Sexta-feira, 31 de Julho de 2009

3 em 1

 

 

(Para rir, ou talvez não…)

 

 ***O 1º ministro italiano, o senhor Berlusconi, parece que falou ao telefone com uma prostituta, a conversa foi gravada, chegou aos jornais e o homem tem sido atacado por todos os lados.

O Carapau leu, ouviu e meditou e perguntou-se:

“Então  ele tem de aturar e falar todos os dias com os filhos delas e não pode falar com as ditas, nem ao telefone? Chiça! Que a vida está muito difícil para o homem…”

 

***O 1º ministro português disse há dias que “está para nascer quem, em termos de redução do débito público, já tenha feito melhor”.

O Carapau comentou para as suas escamas:

“Então está para nascer quem já tenha feito? Milagre dos milagres: fazer antes de ser… Milagre ainda maior que o débito português que, depois de tantos apertões de cinto, ainda vai ficar maior do que era há 4 anos…

Caso para dizer que presunção, água benta e alguma gramática não fazem mal a ninguém.

(O Cachucho, que é um gozão, e que mora aqui ao lado, disse logo: “que queres? O homem é bom mas só em inglês técnico…”)

 

*** Um homem teve um acidente de viação de que foi culpado um terceiro. O caso foi para tribunal e li agora no jornal “SOL” que o douto tribunal- o Supremo- condenou a companhia de seguros do terceiro a indemnizar a mulher do acidentado pelos motivos que transcrevo do jornal:

No acórdão, a que o SOL teve acesso, os juízes sustentam a decisão explicando que a qualidade de vida da esposa da vítima «ficou profundamente afectada, os seus direitos conjugais amputados numa parte importante para uma mulher jovem e os seus projectos pessoais de ter mais filhos irremediavelmente comprometidos».

O tribunal reconhece que, face à impossibilidade de manter qualquer relacionamento sexual com o marido, a mulher «passou a ser acometida de permanente desgosto, apreensão pelo futuro, angústia, irritabilidade fácil e revolta».

Os magistrados concluem ainda ter ficado provado que «devido à impotência sexual de que ficou portador, o autor [da acção] passou a ser acometido de um sentimento de ciúme em relação à sua mulher, que se traduz em discussões».

O Carapau leu, ficou com muita pena da jovem (o gajo que ficou impotente que se lixe), calculou como ela ficou “profundamente” afectada (o gajo não ficou nada disso, até ficou porreiro), calculou que “superficialmente” ela não terá ficado prejudicada (…), os direitos conjugais dela ficaram afectados (os dele nem pensar), ela fica com permanente desgosto (ele fica contentinho), apreensão pelo futuro (ele não quer outra vida), ela fica angustiada, facilmente irritável e revoltada (ele, pelo contrário, nunca andou tão satisfeito e confiante, descontando uns ciumezitos e umas discussões).

Convenhamos que a maneira como o acórdão do tribunal está redigido dava pano para mangas para gozar, não fora o drama das duas pessoas atingidas. Agorapassou a haver mais um problema. Se as companhias de seguro tiverem de indemnizar todas as mulheres de impotentes, vão entrar em falência em três tempos. Mesmo que,  a essas indemnizações, só tenham direito as jovens (o acórdão refere a “jovem mulher”). As mais antigas ficam a chuchar no dedo…

Ou então aproveitam-no (o dedo) para outras funções…

publicado por Carapaucarapau às 10:35
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Domingo, 19 de Julho de 2009

O "não-post"

 

 Queixo apoiado na mão esquerda, pus-me a olhar para ele como se fosse a primeira vez que o visse.

Todo cheio de quadrados (e alguns rectângulos), com letras e sinais nos cantos, parecia desafiar-me para lhe tocar, mas eu não passava da fase contemplativa. O problema era saber qual dos quadrados eu devia tocar em 1º lugar. O começo é sempre o mais difícil em qualquer relação, ainda que seja o mais excitante.

Nada ajudava: o calor, a disposição, o vazio da caixa das ideias.

Fiquei assim um tempo sem saber o que fazer. Algumas ideias, que já tinha alinhavadas, ficaram “noutra caixa” e isso não me motivava nada para me esforçar a tentar reproduzi-las. Daí esta posição de queixo na mão a olhar para ele sem lhe tocar.

Estava fora de questão falar de Freeport’s (de que aliás já ninguém fala…), de bancos falidos (que estão mas não estão…), de dedinhos na cabeça a fingir de cornos (é sempre chato isto de fingir…), de verão que já não é o que era, de sardinhadas com salada e vinho tinto (para não toldar as boas relações que mantenho com as minhas amigas sardinhas) e de tantas outras coisas que tem acontecido e que tem servido para alimentar tanta escrita e tanta conversa.

