Quarta-feira, 26 de Maio de 2010

A carta improvável

Meu caro amigo Carapau:

 

Deves ficar muito admirado por te escrever e ainda por cima por me dirigir a ti nestes termos de “caro amigo”, que aprendi com o Jorge. É assim que ele trata as pessoas que quer lixar, mas quero que entendas, não é o meu caso, nem particularmente neste caso.

Não nos conhecemos peçoalmente mas admiro-te muito, admiro a tua capacidade de análize e sobretudo a tua resistência debaixo de água. Deves ser o rei da ateneia ou apeneia ou lá como se diz.

Como sabes estou de abalada para visitar o meu amigo Hugo, de Chaves, pois preciso desabafar com quem me entende e com quem posso aprender umas certas técnicas…

Também aproveito para mais duas ou três coisas, como sejam: tentar receber umas massas dos Magalhães que ele se terá esquecido de pagar, de ver se lhe vendo mais qualquer coisa que não seja para pôr no rol e sobretudo para fazer o meu jogging pelas ruas de Caraças, onde gosto muito de correr. Sou capaz de aproveitar e também fazer uma corridita no S. Paulo, se o gajo das barbas que manda lá me deixar. Onde não consigo correr é em Bruxelas, que lá os gajos dão-me cabo do canastro e dizem-me para me deixar de maluquices. Além disso, às vezes dão-me cada apertão que fico sem forças para andar, cuanto mais para correr. Ainda da última vez…

Também por cá já não me dá gozo correr, pois cada vez há mais gente a querer correr comigo e isso aflige-me, que nem tu calculas.

Comecei a falar de mim e quase já me perdi, a razão desta carta nem eram estas coisas, mas sim saber a tua opinião sobre o que achas que se deve fazer para continuarmos a ser o país da Europa mais desenvolvido e ao mesmo tempo termos de aturar os gajos de Bruxelas, os tais que têm inveja de mim e de nós. (Neste “nós” não entras tu, caro amigo Carapau, que nunca foste muito à bola comigo, mas eu apressio-te muito).

Gostava também de saber a tua opinião sobre aquele comboio super rápido que estou a fazer entre Nada e Coisa Nenhuma, que já são hoje dois importantes centros turísticos e industriais, com necessidade de transportes para as suas trocas. (Um amigo meu costuma dizer a brincar “trocas e baldrocas”, mas esse amigo é um gozão, que não levo a sério). Como sabes a Europa está a atravessar uma certa crise e nós temos de fazer o sacrifício de a ajudar nesta hora difícel. Por isso nós temos que puxar por ela, já que ela se diz cansada de puxar por nós. Cansam-se depressa, é só o que me vem à ideia dizer. Já disse isto àquela gaja alemã, aquela que tu conheces bem, segundo ela me disse, mas a verdade é que ela não entende muito destas coisas, ainda sou eu que de vez em quando lhe dou uns toques a indicar-lhe o caminho. Agora até sorri ao escrever “dar-lhe uns toques” porque me lembrei duma coisa, mas tu entendes esta linguagem e portanto não levarás a expressão para esse campo.

Por falar em campo, estou a pensar em voltar a cultivar batatas e também gostava de saber a tua opinião abaute (não tenho a certeza que seja assim que se escreve, porque naquele célebre domingo eu não estava em boa forma). Além de batatas, também couves, beringelas e apupinos.

Vou fazer-te uma confidência, mas peço-te que guardes segredo. Estou a ficar um bocado cansado disto, porque parece que as pessoas não me entendem e até alguns amigos meus já começaram a dizer que, se for preciso, estão prontos para se assentarem aqui, já tás a ver como as coisas estão. Dei tantas Novas Oportunidades a tanta gente e agora há tantos que já me querem roubar uma outra oportunidade, o mundo é assim, cheio de sacanas destes. Os ratos a abandonar o navio é um sinal que se passa qualquer coisa, mas eu olho em volta e não vejo nada de especial, para além de ver tudo a deslizar sobre esferas. Às vezes não percebo as pessoas, quando mais lhes dou mais querem, cambada de ingratos. Tu ao menos, caro amigo Carapau, verdade seja dita, nunca me pediste nada, só me tens dado, ainda que seja porrada.

