem havia já espaço para fazer mais rotundas, nem havia verba para manter as rotundas minimamente com bom aspeto, relvadas, ajardinadas, como prometera e como acontecera com as duas ou três primeiras a serem construídas. Pior: crescia agora nelas, em todas elas, uma erva alta, que as chuvas tornavam viçosa, mas também mais densa, que em certos casos já perturbava a visão aos poucos condutores que ainda usavam as rotundas. A Câmara não tinha jardineiros para tanta rotunda, nem verba para contratar mais pessoal ou adjudicar a manutenção desses “espaços verdes” a uma empresa (por acaso da mulher do senhor Presidente). E isto traduzia-se na crista caída do edil.

Havia no concelho, muito perto da cidade onde isto acontecia, um homem chamado Januário. O Januário era pastor, tinha um razoável rebanho de ovelhas e andava ele também preocupado. Havia nas redondezas pouco pasto para tamanho rebanho. E a preocupação do pastor crescia na razão direta do emagrecimento do rebanho. Até que um dia, ao ir à cidade pagar uma qualquer licença, viu as rotundas cheias de erva, a que as suas queridas ovelhas chamariam um figo. Pediu uma audiência e foi logo atendido pelo Presidente. Januário expôs o seu caso. Se tivesse autorização para trazer o rebanho para a cidade, punha-o a pastar nas rotundas e comprometia-se a mantê-las limpas, com a erva “controlada” e sem despesa para a Câmara.

Um largo sorriso aflorou a cara do Presidente, que logo ali traçou o plano com a ordem pela qual as rotundas deviam ser “pastadas” e o contrato ficou selado com um aperto de mão ao Januário. A “limpeza” começaria já no dia seguinte. À despedida o Senhor Presidente, a sorrir, disse ao Januário que, uma vez por outra, visitaria o pastor e as ovelhas no exercício das respetivas atividades em prol do bem do Município e ele Presidente traria

um borrego. Seria a taxa (mínima) a pagar pelo Januário em troca da liberdade para pastar nas rotundas (para o rebanho pastar, entenda-se, que o Januário esse ainda não comia erva).

E a vida na cidade alterou-se vivamente. As pessoas já saiam de casa nos carros para fazerem o circuito das rotundas, na esperança de encontrarem o rebanho numa delas, a miudagem obrigava os pais a fazerem essa volta turística para verem os borregos recém nascidos, que quase ainda não se sustinham nas patas, os turistas sorriam ao ver o espetáculo e fotografavam e filmavam as cenas, a cidade animava-se, o comércio crescia.

Assim o ar descontraído e triunfante voltou ao Presidente, que já pensava em novo mandato. E remoçou, apresentando um ar mais corado e roliço, sinal que a vida lhe corria outra vez de feição, como no glorioso tempo da implantação das rotundas.

Porém (há palavras e expressões tramadas que, quando pronunciadas ou escritas, não auguram nada de bom. “Porém”, “mas”, “talvez”, “por outro lado”, “temos de ver melhor”, “futuramente”, etc), porém, dizia eu, aconteceu que a preocupação do Presidente passou para o pastor. Januário que ao princípio via as ovelhas a engordar, o carneiro a desenvolver com brio a atividade para a qual o tinha “contratado”, os borregos a nascerem em abundância, fortes e saudáveis, passou a notar que, a partir de certa altura o número de cabeças do rebanho não aumentava, mas sim diminuía. E exatamente na proporção em que aumentava o peso do Senhor Presidente, agora um anafado Presidente.

E foi então que Januário se lembrou dos velhos ditados que o avô costumava citar:

- “Por cada rotunda, do Presidente aumenta a bunda”

- “Na rotunda engorda o anho, mas não aumenta o rebanho”

-“ Os dentes do Presidente não deixam que o rebanho aumente”

-“Presidente e pastor, só sendo da mesma cor”.

