Sábado, 29 de Março de 2008

Uma história de amor

 

 

                              Uma história de amor

 

A Pescada alisou as escamas, escovou as barbatanas e deu uma limpeza nas guelras. Quando achou que estava em condições, saiu da toca e viu logo o Pargo que nadava de vagar para cá e para lá. Tainha um certo receio do golpe de barbatana que ia dar, pois desconfiava muito das boas intenções dele. Era um belo exemplar, disso não tinha dúvidas e andava meio cardume atrás dele. A Corvina era uma das mais entusiastas e ela não queria guelras com ninguém e muito menos com a Corvina de dente sempre afiado.

 Mas a vida estava a ficar muito monótona e antes uma aventura com um Pargo jeitoso ainda que um pouco pedante, que um bate barbatanas com um Cachucho qualquer.

 Além disso era de boas famílias, muito ciente da sua linhagem, carne branca muito apreciada ainda que um pouco sonsa para a maioria.

Mal a viu, o Pargo deu um golpe de barbatana e veio em direcção a ela e emparelhou por bombordo, depois de um rápido piscar de olhos. Daqueles olhos redondos e grandes que eram a perdição dela. Nadavam de vagar um ao lado da ostra com pequenos e espaçados golpes da barbatana caudal. Começaram a falar do tempo, bonito dia de sol, da água límpida boa para um passeio mas má porque poderiam ser vistos com mais facilidade.

Isto dizia ele. Ela abria as guelras a concordar e aventurou-se mesmo a dizer:

- Por mim não faz diferença. Até gosto de ser vista. Não tenho nada a esconder de ninguém. Agora tu estás com receio de algum encontro?

-Eu? Sou livre, não tenho satisfações a dar a ninguém…

- Nem à tua amiga Corvina?

- Muito menos a essa chaputa disfarçada que anda para aí a dizer coisas…

Ela corou um pouco, sorriu satisfeita com a resposta mas insistiu, venenosa como uma Moreia:

- Ah! É só a dizer coisas? Ela gaba-se que tu és o namorado dela.

E ele a não morder o isco e a fugir como uma Enguia:

- Já te disse que não tenho nada a ver com ela. Não é o meu tipo.

Ao longe passava o Carapau atrás duma Navalheira e fez um aceno aos dois. Era por demais conhecido para passar despercebido.

- Aquele também anda sempre naquilo - disse a Pescada para ver a reacção.

-Também? Isso é piada? Eu nem gosto de Navalheiras…

A conversa decorria, eles sempre a nadar devagar, de vez em quando ele encostava a barbatana à dela, um ou outro linguado surgia, ela dava um impulso maior e afastava-se dele.

- Gosto pouco de mexilhões.

- Porquê? Já te fizeram mal?

- Não, que eu não deixo. Também não gosto de abúzios.

Distraídos nem deram conta que anoitecera e que estavam longe de casa. Valeu-lhes uma manta que lhes deu abrigo e aconchego durante a noite.

No outro dia, manhã cedo ele saiu do quente enquanto ela ainda dormia, e deu uma volta para ver se a surpreendia com um bom pequeno-almoço. Viu uma Sardinha meio parada ali perto e atirou-se a ela para a não deixar fugir. Qualquer coisa de inesperado aconteceu sem ele se aperceber bem do que seria.

E só quando se viu agarrado por duas mãos fortes que lhe retiraram o anzol e o atiraram para dentro duma caixa é que percebeu que tinha perdido a Pescada para sempre.

 

   

 

publicado por Carapaucarapau às 13:39
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Segunda-feira, 24 de Março de 2008

Inquietações (1)

 

O Carapau, ainda que não pareça, também tem as suas inquietações. Dúvidas que ao longo da vida o tem afligido. A umas tem dado resposta, mas a muitas delas não. Ficam aqui algumas dessas interrogações, com um desafio final.

 

*Pode-se pescar à linha com uma linha telefónica?

 

*Manter a linha é ter sempre o anzol dentro de água?

 

*O tubarão tem muito, porque anda a robalo ou já o tainha?