Às vezes também há cruzes que temos de suportar sem termos culpa nenhuma. Calcula que por causa do meu nome meio grego, os gajos de Bruxelas nos querem meter no mesmo saco da Grécia, como se nós tivéssemos alguma coisa a ver com aquela gajada! Porra que isto é demais, como estou farto de dizer, mas eles fazem ouvidos de mercador, como me dizia uma gaja amiga, já nem me lembro a que propósito.

Amigo! Chegou agora o momento fulcral desta carta. Preciso saber a tua abalizada opinião, sobre o que melhor te parece, para darmos mais um passo em frente em direcção a um futuro risonho, como quem sido o passado. Devo vender umas coisitas e empenhar os anéis de pechisbeque ou aumentar aquela coisa que tu sabes em uns 20%? Que te parece que seja melhor? Ando aqui com umas dúvidas e se não for esclarecido pelo Huguito é em ti que deposito a esperança dum plano B.

Já me esquecia de dizer uma outra coisa a propósito do Hugo, o tal de Chaves. O gajo bem me ensinou como é que se trata uma televisão que nos chateia, mas eu meti os pés pelas mãos e aqui as coisas não correram bem da mesma maneira e além disso aqueles merdas do Pedro &Cª também não ajudaram nada, só me meto com incompetentes, e logo eu, que sempre fui o contrário disso.

Fico à espera do teu pracer e até lá acredita em mim, agora que muita gente já anda descrente.

Um abraço do teu

José.

 

Recebi esta carta e enquanto a lia, e maquinalmente, fui assinalando alguns erros de ortografia, mania que me vem de longe, como se eu os não cometesse também. Para falar a verdade não conheço nenhum José nem nenhuma gaja alemã, creio que quem escreveu esta carta se enganou em qualquer coisa. Mas ela aqui fica no meu arquivo.

 

publicado por Carapaucarapau às 19:42
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Quarta-feira, 19 de Maio de 2010

Série B (II)

O músico cego e a mulher

 

Sempre tivera problemas com a visão. Com a idade esses problemas foram aumentando e um dia cegou de vez. “Irreversível”, já o tinham avisado os médicos. Foi-se preparando para aceitar a cegueira, de maneira que, quando ela chegou, não o apanhou desprevenido.

Contou para isso com a ajuda preciosa da mulher que estava sempre a seu lado para o ajudar em tudo. Praticamente eram um só. Quem os visse na rua, achava aquele par um pouco estranho, sempre muito agarrados, sempre com o passo certo, um passo miúdo e rápido. Ela era os olhos dele.

Nas aulas que ele dava – aulas de música – ela estava sempre por perto para atender a qualquer coisa que fosse preciso. “É a minha secretária” dizia ele sempre risonho.

Um dia ela começou a queixar-se “dumas dores esquisitas”. Foram ao médico. Receitou uns medicamentos para as dores, mandou fazer exames radiológicos e análises. Quando voltaram ele aconselhou um outro médico da especialidade. Que era mais seguro ter um diagnóstico preciso. Passaram mais uns dias e foram, sempre os dois, a essa consulta. O médico examinou-a, viu os exames, encaminhou-a para ir fazer mais uns testes e quando ele a queria acompanhar o médico reteve-o. “O senhor fica aqui a conversar comigo, enquanto a sua esposa faz o exame. Ela volta já”.

Foi então que o médico que lhe disse, a ele, que o caso era irremediável. Aquele exame era só um pretexto para ficarem a sós. O cancro estava de tal maneira adiantado que não havia nada a fazer. Claro que fariam uns tratamentos, uma quimioterapia, mas pouco ia adiantar e ela ia sofrer bastante. Dizia-lhe aquilo tudo, e assim francamente, porque percebia a dependência dele em relação a ela e ele teria que ir pensando no futuro.

Ele gaguejou umas perguntas, uns pedidos de esclarecimento, até ficar bem informado.

Pouco depois voltaram para casa, e pelo caminho, ele contou a ela que o médico lhe tinha dito que não era nada de grave e nem seria preciso fazer qualquer operação. Bastava alguma medicação.

Como habitualmente jantaram ao som das notícias, a televisão ligada, de vez em quando ela esclarecia-o de qualquer pormenor.