-“Para um rebanho, pior que lobo esfaimado só Presidente interessado”

-“Os pastores doutras eras com o Presidente não jogavam as peras”

 

E isto trazia preocupado o pastor Januário…

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.        

publicado por Carapaucarapau às 12:44
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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012

O assador de castanhas

 

   

Ia eu ainda no principio da rua e já via o fumo (quase) branco a anunciar que “habemos Papa” ali por perto. Neste caso melhor seria dizer havemos castanhas assadas ali um pouco mais à frente.

Quando cheguei perto do assador é que apreciei a figura do pequeno empresário explorador do negócio. “Era uma figura de aspeto venerando” diria se fosse eu o Camões, pois era um velho de cabelos brancos e longa barba também branca. Os olhos porém tinham um brilho especial como se não fossem dele.

- Uma dúzia delas, bem assadas, por favor.

O homem fixou-me com atenção, mediu-me de alto a baixo e perguntou-me:

- Não nos conhecemos?

- Acho que não. É a primeira vez que lhe compro castanhas.

- Não és o Carapau?

- Com efeito… - respondi meio desconfiado. Conhece-me?

- Há muitos anos, eras tu um Jaquinzinho e eu não tinha nem cabelo nem barba branca.

- Não o estou a reconhecer.

- Não puxes pela tola, sou o Ali Babá.

- O quê? Não me digas?

- Já disse, sou o Ali Babá, o autêntico, o que tu conheceste das histórias das 1001 noites.

- É pá deste nisto? Tinhas uma fortuna só em barras e moedas de ouro. Que te aconteceu?

- Fui roubado!

- Ah! Ah! Ah!

- Não te rias que não teve piada nenhuma. Fui assaltado pelos quarenta ladrões, mas multiplicados por muitos mais. Nem tu calculas.

- Tu, assaltado? – Exclamei com cara de espanto. E não te vingaste? Não meteste os gajos no tribunal?

- Para quê? Para continuar a ser ainda mais assaltado? Até as castanhas por assar me roubavam. Em que mundo andas tu Carapau?

- É pá tens razão, eu ando um bocado fora disto, não vivo por aqui, vivo numa caverna, mas sem porta.

- É a tua sorte senão até a palavra pass te mudavam um dia e não podias lá entrar.

- Estou pasmado! E agora estás aqui a vender castanhas? Roubaste-as?

- Nem penses! Estou aqui com tudo legal, tenho os comprovativos de tudo, senão levavam-me preso.

- E o negócio?

- Vai dando para a bucha.

- E as castanhas são boas?

- Do melhor. Mas para ti vou escolher umas especiais.

- Desde que não me enganes…

- Olha que me ofendes!

- E a clientela?

- Vai aparecendo. Passa aqui muita gente que vem ao banco.

- E quando sai vem cheia de guita…

- Ah! Ah! Ah! Agora sou eu que me rio. Os bancos já deram o que tinham a dar.

- Olha, a mim nunca me deram nada!

- Sabes uma coisa? O sítio aqui nem é mau para o negócio, mas eu nunca estou muito tranquilo.

- Então? Não disseste que tinhas tudo legal?

- Sim, disse e é verdade. Mas tenho medo de ser assaltado. Ainda um dia destes uns tipos assaltam o banco e na volta, como vêm de mãos a abanar, acabam por me roubar as castanhas, o carvão e as massas.

- De facto, pensando bem…

- Que eu para estar aqui mais tranquilo até fiz um acordo com o banco.

- Não me digas! O guarda de serviço também te faz a tua segurança?

- Qual guarda qual carapuça, o contrato é outro.

- Então?

- É assim um contrato de boa vizinhança. Nem eles vendem castanhas nem eu empresto dinheiro.

- Ah! Belo contrato!

- Também já não é bem assim. Eles agora já começaram a fazer-me concorrência: também já não emprestam dinheiro. Estou com medo que ainda comecem a vender castanhas…

- Boa tarde Ali Babá. Tem juízo e até um dia destes. Tens de me contar essa história de a palavra pass já não ser o “Abre-te Sésamo”.

E afastei-me, já a mastigar a 1ª castanha. Mas na dúzia que me vendeu, escolhidas especialmente para mim, encontrei duas podres. Assim vai a vida! Já nem no Ali Babá podemos confiar.

 

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.        

publicado por Carapaucarapau às 18:51
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