É certo que podia falar de coisas mais pessoais e familiares, como por exemplo da minha prima e do seu amigo Zeca, que são sempre um bom motivo de conversa, ou da minha queda para as navalheiras, a que lanço mão quando me convém.

Enfim…ainda era capaz de inventar uma história de polícias e ladrões, de aventuras que ficaram a meio, até mesmo de passagem de modelos de fatos de banho e lingerie…

Mas… mas a verdade é que não saia daquela atitude contemplativa: queixo apoiado na mão esquerda a olhar para ele.

E uma vez que ele também não me ajudava em nada (nem uma ideia, nem um piscar de olhos, nem um aceno), não saímos daí.

Deu nisto o diálogo de surdos entre mim e ele, o teclado do computador em que acabei por escrever isto, que vou aproveitar para um post, tal a falta de imaginação com que estou.

Talvez para a próxima a “coisa” melhore.

 

 

publicado por Carapaucarapau às 14:11
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Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Investimento Público

                                           

  

 

Está na moda a discussão dos grandes investimentos públicos.

“Fazer ou não fazer” eis a questão.

Todas as semanas têm saído comunicados subscritos por economistas encartados, economistas desencartados (isto é, sem carta de condução), conhecidos de economistas, pessoas que falam com economistas, vizinhos de economistas, deseconomistas e tantos outros que procuram alpista.

Pois bem!

O Carapau não é menos que qualquer um destes “artistas” e resolveu também botar a circular um manifesto com as suas ideias sobre o assunto. Quem quiser aderir pode assiná-lo e tanto o pode fazer ao baixo, como ao alto como ao lado. Cada pessoa assina como entender. Também pode não assinar, para o caso conta na mesma.

Vamos pois ao manifesto.

 

Tendo estudado aprofundadamente o assunto dos grandes investimentos públicos e tendo debatido o assunto com eminentes especialistas (o sagaz Goraz, a cocabichinha Sardinha, o astuto Cachucho, o calmo Cherne e a remexida Chaputa, só para citar alguns) e considerando que está em causa o futuro das futuras gerações (e nunca o passado das gerações futuras como alguns entendem), considerando ainda que é preciso defender o que é nosso duma maneira tenaz, pois anda por aí muito boa gente a mexer nos bolsos que não lhes pertencem, considerando que é preciso valorizar a nossa imaginação, considerando que é preciso inovar, temos de cessar imediatamente tudo o que está em marcha e tudo o que está quase para marchar e tudo o que no futuro haveria de marchar e concentrar os nossos esforços em três ou quatro pontos em que temos de nos empenhar (“nos empenhar” é uma maneira de dizer, mas creio que empenharmo-nos é o nosso destino…)

Assim, o investimento a fazer deve concentrar-se nas seguintes grandes obras:

1-     Um canal de grandes dimensões (largura e profundidade) que atravessará o país de cabo a rabo, isto é, em diagonal desde a foz do rio Minho até à foz do Guadiana. Dito doutra maneira, desde Caminha a Vila Real de Santo António (ver mapa). Este canal será policiado pelos dois submarinos recentemente adquiridos (a propósito: que é feito deles? Já chegaram? Ainda estão em construção? Não temos tido notícias… E mais a propósito ainda: e as comissões chorudas a que estes negócios são lugar por onde param? Não me digam que o cacau está a dormir aí num desses off shore’s…). Assim enquanto um submarino entra por Vila Real de Santo António o outro está a sair por Caminha, desce a costa ocidental, contorna a costa sul e volta a entrar no canal. Andam assim numa roda-viva a defender as nossas águas e terras territoriais e não só as águas, pois isso qualquer barco a remos faz.

Este canal vai ser atravessado por todas as embarcações que se dirijam do Atlântico norte para o Mediterrâneo e vice-versa, que pagarão portagens (que no caso se chamarão canalagens). Os submarinos vigiarão todo este tráfego e nos intervalos, servem-se dos periscópios para vigiar os pomares e impedirem assim que a fruta seja roubada.

Claro que o canal vai ainda ser um rico viveiro de peixes e qualquer um vai poder dar banho à minhoca para ver se apanha algum “peixe do alto”. Veja-se o desenvolvimento que isso trará ao interior quando, por exemplo, em Fornos de Algodres, for possivel apanhar uma corvina …

2-     A 2ª grande obra é uma auto-estrada a acompanhar a fronteira com a Espanha. Esta via será toda em viaduto de grande altura para assim projectarmos a nossa sombra sobre a Espanha. É certo que da parte da manhã a sombra nos “calha” a nós, mas a partir do meio-dia os nossos vizinhos vão ver o que é sombra…

3-     Outra grande obra: um hospital psiquiátrico em cada distrito (alguns distritos precisarão de mais do que um…A este respeito há opiniões diferentes, pois há quem se incline mais por fazer penitenciárias. Poderão eventualmente conjugar-se as duas coisas).