À hora habitual deitaram-se. Quando ela adormeceu, ele levantou-se com cuidado, agarrou na almofada e sufocou-a até à morte. Depois vestiu-se, abriu uma janela e fez um voo picado a partir do 6º andar, onde viviam.

publicado por Carapaucarapau às 19:15
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Quarta-feira, 12 de Maio de 2010

Gente (VI)

Maria de Lurdes

 

Quando andava na 4ª classe da Instrução Primária (como se dizia na altura), a Maria de Lurdes tinha por companheiros uma outra rapariga e três rapazes. Os cinco tinham aulas em conjunto, lá na escola da pequena aldeia onde viviam.

Um dia, perto do fim do ano escolar, estavam os alunos da 3ª classe a fazer umas provas para preparar o exame, a professora pôs os cinco a estudarem numa outra sala, dizendo-lhes que no fim viria fazer-lhes perguntas sobre a matéria. A matéria a estudar era “países europeus e as respectivas capitais”.

 À frente deles, na parede, o mapa da Europa.

“A capital da Áustria é Viena, a capital da Grécia é Atenas…” e por aí fora seguia a cantilena. Depois fechavam os olhos e, de frente para o mapa, tentavam acertar na localização do país e da capital que um deles dizia.

E como,

 

“As almas das crianças são como pérolas de leite

Caídas em túmulos virginais.

Tudo quanto ali se grava, tudo quanto ali se escreve,

Cristaliza em seguida e não se apaga mais”, (*)

 

passado algum tempo já sabiam tudo, da frente para trás e de trás para a frente. E ainda faltava tanto tempo para a professora vir interrogá-los…

Inventaram jogos, brincadeiras, passatempos.

Às tantas, nunca ninguém soube a razão, se é que houve uma razão, um dos rapazes espetou o aparo da caneta no pescoço da Maria de Lurdes.

A miúda desata num berreiro tremendo, a chorar convulsivamente, o que apanhou todos de surpresa, até o autor do “atentado”.

Durante largos minutos ela chorou convulsivamente, as lágrimas a caírem-lhe pela cara abaixo e sem responder às perguntas dos colegas sobre o que tinha acontecido.

Passado algum tempo ouviram-se os passos da professora a subir a escada que conduzia à sala onde se encontravam os cinco.

Ainda a Maria de Lurdes soluçava.

A professora sentou-se à secretária e mandou os alunos alinharem em frente dela, para o interrogatório sobre as capitais europeias.

Foi nessa altura que reparou na cara da Maria de Lurdes, ainda a soluçar e com os evidentes sinais de choro estampados no rosto.

- Que tens? Que aconteceu?

Durante um ou dois segundos o mundo deixou de girar para o autor da “proeza”. Só ele e a Maria de Lurdes sabiam o que tinha acontecido.

Ele fechou os olhos e esperou pela declaração da colega, a que se seguiria o julgamento e a óbvia sentença.

Ela então respondeu à professora:

- Fui eu que bati com o joelho na carteira, doeu-me muito e até chorei.

- Ora! Isso não é nada. Dói muito na altura mas depois passa. Daqui a pouco já nem sentes nada. Vamos lá a saber o que aprenderam.

Ele nem queria acreditar no que se estava a passar. Tinha passado do azul do medo ao amarelo da vergonha. Então a Maria de Lurdes não dissera que fora ele que a picara? Ao mesmo tempo sentiu um alívio enorme, afinal não lhe ia acontecer nada. E tudo porque ela mentira, para ele não ser castigado!

Lá responderam às perguntas. Todos sabiam tudo sobre as capitais europeias. A professora mandou-os embora. Saíram. Cá fora o culpado nem disse bom dia nem boa tarde. Contra o costume foi sozinho, em passo apressado, para casa. Nem um agradecimento à colega, nem um pedido de desculpas. Nem nesse dia, nem nos seguintes, em que ainda tiveram aulas de preparação para o exame, que era daí a pouco tempo. Ele nunca mais falou para ela, nunca mais olhou para ela.

Depois de terem terminado a instrução primária com o respectivo exame, várias vezes ele a viu, pois estudavam ambos na cidade próxima. Quando a descobria ao longe ele mudava de passeio e olhava para o outro lado. Nunca mais lhe falou.

Depois simplesmente ele perdeu-a de vista e nunca mais soube nada dela, nem da família, que entretanto deixou de viver na aldeia.

