Sábado, 28 de Fevereiro de 2009

Sexo (I)

 

Dois acontecimentos recentes, um relacionado com a foto acima publicada (quadro “A origem do mundo” de 1866 do pintorGustave Courbet) e que ilustrava a capa de um livro que foi apreendido durante uns dias por estar exposto ao público numa feira do livro em Braga, e outro sobre educação sexual que pode ler neste cantinho, lembraram-me um estudo que em tempos o Carapau fez sobre os sexos. Sobre os dois sexos “clássicos”, já que agora parece que há três ou mesmo quatro, conforme os pontos de vista.

Neste post irei tratar só do sexo feminino e noutro tratarei do masculino. Juntar os dois num mesmo post poderia parecer que o blog se tinha transformado na casa da Joana e isto é um assunto muito sério e sobretudo fruto de muito trabalho de investigação, onde se tem de ir ao fundo da questão, às vezes em apneia, outras vezes com escafandro para maior segurança do mergulhador, sobretudo quando mergulha em fundos que não conhece bem…

Não se vai propriamente fazer uma descrição do aparelho sexual feminino, que isso pode-se ver em qualquer sítio, nem tão pouco teorizar sobre a educação sexual, que hoje já é feita nas escolas, enquanto ontem se fazia nos prostíbulos, nos currais e na casa da já citada Joana…

O estudo, com recolha de dados quer por via oral (…), quer folheando velhos e novos calhamaços catando uma palavra aqui e outra ali, diz respeito somente às diversas formas por que é designado o órgão sexual feminino. Aquele que está à vista de toda a gente no quadro que acima se reproduz.

A língua, que neste (e noutros) assunto tanta importância tem, vai evoluindo e todos os dias aparecem novas designações. Esta obra é portanto uma obra sempre incompleta e sempre em evolução. Na época da informática certamente todos os dias se farão uploads e downloads e se ligarão novos periféricos, ainda que o hardware seja sempre o mesmo. Já no software a evolução é constante…

Esta longa explicação, que no caso presente é mesmo uma introdução feita com todo o cuidado para não ferir (susceptibilidades), foi a preparação julgada necessária para poderem usufruir em plenitude da imensa sabedoria que a seguir vos espera. E a preparação nestes casos é muito importante.

E, não esqueçam, isto é um trabalho cientifico…

 

Diversas designações do órgão sexual feminino:

 

 

1 - Amêijoa

2 - Bacalhau

3 - Berbigão

4 - Berbigo

5 - Boca

6 - Boca do corpo

7 - Boca sem dentes

8 - Boceta

9 - Buraco

10 - Caixa de esmolas

11 - Chibiu

12 - Chochota (xoxota?)

13 - Cona

14 - Conaça

15 - Crica

16 - Fanesgo

17 - Gaita-de-beiços

18 - Garagem

19 - Garagem do cacete

20 - Greta

21 - Grila

22 - Guarda-jóias

23 - Mealheiro

24 - Nesga

25 - Nêspera

26 - Ostra

27 - Pássara

28 - Passarinha

29 - Pachacha

30 - Pelada

31 - Peludinha

32 - Perereca

33 - Pipi

34 - Pito

35 - Quirica

36 - Raposinho

37 - Racha

38 - Ranhura

39 - Rata

40 - Vagina

41 - Vulva

42 - Katóta (C. Verde) **

43 - Parreca **

44 - Pipirica **

 

 

 Nota: As palavras assinaladas com ** são contribuições de visitantes do blog (ver comentários)

 

 

 Trabalho de um só Carapau é certamente uma obra muito incompleta. Fica portanto aberta (a obra entenda-se, nada de maus juízos) a todas as contribuições que desde já se agradecem. Havendo já aqui muitas contribuições brasileiras, falta uma componente africana que não será de desprezar.

 

Nota final:

                  Não foi fácil a apresentação deste trabalho. Ao relê-lo verifico que pode haver, nalguns casos, duplos sentidos nas palavras. Se acaso isso acontecer creio que, embora lateralmente, só enriquece o estudo…

 

 

  

 

 

publicado por Carapaucarapau às 12:26
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Domingo, 22 de Fevereiro de 2009

Interrogatório (c)errado

 

 

- Bom dia! Como se chama?

