Domingo, 22 de Novembro de 2009
História do Capuchinho Vermelho

 

Há dias, em visita ao 262 deste blog, tomei conhecimento deste outro e resolvi “entrar no jogo”.

Assim nasceu esta ideia para uma nova versão da História do Capuchinho Vermelho.

 

História da Pink Barretina

   “Pink Barretina, tens de ir levar o lanche à avó. Telefonou a dizer que está com a neura e não tem nada para comer em casa. Já arranjei a marmita térmica com o resto da feijoada de ontem. Eu vou ter uma reunião de negócios com o Pedrocas Pedralva, não posso lá ir”. – Isto disse-lhe a mãe já à porta, enquanto agarrava a mala.

   Pink Barretina, que já tinha sido Red, mas com o tempo tinha desbotado, disse “sim mãe, vou já, é só acabar aqui este jogo”. Dois minutos depois fez um do-li-tá para ver se ia de autocarro ou bicicleta, saiu a bicicleta, “então vou pelo atalho da floresta”, agarrou na marmita, pegou a “duas rodas” e começou a pedalar.

   Tinha andado umas centenas de metros, quando numa curva mais apertada do caminho, quase teve um encontro imediato do 3º grau com o Zeca Motard, conhecido por Lobo Mau, que vinha em sentido contrário a fazer um cavalinho. A Pink Barretina conseguiu desviar-se, mas foi contra um pinheiro e entortou a roda da bicicleta.

   O Lobo Mau voltou atrás, “é pá vinhas fora de mão”, “fora de mão o cacete, aqui não há mãos. Tás com a roda empenada, essa gaita assim não anda”. Ela então explicou-lhe o problema, como iria agora entregar a feijoada à avó, ele perguntou “olha lá a tua avó é aquela a(L)inda Boa que mora no arranha-céus junto ao lago?”. “É” respondeu a Barretina, “então dá cá a marmita que eu vou lá entregá-la” disse o Lobo a lembrar-se duns olhinhos que a dita Boa lhe tinha feito há uns tempos atrás, estava ele a tomar uns birinaites na explanada ao pé do lago. Desde então andava com uma vontade de dar umas dentadas na cota e começou logo a lamber os beiços. “Tu volta para trás com a bicicleta à mão e fica descansada que eu vou fazer a entrega”.

   A Pink Barretina, que já tinha brincado à macaca com o Lobo Mau no “Bar 3 Vinténs”, uns tempos atrás, fez como ele disse e teve a sorte de, no penoso regresso, ter encontrado, no meio da floresta, um camião que estava a carregar madeira e que por acaso era conduzido por um simpático que lhe deu boleia, a ela e à montada..

   Quando a avó ouviu a campainha a tocar, espreitou pelo ecrã e viu um tipo de capacete com um embrulho na mão e disse para os seus botões: “parece o entregador de pisas, mas não me lembro nada de ter feito a encomenda”. Pelo sim pelo não abriu a porta da rua, esperou 2 minutos que ele subisse ao 15º andar e quando ele chegou, disse “deve ser engano”, “não é, não” respondeu ele e começou a contar a cena que tinha tido com Pink Barretina, na floresta. “Ah! Então entra filho, tá à vontade”. Mas mal ele entrou, também entrou pelo nariz da velha, (velha é maneira de dizer, pois ainda estava em bom estado de conservação), mas como eu ia dizendo, entrou pelas ventas da senhora uma mistura de cheiros a zebum, a bedum e a lupus novo de tal maneira intenso, que ela se viu obrigada a empurrá-lo prá banheira, depois de lhe ter arrancado os farrapos e o capacete.

Começou a esfregá-lo com tais ganas que às tantas saltou também ela prá banheira para melhor trabalhar e depois de brincarem aos médicos, ao esconde esconde, às bolinhas de sabão e a outros jogos conhecidos, a Avó deu o banho como acabado e o Lobo Mau lá se foi embora com o capacete na mão, mais partido do que se tivesse despistado pelo monte abaixo, aos trambolhões, mas tendo aprendido, à sua custa, que muitas vezes quem vai à lã é que sai tosquiado.

   Em seguida a avó atirou-se à marmita, a feijoada ainda estava quente, adorava feijoada do dia anterior, com o feijão já meio desfeito, e ficou satisfeita, dando a tarde como bem passada. Tinha arrancado à força o telemóvel do Lobo Mau e a partir de agora, e sempre que lhe apetecesse pisa, ia exigir que fosse ele o entregador.

   Quando chegou a casa, com a bicicleta à mão e meio estoirada, a Pink Barretina  encontrou a mãe a contar umas notas de vinte, pelo menos cinco contou ela, afinal tinha feito negócio com o Pedralvas e pensou, que com os cinquenta que o camionista lhe tinha dado, o dia até nem tinha sido assim tão mau, ainda bem que tinha tido o acidente com a bicicleta. “Parece que já se sente o fim da crise” pensou a Pink que era dada a considerações sobre economia. E se ela soubesse dos cinquenta que a avó tinha também dado ao Lobo Mau, então teria mesmo pensado que a retoma já tinha começado.



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Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
Diálogos (mais que) prováveis (III)

 

Há gajitos que começam a roubar desde putos. Começam por roubar o leite à mãe quando a apanham distraída, depois roubam no infantário as chupetas aos colegas, continuam pelos brinquedos, depois lápis, borrachas e afias, passam a roubar lá em casa um dinheiro, aprendem a jurar que não foram eles, nem pensar nisso, “olha que me ofendes pai”, e assim seguem pela vida fora. Quando os roubos passam a um escalão superior vestem Armani, camisas sempre impecavelmente novas, gravatas discretas, a mesma cara de pau “não recebo lições de nada e de ninguém”.

Ao longo da vida sempre continuaram em contacto com os amigos “roubadores” e vão formando “associações de amizade” para desenvolver os seus “negócios”.

Têm uma linguagem própria, uma imensa falta de respeito por tudo e todos e fazem publicamente prova da sua falta de vergonha com a mais estanhada lata. Uma grande parte do respeitável público gosta deles e das suas habilidades, talvez porque no fundo gostava de ser como eles. Destes, alguns sonham em entrar na “roda dos amigos” e poder um dia, também “negociar com eles”.

O diálogo que a seguir transcrevo não é fruto de nenhuma escuta, legal ou ilegal, não meteu juízes nem procuradores, nem foi escutado num qualquer não café. Imaginei-o e escrevi-o. Depois reli-o e não fiquei nada contente com a minha imaginação. A realidade suplanta-a de longe.

 

Aviso: Este post contém expressões e situações que podem ferir a susceptibilidade de algumas pessoas. Se estiver nesse grupo, não continue a leitura.

                                                                                     O

 

 

 

- Olá pá!

- Olá! Como estás?

- Bem, cada vez melhor. E tu? Tá tudo a correr bem?

- Tudo jóia. O tipo lá de cima já se chegou com mais algum.

- Ai sim? Ainda bem. Acho que temos também de apertar um bocado com os outros gajos.

- Já lhes dei uns toques…

- Se os toques não resultarem partimos prá porrada. Apertas aí a tarraxa que os gajos até se cagam. Cambada de filhos da puta! Já vistes isto?