4-     Finalmente, acrescentar a altura da Torre do Clérigos no Porto em, pelo menos 1, 35 m, que é aproximadamente a altura daquele sujeito que levou aqueles dois dedos à testa e assim ofendeu as virgens…não sei se estão lembrados?

 

Estes terão de ser os grandes investimentos para tirarmos o pé da lama, se é que queremos mesmo tirá-lo. Caso contrário nada como continuar a chafurdar.

 

Para já, assinam este manifesto:

-a Chaputa (as senhoras sempre em 1º lugar…)

-a Sardinha

-o Goraz

-o Cachucho

-o Cherne

-o Carapau

 

Outros se seguirão.

 

 

 

publicado por Carapaucarapau às 19:17
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Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Gente (I)

 

 

Depois de quase um mês em que o blog esteve a retemperar forças, cá estou de volta, pronto para mais uns posts.

Um encontro “quase” casual deu-me a ideia para aqui lembrar meia dúzia de pessoas que fui conhecendo ao longo da vida, contando um ou outro episódio das suas vidas. Portanto, de vez em quando aqui aparecerão, umas “estórias” de que eu tive conhecimento directo.

Terão o titulo geral de GENTE e o subtítulo será o nome da personagem e/ou do episódio contado.

Hoje e para começar será:

 

Tomás

 

Quando o conheci já ele ia a caminho dos sessenta.

Alentejano de cepa, há vários anos que vivia fora do seu Alentejo.

Era calmo, reservado mas bem disposto. Sempre pronto a ajudar no que fosse preciso. Era um pouco surdo e falava pausadamente e baixinho.

Levava uma vida pacata, do trabalho para casa e de casa para o trabalho, com a inevitável passagem pelo quintal onde cultivava as couves, as batatas e as ervas do seu Alentejo: os coentros, os orégãos, o poejo. Para além dos universais hortelã e salsa.

Um dia chegou até mim a notícia de que na véspera o Tomás tinha sido atropelado quando regressava a casa. Transportado ao hospital da área, o seu estado era de tal modo grave que foi levado para Lisboa. Estava em coma profundo e assim se manteve muitas semanas. Uns tempos depois foi devolvido ao hospital de origem e como não havia evolução positiva no seu estado, foi “depositado” num hospital de retaguarda, qualquer coisa parecida com um armazém de doentes de quem já nada há a esperar.

Esteve aqui uns meses até que um dia o seu estado se agravou e acabou por fazer o circuito inverso, acabando novamente em Lisboa.

Dois ou três dias depois soube que tinha falecido.

A verdade porém é que uns dois meses depois já o Tomás estava a trabalhar e a fazer a sua vida normal. Casa, trabalho, salsa e coentros.

Foi ele que me contou o resto da história da sua “morte”.

Dado como morto no hospital foi transferido para a morgue, onde esteve umas horas depositado numa mesa com uma etiqueta pendurada do dedo grande do pé. Uma funcionária ao passar por ele verificou que um dos braços estava pendurado, o que não sucedia uns minutos antes. Agarrou nele para o colocar sobre o corpo e verificou que apresentava uma certa temperatura e que não tinha a rigidez de morte que naquela altura já deveria apresentar. Deu o alarme, chamou um médico e…enfim o Tomás estava vivo.

O nosso homem trabalhou até atingir a idade da reforma e a partir daí deixei praticamente de o ver. Depois o tempo não pára, os anos foram passando, a vida atirou-nos para longe e nunca mais soube dele.

Há dias passei pela terra onde ele vivia e por curiosidade resolvi parar e fui espreitar o quintal onde o Tomás fazia as suas culturas para ver se descobria alguma coisa. Descobri-o a ele que vinha a sair com uma alfaces e umas couves. Fiquei espantado. Tem agora oitenta e tal anos e “está na mesma”. Coloquei-me à frente dele e perguntei-lhe se sabia quem eu era.

- Então não havia de saber? – respondeu-me com os olhos a brilhar.

- E o senhor Tomás como está? – perguntei eu, dando-lhe um abraço.

- Olhe, cá vou andando. Como já morri uma 1ª vez, agora esta segunda está difícil – respondeu-me a sorrir.

 

publicado por Carapaucarapau às 12:32
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