- Tio.

- Tio? Muito bem. E o que trouxe aqui o senhor Tio?

- O carro. E o meu advogado também me disse para vir.

- Muito bem, senhor Tio. E que mais?

- Mais nada. Viemos só os dois.

- Não é isso. Quero dizer…qual foi o motivo porque veio aqui?

- O Napoleão.

- Napoleão? O Bonaparte?

- Não, não. Este também é francês mas é o Napoleão, o chien.

- Ah! É chien? E que lhe aconteceu?

- A mim nada. Agora ao Napoleão…desapareceu.

- Desapareceu? Quando?
- Hoje de manhã enquanto fazia a barba.

- O chien também faz a barba?

- Não, não. Enquanto eu fazia a barba, o cão desapareceu.

- Motivo?

- Não sei.

- Maus-tratos?

- Nem pensar. Tratadinho a pão-de-ló.

- E bife do lombo?

- Às vezes, outras vezes o bife é da vazia.

- Muito bem, muito bem, senhor Tio.

- Vamos já tratar disso.

- Obrigado.

- Outro assunto. Conhece o senhor Chaimite?

- Chaimite? Chaimite…só conheço aquele do compêndio de história.

- História?

- Sim, aquela terra onde foi preso o Gungunhana.

- Ah! Já prenderam um? Não sabíamos…

- Outros tempos…

- Claro, claro. E o senhor Manuel, conhece?

- Manuel, assim por Manuel… só conheço o meu jardineiro, o Manel.

- Muito bem. Outra pergunta: Quanto ao seu sobrinho…

- Qual?

- O Zé.

- Não sei nada desse. Há anos que não dá sinal de vida. Nem sei se está bem, se está mal. Ando preocupado…

- Preocupado?

- Muito. Tão bom rapaz e agora ninguém sabe dele.

- Muito bem senhor Tio. Não queremos mais nada do senhor.

- Então posso ir embora?

- Claro que pode, mas primeiro vou dar-lhe uma boa notícia. O Napoleão já foi localizado. Quando chegar a casa já o encontra lá.

- Os senhores são uns amores. Ainda bem que os senhores existem. Assim até podemos andar todos mais descansados. Obrigado e bom dia para todos.

 

Cá fora, a comunicação social esperava a saída do senhor Tio. Quando o viram, assaltaram-no.

- É arguido?

- Foi interrogado?

- Que lhe perguntaram?

- Vai voltar cá outra vez?

- Respondeu a todas as perguntas?

- Quem recebeu as luvas?

O advogado do senhor Tio pediu silêncio e disse que este ia fazer uma declaração.

O senhor Tio pôs-se de pé, sorriu para as câmaras de TV e disse:

- O Napoleão já apareceu, graças a estes senhores e senhoras que aqui trabalham e que são uns santinhos.

- E com respeito ao seu sobrinho?

- Também me perguntaram por ele, mas eu nada sei. Mas garanto que com a eficiência que estes santinhos mostraram não demoram muito que o não encontrem. Muito obrigado a todos e boa tarde.

 

 

publicado por Carapaucarapau às 18:23
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Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

Banda (quase) desenhada

 

 

 

É verdade! Uma história pequeníssima só para mostrar as “habilidades”, seguida de uma velha quadra.

 Quem havia de dizer que aqui na caverna, com os limitados recursos de que disponho, eu entrava numa destas?

 

Em tempos convidei a Pescadinha para uma viagem de férias e perguntei-lhe como queria ela viajar: de u, de b, de p, de t ou de js

Ela tirou os $, fez-me aqueles NN que era costume fazer quando queria pedir alguma coisa especial e disse-me que gostava de viajar de o para uma J , de preferência deserta.

Perguntei-lhe a razão da escolha e ela U-me que era para tirar as "" de !.

Eu ri-me >>>, com cara de pargo, pensei em dar-lhe uma e mas acabei por lhe oferecer umas ZZ.

Algum tempo depois lá fomos de o como ela pediu, estivemos uns dias e por pouco que não  tinham que nos ir buscar de h.

Pelos trabalhos que passei, eu bem merecia uma % ou pelo menos uma&.