- Já. É tudo a mesma gajada. Aparecem aqui de chapéu na mão a cagar e a tossir e depois de terem o negócio feito tentam fugir com o cu à seringa. Mas acabam por vir às boas, senão já sabem que se fodem.

- É assim mesmo pá! Esses gajos até parece que gostam…Agora temos de tratar da saúde àquela gaja e àquele gajo que me andam a chatear.

- Já falei com o Chico. Já lhe disse que se precisasse de guita para os foder, eu arranjava aqui.

- Claro! É para isso que aí estás.

- A ti o devo, isso não esqueço.

- Isso não é para nós, pá. Hoje tu, amanhã eu. És um porreiro, pá! Os amigos são para as ocasiões. Lembras-te daquela vez…

- Claro que lembro. E amanhã se houver porras cá estou para dar o peito às balas…

- É pá, não exageres…não vai haver porra nenhuma. São todos uns filhos da puta e capados e vêm cá comer à mão.

- Assim espero pá. Olha! Queres que mande a guita para aquele sítio?

- Uma parte sim. A outra tem de ser para pagar umas despesas. Vamos fazer uma campanha de promoção e essa merda custa dinheiro.

- Como queiras.

- Estas porras destas negociatas dão bom dinheiro, mas depois temos de sustentar uns tantos cabrões…

- Cabrões, filhos da puta, paneleiros e “senhores sérios”…

- Ah! Ah! Ah! Essa de sérios tem piada.

- E achas que um dia não aparece por aí nenhum cabrão a meter o focinho nestas merdas?

- Não creio. Os gajos acagaçam-se todos. Têm todos rabos de palha e além disso gostam do bom e da boa vida. E têm filhos, sobrinhos, amigos…enfim, quem tem cu tem medo.

- Mas se por qualquer motivo der para o torto…

- É pá! Descontrai-te que eu cá estou para acabar com tudo. Tenho aí uns amigos nos sítios certos, qualquer merda que haja acaba depressa.

- Já sabes que tenho toda a confiança em ti…

- Claro pá! Somos amigos.

(…)

 

 

Mais do que fazer um post, que aqui entre nós nem é muito bem conseguido, andava a precisar de fazer esta catarse. Não faz o estilo do Carapau, mas nem sempre o estilo é tudo. Além disso, há tipos que não consigo imaginar a falar que não seja daquela maneira, ou ainda pior.

 

“Podia ter evitado os palavrões? Podia! Mas não era a mesma coisa”.

 

 

 

 

 

 



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Sábado, 14 de Novembro de 2009
Assembleia Geral

                                    

                           (Lá para o fim se entenderá a razão desta foto)

 

 

Os inúmeros animais que tem sido objecto de histórias aqui no blog, bem como aqueles que só foram citados, resolveram reunir-se em Assembleia-geral Extraordinária para debater um problema que muito os anda a preocupar. Cidadãos bastantes intervenientes (alguns, outros limitam-se a mandar umas bocas) formaram uma comissão “ad hoc” para organizarem essa reunião. E vieram convidar-me, eu diria mesmo intimar-me, para estar presente, com a função de secretariar a mesa e redigir a acta. Com uma desfaçatez que lhe vem de longe, foi a cadela Marilyn, que chefiava a comissão, que disse que eu era o animal indicado para redigir a acta, já que gosto muito de dizer/escrever coisas e assim tinha uma oportunidade de mostrar os meus dotes. E enquanto faladrava sorria para mim, o que queria mesmo dizer que me estava a gozar. Fiz que não percebi e uma vez que fui obrigado, lá estive a aturar aquela bicharada toda.

A única coisa que posso fazer, para me vingar, é publicar aqui parte da acta que eu redigi, pelo menos para os eventuais visitantes verem até que ponto a bicharada anda entretida com estes “faits divers”, quando devia estar a tratar da vidinha. Nem sei com quem esta bicharia aprendeu…

 

                                                          Acta

Aos tantos de tal de dois mil e etc. etc. estiveram reunidos no Pavilhão do Indico, devidamente equipado com sistema de tradução simultânea e gentilmente cedido para o efeito, os seguintes “condóminos do blog CarapauCarapau”:

(Segue-se a lista com toda a bicharada. Aqui só vou citar meia dúzia dos mais conhecidos, deixando assim campo aberto para os futuros historiadores pesquisarem. Estavam presentes, seguindo a ordem da lista de presenças, o goraz, o choco, o peixe-galo, o peixe-porco, as chaputas (várias), a Chaputa Fina*, a sardinha, o mexilhão, o Lagostim*, o bacalhau, a Pescada* e o Pargo*, a Solha Zarolha* (estes dois últimos contra todas as expectativas) e mais uma infinidade de animais de água, doce e salgada, sendo de destacar a Ostra*, o que muito admirou os outros animais. Além deles estavam ainda o cão Petrarca* e a cadela Marilyn*, 7 vacas (as 6* que em tempos estiveram na Praça de Espanha e mais a Belisária*, o mais recente condómino), um camelo que ninguém conhecia e o cão Napoleão*, de que já ninguém se lembrava).

Como a Assembleia foi aberta à população em geral, encontravam-se nas bancadas, mas sem direito a intervir, vários animais e não só, tais como: um Gajo* a fumar uma cigarrada, o Jamé, o Alberto João* e o Rei de Espanha*. Também estava o Tio*, mas não o sobrinho.  

Presidiu a Marilyn, que além de dirigir os trabalhos fez a introdução aos mesmos.

- Caros condóminos, estamos aqui reunidos para debater as consequências nefastas que a aplicação de um recente decreto-lei, vai introduzir no mundo animal. Em boa verdade, nem deveria falar em introduzir, pois que uma das consequências é mesmo proibir a introdução (gritos na assistência de “abaixo a lei”, “fora com esses fazedores de leis”, “viva a introdução livre”). Acalmados os ânimos depois dumas boas ladradelas da Marilyn, esta continuou:

- Amigos, companheiros, camaradas, condóminos! A propósito de regulamentar e proibir os animais no circo, essa lei pretende sim vir a condicionar a nossa vida de animais livres, sexualmente activos e empreendedores. Esta lei é só a ponta do iceberg. Qualquer dia aparece outra que, sob a capa de velar pela nossa saúde, irá proceder à castração geral de todos nós! Física para uns, química para outros.

O tecto do pavilhão ia caindo com o imenso huuuuuuuuuuuuuu!!! que a bicharada soltou. E vieram novamente os gritos de “abaixo a lei, acima os nossos sempre direitos”.

Nesta altura ouviu-se a voz esganiçada da Ostra a dizer “cá por mim não me faz diferença, resolvo os meus problemas sozinha”. Respondeu-lhe o Lagostim com um “cala-te lá hermafrodita de trazer por casa. Ainda te roubo a pérola outra vez” – o que provocou uma risada geral no pavilhão.

Acalmados os ânimos, voltou a Marilyn:

- Temos portanto que organizar manifestações públicas para mostrar todo o nosso desagrado e defender os nossos direitos e combater deste modo a lei e a crescente influência nefasta que a Associação Animal tem, pois quer formar uma sociedade de capados, eles lá saberão com que futuras intenções.

“Queremos os nossos sempre direitos, queremos os nossos sempre direitos”, “abaixo a Associação Animal” - gritava a assembleia em uníssono.  