Mas aquela atitude digna, de uma miúda que o salvou de um pesado castigo, face à atitude dele de, cobardemente, se calar e de nunca lhe ter pedido desculpa e de nunca lhe ter agradecido, ele não a esqueceu. Como também nunca mais esqueceu uma coisa que não vem em nenhum livro de Geografia: a capital das capitais europeias chama-se Maria de Lurdes.

E isso, só ele sabe.

 

(*) Os versos foram citados de cor e podem não ser precisamente assim. Também me esqueci de quem é o autor. Suponho que são dum poema de Guerra Junqueiro, mas não o afirmo.

 

 

publicado por Carapaucarapau às 23:07
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Quarta-feira, 5 de Maio de 2010

Entrevista esclarecedora

 

Estava eu a descansar os olhos, olhando para um cardume de petingas que por ali volteava, quando ouço umas gargalhadas de alguém que se aproximava. Passados uns momentos também passei a ouvir a conversa que provocava essas risadas. Deixei-me ficar quieto e reparei em duas loiras, equipadas a rigor, que se dirigiam para a entrada da minha caverna.

 Como suponho que já perceberam, eu não estava lá, estava aqui, senão não me era possível observar o cardume a que fiz referência logo na 1ª linha.

Uma das loiras trazia um microfone e a outra trazia uma máquina fotográfica ou de filmar, àquela distância não dava para ver bem. Parece que vinham a mascar umas pastilhas, mas já deve ser invenção minha, pois como poderia eu ter a certeza, se além de estarem de costas, ainda por cima eu só via as botijas do oxigénio, as barbatanas e parte das máscaras? E como, nestas circunstâncias podiam mascar pastilhas?

Espero que, entretanto, já tenham percebido: hoje estou numa mesmo de Carapau, aqui debaixo de água, a pensar na vida. Ou melhor estava a pensar, antes de ver aquela aparição das loiras. Elas entraram pela caverna dentro, com o à vontade das visitas habituais, quando a verdade é que só lá estiveram uma vez, faz tempo, quando tivemos “aquela conversa”.

Resolvi portanto dirigir-me para lá.

Quando entrei estavam elas a acariciar as algas (não confundir com acariciar as nalgas…) talvez a lembrarem-se de coisas, ou talvez só a apreciar a macieza das ditas. Preguei-lhes um susto, fiz-lhes sair muitas bolhinhas de ar com os gritinhos e foi aí que começou a conversa.

- Hello mister Carapau, tudo ok com usted? – E foi nessa altura que eu percebi que elas agora eram jornalistas do Finanxial Taimes. Tinham mudado de clube, ou seja, de jornal.

CC – Que as traz por cá de novo?

FT – A crise, mister Carapau.

CC – Vieram então de crise? - Perguntei eu a fazer-me engraçadinho.
FT – No, no, viemos de barco até ali e depois descemos até aqui.

CC – Claro. Para chegarem ao meu nível têm de descer e muito…

FT – Oh! No, no, Carapau ser muito do good, como se diz? Ah sim muito bão, very simpatic e…

CC – Deixa-te de histórias e diz ao que vens. Navalheiras?

FT – Oh! Navaleras ser muito good, nós termos gostado muita da outra vez...

CC – Também eu.

FT - …mas nós agora ser do Finanxial Taimes e só fazemos entrevistas sobre economia e finaças, perdão, finanças. Que nos diz desta crise?

CC – Olhem minhas queridas. Esta crise das “finaças” é uma crise do caraças.

FT – Oh! Oh! Carapau sempre a brincar…

CC – A brincar? Então se não é do caraças é do quê? Não querem que vos explique…

FT – Oh! Não, não. Acha então que…

CC – Claro que acho. E até podia dizer mais. Que esta crise é ainda…

FT – Por favor, Carapau, não diga mais nada.

CC – Passamos então às Navalheiras?

FT – Si, si, mas antes deixe-me agradecer esta entrevista esclarecedora e permita que agora a minha colega tire umas fotos…

CC – A mim?

FT – Oh! No, no, às Navaleras…

 

E foi assim que naquela tarde acabei a petiscar umas Navalheiras acompanhadas por umas loiras… (versão 1)

 

E foi assim que naquela tarde acabei a petiscar umas Navalheiras, acompanhado por umas loiras… (versão 2)

 

 

 

publicado por Carapaucarapau às 13:33
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