 

*Fazer linguado com uma solha dará raia?

 

*Se a pescada já o era, a chaputa já o foi?

 

*A cavala dada deve-se olhar o dente?

 

*Mandar a sarda às compras é garantia de linguado?

 

*O polvo é sereno?

 

*Os oito braços do polvo são para abraçar este mundo e a      ostra?

 

*O berbigão e a sarda dão-se sempre bem?

 

*O besugo pode-se orientar com a estrela-do-mar?

 

*O golfinho joga-se num campo pequenino?

 

*A morsa sabe o seu alfabeto?

 

*Um lobo-do-mar gosta de cadelinhas?

 

*O jaquinzinho diz”eu cá chucho”?; e o carapau grande diz “eu cá chucha va”?

 

*O namorado da ostra quer apanhar-lhe a pérola?

 

*Se ela recusar deve dizer “vai robalo para outro lado”?

 

*O peixe-espada gosta de entrar em guelras?

 

*É bonito o mexilhão dizer para a chaputa tirar a faneca?

 

*Uma sereia gosta dos mexilhões?

 

 

E para finalizar e com a intenção de desenjoar de tanto peixe mais esta:

 

*Para o porco entrar na porca tem de andar de roda?

 

E agora um desafio:

 

Se souber dar alguma das respostas a estas interrogações não deixe de colaborar. O Carapau ficará eternamente grato e quem sabe se não o/a deixará usar esta "boga", desde que o uso não leve ao a...búzio.

 

 

 

publicado por Carapaucarapau às 17:30
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Terça-feira, 18 de Março de 2008

Dicionário 1 (R)

 

Dicionário 1 (R)

(Nomes de peixes e outros animais marinhos que tem outros significados)

 

Bacalhau – jogo, espécie de bilhardia; (Bras.) – azorrague; pessoa muito negra; colarinhos largos e engomados pendentes sobre o peito; ficar em águas de bacalhau : frustrar-se um negócio, ficar em nada.

 

Besugo – pessoa gorda; termo pejorativo para designar os colonos portugueses (ant.).

 

Carapau – pessoa muito magra.

 

Chicharro – (alma de…) – pessoa de carácter frouxo, indolente.

 

Linguado – tira de papel onde se escreve o texto destinado à impressão; lâmina comprida; lingote; (gir.) bolsa de dinheiro; letra comercial.

 

Mero – simples; genuíno; sem mistura.

 

Pescada – mulher antipática.

 

Pescadinha – Peça de metal com que os chapeleiros fazem o rebordo dos chapéus.

 

Raia – risca, traço; linha da palma da mão; fronteira; dar raia – cometer erro; passar as raias – ultrapassar os limites; tocar as raias – atingir o limite.

 

Robalo – espécie de forquilha.

 

Robalete – peças de madeira ou ferro pregadas à proa para diminuir o balanço dos barcos.

 

Ruivo – homem que tem o cabelo ruivo; amarelo avermelhado; loiro avermelhado.

 

Sarda – mancha no rasto ou noutra parte do corpo.

 

Sardinha – jogo de crianças; bofetada.

 

Solha – (gir.) bofetada.

 

Tubarão – individuo que disfruta de vários empregos muito rendosos; individuo ganancioso.

 

 

publicado por Carapaucarapau às 10:50
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Sábado, 15 de Março de 2008