Isto de amor e uma Q é muito romântico mas devia ser x.

 

 

 

 

E agora a quadra (velha)

 

      |

       .

   

   n

 

   g.  

 

 

 

Tradução:

                   Um em pé

                   Um deitado.

                   Um redondo

                   Um quadrado.

                

publicado por Carapaucarapau às 11:00
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Sábado, 14 de Fevereiro de 2009

S. Valentim

 

 

- Carapau?

- Sim – respondi com voz a rouca de quem foi acordado pelo toque do telefone. – Quem fala daí?

- Já nem me conheces a voz? Sou eu, o Valentim.

- Que aconteceu para me acordares a esta hora?

- São 4 da tarde, pá!

- E que tem isso a ver com as calças?

- Que calças?

- Neste momento estou descalço, estava a dormir a sesta.

- A sesta, pá?

- É proibido?

- Não! Mas por isso é que não sais da cepa torta.

- E tu gostas mais dela direita?

- Ah, ah, ah! Estás sempre a gozar.

- Nem sempre. Agora estava a descansar.

- Tu estás bom?

- Já estive melhor. Há 5 minutos atrás estava bem melhor.

- A dormir?

- A sonhar.

- Com alguma coisa ou quem alguém?

- Olha lá? Mas isso agora também é da tua jurisdição?

- Isso, o quê?

- Os sonhos.

- És parvo ou fazes-te? Interessam-me lá os sonhos!

- Claro que não…queres é juntá-los aos pares.

- Se não puderem ser mais, pelo menos aos pares…

- Também tu já entraste no negócio?

- Entrei? Nunca tratei doutra coisa…

- Já não há amor…é só interesse…

- Deixa-te de ser pargo!

- Nunca fui ostra coisa senão Carapau.

- Tens de fazer um aggiornamento.

- Achas?

- Claro! Põe os olhos em mim. Também comecei devagarinho…

- Mas afinal que me queres tu?

- Saber de ti, pá!

- Porquê? Eu até já acabei o namoro com a Pescadinha.

- Ai sim? Não sabia. Houve problemas?

- Estava a começar a haver. Ela dobrava-se muito e eu não tenho espinha para aquelas habilidades.

- Tivesses dito alguma coisa, talvez isso se resolvesse.

- Tens a mania que resolves tudo…

- E resolvo, e resolvo…

- Vê-se! A maior parte da malta anda por aí toda desencontrada.

- Que queres? Essa malta não sabe provocar bons encontros. Olha que nos meus tempos, encontros era mato. Encontrava-me com toda a gente…

- Vê-se…

- Vê-se?

- Sim, vê-se o efeito. A malta só quer sacar umas prenditas, se valerem alguma coisa vão para o prego, se não valerem vão para o lixo. No fundo é para isto que existes?

- Qual prego, quais prendas, qual carapuça. Já isso do lixo não é mau negócio…

- Negócio? Tu agora estás rendido a isto, à sociedade de consumo?

- Com sumo e com tudo o mais. Sempre estive. Mas olha que comecei por baixo, mesmo abaixo do chão. Comecei pelo tubérculo, pela batata…

- Pela batata? Não estou a entender nada…Conta-me lá essa São Valentim.

- São Valentim? É pá eu sou muito bom mas ainda não cheguei a santo...

- Mau! Então não és o São Valentim dos namorados?

- Ah! Ah! Ah! Essa está muito boa pá. Que grande confusão… Ah! Já percebo…é por ser hoje o dia dos namorados… Não pá, eu não sou o santo, sou o …Outro.

- Eu também estava admirado pelo santo querer falar comigo… mas pensei… Mas afinal que me queres tu?

- Só queria saber como tens conseguido escapar às redes, aos anzóis e aos arrastos que certamente te lançam de vez em quando. Estava a precisar dos teus conselhos.

- Já tens um concelho para que queres os meus? Vai lamber sabão!
- Ai sim? Vou aí rebento-te a caverna toda e f...

 

Desliguei o telefone e fui continuar a sesta interrompida.

Mais tarde, quando acordei fui rever a conversação que tinha gravado, e ouvi também o resto da conversa, que terminava assim:

 

-Vou aí e rebento-te a caverna toda e faço-te em escabeche. E se estiveres com o cardume, meto-os todos no vinagre. Quantos são vocês? Quantos são?