- Está aberta a discussão. Fala agora a vaca nº5.

(Sobe a vaca nº 5 à tribuna)

- Eu só quero aqui trazer o meu testemunho vacal, que é em geral o de todas as vacas e está ali a Belisária que não me deixa mentir e cuja história todos temos ainda bem presente. Já não vejo o Boi a que tenho direito há anos. O mesmo acontece com todas as minhas amigas e não só. Isto é uma ofensa que se faz a todas as vacas, e no nosso caso nem legislação há sobre o assunto. Levamos uma injecção com uma agulha ou chamem-lhe lá outra coisa qualquer e … “vai-te coçar”. Ora nós queremos ser coçadas por quem sempre nos coçou e não por um qualquer instrumento mesmo que esterilizado. Queremos os nossos bois!

“As vacas tem direito aos seus bois!” – gritava a Assembleia em peso, mesmo aqueles que não sabiam por que estavam a gritar.

Em seguida tomou a palavra o cão Petrarca. Tossicou para aclarar a laringe, bebeu um pouco de água e perorou:

- Amigos! Aproveitemos a ocasião para, além de reclamar sobre tão iníqua lei (Petrarca é Petrarca, é bom orador e é ouvido em silêncio, toda a bicharada o respeita…), também discutirmos e tomarmos posição sobre aqueles animais que ao longo dos anos têm sido castrados e impedidos de viver em plenitude toda a sua vida de animais. Estou a faladrar, como já perceberam, dos nossos amigos cães e gatos e cadelas e gatas evidentemente, que se vêem castrados só para não causar problemas aos seus donos que fazem deles animais objectos. (Aqui a intervenção foi interrompida com gritos de “abaixo a castração dos nossos amigos cães e gatos” e “abaixo os exploradores desses animais”).

Petrarca deixou a Assembleia exprimir os seus sentimentos, depois fez um sinal, todos se calaram e ele retomou a ladradela:

- Temos à nossa frente um exemplo vivo, que foi vítima deste lamentável procedimento durante algum tempo. Felizmente está recuperada e hoje é um verdadeiro farol de civismo e de cidadania. Refiro-me, como já entenderam, à minha/nossa amiga, companheira e camarada cadela Marilyn que muito nos honra presidindo a esta sessão. (“Viva a Marilyn”, “viva a Marilyn” gritava a assembleia).

- Amigos! Falei em cães e gatos mas poderia falar de porcos, cavalos, bois, galos (quem não sabe dos apetecidos capões? – ver foto) e doutros animais vítimas de castração, para satisfazer apetites dos chamados humanos. Queremos uma sociedade de castrati**?. (“não queremos castrati”, “não queremos castrati” – gritava a bicharia).

Depois Petrarca passou a palavra ao cão Napoleão, pois ele também teria coisas a dizer, mas o cãozinho meteu o rabo entre as pernas e disse que não faladrava, porque lhe doía a garganta. Um formidável huuuuuuuuuuuuu!!! reboou pela sala.

Depois de mais duas intervenções sem nada de especial a relatar, Marilyn deu a Assembleia como finda.

Termina aqui a parte da acta.

                                                           o0o

 

Resta-me dizer que depois de encerrada a Assembleia, foi a debandada geral e em poucos segundos o espaço ficou vazio.

Eu fiquei a retocar alguns apontamentos para poder elaborar a acta e quando saí, alguns minutos depois, encontrei a maltosa toda cá fora, de volta das barracas das febras e dos coiratos, a comer e a beber uns tintos e umas cervejas.

Pus-me a milhas, não fosse o Alberto João requisitar a minha presença.

 

Para os eventuais interessados por coisas que já pertencem à história, deixo aqui os apartamentos/posts onde podem encontrar as principais personagens que na acta aparecem assinalados com *. Assim, por ordem por que aparecem temos: 5-8-14-5-22 e 23-44-87-51-55-76-51.

 

 

Carapau cultural (não confundir com carapau de cultura):

** A propósito de “castrati” (plural de castrato=castrado)

(…)

Como resultado da expulsão das mulheres dos palcos e coros, decretada pela Igreja, surgiram no século XVIII, os "castrati", que eram cantores castrados antes da puberdade para preservarem o registro de soprano ou contralto da voz. Apoiada em pulmões masculinos, essa voz era ágil e penetrante.

(…)

Pode ler mais aqui e em outros sites.



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Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009
Sucateiros & Cª

                                                                     

                              (- Aqui está a chave Dr....)

 

 

- O senhor doutor dá licença?

- Entre! Quem é o senhor?

- Sou o Zé da Silva, o Sr. Dr. não me conhece. Negoceio com sucatas.

- E o que quer falar comigo?

- O Sr. Dr. tem ali no quintal uma sucatagem, venho apresentar uma proposta de compra.

- Sucata no quintal?

- É pouco, mas sempre ficava com o terreno limpinho. Depois um pouco daqui e outro pouco dali sempre faço uma cargazita.

- Mas que tenho eu no quintal que lhe interesse?

- É coisa pouca, Dr. Uma porta velha de chapa, da casa do cão, uma roda de triciclo, um bocado duma colher, um garfo com menos 2 dentes, uma roda dum patim e pouco mais, mas sempre dava 10 euros por aquilo.

- 10 Euros? E você vem aqui incomodar-me por 10 euros?

- Não posso dar mais.

- Não pode? Ora vamos lá a ver… O senhor Silva gostava de fazer um negócio em grande?

- Então não havia de querer Sr. Doutor?

- Espere aí.

(O Doutor faz uma chamada aparentemente para um amigo. Depois do telefonema, volta a falar com o Sr. Silva.)

- Ora bem. O amigo Silva vai ali ao lado falar com o Sr. Doutor que está aqui neste papelinho, e vai ver que não se arrepende. Mas ó amigo Silva abra lá os cordões à bolsa que isto é coisa de milhões…

- Oh Sr. Doutor. muito obrigadinho. Deixe lá que não me vou esquecer do senhor…

- Ai não vai não. Para já deixe aí 10.000 dele em notas usadas. Para 1ª prestação não está mal: Que achas ó Silva?

- A falar é que a gente se entende. Só espero é que o negócio renda para poder pagar assim esse graveto todo…

- Oh pá deixa-te disso. Negócios com sucatas, com lixo, e com lixeiras é que são negócios catitas. Cheiram mal, ninguém se mete nisto.

- Tenho a impressão que vai ser o princípio duma bela amizade, a nossa…

- Pronto. Mete o cacau aqui nesta gaveta e vai lá falar com o homem que já deve estar em pulgas. Ele vende electricidade em pó e tem lá uma grande quantidade já com bolor e quer ver-se livre daquilo.

- Ok. Boa tarde pá!

- Boa tarde pá! Depois diz como correram as coisas.

 

(45 minutos depois, toca o telefone)

- “Porreiro pá”! O gajo é fixe, vou ganhar um dinheirão…

- “Vais ganhar?”

- Desculpa pá, vamos ganhar. Todos. É tudo uma malta fixe.

- Não duvides. É tudo do melhor.

- O gajo indicou-me mais um tipo que vende gás ao domicílio. Parece que tem umas botijas de gás já velho, gás que já não arde, para vender prá sucata. E há outro quer ver-se livre dumas linhas de caminho de ferro…

- Tás a ver pá! É sempre a facturar!