A Ostra

Nas redondezas já todos tinham percebido que a Ostra andava caídinha de todo pelo Lagostim. E também todos achavam que aquilo não ia acabar bem. A Chaputa que andava sempre por ali e que nem era de se meter na vida de ninguém, não resistiu e chamou-lhe a atenção para a má fama do Lagostim, que lhe desculpasse de se estar a meter na vida dela, mas estava com pena de a ver a ir na conversa dele. “A menina sempre tão fechada e agora a dar trela para um farroncas daqueles”. A Ostra entreabriu a concha, olhou-a de soslaio e resmungou qualquer coisa como “não há problema”. O memo aconteceu com o velho e grande Mexilhão que era seu vizinho e a conhecia desde pequena e que também lhe chamou a atenção. A esse, ela nem respondeu. Deve ter pensado “o que é que este velho, preto e musguento quer?” e fechou-se na concha. Mas quando o Lagostim se aproximava com aquele andar aos saltinhos, as pinças no ar a dar a dar parecendo um bailarino de flamenco, ela escancarava a porta e sorria para ele. Que há muito tinha percebido como ela estava perdidinha e então mais salamaleques fazia. Ao princípio eram só uns olhares, uns sorrisos, uns passos de dança da parte dele e um entreabrir de concha da parte dela. Depois vieram umas trocas de palavras apressadas, até que actualmente já estava estabelecido um diálogo sem rodeios. E foi numa dessas tardes em que a vizinhança estava toda a dormir a sesta que as coisas avançaram mais. Ele veio com a cantilena toda, cantou-lhe das boas e das bonitas, a voz grave e os ademanes de dançarino, ela abriu-se toda e foi uma tarde em cheio. Depois ele despediu-se, ela ficou a vê-lo a afastar-se até dobrar o rochedo e só nessa altura, quando ia a fechar-se é que soltou o tal grito que alertou toda a gente. Apareceu estremunhada a vizinhança “o que foi, o que aconteceu” e a Ostra meio envergonhada entre soluços e lágrimas a dizer “foi ele, foi ele, roubou a minha pérola”. O Carapau ainda meteu a ponta do focinho a ver se não estaria para ali meio escondida, mas não havia dúvidas, tinha desaparecido mesmo. E todos a falarem ao mesmo tempo, “eu bem te avisei”, “ eu bem desconfiava”, “ele não era de confiança”, “tu tiveste a tua culpa” e o Carapau que não gosta de confusões, afastou-se e foi narrar a ocorrência.
publicado por Carapaucarapau às 13:58
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Quarta-feira, 12 de Março de 2008

Provérbios (1) R

Provérbios velhos vestidos de novo

 

1- Em Agosto, carapau nem ao sol-posto.

 2- Com carapau frito bebe-lhe um litro.

3- Zangas de carapaus…nem todos os amores são maus.

 4- Carapau pelintra…choco sem tinta.

5- Carapau e goraz não cabem no mesmo cabaz.

6- Carapau do gato, arroz no prato.

7-Carapau em Janeiro, melhor que galo novo em galinheiro.

8- Carapau dado é carapau estragado.

9- Carapau que pula não é carapau, é mula.

10- Carapau e chaputa têm ambos a mesma luta.

11- Diz-me com que carapau andas, dir-te-ei que sardinha és.

12- Carapau que vai à lota é pior que a marmota.

13- Carapau hoje, carapau para sempre.

14- A carapau dado não se cheira a guelra.

15- Carapau chorão ou corno ou cabrão.

16- Carapau velho e marmota nova… filhos até à cova.

17- Carapau que nada no Nilo…cuidado que é crocodilo.

18- Verão adentro, carapau é bom alimento.

19- Carapau que pouco se mexe pode acabar em escabeche.

20- Quem despreza o carapau nem é bom nem é mau.

publicado por Carapaucarapau às 19:06
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Segunda-feira, 10 de Março de 2008

Os vendedores de banha de cobra

Aviso prévio: esta história deve ser lida dum fôlego, portanto recomenda-se prévia oxigenação para aguentar a leitura até ao fim…
 
 