 

Observação final:

                             Já depois de escrito este post, tomei conhecimento que afinal o amigo e vizinho dele não tinha nenhuma fruta no cesto. Assim sendo, o Outro (este que me ameaçou) bem podia andar mais descontraído. Ou andará nervoso à espera duma comenda?

 

publicado por Carapaucarapau às 00:23
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Domingo, 8 de Fevereiro de 2009

A minha carta rogatória

 

 

Cá para mim uma carta rogatória é uma carta onde a gente roga, suplica, pede com insistência.

E como quem pede, pede alguma coisa, cá vou eu pedir.

 

Exmos. Senhores e Senhoras:

 

Venho por este meio rogar-lhes encarecidamente, no sentido de eu chegar à minha verdade, que me esclareçam os seguintes pontos:

1-     Os directores da SFO, da PJP, da PGRP, da PCL e da AP * estão ou não metidos nisto?

2-     Também gostava que me esclarecessem se GP, JR, JS, RD. CD**, WMK e ainda JS, JM, JC (só aqui estão 3 jotas) existem ou não?

3-     MP o que vem a ser?

4-     Também é importante que me esclareçam se o T está bem de saúde e se o P vive com gosto no convento chinês.

5-     Também gostava que o ICN me esclarecesse se o EIA foi feito e aprovado e também quem foi o FdaPdoG que o fez, onde e quando.

6-     Finalmente rogo-vos que me esclareçam se a SiP auxiliou qualquer coisinha.

 

Uma vez esclarecidos estes pontos, eu fico descansado, e deixo de vos incomodar com as minhas perguntas.

Números e nomes de contas bancárias, extractos de contas, localização das mesmas, circuitos do cacau, do café e mesmo circuitos de manutenção, não são necessários, pois só viriam complicar uma coisa aparentemente simples.

 

Fico a aguardar o tempo que vos for preciso.

 

Beijos para todos. Vocês são mesmo o máximo.

TDC

Carapau.

Esclarecimentos: 

·        * Este AP não tem nada a ver com uma conhecida marca de balanças.

·        ** Este CD não é o outro CD.

 

publicado por Carapaucarapau às 12:07
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Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

Uns fazem a festa...

 

 

Há por aí um gajo chamado Jamé, e que a maior parte da malta já conhece por diversos motivos, sendo o mais conhecido o do deserto e dos camelos, que um dia destes fez constar na paróquia que queria saber a data de todas as festas, bailes, almoços de confraternização e jantares de homenagem que havia na aldeia e arredores. Claro que não ficavam de fora nem os baptizados nem os casamentos. Por enquanto só não precisava de saber dos funerais…

A malta gozou à brava com o interesse do Jamé por estes acontecimentos e até o Zé dos Anzóis – um tipo com quem eu nem simpatizo muito e estão todos a perceber a razão – lhe perguntou o porquê de ele querer saber destas coisas, pois a malta já está escaldada de ter de o gramar a comer e a beber e a arrotar postas de pescada (com o meu pedido de desculpas à minha amiga Pescada, que não tem nada a ver com isto). É só uma maneira de dizer, porque o Jamé é o tipo típico do arrotador.

Ele respondeu que era para organizar a agenda dele para poder estar presente em todos esses acontecimentos, pois era do conhecimento geral que festa sem ele não era festa. A malta riu-se com a lata da resposta, ainda houve uns optimistas – ingénuos – que disseram que talvez ele quisesse contribuir com qualquer coisinha, mas passados uns dias já se tinham todos esquecido disto, porque entretanto começou a fazer muito frio e todos trataram de se agasalhar e de ver se também arranjavam umas boas luvas, que foi o negócio que se seguiu neste tempo de crise.

Agora, vejam qual não foi o espanto da malta quando apareceu na porta da igreja e no placar da junta este escrito, que aqui deixo, tal e qual o copiei:

 

A Estradas de Portugal (EP) está a pedir às concessionárias de auto-estradas que paguem meio milhão de euros por cada um dos eventos de assinatura de contratos de adjudicação das novas concessões rodoviárias.