- Agora estou com pressa, ainda vou ter de comprar dois Mercedes, coitados deles, parecem que andam a pé…amanhã falamos.

- Mercedes eu não quero… por enquanto, tenho aqui este do…

- Já sei. Tu gostas mais dele em notas…

- …usadas.

- Estou já a bolar uma negociata do caraças.

-Ai sim? Quanto vou receber por ela?

- Porra! Não deixas passar uma.

- Querias? Conta lá a negociata.

- É assim: faço o tal negócio das botijas. Quero dizer, o negócio de eu retirar as botijas por uns milhões. Estou a pensar em receber o cacau e deixar lá as botijas. Assim eu não tenho trabalho e eles não perdem tudo. Ficam com elas à mesma… E qualquer dia voltamos a fazer o mesmo negócio com as mesmas botijas. Tás a topar?

- Chiça! Mas que raio de negócio é esse? Compras e ainda te pagam? És pior que eu…

- Aprendo depressa pá. Estou habituado a lidar só com sucatas, lixo e merda. Estou como peixe na água. Estou com a minha gente.

- Podes crer. Agora boa tarde, que tenho ali outro cliente à espera.

 

 

Dúvida metafísica do Carapau:

 Estas conversas acabarão algum dia? E eu e outros como eu e “Vós oh! Tágides minhas”, que figura fazemos no meio disto? Já repararam que o ambiente é propício para que no “Ambiente”, os empreendedores contactem os que passam a vida a empreenderem a maneira de perceber o “empreendorismo” dos que uma vez empreenderam, lá atrás das fragas, que um dia iam ser também eles grandes empreendedores?

 

E nós a sermos todos os dias empreendidos (mas com a 6ª letra do alfabeto) … e mal pagos!

 

 

 

 



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Terça-feira, 3 de Novembro de 2009
O homem, essa perfeição...

                                     

                                      

                                         Diógenes (de Sinope), filósofo grego (404-323 a.C.)

 

 

 

 

 Ao Carapau hoje deu-lhe para o sério. Associou

3 casos que lhe vieram à mão e vai “prantá-los” aqui sem muita conversa.

 

1-     “Mutilação Genital Feminina (MGF) vitima 140 milhões” – li num jornal.

Como toda a gente sabe esta mutilação consiste na remoção de uma parte ou da totalidade dos órgãos sexuais femininos, e é prática corrente em muitos países do mundo. A finalidade é que a mulher não tenha prazer durante o acto sexual e portanto, quando casada, não sinta a tentação a praticar o adultério. Isto quer dizer que na sua origem esteve o homem, certamente inseguro, mandão e a não gostar nada de andar com um par de cornos. Há homens que só se casam com “mutiladas”.

As coisas evoluíram (o homem fê-las evoluir certamente), passaram a “tradições culturais”, “religiosas” e por aí vamos. Na Europa, na Europa civilizada, culta e defensora dos direitos humanos, onde a MGF é proibida, deve haver meio milhão de mulheres mutiladas. Em Portugal há bastantes e há circuitos para realizar essa “operação” por cá, clandestinamente, ou noutros casos, aproveitando as férias das miúdas  elas são levadas à “terra dos pais” para serem submetidas “lá”. A (des)graça disto é que são as mulheres mais velhas (também elas mutiladas) as principais cultoras e executoras do acto. Não vale a pena dizer mais. Há muitos sítios que se pode consultar este assunto. Quem quiser ler o testemunho duma vítima pode ir aqui. Lá para o fim encontra esse testemunho, e entretanto, pelo caminho, vai sabendo mais coisas.

 

2        - Ainda num jornal, a foto de 5 mulheres lado a lado. São as 5 novas ministras. Uma já era, as outras pelos vistos tiveram vontade de o ser. E destas quatro, uma até nem é ela, é um seu heterónimo…

          Nada a opor, talvez se fossem 16 em vez de 5 e com uma outra “à frente” nem seria pior. O que me intriga é por que razão agora, quando o governo é minoritário, se foram “pescar” 5 ministras, e anteriormente, quando era maioritário só havia 2. Ou me engano muito ou é para elas servirem de barreira aos ataques que se avizinham. Há muito homem que gosta de se esconder atrás duma mulher. Oxalá sejam ministras e não biombos.  

 

3        – “Operação Face Oculta”. - É o caso do sucateiro e sus muchachos (ou dos muchachos e su sucateiro). É por isso que no cimo deste post está quem está. De seu nome Diógenes (de Sinope), filósofo grego, fundador da filosofia cínica, parece que desprezava os poderosos e as convenções sociais. Andava pelas ruas de Atenas, de lanterna na mão, à procura dum “verdadeiro homem”. Ele sabia, já naqueles longínquos tempos, que isso era trabalho complicado. Procurasse ele sucateiros e não precisaria de lanterna.

   

Eu, que “adoro” Sucatagens & Cª voltarei a este assunto brevemente.

 

Observação final:

Depois de escrito este post pus-me a pensar se seria possível ligar os três assuntos. Não foi essa a intenção, mas com um pouco de imaginação, sabe-se lá…

 

          

 



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Quinta-feira, 29 de Outubro de 2009
Conversa com a vaca Belisária

               

 

 

A propósito da polémica que corre por toda a Europa sobre o preço do leite, das cotas (ou das quotas para quem gostar mais) leiteiras, dos subsídios à produção, etc, etc, lembrei-me duma conversa que em tempos tive com a conhecida vaca Belisária, na altura uma campeã produtora de leite. Encontrei-a numa Feira da Agricultura em Santarém, num ano em que eu tinha ido de férias Tejo acima, a convite duma Fataça, que morava para os lados da Azambuja. Não é que eu goste muito de água pouco salgada e morna, mas o convite não era para rejeitar, ainda que eu seja um pouco alérgico ao cheiro a petróleo de que a Fataça abusa, mesmo sendo um perfume com alta cotação no mercado. Estava eu a mostrar à Fataça o ubérrimo úbere (se me for permitido expressar-me deste modo) da Belisária, enquanto esta ruminava uma qualquer ideia à mistura com um resto de palha, quando ela, a vaca, resmungando ainda com a boca cheia, se dirigiu a mim:

- Tás admirado?

- E não é para estar?

- Não és o único. Toda a gente que por aqui passa abre a boca de espanto e diz umas gracinhas.

- De facto, não é para menos. Pareces mais uma fábrica de leite que uma vaca, com todo o respeito.

- Mas tenho orgulho no meu úbere. A malta que por aqui passa diz sempre “olha as mamas que a vaca tem”. Não foi por acaso que já fui premiada várias vezes.

- Os bois devem andar todos atrás de ti?

- Bois? Muuuu..ahahaha! És mesmo um atrasadinho. Isso já se não usa.

- Eu pelo menos não uso a não ser em bifes – disse eu à espera que a Belisária me perguntasse se um Carapau também come bife. – Mas já te deixaste de bois?

- Já me obrigaram a deixar. Há séculos! E que saudades desse tempo…

- Já não te aguentas nas canetas?

- Quais canetas, qual não aguento, estás a chamar-me velha?