Já não há vendedores de banha de cobra como havia dantes é certo que hoje ainda os há e cada vez mais mas a banha é que passou a ser diferente e diferente para pior porque a banha de cobra autêntica era mesmo banha e a banha de hoje é tudo menos banha não sei se me entendem mas nem os vendedores hoje dessa banha montam banca nas feiras perdão às vezes até montam mas vendem mais na televisão e noutros locais mais abrigados que não nas feiras nas feiras é mais em certas ocasiões quando o negócio vai a leilão esses até dão muitos beijinhos e sacos de plástico vocês estão mesmo a ver quem são esses vendedores mas também há os que tem banca montada em bons escritórios com ar condicionado e tudo e outros que são os tais que estão na televisão a vender a sua banha, mas que não é da verdadeira daquela mesmo de cobra que se espalha no ombro na perna no braço lá onde está a dor e a dor desaparece está ali aquele senhor que me não deixa mentir até já me disse que a mulher diz que ele nunca esteve tão bem agora que já se pode mexer em todos os sentidos é verdade ou não é ele está ali e já me disse que quer levar mais três embalagens e olhem que eu hoje não tenho muito produto isto tem que ser bem doseado que pode não chegar para todos mas para a semana já recebo nova encomenda e estou apto a satisfazer todos os pedidos atenção não se chegue muito para a frente que eu vou abrir esta mala onde tenho o bicho e o bicho pode assustar-se e saltar por favor alarguem um pouco mais a roda para todos verem bem e assim por diante estes sim é que eram os verdadeiros vendedores de banha de cobra não esses do ar condicionado que não garantem nada só prometem e depois de lá estarem não se interessam que lhes doam as pernas ou o braço ou a cabeça ou outras partes que às vezes até fazem mais falta que o digam as vossas mulheres se bem me estão a entender certamente olha homem nunca estiveste tão bem desde que pões daquela pomada mas nem era bem destes vendedores de banha que eu aqui vinha falar que estes são sérios não estou aqui para enganar ninguém nem eu nem eles mas mesmo no meio destes há uns que também vem aqui montar banca na feira mas para enganar quem vai nas cantigas deles foi o que aconteceu naquela cidade do interior nem era bem do interior era quase litoral já faz anos mas que eu vou contar aqui porque assisti e então o homem montou o palanque este até tinha um pequeno palanque com chapéu de sol e tudo e vai abre a mala começa a contar anedotas e tal para chamar o pessoal que ia passando e ficando e mais isto e mais aquilo e depois de ter já bastante pessoal que estava a ver se ele vendia uma boa banha de cobra daquelas que duas limpam o sangue e cinco curam o càncaro sic mas afinal não era bem assim muita conversa e mais anedotas e então ele disse que se lhe passassem para as mãos uma nota de vinte euros nem era de euros que naquele tempo ainda não havia disso por cá nem por outro lado mas enfim era uma nota de vinte e que ele dava a palavra de honra perante o respeitável público e perante a autoridade e apontava para dois policias que de longe observavam a cena e que ia oferecer às pessoas que lhes passassem a tal nota de vinte umas coisas bem úteis e que depois não lhes ia ficar com os vinte euros eu já disse não eram euros mas também não interessa nada para o caso era sim uma nota de vinte e ao ouvir isto e ainda por cima ali com a autoridade lá começaram a aparecer as notas de vinte e mais uma e outra e outra e tantas e quando já não havia mais ele o vendedor de banha de cobra que como veremos não era um verdadeiro e honesto vendedor de banha de cobra mas sim um que mais se parecia com estes que agora não vendem banha ou melhor vendem mas não a verdadeira que matava o micróbio que estava alojado ao nível do fígado porque o fígado é que é o maestro do nosso corpo e por aí fora e então esse tal de que eu estou a contar a história deu às pessoas uma lâmina de barbear e um lápis e uma outra coisita que tudo valeria para aí um euro bem entendido que não era euro nessa altura porque eu já disse que ainda não havia e depois de muita conversa e como tinha dito no principio não estava ali para enganar ninguém dizem todos a mesma coisa e vai devolveu um cêntimo que não era um cêntimo bem entendido isso já perceberam com certeza a cada uma das pessoas e depois disse que como tinha sempre dito não ficava com os vinte euros que não eram euros porque se tinha devolvido um cêntimo agora já não eram vinte estão a ver como o homem era sério e apontava ali para a autoridade que garantia a sua honestidade e umas pessoas riram outras viraram as costas porque acharam que tinham sido bem enganadas mas ás tantas houve uma ou outra que disse alto que aquilo era um roubo e mais outra e outra e armou-se um trinta e um e a autoridade teve de intervir e acabou tudo na esquadra não é como agora que acontece o mesmo mas ninguém vai para a esquadra porque já nem sei bem o motivo mas deve ser por eu estar a ficar sem fôlego eu bem avisei no principio para inspirarem fundo vou ficar por aqui ponto final

publicado por Carapaucarapau às 15:49
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Domingo, 9 de Março de 2008