As concessionárias limitam-se a pagar a conta, não tendo palavra na escolha dos fornecedores ou sequer dos serviços prestados. O dinheiro é entregue directamente aos fornecedores, que recebem um valor que as concessionárias consideram elevado face à dimensão do serviço.

 

A malta lia, abria a boca de espanto, coçava os olhos a ver se era verdade e em seguida levava a mão à carteira a ver se ainda a tinha.

Ficou então bem percebido o interesse do Jamé em saber dos eventos festeiros. Era para sacar o dele.

Não sei se estão a perceber aquilo que todos nós percebemos, mesmo antes do tal Zé dos Anzóis ter explicado a coisa aos que tiveram mais dificuldade na leitura, porque a malta nem sempre trás consigo os óculos de ver ao perto (e malta a ver bem ao longe já também há pouca).

Claro que o Quim Safio, que tem um restaurante que fornece as festas de comes e bebes aqui da zona, tratou logo de aplicar o sistema e agora em troca de uns croquetes congelados há dois anos e dum espumantezeco a saber a rolha de tão velho que é, e que ele comprou num saldo (é tão velho que a rolha às vezes nem com o saca-rolhas quer sair) já fez saber que agora quem quiser festas, larga logo o caroço e este caroço é agora muito maior do que era antes.

Diz que é por causa do Jamé. E deve ser, digo eu que conheço os dois de ginjeira.

Concluindo: a malta vai ao casamento, por exemplo da filha mais velha da Corvina Maria, que aqui entre nós está um peixão de alto lá com ele. Claro que entra com a prenda, tem de arranjar umas escamas novas ou mandar dar um arranjo nas que já foram muito vistas, enfim tem um sem número de despesas que estas coisas acarretam, tudo feito com o sentido de depois se vingar na festa e comer e beber à conta da Corvina Maria – que o Corvino Manel, aqui que ninguém nos ouve, é só um verbo de encher. Tudo bem, quer dizer, tudo mal, porque depois vai-se a ver, a comida são os tais croquetes e o tal espumantezeco do Quim Safio, não vale nem a prenda que a gente comprou na loja dos chineses da vila, e no fim quando a malta deu por mal empregue o tempo e o dinheiro, aparece então o Jamé com o saco das esmolas e diz “agora venham esses quinhentinhos, já”. E a malta nem refila nem nada, ri com riso de peixe já enlatado, põe-se na fila para ser…para ser… para ser isso mesmo e pagar.

Por mim está feito. Nunca mais saio da caverna nem que seja para o casamento da minha prima, que afinal lá por ser prima não me traz vantagens nenhumas. Mas que faz lembrar muito a filha mais velha da Corvina Maria, isso faz…

É mesmo caso para dizer que jamé vi gajos como estes…

 

publicado por Carapaucarapau às 12:02
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Domingo, 1 de Fevereiro de 2009

Consultório (6)

 

 

Pergunta – (De Micas, 38, MARL - Lisboa): - Desculpa vir incomodar-te pela segunda vez, mas foste tão eficiente a resolver o meu problema, que nem hesitei em voltar a bater à porta do teu consultório. Eu até diria que foste eficiente demais, pois a verdade é que o Toni nunca mais me largou e, de tal maneira, que agora já nem o consigo aturar. O caso é o seguinte: ele voltou como um cachorrinho, deixou os biscates, mas também deixou de trabalhar e agora sou eu que tenho de o aturar e sustentar. E a verdade é que não aguento mais. Para tentar ganhar mais algum, para ver se chega para tudo (até para o tabaco dele), tenho de começar a trabalhar às 4 da manhã a descarregar e a carregar as caixas de peixe dos camiões frigoríficos, lá no mercado, e às 7 horas já tenho de tratar do meu negócio, na minha banca de peixe. E quando ao fim da tarde chego a casa, o Toni não me dá descanso, o raio do homem não sei se tomou alguma dessas modernices, se foi a receita que me deste que foi forte demais. Sei que já não o aguento.

Portanto já percebeste o que eu quero agora: que o Toni nunca mais me possa ver, me desampare a loja e vá para o diabo que o carregue. Bem…também escusa de ser assim tão forte. Lá que ele apareça por aqui uma vez por semana (e que eu não tenha de o sustentar) já não era mau.