- Nem pensar. Com esse ar luzidio, estás aí para durar e ruminar… mas como disseste que já não…

- Em que mundo vives tu, ó barbatanas?

- Isso é para mim ou aqui para a Fataça?

- Para ti meu azulinho; não é contigo que estou a falar? Há que tempos não sinto o peso dum boi.

- Mas então não é preciso de vez em quando “sentires esse peso” para poderes depois dar leite?

- Grande ignorante! Então nunca ouviste falar em inseminação artificial?

- Sei lá o que é isso – disse eu a disfarçar a minha pretensa ignorância, à espera de ouvir a explicação técnica da vaca. Nós por lá não usamos disso. É mesmo luta corpo contra corpo, disse eu a piscar o olho para a Belisária.

- Deve ser deve…sempre ouvi falar em ovas de peixe, mas está bem eu engulo essa.

- Mas então se já não vais ao boi, como é “isso” feito?

- Para já “nunca fui ao boi” como tu dizes. Sou vaca séria e não uma dessas. Quando estava na hora, traziam o boi até mim para conversarmos.

- Devia ser uma rica conversa – repliquei a puxar-lhe pela língua (“língua de vaca estufada com umas cenouras, rico petisco”, pensei eu mas não disse nada não fosse ofendê-la).

- À nossa maneira lá comunicávamos. Aliás achas que é precisa muita conversa? Creio que não tens experiência nenhuma sobre o assunto. Mas sempre te digo que quando me entusiasmava era cá cada berro muuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!! que se ouvia na Golegã. Bons tempos. E então o Boiboizão era cá um pedaço, que não te digo nada. Pesado como um camião TIR, mas na altura tinha a leveza dum fardo de palha… lembrava-me lá eu do peso…

- Isso tresanda a saudades de outros tempos cara Belisária…

- Se te parece! Agora está tudo mudado.

- Mas então como é que as coisas funcionam agora. Ou tu já não…

- Já não? Sou a rainha das vacas, ou a vaca das rainhas, conforme aches melhor. Se ando de feira em feira é porquê?

- Mas se já não contactas os bois…

- Isso é verdade. Contactos directos, tipo luta corpo a corpo, acabou-se. Mas tenho contactos indirectos, ou se quiseres, por interpostas pessoas.

- Interpostas pessoas? Homens metidos contigo?

- Homens e não só. Às vezes até já mulheres…

- Grande vaca! Não te estava a ver nessas orgias…

- Quais orgias quais carapuças, estás a insultar-me.

- Não tive intenção. Cada qual faz o que quer, não tenho o direito de te julgar. Desculpa se te ofendi.

- Vê-se que és mesmo um molho de feno de ingenuidade e ignorância. O que eu quis dizer é que agora o “trabalho” (“qual trabalho? O Boiboizão adorava isso” – ruminou para dentro a vaca) é feito por uns tipos em geral vestidos de branco, que mais parecem uns anjolas que outra coisa.

- Amiga Belisária, creio que já te posso tratar assim, ainda não estou a ver como a coisa se processa. Então e esses anjolas usam algum banco, algum escadote, qualquer coisa assim…senão não estou a ver como…

- Por acaso usam banco sim senhor. Até diria que usam dois. Um aqui para se sentarem ao pé de mim e outro acho que o tem lá não sei onde, meio escondido e parece que é frio como o pólo norte.

- Que sabes tu do pólo norte?

- Devo saber tanto como tu, ora essa. Sei que é frio, com gelo por todo o lado.

- Mas voltando aos bancos…

- Pois é: ele senta-se a meu lado, ali na parte de trás, em geral vira-me as costas e não me deixa ver nada, faz-me ali qualquer coisa que eu a bem dizer não sinto nada, depois um outro dá-lhe uma seringa e depois faz mais qualquer coisa e pronto, já está.

- Já está o quê?

- Já está o serviço dele feito. Tira as luvas, atira-as ali para o caixote do lixo e vai-se embora, quando não vai ter com outra vaca…

- Eh homem danado! E diz-me uma coisa. Se dizes que não sentes nada, isso resulta?

- Se resulta? É tiro e queda! Tempos depois começa-me a inchar a barriga…

- Não me digas que ficas grávida?

- Qual grávida qual caneco. Fico prenhe e bem prenhe. Ou pejada, ou cheia, ou mesmo prenha como por aqui se diz. Deixa-te lá dessas fidalguias…

- E tu ficas a ver navios…

- Não. Fico a dar leite à espera que nasça o bezerro ou a bezerra. É a vida!

- Então isso quer dizer que o Boiboizão está reformado…

- Qual reformado! És mesmo lélé da cuca (influências de um grupo de brasileiros que tinha passado pela feira), está no activo e é muito bem tratado. Dizem que tem mais filhos do que flores tem o campo.

- Como é possível? Estás a gozar comigo…

- Já não gozo nem com ele e ia agora gozar contigo…tenho pena mas não sei responder-te. Vai ali ao balcão que há à entrada do pavilhão talvez alguém te informe.

- Bem, sendo assim vou deixar-te. Vem ali um grupo excursionista, vais ter que ouvir mais umas piadas.

- Deixa-os vir que com essa gente não falo. Falei contigo porque me pareceste boa peça e além disso um bom ignorante.

- Ignorante era a tua mãe, a grande vaca, mas essa, pelo menos, fazia tudo à antiga, não era como tu… - e fui-me afastando para não ter de ouvir a resposta da Belisária.

 

 

 

 

 

 



 



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Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009
24 M entrevista Cadeira

                                                  

                                                   

    

      

 Ontem, ao dar uma vista de olhos pelas primeiras páginas dos jornais, no quiosque ali da esquina, vejo na 1ª página do 24 Minutos uma fotografia que não me parecia nada estranha. Peguei nele e confirmei. Era mesmo uma foto da minha Cadeira com quem há dias tive uma conversa. Ela tinha dado uma entrevista que vinha ali escarrapachada. Comprei o jornal, li, reli, percebi que a entrevista tinha sido encomendada e depois destas horas de reflexão resolvi publicar aqui essa entrevista, mesmo sem fazer vénia ao tal jornal, já que ele invadiu a minha privacidade sem dizer água vai.

O que vai…é ler a entrevista já de seguida (omito as considerações iniciais da jornalista porque gosto muito de omitir coisas.)

 

Jornalista: - Quero agradecer em 1º lugar a disponibilidade que a Senhora Cadeira teve em nos receber e dar esta entrevista.

Cadeira: - Olhe menina! Primeiro não me trate por Senhora, senão ainda pareço mais velha do que sou na realidade. Depois quanto à disponibilidade…estou sempre disponível para qualquer pessoa desde que Ele não esteja a ocupar-me.

J: - “Ele” como a Cadeira o trata, é possessivo?

C: - Se tem posses? Eu não sei disso menina, nesse aspecto Ele é muito reservado.

J: - Não era disso que eu falava. Queria saber se Ele se agarra muito às pessoas ou às coisas…

C: - Ah! Lá nisso de se agarrar deixe-me pensar…sim, às vezes agarra-se e com força. Olhe, a mim quando me quer puxar para a frente agarra-me mesmo com força pelos braços e obriga-me até a saltar. E também já o tenho visto agarrar-se aí a outras coisas. Quanto às pessoas…que me lembre…desculpe mas sobre isso não falo.