Entrevista (1)

 
Ao abrir este blog o Carapau Carapau foi muito solicitado para dar umas entrevistas a diversos órgãos da comunicação social. O Carapau gosta especialmente destes “órgãos” e nunca percebeu porque são sempre órgãos e nunca pianos, violinos, saxofones ou simples gaitas de beiço, ou de beiços para ser mais preciso.
Mas a verdade é que foi contactado só por órgãos (claro que primeiro mandou um recadinho aos ditos para o entrevistarem, ou não sabem como isto funciona?).
Das várias entrevistas e lobrigadas (nem sempre entrevi nada, apenas lobriguei ao longe…) escolhi a que se apresenta a seguir do conceituado (são sempre conceituados estes órgãos) Diário Noticioso que como se sabe só se publica quando o rei faz anos e não é qualquer rei…
 
Diário Noticioso (DN): Então vamos ter um novo blog Carapau?
Carapau Carapau (CC): Não vamos ter um novo blog Carapau mas vamos ter um novo blog ponto de interrogação.
DN – Como assim?
CC – A mim não me come nem assim nem assado, vire essa boca para lá…
DN – Não era isso que quis dizer.
CC – Mas foi o que disse e eu não ando aqui para ser comido como entenderá.
DN – Entendo, mas já agora deixe-me dizer que grelhado e assim um carapau duplo não devia ser nada mau…
CC – Senhor jornalista não me parece que esteja a comportar-se dentro das normas. Além de que aqui quem tem de dizer coisas sou eu, ou não?
DN – Mas claro, mil desculpas, entusiasmei-me ao olhar para este ambiente, já vê que…
CC – Vejo-o a si e não vejo grande coisa para ser franco. Ainda se tivessem mandado aquela sua colega que já me tem entrevistado certamente que a entrevista fluía com mais naturalidade.
DN – Isso é natural. A minha colega faz fluir tudo… mas fui escalado para esta entrevista…
CC – Escalado? Por amor de Neptuno! O senhor fala em escalado em casa de peixe? É pior que falar de corda em casa de enforcado, francamente…
DN – Não tinha pensado nisso, as minhas desculpas… Vamos então à entrevista.
CC – Vamos? Então não vai ser aqui mesmo?
DN – Claro que sim, a não ser que o Carapau queira ir para outro sitio para enquadrarmos melhor umas fotos. Talvez no jardim não?
CC – Eu no jardim? Já viu algum Carapau num jardim? Isto vai de mal a pior…
DN – Ah, pois não tinha pensado nisso…
CC – O senhor é um não pensador. Já é a 2ª vez que “não pensa” num curto espaço de tempo…
DN – Qual a razão que o levou a abrir este blog? Objectivos?
CC – Ora bem. Vejo que agora isto começou a sério… Duas razões presidiram à abertura deste blog: a 1ª é que ele estava fechado, o que me parece uma boa razão; a 2ª é porque me passou uma coisa pela cabeça…
DN – Uma oira não?
CC – Ahahah! Só o senhor me fazia rir agora. Então eu sou lá homem de oiras ou oiros? Sou de paus e só de paus e logo duas vezes : Cara Pau, Cara Pau…
DN – Então se não foi oira?
CC – Foi outra coisa é claro. Coisas em que esta cabeça se mete…
DN – Desculpe a pergunta que agora me ocorreu: o Carapau tem também duas cabeças? Como é a dobrar….
CC – O senhor afinal não é tão mau como parecia. Essa foi uma boa piada ou não era para ter piada? Mas tenho sim senhor: duas…
DN – O Carapau é carapau ou é homem? Ali atrás disse que…
CC – Outra boa pergunta. Eu sou o que quero e ninguém tem nada com isso, a não ser o fisco, infelizmente. Serei umas vezes uma coisa e outras vezes outra sem deixar de ser o que sou e que como sabe sou o Carapau Carapau.
DN – E os objectivos do blog?
CC – O blog não tem objectivos. Eu é que tenho e são quase sempre os mesmos: a minha prima, umas navalheiras…
DN – Então continua?
CC – Claro que continuo. E no meu lugar o senhor não continuaria também?
DN – Com a sua prima?
CC – Com a minha prima o quê?
DN – Desculpe, desculpe foi uma oira que tive…
CC – Trate-se, antes que lhe aconteça qualquer coisa…
DN – É da máscara e do oxigénio, não estou habituado. Por mim a entrevista, aliás brilhante como é hábito, está terminada. Quer acrescentar alguma coisa mais? Alguma mensagem?
CC – Não. O essencial está dito. Mas aproveito o facto de o senhor ter de passar por ali por onde estão aquelas navalheiras para lhes levar este papelinho…
DN – Com certeza. Cumprimentos à prima…
CC – Serão entregues, mas não sei quando… Ela anda sempre em viagem… Vá em paz e cuidado com a descompressão.
 