Vejam lá, tu e o santo, o que podem fazer, na certeza porém de que podes contar com a minha amizade eterna (e umas navalheiras, pelo menos nas alturas das festas…) no caso de me resolveres este problema.

Fico a aguardar a tua resposta.

 

Resposta: - Se tenho o consultório aberto é para atender toda a gente que se me dirige, mas deixa-me dizer-te que não é normal ser consultado mais de uma vez por cada pessoa, pois em geral, os conselhos aqui dados são tiro e queda.

O teu caso presente não é fácil de resolver e implica alguns riscos. Isto aprendi eu com o São Cipriano, quando lhe pus o teu problema. Ele explicou-me que não pode desfazer o que fez anteriormente. Não que seja impossível, mas porque lhe é deontologicamente vedado fazê-lo. Disse mais: que devias ter pensado muito bem antes de ter metido nesse problema. E depois de mais umas explicações, foi-se embora e disse que, para ele, era assunto encerrado.

Eu fiquei um bocado aborrecido, insisti, fiz-lhe ver que eras uma boa cliente e que no futuro talvez voltasses com outros problemas, que pagavas bem (claro que também não me esqueço das prometidas navalheiras) e mais patati, patatá, mas o raio do santo (este raio é inofensivo, é claro) não me deu ouvidos.

“Que fazer então?” – deves tu estar a perguntar aos teus botões.

Vou-te dizer um segredo. O São Cipriano tem muitas receitas para juntar pessoas, mas só tem uma para separá-las. Aconteceu que, depois da minha conversa com ele, em que se negou a satisfazer o teu pedido, ele saiu daqui desabridamente e esqueceu-se do canhenho onde tem as receitas. Agora até estou convencido que este esquecimento foi propositado, e foi uma maneira de contornar os tais problemas de ordem deontológica. Até os santos tem destas fraquezas…

Portanto copiei a receita no essencial e aqui ta mando. Mas toma atenção: o Toni desaparece-te para sempre da vista e nem visitas semanais nem encontros casuais se voltarão a dar. “Jamé”, como diria um outro grande vulto da “feitiçaria”, que não acerta uma…

Antes de aplicares a receita pensa duas vezes, porque o que agora te acontece com o Toni pode voltar a acontecer mais tarde com o Zézé e depois com o Quiqui, porque isto é tudo farinha do mesmo saco. Mesmo sem o pedires dou-te outro conselho. No caso de ires para a frente com a receita, faz como a minha prima que também andava desgostosa com os namorados e arranjou agora um que vibra e diz ela que não quer outra coisa. Pelo menos não fuma…

Bom proveito e não te esqueças das navalheiras. Manda também qualquer coisa para o santo (por meu intermédio é claro para ele não desconfiar...), afinal sem ele terias de continuar a pagar o tabaco ao Toni e a levantares-te às 4 da madrugada, como naquela canção do passarinho.

 

Receita para as mulheres se livrarem dos homens quando estiverem aborrecidas de os aturar:

“Em primeiro lugar faz-se desmazelada no seu corpo, não se penteando nem lavando, nem tomando o mínimo interesse carnal quando ele a desafiar para actos vulgares. Logo que faça isto, deita 12 ovos de formigas e 2 malaguetas dentro de uma cebola alvarrã furada e põe-a dentro de uma panela de barro bem calafetada sobre o lume. Deita-se a mulher e logo que o indivíduo esteja a dormir vai destapar a boca da panela, e, voltando à cama, passa o braço direito pelo peito do homem, dizendo estas palavras com o pensamento:

”Em nome do príncipe dos infernos, a quem faço testamento da alma, te esconjuro, com cebola alvarrã, malagueta e ovos de formigas, para que ponhas o vulgo bem longe de mim porque me aborreces tanto como a cruz aborrece ao anjo das trevas”.

 

Explicações finais:

O “indivíduo” e o “vulgo” de que fala a receita são uma e a mesma pessoa: o Toni.

E tens de aprender a “falar com o pensamento”, senão bau bau cotovia, nada feito.

E para fazeres testamento da alma não precisas de ir ao notário.

 

publicado por Carapaucarapau às 14:13
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