J: - Mudemos então de assunto. A Senhora, perdão, a Cadeira ficou muito ofendida com a conversa que há dias teve com Ele?

C: - Ofendida? Eu? Com Ele?

J: - Sim.

C: - Não.

J: - Mas pareceu…

C: - Nem tudo o que parece é. Eu estava num daqueles dias, a menina sabe como é, irritadiça. Mesmo que Ele me dissesse que me levava para as Caraíbas eu reagia da mesma maneira. Depois esta coisa que tenho aqui no espaldar estava a incomodar-me…

J: - A Cadeira gostava de ir às Caraíbas? Passar uns dias de férias…

C: - Eu, menina? Nem pense. Eu gozo férias é quando Ele vai de férias.

É um descanso…mas deixe-me dizer-lhe que poucos dias depois de Ele partir já estou roidinha de saudades, de sentir-lhe o calorzinho, das resmunguices…

J: - …e dos maus cheiros não?

C: - Oh! Menina, isso não se diz. São coisas cá nossas, foi um desabafo, mas é assunto privado. Eu atirei-lhe isso à cara, mas compreendo essas coisas. Tenho amigas minhas que me contam cada história…

J: - E quanto ao despedimento? Isso incomoda-a? Acha justo?

C: - Bem. Ele invoca justa causa. Inadequação ao posto de trabalho e incapacidade parcial para desempenhar cabalmente as funções que me foram atribuídas. Ele tem razão. Aliás, quero dizer-lhe menina, que Ele tem sempre razão.

J: - Sempre?

C: - Sempre. Às vezes engana-se, mas tirando isso tem sempre razão.

J: - E Ele engana-se muitas vezes?

C: - Sempre. A fazer o Euromilhões é sempre. E noutros palpites é cada tiro na água que nem conto à menina.

J. – Então está sempre a enganar-se.

C: - Não menina. Ele nunca se engana. A menina é teimosa…

J: - Outra coisa, agora mais pessoal. Ele trata-a com carinho? Naquela conversa parecia um pouco ríspido…

C: - Olhe menina! Pode não parecer para quem o vê assim meio sisudo, mas aquilo é um amor. Eu tive muita sorte em vir parar aqui. Depois Ele tem um não sei quê…e agora já não é nada do que foi. Noutros tempos…

J: - Já o conhece então há muito?

C: - Nem por isso: Há meia dúzia de anos. Mas sei… pelo que ouço dizer a outras que por aqui passaram e também vejo isso pelas fotos que ele às vezes me deixa ver.

J: - Ele mostra-lhas?

C: - Não. Mas às vezes ele deixa essa maquineta aí ligada e se calha estar nas fotos eu vejo.

J: - A Cadeira vê tudo o que Ele faz aqui?

C: - Não menina, é muito difícil. Ele está sempre de costas viradas para mim e tapa-me a visão quase toda. O que eu mais tenho visto, ao longo da minha vida com Ele, é a careca a aumentar. Isso sim, vejo eu muito bem. Até já lhe tenho dito para usar…

J: - Sim. Usar…?

C: - Desculpe menina não lhe digo mais nada. Ia cometer uma inconfidência. Distraí-me Não ponha esta parte na entrevista…

J: - E de saúde como se sente?

C: - Ele senta-se e sente-se com saúde, pelo menos é sempre o que está a dizer. E a verdade é que às vezes dá cada gargalhada aqui sozinho, até parece parvinho. Às outras pessoas diz que lhe faz bem. Agora eu…esta coisa que tenho aqui nas cruzes…acho que nunca mais vou ficar boa.

J: - Mas afinal do que se trata?

C: - Creio que já não se trata. Foi qualquer coisa que se deve ter partido aqui dentro. Eu bem que senti assim a modos que um estalido, mas foi tudo tão rápido…

J: - E Ele não trata de si?

C: - A bem dizer menina, quando Ele ouviu o tal estalido, mirou-me de cima a baixo, apalpou-me toda, revirou-me, até o pino me obrigou a fazer ali contra aquela parede. Descompôs-me toda, meteu-me uma coisa ali atrás e esburacou-me, olhe menina, se nessa altura tivesse entrado aqui alguém e nos visse naqueles propósitos até podia pensar coisas…

J: - E a Cadeira sofreu esses tratos de polé sem se queixar?

C: - Oh! Menina, eu queixo-me todos os dias. Quando Ele se senta começo logo a gemer. É por isso que Ele me quer substituir.

J: - E quanto àquela insinuação que a Cadeira faz de quando se sentavam duas pessoas em cima de si.

C: - Insinuação nada. É a pura verdade. Ainda acontece hoje. De vez em quando aparece aí uma pessoa que lhe dá cabo da paciência, que mexe e remexe em tudo, que abre as gavetas, desarruma, rasga papeis, pinta a manta e Ele berra com ela, diz-lhe para não mexer em nada, mas a zaragata acaba sempre com ela sentada nos joelhos dele e ficam a brincar aí nessa maquineta. E eu a aguentar com ambos.

J: - Ah! Então quer dizer…

C: - Já disse tudo.

J: - Ele alguma vez a maltratou?

C: - A mim? Nem pensar. Olhe como estou estimadinha, sem uma esfoladela, com o estofo intacto, cores inalteradas, limpinha…é só aquele problema ali atrás no espaldar. Agora a secretária, às vezes leva cada murro, coitadinha dela. Mas não é por mal. São coisas que não correm bem, a menina sabe disso. E depois é cada palavrão…mas isso é só quando está sozinho aqui comigo. Já estou habituada, até já sei alguns…

J: - E quando acha que Ele a vai mandar embora?

C: - Isso não sei. Nem Ele sabe. Tem assim aqueles modos meio brutos, mas depois vai-lhe passando, vai-se esquecendo, outras coisas o vão entretendo e até pode ser que passe. Eu creio que se Ele me pusesse umas gotinhas de óleo, pelos menos a minha chiadeira ia passar. Talvez Ele um dia se lembre…

J: - Gosta então muito d'Ele?

C: - Muito. A menina sabe lá as atenções que Ele tem para comigo…Brevemente, quando começar o frio, ele quando se vai embora põe-me sempre um casaco de malha aqui no espaldar para me agasalhar. É mesmo um amor. Que coisa melhor podia desejar uma Cadeira?

J: - Muito bem. Gostei muito de lhe fazer esta entrevista e só espero que Ele a continue a tratar bem…

C: - Também eu menina. Desculpe não a acompanhar até à porta, mas esta dor aqui nas cruzes e as rodinhas já não me deixam mover como dantes. Muitas felicidades para a menina, vá com cuidadinho e atenção a esses malandrecos que andam aí pelas ruas. Eu aqui ouço cada história….

 

 

 



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Domingo, 18 de Outubro de 2009
Diálogo interior

                                                          

   

A (des)propósito dum comentário deixado aqui por alguém que insinua que o Carapau anda na boa-vai-ela, pois passam-se dias e não aparece nada de novo no blog, fiz uma introspecção que, diga-se de passagem, é uma coisa lixada de fazer porque um tipo tem de se dobrar sobre si mesmo e tentar meter-se dentro de si (as espinhas e as escamas não ajudam nada, acreditem) e acabei a espremer as meninges, o que não é menos complicado.