 
 
 
publicado por Carapaucarapau às 19:05
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Sábado, 8 de Março de 2008

Apresentação

Porquê Carapau Carapau?
Este Carapau já foi Carapau de Corrida mas agora que mudou de poiso teve de mudar de nome. Coisas das Conservatórias… (A propósito informa-se que conservatórias não são as fábricas onde os carapaus são metidos dentro das latinhas de conserva…).
 Este não quer ser enlatado, porque lata não lhe falta, e então como gostava de ter um sobrenome resolveu ser Carapau a dobrar. E se Carapau singelo já é bom, Carapau dobrado deve ser óptimo. Vamos a ver se consegue porque anda muito boa gente a ver se “anzola” um bom carapau, e as tentações são muitas…
Faço votos para que haja apreciadores, pois caso contrário a loja fecha com a mesma facilidade com que abriu…
Parece-me que devo dizer ao que venho para não enganar ninguém. Pois bem: não venho a nada, mas venho a nado.
E sozinho, porque não gosto de grandes ajuntamentos, ainda que os meus pares nadem “em grandes cardumes e engulam os anzóis com voracidade, às vezes mesmo os não iscados” (ver nota biográfica mais abaixo).
Tudo o resto se irá ver no desenrolar da aventura que é manter este blog.
CARAPAU (“biografia”)
“Aparecem principalmente nos mares tropicais e são relativamente abundantes na costa portuguesa e francesa, aparecendo também no Verão nas Ilhas Britânicas. Vive em cardumes em mar aberto, até aos 200 metros de profundidade, aproximando-se das costas em busca de alimento, quando as águas estão mais quentes. Peixe comum, com o corpo em forma de fuso alongado, focinho nú e boca larga, com a linha lateral guarnecida em todo o comprimento com escudos  (escamas mais altas que largas), mais saliente na zona da cauda e provida de um espinho forte acerado. O seu comprimento pode chegar aos 70cm. Normalmente forma grandes cardumes a meia água ocasionalmente junto à superfície (no caso de grandes cardumes a água parece ferver).  Grandes predadores, muito agressivos, alimentam-se geralmente de peixes mais pequenos (que atacam violentamente), crustáceos e invertebrados. De sexos separados, atingem a maturidade sexual com 20 centímetros, sendo a reprodução feita na Primavera/Verão, sempre em mar aberto. Carne óptima e muito apreciada no nosso País, que tem visto decrescer as capturas deste peixe devido à pesca de exemplares juvenis, o  que viola a lei (os apreciados joaquinzinhos). Pesca-se ao fundo ou à bóia (preferencialmente à bóia), com mais de um anzol (há no mercado aparelhos para carapau - empates com vários anzóis), “iscados” preferencialmente com camarão ou pedacinhos de peixe, embora não desdenhem outros, iscos artificiais e, por vezes, até  anzóis não iscados...”
(Esta biografia do Carapau foi feita por um estudioso do carapau e está publicada. O seu a seu dono).
publicado por Carapaucarapau às 12:24
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