De facto há períodos na vida dos peixes em que a mioleira como que hiberna e a caixa dos pirolitos, por muito que se puxe por ela, não deita nada cá para fora (sim, porque para dentro nem calculam o que a caixa deita, só que são coisas impublicáveis e que certamente lançavam o pobre peixe pelas cavernas da amargura…).

É certo que durante uns dias a caixa esteve mais virada para outras coisas que nem às paredes confesso, mas pelo menos à hora do lanche, quando as navalheiras andam por aqui há espera que aconteça qualquer coisa, bem me poderia ter esforçado…

E, quando a imaginação é pouca e a falta de vontade é muita, há sempre o recurso a uma qualquer notícia picaresca, que com meia dúzia de enfeites dá para escrever qualquer coisa. E alguma deve ter havido que me passou ao lado ou não soube aproveitar.

Depois há o recurso aos Dias Internacionais de Qualquer Coisa, sempre uma boa fonte para blablar. Só nestes últimos 3 dias poderia ter escolhido entre o Dia Internacional da Alimentação (ou da falta dela?) a 16, o Dia Internacional da Erradicação das Pobreza a 17, e o Dia Europeu Contra o Tráfico de Seres Humanos, a 18, hoje portanto.

Qualquer deles com pano para mangas para fazer um qualquer fatinho à medida. Depois os três juntos (e estas coisas andam sempre juntas, oh se andam…) davam para um tratado.

Também podia brincar com estas “coisas sérias”, que no fundo é o que mais gosto de fazer, mas…

O “mas” diz tudo, evita-me explicações, ainda que me faça perder um bom par de linhas. Não direi que costurava um Armani que para tanto me faltaria engenho e arte, mas alinhavava um trapito de trazer por casa…

- E então? – Pergunto eu a eu. (e aqui começa o tal diálogo interior de que fala o título).

- Então é uma gaita não ando nada virado para estas coisas… - respondo eu para dentro para ninguém ouvir.

- Deixa-te disso. Tens é uma preguicite aguda que fere cumó caraças. – Disse o “eu” que fala assim descontraidamente. – Trata mas é de fazeres alguma coisa de jeito, senão qualquer dia nem te olho pró focinho…

- Não olhes. Tanto se me dá como se me deu (frase de grande profundidade filosófica, que em geral é dita com um encolher de ombros a disfarçar uma certa impotência para fazer essa qualquer coisa de jeito).

- Manda essas bocas para os outros, mas poupa-me a mim que te conheço de ginjeira… (ainda gostava de saber donde vem esta de meter a ginja no assunto. Ainda se fosse “conheço-te da ginjinha” ainda vá que não vá… Com elas, ou sem elas…)

- Sorte a tua. Há muita gente que não se conhece. Nem de ginjeira nem de cerejeira – respondi a tentar ter alguma piada.

- Tens é muita lábia. Julgas tu que enganas este mundo e o outro com essas patacoadas (outro termo de elevada elegância do tal “eu”, quando quer “encher chouriços” - esta sim de minha autoria, como certamente reconhecerão todos os que se dedicam a “enfiar o barrete” de vir aqui espreitar a ver se há alguma coisa de novo e com algum jeito).

 

E o diálogo ainda continuou, a páginas tantas já nem sabia qual era o “eu” que perguntava e o que respondia, mas acabou quando um deles, com um sorriso sacaninha de quem tinha descoberto a pólvora mas não ia dizer nada a ninguém, acabou por atirar:

- Já te topo há séculos! Foi tudo paleio vadio para encheres umas tantas linhas e desta maneira cozinhares um post para o qual não tinhas unhas…

- Pois não. Não tinha nem tenho. Só barbatanas…

 

Conclusão: - nunca tentes enganar quem te conhece de ginjeira, à légua, por dentro e por fora. E tudo de olhos fechados.

 

      



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Sábado, 10 de Outubro de 2009
Diálogos (II)

                                                       

                                                              Ela, quando nova

 

 

Já em tempos tive aqui um diálogo com o meu velho espelho. Essa série era para ter continuação, mas depois os ventos atiraram-me para outras paragens e fiquei por aquele 1º diálogo, já lá vão largos meses.

Hoje retomo-os, com este diálogo com a minha "velha"

 

Cadeira

 

- Ai!

- Que foi?

- Magoaste-me.

- Eu?

- Quem havia de ser? Está aqui mais alguém?

- Estás muito sensível…

- Atiras-te para cima de mim, à bruta.

- À bruta? Estás a exagerar. Sentei-me.

- Sentar é uma coisa. Atirar-se à bruta é outra.

- Será. Que mais?

- Estás mais pesado.

- Não estou. Posso parecer, mas ali a Balança diz que não.

- Não confies muito nela. As molas estão já viciadas…

- Que sabes tu disso? Por falar em molas…

-Sim?

- …As tuas é que já não estão nada boas.

- Não admira. A aguentar contigo estes anos…

- Aguentar? Foi para isso que te comprei.

- Compraste?

- Desculpa. Não. Deram-me…

- A cavalo dado não se olha o dente, meu amigo.

- Mas eu olho. Está em causa a minha comodidade.

- Tens reclamações a fazer?

- Claro! Olha para o teu espaldar: Já não tem uma posição certa, rígida.

- A rigidez vai diminuindo com a idade e com os maus-tratos, sabias?

- Maus-tratos? Vidinha boa, aqui à sombra, fresco no verão e quente no       Inverno, querias melhor?

- A ter de te aguentar…

- Para isso aqui estás. E já não estou a gostar muito de ti. Estás a ficar velha.

- Usada. Mas olha que tu não. Cada vez estás melhor…

- Nada de gracinhas desse tipo.

- Tens mais reclamações?

- Eu não reclamo. Pondero.

- Ponderas?

- Substituir-te.

- Ah! Ah! Ah! Só essa me fazia rir agora. E depois vais dormir com a outra como tens feito, amparado pelos meus braços.

- Não durmo. Descanso. Quando preciso de dormir, durmo em qualquer lugar mesmo sem braços…

- Descansas? Ressonas. De boca aberta às vezes. Se visses a figura que fazes aqui.

- Aqui não entra ninguém para ver as figuras que faço ou deixo de fazer. E já não eras como foste. Já não te consigo regular como outrora. Já não funcionas bem. Entendeste?

- Entendi. Posso fazer uma pergunta?

- As que quiseres.

- Com a outra vais continuar a portar-te da mesma maneira?

- Que maneira? A minha maneira de ser, claro que sim. Duvidas?

- Não duvido não. Mas podias ser mais amável. Ter mais consideração para quem tem de te suportar, ser mais educado, por exemplo…

- Mais educado? Que queres tu dizer? Acaso…

- Acaso já pensaste, por exemplo, o que tenho suportado com os teus maus cheiros? E com uma total falta de consideração da tua parte a esse respeito?

- Maus cheiros? Falta de consideração?...Ah! Referes-te a…

- Claro. E achas pouco. Foram anos a suportar esses maus tratamentos. A agora dizes que estou velha, cansada, com o espaldar bambo, com a pele coçada, com uma ou outra mola partida, com as rodas meio perras, já com falta de peças que tu me tiraste, etc. etc.

- Eu não faria melhor retrato de ti. Esqueceste-te só de dizer que já não sobes e desces como dantes, que já não te ajeitas à posição que eu quero, que já não me amparas nos teus braços como dantes, que já nem consigo dormir como dantes…

- Ah! Então confessas que dormes…e quanto ao sobe e desce olha para ti…

- Dantes dormia, confesso. Uma ou outra vez passava pela brasas. Ao fim da tarde, cansado, era bom sentir o conforto que proporcionavas… Agora, é o que tu sabes. Se me reclino mais um pouco, dás-me cabo da coluna. Só me trazes malefícios…

- E tu não estás mudado? Essa escoliose, bicos de papagaio ou de arara, não os arranjaste a andar por aí sentado em qualquer cadeira onde todos se sentam, sei lá mesmo se em bancos de jardim?

- Mau, mau, mau! Deixa-te de insinuações…

- Insinuações… Agora queixas-te. Acaso eu me queixei quando aqui se sentavam duas pessoas. Quando a carga era demais para mim? Quando por isso me maltratavas?

- A conversa minha amiga já vai longa, já disse tudo o que tinha a dizer, a nossa vida em comum está terminada, um dia destes vais sair daqui, já apalavrei a tua substituta. Reforma-te.

- E para onde vou agora com esta idade? Poucos me vão querer…Não me digas que me vais…

- Não digo mais nada. Já falei mais do que queria. Boa tarde.

 

 



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Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009
Submarinos ao fundo!

 

 

*Foi também deduzido pelo Ministério Público, em representação do Estado Português, um pedido de indemnização cível, no montante de 33.989.796,91 euros. (Dos jornais)

 

*No processo dos «submarinos» foram constituídos dez arguidos acusados dos crimes de falsificação de documentos e de burla qualificada (…) (Cândida Almeida directora do DCIAP)

 

*O Estado foi «incompetente» e por isso também pode ter tido culpa no facto das contrapartidas à compra dos submarinos não terem existido (…) «Aquilo que avaliamos ao longo de três anos foi que o Estado foi extremamente incompetente na organização do processo das contrapartidas, o que quer dizer que não foi capaz em cada oportunidade de compra de equipamento militar de assegurar para a indústria nacional as melhores contrapartidas». (…) Já tinha manifestado uma opinião semelhante no negócio da compra de aviões Airbus para a frota da TAP. (Ventura Leite, o socialista que faz parte do grupo de trabalho parlamentar, que fiscalizou este negócio).

 

 

*De posse destes elementos vamos lá deitar contas à vida: (Carapau, hoje)

 

1- Em primeiro lugar reparemos no rigor da investigação, até ao cêntimo!!!

2- Para cada arguido dá 3.398.979,69 euros. Vai ficar a faltar 1 cêntimo e eu estou aqui atento para ver como vão resolver esse caso, e quem o irá pagar. (1ª risada). Este cêntimo ainda vai movimentar muitos escritórios de advogados e ainda vai ocupar muitos tribunais para resolver o caso. Tenho um palpite que acabam por caducar os processos…

3- Caso a indemnização pedida seja paga (2ª risada) vai dar 3,39 euros a cada portuga (considerando uma população de 10 milhões). Pelo meu lado não vou perdoar, e para evitar problema de trocos, quero essa importância descontada num dos impostos ou taxas, a saber (ou então distribuída por vários impostos e taxas para dar mais trabalho ao “pessoal”): IRS, IVA, Imposto de selo, Imposto sobre os combustíveis, IUC (Imposto Único de Circulação), IMI, Taxa de Esgotos, Taxa de Resíduos Sólidos, Taxa de Radiodifusão, Taxa ECO e outros impostos e taxas que agora não me ocorrem mas que podemos sintetizar num imposto abrangente tipo IPQOP*.

4- Distribuídas assim as massas pelos 10 milhões, sobram 89796,91 euros a que todos tem direito. Como daria menos de 1 cêntimo por cabeça, temos aqui outro problema para resolver. Proponho que se gastem em castanhas assadas (está a chegar o tempo delas “quentes e boas”). A preço de mercado, e descontando as "comissões e as contrapartidas" e depois de posto a concurso internacional a realização dum magusto a nível nacional, a coisa dará para 1 milhão de castanhas assadas (e a muito bom preço estou eu a fazer o “negócio”). Portanto cada 10 portugas tem direito a uma castanha. E viva o velho! Isto vai ter uma vantagem: temos de nos associar em grupos de 10 se quisermos petiscar. Cá por mim já tenho alguns comparsas para o magusto (uma proposta à margem: incendeie-se o pinhal de Leiria para assar as castanhas).

Fica aqui lançado o convite a alguns visitantes ilustres da caverna para integrarem o meu grupo: àquela que mora num cantinho e que agora deixou de ser romântica (e que trará umas frigideiras lá da terra dela…); ao Tretas que trará certamente uns pastéis de Belém (e onde. já agora aproveito para dizer que, lá no sitio dele se pode ver outra versão do negócio dos submarinos); ao Tio do dito cujo, que tem andado fugido e que pode trazer uns queijinhos; à Red shoes que vai trazer aquele seu modelito de havaianas para ver se as “assa” na fogueira (ai dela! Já agora pode trazer o recém pendura mas sem direito a comer a dose de castanha); àquela quase Senhora que tem estado com gripe, para ver se lhe tratamos da saúde, para nos ensinar como se vota lá na terra dela, e que vai trazer qualquer coisinha que não lhe faça falta e que ainda esteja dentro do prazo de validade; à minha particular amiga Tainha do Douro, para ver se apanha ar; à minha prima, com a condição de não trazer o Zeca e que por isso está dispensada de trazer qualquer coisa (eu é que a vou trazer ao colo, que ele anda “à rasquinha” das costas. Cá para mim ninguém me tira da cabeça que foi o Zeca que lhe deu cabo da coluna…). Ora bem…feitas as contas e contando cá com o “moi”, que levarei a jeropiga, faltam 2 elementos. Um vai ser a minha vizinha que mora aqui por cima da caverna e que já me disse que é doida por magustos (…) e que trará aquilo que ela sabe que eu gosto. E para fechar a conta vai ser o Zé do Bombo para animar a festa. Espero que todos aceitem e que, para já, contem com um décimo duma castanha assada. No final haverá cânticos de louvor a todos os que contribuíram para esta grande festa nacional, não esquecendo nunca que tudo começou com a assinatura do contrato da compra dos submarinos.

Qualquer dia faremos outras festas a propósito dos Airbus, depois das Fragatas, depois dos comboios de Alta velocidade, depois daquela auto-estrada Dali para Acolá, depois do novo Aeroporto e depois de Muitas Outras Coisas que eu não digo, senão nem uma castanha apanho. Vai ser um nunca mais acabar de festas. (A menos que um dia acabe tudo à porrada, mas nessa altura eu nem me mexo, quietinho aqui na caverna. Quando muito, meto o periscópio de fora para ver como vão as modas).

Fico à espera das confirmações.

Vivam os submarinos!!!

Nota:

*IPQOP - imposto acima referido, abrangente, vai ser um enigma fácil de decifrar. Aceitam-se desde já interpretações. Pode vir com a “aceitação do convite”.

 

 



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